EUA: “Imagens e sons do 14 de Abril”

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 20 de Abril de 2015, aworldtowinns.co.uk

O seguinte texto é da edição de 16 de Abril de 2015 do Revolution/Revolución, jornal do Partido Comunista Revolucionário, EUA (revcom.us).

Um poderoso movimento para acabar com a brutalidade policial cresceu a partir das ruas de Ferguson, Missouri, depois do assassinato policial de Mike Brown. Utilizou a ira criada quando um vigilante racista assassinou Trayvon Martin e recebeu uma pancada do sistema nas suas costas. Foi alimentado pela insuportável realidade que a cada maldito dia a polícia atinge a tiro, brutaliza, humilha, aterroriza e assassina pessoas negras e castanhas – de Staten Island a Los Angeles, de Pasco, Washington, à Carolina do Sul... e em todos os sítios entre eles. No outono passado, este movimento abalou este país como nada tinha feito desde os anos 1960.

Mas o poder flagelou de volta. Com espancamentos e prisões. Com calúnia e mentiras. Com sujeiras sobre quão perigoso é o trabalho de sair à rua e assassinar pessoas negras e castanhas com o total apoio do sistema. Com implorações de “se ter uma conversa”, acopladas a ameaças. Dezembro chegou com um aumento da repressão e das ameaças, e o movimento arrefeceu.

Então, a pergunta a que se tinha de responder era: Será que o poder vai acabar com tudo isto? Ou será que as pessoas se irão reagrupar, voltar às ruas e começar a levar o movimento contra os assassinatos policiais para um nível mais elevado?

Para citar o nosso editorial: “As manifestações do 14 de Abril [A14] contra os assassinatos policiais marcaram um novo começo da luta contra esta afronta. Isto é crucialmente importante, porque sem uma luta de massas não pode haver nenhum progresso e o poder irá simplesmente empurrar as pessoas para o chão. Além disso, estas manifestações tiveram um importante significado potencial para a revolução – para finalmente nos libertarmos de uma sociedade em que o assassinato por polícias e outras coisas continuam a acontecer diariamente, e em que as pessoas continuam a ser oprimidas de uma forma mais geral... uma sociedade em que as vidas dos negros e outras pessoas oprimidas são tratadas como se não tivessem importância. O A14 foi um grande dia, um grande começo – e agora o desafio é retirar as lições e levar isto mais adiante.”

Entre as cidades onde os protestos fizeram parar esta situação: Cidade de Nova Iorque; Chicago, Ilinóis; Greensboro, Carolina do Norte; Atlanta, Geórgia; Los Angeles, Califórnia; Houston, Texas; Zona da Baía de São Francisco; Springfield, Massachusetts; Stockton, Califórnia; Tulsa, Oklahoma; Seattle, Washington; Portland, Oregon; Cleveland, Ohio; Pasco, Washington; Trenton, Nova Jérsia; Detroit; Michigan; Ferguson, Missouri; Birmingham, Alabama; e Madison, Wisconsin. Há muitas histórias de desafio para recontar aqui, e continuam a chegar relatos, mas o seguinte texto dá um vislumbre do que aconteceu.

Manifestações

Houve manifestações de mil pessoas ou mais. E acções de um punhado de pessoas que perceberam o que se está a passar e que não deixaram o facto de todas as outras não o terem feito não as fez parar. 1500 pessoas manifestaram-se na Cidade de Nova Iorque, encheram a Ponte de Brooklyn e explodiram na cobertura noticiosa mundial. Em Birmingham, Alabama, três desafiadores com uma faixa As Vidas dos Negros São Importantes bloquearam um cruzamento, causaram uma grande agitação e foram detidos. Em mais de 20 cidades e em dezenas de escolas secundárias e campi universitários a 14 de Abril não houve a situação do costume. Os protestos assumiram diferentes formas, com diferentes forças e perspectivas na mistura – decididos e desafiadores de que os assassinatos policiais têm de ACABAR e que este não seria um dia como de costume.

O maior protesto ocorreu em Nova Iorque onde, desde Dezembro passado, o presidente da câmara sentiu necessidade de defender todos os casos de assassinatos e brutalidade policial e de caluniar e atacar vilmente os protestos contra a brutalidade policial. Duas horas antes da principal concentração, uma brigada de cerca de uma dúzia de pessoas, uma mistura de revolucionários veteranos e pessoas dos bairros, reuniu-se em Harlem para espalhar a palavra e mobilizar mais pessoas para descerem ao centro. Um homem mais velho tocou um beat num tambor de mão que tinha uma citação da Bíblia. Ele morava no Harlem desde o tempo de Malcolm X e recordava-se orgulhosamente de o ver na rua; ele disse que as coisas só tinham piorado desde então.

Na Union Square [Praça da União], Cornel West, que juntamente com Carl Dix lançou o apelo para o 14 de Abril, falou a mil pessoas: “Deixem a palavra sair daqui agora. É um novo dia na Cidade de Nova Iorque! É um novo dia no país! E é um novo dia porque quando aqueles a quem alguns chamam pessoas do quotidiano endireitam as suas costas, eles irão para algum lugar. Porque as pessoas não se podem montar nas vossas costas a não ser que elas estejam curvadas. E quando vocês tomam uma posição, quando vocês estão dispostos a correr riscos e a contar a verdade... e a condição da verdade é sempre permitir que o sofrimento fale. E quando o sofrimento fala, o poder tem de responder de alguma forma. Tem havido demasiadas pessoas, não apenas assassinadas, não apenas sistematicamente desrespeitadas, e nós chegámos ao ponto em que já não podemos aguentar mais isto!”

Respondendo ao desafio, Carl Dix disse à multidão na Union Square: “Agora, quando vocês dizem que vão acabar com algo tão sério quanto isso, você têm de se organizar. Foi por isso que o Cornel e eu formámos a Rede Para Acabar com o Encarceramento em Massa. Ela existe para construir a resistência a este genocídio que está a decorrer. É agora um genocídio lento, mas poderá acelerar a qualquer momento. Se vocês querem ver este genocídio acabar, então precisam de se juntar a nós. A Rede Para Acabar com o Encarceramento em Massa tem pessoas que chegaram de formas diferentes às coisas – não acreditamos todos nas mesmas coisas, não praticamos e pensamos todos da mesma forma – mas todos nós pensamos que a polícia a assassinar pessoas, que as pessoas a serem armazenadas em prisões, tratadas como menos que seres humanos completos, tem de acabar, e nós juntámo-nos para acabar com isto. Vejam, se sentem o mesmo, então vocês precisam de se juntar à Rede Para Acabar com o Encarceramento em Massa. Inscrevam-se, venham à próxima reunião e façam parte da construção da resistência que pode acabar com esta merda.”

“Agora, aqueles de vocês que me conhecem sabem que eu sou um comunista revolucionário e que eu sempre vos disse que as coisas não têm de ser assim. Não temos de aceitar a polícia a assassinar os nossos jovens. Podemos acabar com tudo isto, mas vai ser preciso uma revolução, e nada menos, para o fazer. É para isso que eu estou aqui, é para isso que eu estou a trabalhar. É para isso que o Partido Comunista Revolucionário e o seu líder Bob Avakian estão a trabalhar. [...]”

Marchando a partir da Union Square, recolhendo pessoas no caminho à medida que se dirigiam para a Ponte de Brooklyn onde aqueles que eram jovens e suficientemente ousados saltaram por cima das altas cercas e fluíram para as faixas de trânsito.

Em Los Angeles, após uma concentração de quase 1000 pessoas, dezenas de manifestantes decididos a continuar o A14 para acabar com os assassinatos policiais mantiveram-se na zona do centro da cidade ao longo da hora de ponta. Vinte deles sentaram-se num movimentado cruzamento no centro da cidade, fazendo parar a Linha Azul do Metro, bloqueando a rua e o trânsito na auto-estrada durante uma hora.

Tanto em São Francisco como em Oakland, Califórnia, os manifestantes invadiram a câmara municipal, confrontando o poder e a comunicação social com cartazes daqueles cujas vidas tinham sido tiradas pela polícia. Em Portland, São Francisco e Oakland, as auto-estradas foram fechadas ou bloqueadas. Em Stockton, um dos cruzamentos mais movimentados foi fechado. E houve manifestantes desafiadores e decididos também noutros lugares.

Sair das escolas...

Estudantes do ensino secundário e universitário organizaram saídas de dezenas de escolas e fizeram estremecer a situação do costume nas suas escolas, e na sociedade.

Em Los Angeles, um professor disse a uma jovem que ela era “demasiado pequena para fazer uma mudança”. Ela respondeu: “Veja quantas pessoas eu consegui fazer sair comigo!” Os estudantes da Academia de Kenwood em Chicago organizaram uma saída exuberante, e dois deles foram presos. Mais de 30 estudantes saíram da Escola Secundária Amigos de Brooklyn para se manifestarem em Nova Iorque.

Em Madison, Wisconsin, estudantes do ensino secundário e outras pessoas fecharam a Avenida West Washington durante várias horas – alguns deles foram presos, entre os quais um elemento da comunicação social cuja máquina fotográfica foi destruída. Um comunicado dos Young Gifted and Black [Jovens, Talentosos e Negros] disse: “Os membros da comunidade estão enfurecidos mas não surpreendidos com esta brutal exibição do poder do estado pelo Departamento de Polícia de Madison.”

Houve die-ins na Universidade da Califórnia em Los Angeles, Amherst (Massachusetts) e na Universidade de Wisconsin (Madison). Os estudantes saíram das escolas e reuniram-se nos campi, incluindo na Universidade de Washington em St. Louis e na Universidade de Columbia em Nova Iorque. Na Universidade John Caroll em Ohio, a União de Estudantes Negros informou que a polícia “destruiu os nossos cartazes a anunciar este evento”. Cerca de 30 estudantes da Seattle Central College (SCC), uma universidade comunitária operária com muitos estudantes negros e multinacionais, saíram das aulas depois de um grupo menor de estudantes, organizadores e pessoas da comunidade terem marchado e cantado pelos corredores, subindo e descendo escadas, e fizeram die-ins e speak-outs nos corredores e na cafetaria. Durante um speak-out na cafetaria, um estudante negro disse que o verdadeiro problema era o “crime dos negros contra os negros”. Isto foi respondido por uma mulher negra que encorajou as pessoas a não serem enganadas, dizendo que isso era uma mentira para fazer com que as pessoas pensem que os negros são animais abaixo de humanos. Os estudantes da SCC marcharam então até uma universidade católica vizinha onde recolheram mais um par de dezenas de pessoas – uma delas disse: “Eu tinha de me juntar porque eles são o meu povo (os rostos na faixa), vocês são o meu povo (os manifestantes)”. Os estudantes juntaram-se a outras 200 pessoas no bloqueio das principais ruas do centro da cidade de Seattle durante a hora de ponta.

Na Universidade da Califórnia em Berkeley, 15 estudantes tomaram uma posição firme na entrada principal. Essa determinação, que incluiu enfrentar outros estudantes que se ressentiam por terem a sua rotina perturbada, compeliram mais umas dezenas de pessoas – chegando a estar 75 pessoas a bloquear fisicamente a entrada. Um correspondente fez uma importante observação: “Isso fez uma diferença crucial, passou de protesto simbólico a uma verdadeira paralisação. E bloquear a passagem de estudantes que se apressavam impetuosamente para ir almoçar ou ir de uma aula para outra é algo importante. Isto é uma vaga de centenas, provavelmente milhares, de pessoas a fluir num período de 10 minutos ou assim, e é frequentemente muito frustrante tentar chegar a estes estudantes desta forma – de olhares cegos, aparentemente inconscientes a tudo menos para onde vão a seguir. Portanto, este quase-rebanho foi virado de pernas para o ar e parado – forçando os estudantes a parar e a enfrentar isto e a pensar realmente nisto. Como disse um estudante negro: as pessoas podem ignorar um folheto ou uma concentração ou uma conversa, mas não podem ignorar isto!” O correspondente acrescentou: “Realmente chocou-me o facto de estar a decorrer uma das mais agudas lutas ideológicas e haver essas pessoas que pensam que já sabem tudo, ou que já se opõem ao racismo, pelo que eles estão bem ou já fazem tudo o que podem. A maioria dos estudantes da UC foi respeitosa e basicamente encorajadora, foram poucos o que tentaram passar pelas linhas.”

Amplitude e determinação

Houve uma inspiradora amplitude nos eventos. No seu núcleo, activistas dedicados da Rede Para Acabar com o Encarceramento em Massa e comunistas revolucionários, para quem a luta para acabar com a brutalidade e os assassinatos policiais está firmemente integrada na construção de um movimento pela revolução que irá acabar com toda a opressão. Este núcleo incluía pessoas que viram o Diálogo “Revolução e Religião”, com Bob Avakian, o líder do movimento pela revolução comunista, e o revolucionário cristão Cornel West. Carl Dix, do Partido Comunista Revolucionário, e outras pessoas ligadas ao PCR foram uma força inabalável, dando uma coluna vertebral e coragem àqueles que olharam para eles à procura de liderança, e fazendo um desafio incitador a um vasto grupo de forças, e – incluindo através da comunicação social alternativa e impondo-se aos principais órgãos noticiosos – chegando a milhões de pessoas. Os Clubes Revolução de várias cidades foram uma presença crucial, lançando-se para a frente da luta e convidando as pessoas para o movimento pela revolução e o comunismo.

Houve corajosas famílias de pessoas cujos entes queridos tinham sido levados por assassinatos policiais. Algumas eram recém-chegadas à luta. Outras, como Nicholas Heyward Sr, ou Juanita Young, têm estado a combater os assassinatos policiais desde há vinte anos – não apenas no seu próprio interesse mas também por todas as outras pessoas.

Os que sofrem o maior dos infernos e as vozes de consciência

Na Cidade de Nova Iorque, activistas que apoiam os 43 estudantes mexicanos de Ayotzinapa sequestrados pelo governo manifestaram-se – a faixa deles com os rostos das 43 vítimas desaparecidas, numa dolorosa sinergia com as enormes faixas das vítimas de assassinato policial nos EUA e infundindo a marcha de uma consciência global.

A mistura variou de cidade para cidade, mas em muitos lugares, as pessoas que sofrem diariamente o maior dos infernos na ameriKKKa estiveram na linha da frente. Na infame Ferguson, Missouri, jovens negros estiveram literalmente a dançar na rua à frente da esquadra da polícia a 14 de Abril e, em Chicago, a maioria das 300 pessoas que saíram à rua eram negros. Um estudante do ensino secundário disse que se tinha manifestado porque “A polícia está a matar continuamente as crianças negras e nada está a acontecer. Por isso, hoje vamos manifestar-nos. Eu vou manifestar-me pelo meu povo negro”. Em várias cidades, entre as quais Cleveland e Stockton, aqueles que estavam nas ruas eram em grande parte das comunidades mais oprimidas. E houve pessoas de todas as nacionalidades e formas de vida que estiveram com eles.

Uma ainda pequena mas ainda mais inspiradora representação de vozes de consciência das artes, do entretenimento e da política deram força moral e tornaram mais difícil atacar os protestos, e mais difícil ignorá-los. Foram emitidas várias declarações importantes de consciência em antecipação deste dia.

Na 14ª Rua, a poeta, jornalista e activista dos direitos humanos Rose Styron emitiu uma declaração: “O assassinato de negros, hispânicos e jovens pobres desarmados nas ruas da América, e o encarceramento por longos períodos de jovens transgressores estão entre os exemplos mais flagrantes do fracasso da nossa política e sistemas de justiça. Manifestemo-nos hoje!”

Na Georgia State, em Atlanta, o rapper Jasiri X falou ao microfone quando os estudantes bloquearam uma passagem com uma faixa de fotografias de vítimas de assassinato policial. Residente, do grupo musical Calle 13, colocou um tweet com uma fotografia dele com Cornel West e Carl Dix na concentração em Nova Iorque.

A lenda do jazz Arturo O'Farrill falou na Cidade de Nova Iorque: “É muito simples – vocês têm de ligar a vossa vida, vocês têm de ligar a vossa arte, vocês têm de ligar o vosso trabalho, vocês têm de ligar a vossa alma a algo que é maior que vocês. Vocês têm de ligar tudo isto à justiça. Vocês ligam-se preocupando-se, amando-se, amando-se uns aos outros e exigindo mais do NYPD, do SFPD, do LAPD. Se não exigirmos mais deles... eles são pagos para governar e proteger. Não podemos sentar-nos passivamente enquanto eles matam os nossos filhos. Nunca mais! Nunca mais mortes de jovens negros e hispânicos! Este momento tem de acabar!”

A lendária feminista Eve Ensler esteve na frente da manifestação na Cidade de Nova Iorque. Ela emitiu uma poderosa declaração onde se lia: “Estou aqui hoje indignada e em sofrimento. Estou aqui para dizer não à epidemia racista de assassinatos policiais de mulheres e homens e crianças negras e castanhas que continuam apesar de gigantescos protestos e clamor. Estou aqui para dizer que temos de escalar os nossos esforços e a nossa resistência a estes horrendos assassinatos. Recuso as 8 balas nas costas de Walter Scott, as 12 balas no tórax de Michael Brown, os 4 disparos de taser que mataram Natasha McKenna. Recuso o joelho nas costas que esmagou Tanisha Anderson, as 2 balas em Yvette Smith, as 23 balas em Malissa Williams, as 2 balas no tórax de Tamir Rice, de 12 anos, as balas disparadas sobre Meagan Hockaday, apenas 20 segundos após terem chegado a casa dela. Recuso as balas de um estado policial que continua a assassinar os oprimidos em vez de melhorar as condições deles. Apelo a todas as pessoas brancas que têm o privilégio de andar nas ruas sem medo a que se enojem com aqueles que descaradamente exercem a sua licença para matar, a que saíam à rua hoje e todos os dias até que os nossos irmãos e irmãs estejam seguros e livres. Coloco-me com um coração despedaçado ao lado das famílias, dos amigos das testemunhas aterrorizadas, do sofrimento e perda deles.”

Em todo o lado, as pessoas levavam gigantescas faixas de 3 a 5 metros do icónico cartaz das “Vidas Roubadas”, compelindo as outras a apoiar as manifestações. Onde quer que fosse, a faixa das Vidas Roubadas traçou uma linha na areia. As pessoas viram rostos que conheciam, e amavam. Pessoas que não sabiam nada sobre a extensão dos assassinatos policiais ficavam abaladas. Ninguém podia simplesmente ignorar.

Vozes de fé

As forças religiosas foram uma importante parte da força do dia. Falando na Union Square, na Cidade de Nova Iorque, o reverendo Calvin Butts declarou: “Eu vim hoje para representar membros do clero de todos os cinco municípios. O poder da igreja tem de estar com as pessoas nisto porque já não podemos ficar a ver os nossos jovens a serem abatidos. Eu tenho assistido a isto durante mais de 40 anos. E nós temos a mesma história de cada vez. Basta! E nós devemos, nós devemos, levantar-nos! Temos de estar juntos porque o poder é a única coisa que o poder entende. Acabemos com isto!” O reverendo Butts ajudou a mobilizar uma coligação de membros do clero de toda a cidade que se manifestaram juntos a 14 de Abril.

O rabi Michael Lerner da Rede de Espirituais Progressistas falou em Oakland e em São Francisco. Disse: “Nesta sociedade, há um racismo que é profundo e embutido e que não se foi embora. Nós temos de reconhecer que cada manifestação específica desse racismo tem de ser oposta e combatida.” E que: “A única forma de nos opormos a isto é ter uma diferente visão do mundo que diz que estamos todos juntos nisto. [...] Que há uma unidade fundamental e que essa unidade tem de se estender a todas as divisões deste país mas para reconhecer a nossa unidade fundamental com todas as pessoas deste planeta.”

O reverendo Amos Brown, presidente da secção de São Francisco da Associação Nacional Para o Progresso das Pessoas de Cor, esteve na multidão em São Francisco a 14 de Abril e disse: “Eu sei que a situação do costume foi interrompida, mas irá chegar um momento em que nós os oprimidos teremos de nos erguer.”

Um contingente atrás de uma faixa da Igreja Metodista Unida de São Paulo e Santo André esteve na multidão na Union Square em Nova Iorque. Frederick A. Davie, M. Div., Vice-Presidente Executivo, Secretário do Conselho de Fiduciários do Seminário Teológico da União da Cidade de Nova Iorque enviou um email que incluía: “Os estudantes, professores e funcionários são acolhidos a fazer as suas próprias escolhas em relação à presença na Concentração Acabar Com Isto amanhã na Union Square às 14:00. [...] Serene e eu, somos completamente encorajadores deste evento, tal como estamos horrorizados com o assassinato sobretudo de pessoas negras e castanhas por elementos da lei na nossa nação. Se decidirem participar no evento, por favor façam-no em segurança e tenham cuidado.”

Bófias que actuam como bófias

Em muitos lugares, as autoridades, que diariamente mandam sair a sua polícia para matar, mandaram a sua polícia para atacar os protestos. Em Cleveland, a polícia levou cavalos para encurralar e atacar o protesto. Houve dezenas de prisões em Nova Iorque e foram feridas seriamente pelo menos duas pessoas em vis agressões da polícia. Em Cleveland, Ohio, a polícia levou cavalos para encurralar e atacar o protesto.

Mais de uma dúzia de pessoas foram presas em Springfield, Massachusetts, e as autoridades publicaram os nomes, rostos e endereços dos que foram presos. Um manifestante desafiador respondeu: “O presidente da câmara precisa de estar aqui, de ver isto, de estar lado a lado connosco e de estar com isto para fazer com que o sistema saiba que nós já não vamos ficar sentados a ver as nossas crianças negras e castanhas a serem mortas.” E quando interrogado sobre as prisões, ele disse: “Isso é o quanto isto significa para nós, é por isso que nós pusemos as nossas vidas na linha da frente. Isto significa tanto para nós, nós estamos a lutar pela sobrevivência.” Também houve dezenas de prisões noutros lugares. Apoiar (defender) os que foram atacados e presos é crucial para defender e construir o movimento.

Fazer parte disto foi transformador, para todos os envolvidos. Na reunião de emergência em Manhattan para fazer planos para responder aos ataques policiais, onde houve controvérsia sobre se tinha sido correcto, e se tinha valido a pena, fechar de facto a Ponte de Brooklyn, uma estudante do ensino secundário de 16 anos que tinha sido presa disse que o A14 foi “o melhor dia da minha vida”.

Ouvido em todo o mundo

O 14 de Abril foi ouvido em todo o mundo. A imprensa na Europa, no Médio Oriente e na América Latina deu uma significativa cobertura aos protestos e as pessoas ouviram falar deles em todo o mundo ao irem ao sítio revcom.us. E as pessoas em todo o mundo estão sintonizadas com o estado da luta no império construído sobre genocídio, escravatura e guerras injustas.

Um leitor do Revolution/Revolución da América do Sul escreveu: “Eu estou muito orgulhoso com o que vocês fizeram no A14 (e com o que vocês estão a fazer agora). Estou a ver as fotografias e vídeos que vocês estão a publicar, é muito inspirador para mim saber que aí, nas ‘entranhas da besta’ como vocês dizem, as pessoas estão a começar a despertar. É importante para o mundo que, nos EUA, as pessoas em geral e os revolucionários em particular, tenham um movimento muito forte pela revolução, é importante publicar mais sobre o A14 para romper o bloqueio da comunicação social oficial, a comunicação social da burguesia imperialista, que nunca irá falar sobre o movimento que está agora a nascer, ‘a primavera americana’, que irá remover a própria base do sistema imperialista.”

Tudo isto mostra, mais que qualquer outra coisa, o potencial para o movimento que foi reavivado e fortalecido a 14 de Abril para irromper para todo um outro nível.