EUA: Construindo em Baton Rouge o movimento para uma verdadeira revolução

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 11 de julho de 2016, aworldtowinns.co.uk

Muitos milhares de pessoas saíram às ruas em cidades e vilas dos EUA em protesto pelos assassinatos policiais de dois homens negros, um em Baton Rouge, Luisiana, e o outro em St Paul, Minnesota, os mais recentes das mais de 500 pessoas assassinadas pela polícia este ano até agora. A 5 de julho em Baton Rouge, a polícia agarrou em Alton Sterling, que estava a vender CDs na rua. Eles mantiveram-no deitado no chão, atingiram-no com um taser elétrico e depois mataram-no a tiro. Em St Paul, Philando Castile, que estava a conduzir um carro com a namorada e com a filha dela de quatro anos, foi parado por ter uma luz traseira fundida no carro. Quando ele foi buscar a carta de condução tal como lhe tinha sido ordenado, a polícia disparou várias vezes sobre ele. A mãe dele disse que este assassinato faz parte de uma “guerra silenciosa contra os negros”. A polícia tem vindo a assassinar cerca de mil pessoas por ano nos últimos anos, quase sempre com total impunidade.

Como diz o Revolution/Revolución, o jornal e sítio web do Partido Comunista Revolucionário (PCR), EUA, “Apesar do incidente em Dallas em que cinco polícias foram mortos, este protesto tem de continuar e de se intensificar e as pessoas têm de continuar a procurar a causa do problema e a solução dele. [...] Estes assassinatos policiais crónicos chegam em cima de séculos de assassinatos injustificados de negros pelas forças armadas oficiais do estado, por turbas de brancos racistas retrógrados e por brancos individualmente – quase todos totalmente impunes. Eles vão atrás até aos caçadores de escravos. Vão atrás até ao Ku Klux Klan. Vão atrás até às turbas racistas brancas que expulsavam os negros dos ‘bairros brancos’, espancando-os e por vezes matando-os, e não apenas um ou dois mas dezenas e mais e mesmo centenas de cada vez. Vão atrás até às turbas de linchamento e aos ‘frutos 

estranhos’ [os corpos pendurados nas árvores]. Vão atrás até às mortes daqueles que tinham cometido o ‘crime’ de tentar registar negros para votar, ou o ‘crime’ de ir à escola de domingo sendo uma menina negra de 14 anos em Birmingham. As vidas dos negros nunca tiveram importância para este sistema supremacista branco, a não ser como meio de acumular a muito vangloriada riqueza deste inferno dourado capitalista-imperialista. Tal como disse BA [o Presidente do PCR, Bob Avakian], ‘Não haveria Estados Unidos tal como os conhecemos hoje sem escravatura. Isto é uma verdade simples e básica’. [...] Por sua vez, esta violência faz parte de algo mais vasto – um império, todo um sistema que encarcera, que afasta as pessoas das casas delas, que mutila e mata um número incrível de pessoas” [no mundo inteiro]. (Ver Um Ponto de Orientação Para Agorarevcom.us.)

A resistência continuou em muitas cidades ao longo do fim de semana a seguir aos assassinatos de Sterling e Castille. Muitas centenas de pessoas foram presas quando se manifestavam junto a edifícios governamentais ou bloqueavam cruzamentos e estradas. “Em Baton Rouge, centenas de pessoas – esmagadoramente jovens negros – agruparam-se e reagruparam-se nos repetidos esforços deles para ocuparem a Avenida Airline face a uma presença policial maciça, agressiva e fortemente armada”, segundo o Revolution/Revolución. “Mais de 100 pessoas foram presas antes do final da noite; a polícia trouxe veículos blindados de transporte de pessoal e usou armas automáticas; eles apontaram as armas às caras das multidões furiosas que tentavam impedir que os seus companheiros de manifestação fossem arrastados dali para fora. Mas as pessoas não estavam acobardadas nem intimidadas.” O texto que se segue é uma entrevista do Revolution/Revolución de 10 de julho com Carl Dix, porta-voz do PCR, EUA, e cofundador, juntamente com Cornel West, da Rede Fim ao Encarceramento em Massa.

P: Como está a decorrer a criação de um movimento para uma verdadeira revolução?

R: Os revolucionários estão nas ruas, estão entre as massas, levando-lhes a mensagem de que este horror está embutido no tecido do sistema. Temos divulgado a citação de Bob Avakian sobre o papel da polícia: “O papel da polícia não é servir e proteger as pessoas. É servir e proteger o sistema que governa sobre as pessoas. Para impor as relações de exploração e opressão, a situação de pobreza, miséria e degradação para as quais o sistema lançou as pessoas e na qual está decidido a mantê-las. A lei e ordem da polícia, com toda a sua brutalidade e assassinatos, é a lei e ordem que impõe toda esta opressão e loucura.”

E nós estamos a desafiar toda a gente a ver esses vídeos do assassinato de Alton Sterling e do que se seguiu ao assassinato de Philando Castile, e a que desafiem a verdade daquela afirmação sobre o papel da polícia.

Nós estivemos, e fizemos parte, de uma manifestação hoje que foi organizada por estudantes do ensino secundário em Baton Rouge e que se dirigiu ao Capitólio Estadual (que é em Baton Rouge). A manifestação atraiu centenas de pessoas. À medida que as pessoas se juntavam, nós ligámos o altifalante e eu comecei a falar nesse momento, dizendo que isto nos revela o papel da polícia e nos diz que este horror está concentrado nestes dois incidentes, nestes dois assassinatos – mas que acontece de facto no contexto de a polícia sair repetidamente e repetidamente impune dos assassinatos. E isto leva-nos de volta à história de séculos de selvagem opressão – desde os caçadores de escravos às turbas de linchamento e à polícia hoje. De que este horror está embutido no tecido do sistema. E a maneira de 

acabar com este e todos os outros horrores é fazer a revolução, derrubar este sistema e criar um sistema totalmente diferente e muito melhor, e que nós, no Partido Comunista Revolucionário, estamos a organizar neste mesmo momento para uma verdadeira revolução. Também pude falar sobre a liderança que temos para esta revolução, com Bob Avakian. E de que as pessoas precisam de ir ao sítio web revcom.us. Depois disso, falaram várias pessoas do Clube Revolução. E nós como que iniciámos a scoisa.

E na verdade foi muito interessante – cerca de duas centenas de pessoas juntaram-se à nossa volta e ouviram avidamente. E eu acabei a minha parte dizendo-lhes: vocês têm de obter uma cópia desta Mensagem da liderança do Partido Comunista Revolucionário, “É Tempo de Nos Organizarmos para uma Verdadeira Revolução” [texto em revcom.us]. E então eu disse às pessoas: “Defendam esta mensagem”. Tínhamos algumas pessoas a distribui-la lá e elas reforçaram isto. As pessoas começaram a ir ter com elas para a obter.

E então alguns dos mentores dos estudantes do secundário que tinham organizado aquilo começaram a dizer: “Vocês não querem roubar a voz deles”. Eles estavam a dizer-nos que aquilo era um evento dos estudantes do secundário e que nós não devíamos estar a tentar tomá-lo, etc., etc. ... Mas entretanto, mesmo isto dividiu-se porque uma das mentores veio ter comigo e começou a dizer-me o mesmo – e eu disse, bem, nós não estamos a tentar tomar isto, mas antes de mais, eu sou Carl Dix. E vai ela e diz: “Ooooh, eu sou uma fã!” Afinal, dois dos estudantes da escola secundária em que ela tem sido mentora tinham-me entrevistado na Universidade Estadual do Luisiana. Isso foi no dia em que estávamos na cidade e fomos a uma reunião de umas duas centenas de estudantes. Fomos à reunião e depois esses estudantes do secundário entrevistaram-me, e eles estavam realmente entusiasmados com o que tinham ouvido e em ficar com a Mensagem do Comité Central, e eles tinham entusiasmado esta mulher. Portanto ela disse: “Oh, então é você, sou uma fã, estou entusiasmada por o conhecer.”

Também há esta coisa dos diferentes tipos de pessoas em movimento em torno deste assassinato. Todos os oradores na reunião formal eram estudantes do secundário. Eles tinham-nos dito isso no início, como parte de nos dizerem que eu não ia ser autorizado a falar. E nós pensámos que isso talvez fosse verdade, mas que isso talvez fosse a maneira de nos dizerem, nós não o vamos deixar falar. De facto, todos os oradores eram estudantes do secundário. E houve aquela conversa sobre que o principal era que temos de votar, esse tipo de coisas. Mas, ao mesmo tempo, as pessoas estavam a falar sobre sonhar com um mundo onde isto não aconteça. E houve um poema sobre quão aterrorizadas as pessoas estão, mas também sobre como esse terror as tinha motivado a agir porque isto tem de acabar. Portanto, houve muitas coisas muito boas expressas no palco.

P: Podes falar-nos um pouco mais sobre o sonho deles com um mundo onde isto não aconteça?

R: Sonhar com um mundo onde este tipo de coisas não aconteça – referindo-se ao assassinato de Alton Sterling. Portanto, havia diferentes ideias nas mentes das pessoas e as pessoas estão a despertar para as coisas e a debater o que é necessário fazer. E a exprimir algumas coisas que não irão fazer nada em relação a isto, mas aspirando a fazer algo em relação a isto. É um terreno muito fértil.

Esta manifestação também atraiu muitos estudantes universitários, muitos profissionais, e foi muito multinacional. Havia um grande número de pessoas negras, mas também um bom número de pessoas brancas, de pessoas de outras nacionalidades; havia profissionais. Era muito uma grande diversidade de pessoas que saíram à rua para se erguerem contra este assassinato.

Ainda não aconteceu que este tipo de pessoas se tenha ligado às pessoas de base que estão no local do assassinato e junto à esquadra da polícia, face aos polícias ligados ao assassinato. Mas elas estavam a manifestar-se. Elas ainda estão em movimento. As pessoas ainda não foram afastadas pela forma como os acontecimentos em Dallas estão a ser usados. Isto é algo que é bem evidente em tudo o que tem acontecido desde Dallas.

P: Então, falemos da resistência. Como é que está a decorrer? O mundo viu na televisão a forma como aí a polícia estava a apontar carabinas, espingardas e pistolas às pessoas que exigiam justiça.

R: Sim, exatamente. Eu lembro-me de estar lá no meio dos jovens, a apoiá-los na sexta-feira à noite na esquadra da polícia. Houve uma batalha entre alguns dos “líderes responsáveis”, entre os quais pessoas que estão na realidade totalmente perto dos jovens. A certa altura, um individuo que disse ser um diretor apontou para a multidão e disse: “Vejo muitos dos meus estudantes aqui”. E muitas pessoas estavam a abanar a cabeça, como que a dizer: “Sim, eu sou um dos seus estudantes”. Eles tinham feito com que um treinador fosse lá falar sobre como ele se preocupava com todos esses jovens e que era por isso que ele queria que eles fossem para casa porque a polícia ia f***-los 

se eles não fossem para casa e tudo isso. Mas depois muitos jovens começaram a dizer: “A polícia já nos está a foder. Irmos para casa não irá fazer parar isto. É por isso que nós estamos aqui. Estamos fartos disto e não vamos aceitar mais isto.” E estes jovens mais desafiadores falaram sobre essa tormenta de todas as petições e súplicas, mais a intimidação para os fazer sair de cena. Eles ficaram na rua, bloquearam o trânsito e 30 deles acabaram por ser presos.

E depois, cerca de 50 pessoas voltaram no dia seguinte. E passou na televisão. No início, eram apenas umas duas dúzias de pessoas. E uma hora ou duas depois eram cerca de 700 pessoas. E nós estávamos lá e perguntámos às pessoas, o que vos trouxe aqui? E todo o tipo de pessoas disse: vi na televisão que havia pessoas aqui. E isso é uma expressão do estado de espírito: que quando as pessoas veem que há alguém a fazer alguma coisa, elas querem ligar-se a isto, querem correr e apressar-se e fazer parte disto.

E há um grande grau de abertura à mensagem da revolução. Quer dizer, nós chegámos com 2000 Mensagens e tivemos de encomendar mais porque as esgotámos. Tivemos de trazer mais uns milhares para aqui. As pessoas querem ficar com ela. Várias pessoas queriam ligar-se à revolução, mas também precisavam de saber o que é a revolução. Temos vindo a trabalhar sobre como levar isso às pessoas e envolver as pessoas. Muito mais é preciso fazer nessa frente e mais pode ser feito.

P: E quanto à dimensão da resposta popular a haver um líder, BA, que ousou identificar e, além disso, ousou de facto responder, tal como diz a Mensagem: “BA tem desenvolvido respostas a porque é que este sistema não pode ser reformado, [...] a como as forças revolucionárias

poderão crescer de fracas para fortes, e de facto derrotar o inimigo, [...] e a como as pessoas poderão então construir uma nova sociedade na via para emancipar a humanidade em todo o mundo [...] e a como levar a cabo as lutas de hoje para atingir essa meta. A liderança de BA é uma força enorme pela revolução: a seguir, a aprender, a defender.”

R: Começa com o facto de ninguém saber quem é ele. Mas também, sobretudo, OK, então, quem é ele? O que tem ele a dizer? O que fez ele? E as pessoas estão interessadas em ouvir falar sobre o livro O BÁsico. Nós temos reproduzido algumas citações de O BÁsico, mas precisamos de fazer muito mais.

E temos salientado a Constituição para a Nova República Socialista na América do Norte que foi escrita por BA. E temos usado aquela coisa de como depois da revolução as pessoas não mais irão matar pessoas – ninguém irá matar pessoas negras porque já teremos derrotado estes departamentos da polícia, dissolvendo-os, e as novas forças de segurança pública irão operar com base em princípios totalmente diferentes – mais facilmente iriam perder ou arriscar as próprias vidas deles que matar ou ferir pessoas inocentes. E indicamos a citação de BA sobre Tyisha Miller que está em O BÁsico, apontamos as pessoas para a Constituição.

P: Há alguma coisa a acrescentar em termos de quem está a vir para a luta? Estás a descrever diferentes caminhos e diferentes níveis em que as pessoas estão a vir para a luta. Qual é a mistura de pessoas nas ruas? Parece que muitos daqueles que sofrem diariamente a maior parte do inferno sob este sistema estão nas ruas à noite. Mas do que estás a dizer, também há lá outras pessoas a tomar uma posição.

R: Muda um pouco com as diferentes atividades. Aqui, nesta manifestação hoje que foi até ao edifício do capitólio estadual, havia uma boa representação de pessoas brancas. Eu fiquei impressionado com a diversidade disto. Isto é a manifestação que foi convocada pelos

estudantes do secundário e que alguns estudantes universitários também pegaram nela. Havia profissionais. Três autocarros cheios de pessoas vieram de Nova Orleães. Havia centenas de pessoas. Agora, a coisa à noite é largamente de negros, talvez esmagadoramente de negros. Não é que não haja nenhuma pessoa branca. Houve alguns estudantes universitários negros que vieram. Uma fraternidade negra saiu ontem à noite para o protesto frente à esquadra da polícia. E foi significativo quando eles chegaram – chegaram às 11h da noite porque tinham visto isto na televisão. E o que eles viram foi um confronto que era um cenário de massas largamente de base que enfrentavam a polícia. E esta fraternidade universitária, cerca de meia dúzia dos membros dela, vieram com t-shirts da fraternidade deles. Vimos alguns estudantes da Southern University (Baton Rouge) e da LSU (cujo campus principal é em Baton Rouge). Eles estiveram cá na noite anterior – novamente com o confronto com a polícia. Portanto, há alguma mistura.

P: Voltemos a que questões vês as pessoas estarem contra?

R: Num sentido muito real, as pessoas estão contra muitas das diferentes maneiras em que não se deve confrontar o sistema em relação a isto. Há o ponto de vista de que não se deve fazer isso porque não é seguro. Quer dizer, aos estudantes do ensino secundário foi-lhes dito diretamente “vocês não querem fazer nada disso”, porque eles iam manifestar-se até à esquadra da polícia e disseram-lhes: “não façam isso porque podem acabar no mesmo tipo de situação em que acabou Alton Sterling, por isso afastem-se disso”. Isso também é algo que é dito às pessoas na esquadra da polícia.

E, tal como eu disse, há um setor muito vocal, sobretudo de jovens negros, mas também de algumas pessoas negras mais velhas, que têm a seguinte atitude: “Eles já estão a vir contra nós”. Muitas das pessoas que são muito vocais são jovens mulheres negras. Quando começámos a falar com o microfone junto à sede da polícia, eu falei, duas pessoas do Clube Revolução falaram, e depois começámos a entregar o microfone a outras pessoas. E as mais ávidas foram algumas jovens mulheres negras que lá estavam.

Realmente foi impressionante a maneira como as pessoas falaram sobre o medo delas do que o assassinato policial de Alton Sterling significava para elas, para os filhos delas, para os irmãos delas, para os pais delas. Mas era interessante ver a maneira como o medo delas as motivava a agir em oposição a o medo as paralisar. Foi muito impressionante. E uma das coisas que penso que deveríamos fazer, porque muitas dessas jovens mulheres negras vocais se registaram porque queriam descobrir mais sobre a revolução e ligar-se à revolução – deveríamos entrevistá-las. Isso é uma das coisas que temos de fazer mais, temos de facto de nos ligarmos mais e falar com algumas dessas pessoas sobre o que elas estão a pensar.