Publicamos três artigos da edição n.º 516 de 6 de novembro de 2017 do jornal Revolution/Revolución (revcom.us/revolution/current516-en.html em inglês e revcom.us/revolucion/numero-actual516-es.html em castelhano). Salvo indicação em contrário, o crédito das fotos nesta página é “Especial para o www.revcom.us”.

EUA, 4 de novembro: Milhares de pessoas manifestam-se numa vintena de cidades para exigir “Este pesadelo tem de terminar: O regime de Trump e Pence tem de se IR EMBORA!”

Atualizado a 6 de novembro de 2017

(Clique nas imagens)


Cidade de Nova Iorque







São Francisco





Chicago





Los Angeles







Seattle



Havai



Portland, Oregon



Cleveland



Austin, Texas: As pessoas saíram hoje às ruas apesar de cercadas por fascistas.





Atlanta



Filadélfia







Vários milhares de pessoas numa vintena ou mais de cidades participaram hoje em manifestações convocadas pela organização Recusar o Fascismo (refusefascism.org) em torno do sloganEste pesadelo tem de acabar: O regime de Trump e Pence tem de se IR EMBORA!” De um máximo de 1500 pessoas no seu auge em Nova Iorque, às 45 pessoas que se manifestaram desafiadoramente face a mais de 200 fascistas armados em Austin, Texas, às várias centenas de pessoas que se manifestaram em Chicago sob a chuva fria de novembro ao som de tambores... às centenas de pessoas numa manifestação desafiadora e festiva em Los Angeles... às centenas de pessoas em São Francisco que, desafiando a recusa da cidade em autorizar o protesto, se concentraram no movimentado centro da cidade e depois marcharam durante vários quilómetros pelos bairros vizinhos... Emergiu um núcleo de pessoas, uma massa crítica, que querem ver este regime ir-se embora – JÁ. Pessoas que estão a agir, com um verdadeiro sentimento de comunidade e propósito, ao mesmo tempo que o regime de Trump e Pence continua a avançar com ultraje fascista atrás de ultraje – incluindo o crescente perigo de uma guerra nuclear sublinhado pela viagem de Trump à Ásia e as contínuas ameaças à Coreia do Norte. E elas avançaram contra as rudes tentativas dos meios de comunicação para minimizarem e apagarem o movimento para expulsar o regime – e as vis e violentas ameaças dos fascistas nos dias anteriores e no próprio dia dos protestos do 4 de Novembro.

Também foram relevantes as pessoas das artes, do clero e dos movimentos políticos que falaram ou enviaram mensagens às concentrações. Entre eles estiveram: Eve Ensler, dramaturga e autora de Os Monólogos da Vagina; Dorothy Reik, presidente dos Democratas Progressistas das Montanhas de Santa Mónica; Perry Hoberman, artista dos média e professor associado de investigação da Faculdade de Artes Cinematográficas da Universidade do Sul da Califórnia; o reverendo Gregg Greer de Chicago; o padre Lawrence Lucas, teólogo da libertação negra e ativista de longa data no Harlem; o padre Richard Estrada da Igreja da Epifania, Los Angeles; o reverendo Tom Carey da Igreja da Epifania, Los Angeles; Immortal Technique, artista de hip hop; Salman Aftab do Grupo de Trabalho Americano-Muçulmano Sobre os Direitos Civis e as Eleições, Chicago; Tom Morello, músico; Arturo O'Farrill, músico; o reverendo Frank Alton da Igreja Episcopal de São Athanasius, Los Angeles; Cindy Sheehan; Graywolf, diretor do AIMSoCal (Movimento Índio Norte-Americano, Sul da Califórnia); Isabel Cardenas, ativista salvadorenho-americana e iniciadora da Recusar o Fascismo; o padre Luis Barrios da Igreja Holyrood/Iglesia Santa Cruz e do Colégio John Jay da Universidade da Cidade de Nova Iorque; Bob Bossie, padre católico e ativista de longa data; o reverendo John Beaty da Defensores Inter-Fé da Imigração de Akron, Ohio.

Tudo isso tem de se multiplicar, e rapidamente. Como dizia o email de angariação de fundos enviado na noite de 4 de novembro pela Recusar o Fascismo: “No momento em que escrevemos, Trump está a caminho da Ásia e o mundo inteiro está a reter a respiração. Ninguém sabe exatamente que novo ultraje iremos receber amanhã ou no dia seguinte... Mas sabemos que haverá um, seja contra as mulheres, o estado de direito, os direitos e a dignidade das pessoas negras e dos povos historicamente oprimidos, o meio ambiente, os imigrantes, os muçulmanos, os LGBTQ ou a própria noção de verdade... ou a tudo isto. Neste momento, continua a haver uma verdadeira urgência.”

Haverá protestos contínuos em diferentes cidades durante as próximas duas semanas – e a 11 e 18 de novembro, dias de manifestações nacionais convocadas pela Recusar o Fascismo. O que começou a 4 de novembro precisa de avançar para todo um novo nível, abrindo caminho para que os milhares cresçam para centenas de milhares e para milhões, agindo com uma exigência unificadora: O regime de Trump e Pence tem de se IR EMBORA!

Continuem a ler diariamente o revcom.us para mais notícias sobre este movimento. E vejam já, e divulguem, tanto a palestra em vídeo de Bob Avakian, O REGIME DE TRUMP E PENCE TEM DE SE IR EMBORA! Em nome da humanidade, RECUSAMO-NOS a aceitar uns Estados Unidos fascistas. Um mundo melhor É possível como a sessão de perguntas e respostas dessa palestra, as quais fornecem a melhor base para se compreender a importância deste movimento... e para lidar com as questões chave que ele enfrenta.

Declarações feitas nas concentrações do 4 de Novembro

Andy Zee fez o discurso principal na Cidade de Nova Iorque a 4 de novembro: “Quem irá pôr fim a este pesadelo? NÓS”. Andy Zee é um dos iniciadores da RefuseFascism.org (Recusar o Fascismo) e porta-voz da Livros Revolução da Cidade de Nova Iorque.

Padre Lawrence Lucas, autor, conferencista, teólogo da libertação negra, capelão na Prisão da Ilha de Rikers e ativista de longa data no Harlem:

Parabéns aos líderes e a todos o que estão envolvidos no início do 4 de Novembro para pôr fim ao pesadelo de Trump e Pence. Espero que desperte milhões de norte-americanos, incluindo muitos membros do clero adormecidos e/ou enganados. Estou convosco.

Salman Aftab na reunião da Recusar o Fascismo em Chicago

 

Dorothy Reik, presidente dos Democratas Progressistas das Montanhas de Santa Mónica:

Em nome da humanidade, os Democratas Progressistas das Montanhas de Santa Mónica não irão aceitar uns Estados Unidos fascistas!

Décadas atrás, os Estados Unidos lutaram e ajudaram a derrotar os nazis na Europa. Mas mesmo então houve nos Estados Unidos apoiantes dos nazis e do fascismo. Antissemitas como Henry Ford e Walt Disney prosperaram e as empresas que eles construíram continuam a prosperar. E, às escondidas, o movimento nazi fez os seus planos, infiltrando o Partido Republicano a nível local, financiando instituições de análise amigas do fascismo e trabalhando às escondidas para tentarem tomar as rédeas do poder. Agora conseguiram-no de uma maneira que foi além dos mais desvairados sonhos deles. Eles tomaram conta da maioria dos nossos estados, elegeram seguidores deles para posições federais na Câmara dos Representantes e no Senado e nomearam juízes deles a todos os níveis e agora até para o Supremo Tribunal! Um deles está agora sentado no Gabinete Oval e outro está sentado na porta ao lado como vice-presidente! E irão lutar para proteger o poder deles. Eles estão a virar-nos uns contra os outros e a polícia militarizada deles aumenta a nossa fúria em vez de a aplacar. Os manifestantes na tomada de posse a 20 de Janeiro [J20] enfrentam sentenças de 70 anos de prisão, enquanto os rufiões nacionalistas brancos nazis que espancaram manifestantes antifascistas negros nem sequer foram indiciados – mas as vítimas deles foram! TEMOS DE RESISTIR. NAS RUAS, NOS GOVERNOS ESTADUAIS E NOS CORREDORES DO CONGRESSO. TEMOS DE TOMAR DE VOLTA O NOSSO SISTEMA ELEITORAL ROUBADO! TEMOS DE PÔR FIM À SUPRESSÃO DE ELEITORES E À MANIPULAÇÃO DE DISTRITOS ELEITORAIS. TEMOS DE VOTAR EM 2018 E EM 2020 – ANO EM QUE SERÃO DEFINIDAS AS LINHAS DOS NOVOS DISTRITOS ELEITORAIS E EM QUE SERÁ ELEITO UM NOVO PRESIDENTE! TEMOS DE PROTESTAR CONTRA O HOMEM QUE AGORA ESTÁ SENTADO NA CASA BRANCA ONDE QUER QUE ELE VÁ. HOJE É O INÍCIO DO FIM DO REGIME FASCISTA E RACISTA DE TRUMP E PENCE. PODER AO POVO.

Reverendo Gregg Greer, presidente da Liberdade Primeiro Internacional, na concentração da Recusar o Fascismo em Chicago

 

Sunsara Taylor, uma das MCs [mestres-de-cerimónias] do protesto na Cidade de Nova Iorque, co-iniciadora da Recusar o Fascismo e redatora do www.revcom.us

Veterano norte-americano que esteve no Iraque, apela de uma maneira poderosa a antigos, atuais e futuros membros do exército para se juntarem a este movimento para EXPULSAR O REGIME DE TRUMP E PENCE!

 

Noche Diaz na concentração da Recusar o Fascismo em Chicago

 

Reverendo John Beaty, Co-convocador da Abraçar a Justiça e a Paz, membro da Defensores Inter-Fé da Imigração de Akron, Ohio, clérigo aposentado da Igreja Metodista Unificada e ativo na Igreja Grace United Church of Christ of Loyal Oak em Norton, Ohio:

Compatriotas norte-americanos,

Eis as razões por que creio que Trump e Pence não são dignos de serem presidente e vice-presidente dos Estados Unidos da América:

Eles mentiram ao povo norte-americano. Eles alegam estar do lado dos trabalhadores norte-americanos, mas fizeram tudo o que puderam para acabar com os salários justos e para não honrarem os nossos direitos a nos protegermos negociando coletivamente com os nossos empregadores. Eles alegam representar o cidadão esquecido, mas tentam retirar-nos o nosso direito aos cuidados de saúde, o nosso direito a respirar um ar limpo, a beber água limpa, a comer comida que não esteja envenenada por pesticidas e aditivos cancerígenos, a saber o que eles estão a fazer em conluio com os megabilionários, as megacorporações, os megabancos e os megapoluidores.

Eles prometeram Tornar os Estados Unidos Novamente Grandiosos, mas estão a destruir os Estados Unidos que lutam para serem um farol de liberdade, prosperidade, inclusão, generosidade, equidade e justiça igual para todos.

Eles aproveitam-se do medo, das ansiedades e dos preconceitos das pessoas para nos separarem uns dos outros e para provocarem conflitos violentos entre nós.

Eles são totalmente corruptos, fazendo acordos secretos com sombrias influências estrangeiras e domésticas que enriquecem a minoria favorecida à custa da maioria desafortunada.

Eles parecem estar empenhados em destruir o nosso clima, o nosso meio ambiente, a nossa vida selvagem, os nossos parques e monumentos nacionais.

Eles estão a expandir um sistema que retira aos muitos cidadãos mais pobres e dá aos poucos cidadãos mais ricos.

Eles estão a criminalizar e a encarcerar os negros, os hispânicos, os muçulmanos e os pobres.

Eles estão a encorajar os elementos mais xenófobos, racistas, misóginos e homófobos da nossa sociedade.

Eles estão a retirar dinheiro a programas necessários e a gastá-lo em muros, prisões e armas desnecessárias.

Eles ameaçam a Constituição dos Estados Unidos com uma sede de poder, privilégio e partidarismo.

Eles falam como fascistas, parecem fascistas, agem como fascistas, animando os neonazis nacionalistas brancos aos mais altos níveis do governo.

Pensam que eles podem ser fascistas?

Este pesadelo tem de acabar! O regime de Trump e Pence tem de se IR EMBORA!

É esta a minha convicção!

 

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Algumas cenas do 4 de Novembro em todo o país

Atualizado a 8 de novembro de 2017

Ainda estamos a começar a saber tudo o que aconteceu em todo o país a 4 de novembro. Os destaques que aqui apresentamos de algumas cidades dão uma ideia do que aconteceu nesse dia.

Cidade de Nova Iorque

Mil e quinhentas pessoas de todas as idades e nacionalidades concentraram-se na Times Square em Manhattan na tarde de sábado para declararem a sua determinação a “Expulsar o regime de Trump e Pence!”. Era possível sentir a seriedade, bem como o ânimo e a emoção de estar entre um grupo tão grande e diverso de pessoas que estavam a fazer o mesmo juramento de não pararem até este regime fascista ser expulso do poder! Os chamativos cartazes a branco sobre fundo negro da Recusar o Fascismo estavam em todo o lado, erguidos por jovens e velhos – “Este pesadelo tem de acabar: O regime de Trump e Pence tem de se IR EMBORA!”.

As pessoas agiam com um verdadeiro sentimento de comunidade e propósito, incluindo aquelas que só recentemente tinham tomado conhecimento da Recusar o Fascismo e do 4 de Novembro. Uma jovem de idade universitária soube das manifestações pela primeira vez através do Facebook. Ela disse que o slogan da Recusar o Fascismo a tinha tocado pessoalmente porque ela faz parte da comunidade LGBT: “Não posso aceitar o que este regime representa”. Disse que tinha falado com outras pessoas próximas dela sobre a Recusar o Fascismo e o 4 de Novembro. Que mensagem iria ela levar de volta às pessoas que têm de fazer parte da luta pela expulsão deste regime? “Se não participares nisto, ninguém vai estar aqui para te defender se não vieres para nos defendermos.”

Um recém-licenciado numa universidade disse que concordava totalmente – a “100 por cento” – com o slogan global da Recusar o Fascismo. “Já vimos isto antes. A história não se repete, mas rima, como se diz... Há muitas coisas a acontecer neste momento que nos deveriam preocupar. E eu já li o suficiente para saber que alguma coisa tem de ser feita. Isto é um começo e, para mim, o fim é, obviamente, o afastamento do regime de Trump do poder. Se a realidade está do nosso lado, e se a verdade tiver eco entre as pessoas, então seremos bem-sucedidos.”

A concentração que deu início aos eventos do dia deu um vislumbre da diversidade de pessoas que tinham dado um passo em frente para participar, bem como uma forte orientação para todos os que estavam presentes. Sunsara Taylor e Jam No Peanut foram os MCs [mestres-de-cerimónias] e Jay W.Walker, membro do comité dirigente da Recusar o Fascismo e iniciador da Gays Against Guns [Homossexuais Contra as Armas], falou sobre a Recusar o Fascismo de Nova Iorque. Foram lidas emotivas declarações de solidariedade de Eve Ensler, de Gloria Steinem e do compositor e músico galardoado com um Prémio Grammy Arturo O'Farrill. Iman Souleimane Konate falou em nome da comunidade muçulmana. Andy Zee, co-iniciador da Recusar o Fascismo, fez o discurso principal e o artista rap Immortal Technique fez uma curta intervenção e declamou um poema. Também falou o Padre Luis Barrios, da Igreja Holyrood/Iglesia Santa Cruz e do Colégio John Jay da Universidade da Cidade de Nova Iorque. E houve declarações de estudantes do ensino secundário e universitário. Do palco, a liderança projetou a seriedade deste momento, o que as pessoas ali presentes (e em todo o país) queriam fazer, porque é que isto é o que tem de ser feito para expulsar este regime e a determinação e confiança de que é possível fazê-lo.

À medida que os manifestantes avançavam numa marcha ao longo de 50 quarteirões pela baixa de Manhattan – com cartazes erguidos e visíveis quase até onde seria possível vê-los e cânticos que ecoavam continuamente –, a notícia de que tinha começado uma nova fase da luta para expulsar o regime de Trump e Pence começou a chegar a dezenas de milhares de nova-iorquinos e turistas internacionais. E, ao mesmo tempo, havia manifestantes a publicar fotos, vídeos e mensagens em todas as redes sociais.

Durante as próximas duas semanas continuará a haver protestos em Nova Iorque – e a 11 e 18 de novembro, dias das manifestações nacionais convocadas pela Recusar o Fascismo. O que começou a 4 de novembro precisa de chegar a um novo nível e abrir caminho para que os milhares de manifestantes cresçam para centenas de milhares e milhões, agindo com uma reivindicação unificadora: O regime de Trump e Pence tem de se IR EMBORA!

Austin, Texas: Uma grande coragem face a rufiões fascistas armados

Cerca de 45 pessoas juntaram-se nas escadarias do município, concentraram-se e manifestaram-se ao longo de cerca de quilometro e meio pelas ruas do centro da cidade – enfrentando mais de 200 rufiões fascistas ameaçadores, muitos deles visivelmente armados com armas semiautomáticas, facas, machetes, bastões e escudos. Muitos outros gabavam-se de ter armas escondidas. Alguns estavam nos telhados de edifícios vizinhos. A polícia impediu um número desconhecido de pessoas de chegarem à concentração e à manifestação.

Todo o evento foi um intenso enfrentamento. Mas os organizadores da manifestação, os MCs e os participantes conseguiram manter-se focados no objetivo do dia: iniciar um processo que pode transformar os milhares de pessoas que hoje saíram às ruas em todo o país em dezenas de milhares e finalmente em milhões, mantendo-se nas ruas até porem fim ao pesadelo. Vários oradores contribuíram para a concentração, entre os quais: um pastor protestante, um jovem de Austin, uma mulher da classe média no primeiro protesto dela, um homem que levou a multidão a cantar uma poderosa canção antifascista, um professor do ensino secundário que condenou os ataques fascistas ao ensino público, um outro jovem professor que, de uma maneira apaixonada e visceral, fez com que a atenção de toda a gente se focasse nas pessoas que, em todo o planeta, já foram assassinadas ou vitimizadas pelo regime de Trump e Pence. Tudo isto face a uma furiosa turba de fascistas e fileiras de polícias.

De cada vez que os fascistas tentavam perturbar a concentração e a manifestação com os seus gritos “EUA, EUA” e outras provocações, foram submersos por gritos de “A humanidade em primeiro lugar”. Isto teve uma participação entusiástica e enérgica de todos os manifestantes. Mais tarde nesse dia, uma jovem negra disse: “As nossas ações foram justas, a nossa coletividade, as nossas atividades foram mais poderosas que as deles. Não temos medo das bandeiras, das armas e do presidente deles, nada disso. Eles querem criar todo um novo modo de vida. Nós estamos a dizer não, não vamos deixar que este país se torne fascista.”

De seguida, alguns dos manifestantes reuniram-se. Um imigrante de um país do Médio Oriente levantou a chávena de chá dele e disse: “Brindemos a todos os corajosos”. Uma jovem negra de Houston disse: “Esta manhã, eu estava com um grande nervosismo, mas quando lá cheguei senti os nervos a irem-se embora. Não desistimos, mantivemos a humanidade nos nossos corações. E eu senti o nervosismo que me tinha estado a corroer a desaparecer.”

A manifestação terminou de maneira disciplinada. Quando o último grupo de manifestantes se agrupou para se ir embora, um bando de dezenas de fascistas enfrentou-os, com uma dupla linha de polícias pelo meio. Os fascistas começaram a recitar o Juramento de Lealdade nacional norte-americano. Os manifestantes que ainda aí estavam baixaram um joelho em protesto, ergueram um punho e terminaram o dia abafando uma vez mais os fascistas gritando: “A humanidade em primeiro lugar, a humanidade em primeiro lugar.”

Chicago: Manifestação ao ritmo dos tambores antifascistas

Pelo menos 300 pessoas, e possivelmente mais, participaram na manifestação. Um homem negro de 50 ou mais anos disse: “Sentíamo-nos como se fôssemos milhares.” Foi uma manifestação incrivelmente animada com um grupo de tambores dos Artistas Degenerados Contra o Fascismo a marcar o ritmo – o jornal Chicago Tribune descreveu-os como a “secção de percussão” do protesto. Apesar das centenas de polícias em bicicleta ao lado da manifestação, muitas pessoas foram juntando-se à manifestação à medida que ela se dirigia para a Torre Trump.

A mistura diversificada de oradores na concentração incluiu o pastor Edward Ward (que ficou conhecido em 2016, quando era estudante na Universidade DePaul, por denunciar Milo Yiannopoulos de viva voz); um estudante branco do ensino secundário; o bispo Gregg Greer; Salman Aftab do Grupo de Trabalho Muçulmano-Americano Sobre os Direitos Civis e as Eleições; o padre católico e ativista de longa data Bob Bossie; um porta-voz do movimento LGBTQ indígena Dois Espíritos; e Noche Diaz do Clube Revolução.

Entre os manifestantes estavam pelo menos três grupos de estudantes do ensino secundário, um deles de uma escola católica suburbana e outro de um subúrbio de Milwaukee, Wisconsin. Estiveram presentes estudantes universitários, muitos deles sozinhos ou em grupos de dois, vindos de várias universidades, entre as quais o Columbia College e a prestigiada Escola do Instituto de Arte de Chicago (SAIC). Também estiveram presentes estudantes da Universidade do Illinois em Chicago (UIC) e da Universidade Dominicana.

Também havia pessoas de meia-idade e mais velhas, entre as quais uma mulher que disse que durante anos se tinha considerado socialista, mas que agora tinha de agir de acordo com as convicções dela. Esta era a primeira vez que ela estava a participar num protesto em muitos, muitos anos. Havia várias pessoas com camisetas de Bernie Sanders [ex-candidato democrata] e pessoas que tinham sido ativas durante a campanha dele.

São Francisco: Centenas de pessoas nas ruas desafiam a negação de autorização por parte do município

Nos dias que antecederam o 4 de Novembro houve uma intensa batalha com as autoridades municipais em relação à autorização do protesto, a qual foi escandalosamente negada. Apesar disso, pelo menos 300 pessoas estiveram presentes numa concentração na Praça de União, no centro da zona comercial da cidade, e mais de 400 estiveram presentes no pico da manifestação de mais de 6 quilómetros que percorreu os bairros Castro e Misión. Entre os oradores na concentração esteve um representante da La Colectiva; Steve Rapport, membro da Indivisible [Indivisível] de São Francisco e ativista pela impugnação de Trump; um estudante da Universidade da Califórnia em Berkeley; Christina DiEdoardo, ativista dos direitos civis e jornalista do Bay Area Reporter.

Havia pequenos grupos de estudantes das universidades de Stanford, Berkeley City College, Universidade da Califórnia em Berkeley, Estadual de São Francisco (onde os estudantes marcaram um evento para segunda-feira) e outros estudantes, alguns deles do ensino secundário. Uma mulher tinha vindo de Reno, no Nevada. Houve imigrantes e turistas de lugares como o Japão e Itália que se juntaram ao protesto e uma grande variedade de ativistas locais, entre os quais da Code Pink e dos Veteranos Pela Paz.

Los Angeles: Pessoas religiosas, jovens latino-americanos e outras pessoas em ação desafiadora e animada

Cerca de 1000 pessoas concentraram-se e centenas manifestaram-se no centro da cidade. A manifestação foi desafiadora e muito animada e teve a participação de um grande grupo de jovens latino-americanos. As pessoas manifestaram-se de punho erguido e gritaram ao longo de todo o trajeto, chamando aqueles que estavam nas calçadas com o grito: “Trump e Pence TÊM de se ir embora, manifestem-se connosco.”

Havia uma forte presença de pessoas religiosas – entre as quais aqueles que fizeram declarações como o reverendo Frank Alton da Igreja Episcopal de São Athanasius, o padre Richard Estrada e o reverendo Tom Carey, ambos da Igreja da Epifania. Outras das pessoas que falaram na concentração foram: Cindy Sheehan, cujo filho morreu no Iraque; Graywolf, diretor da AIMSoCal (Movimento Índio Norte-Americano, Sul da Califórnia); e Isabel Cardenas, ativista salvadorenho-americana e uma das iniciadoras da Recusar o Fascismo.

Um contingente de cerca de duas dezenas de apoiantes de Trump estava do outro lado da rua e alguns deles atravessaram-na para tentarem perturbar o protesto, mas sem sucesso.

Filadélfia: O “Rato Trump” e a grande marioneta do pesadelo

Entre as maneiras criativas de divulgar a mensagem séria do 4 de Novembro esteve um “Rato Trump”, uma caricatura insuflável de Trump com quase 5 metros de altura, com botões de punho com a bandeira confederada; uma gigantesca marioneta do “Pesadelo Trump e Pence” que a certa altura foi deitada abaixo; uma pessoa mascarada de Trump numa “Casa Branca Alternativa” que parecia uma cela prisional; panos e cartazes doados por artistas; e poderosos poemas e canções durante a concentração. Uma manifestação com 250 pessoas no seu pico percorreu as ruas do centro da cidade, chamando outras pessoas a se lhe juntarem. Um grupo de reacionários pró-Trump, alguns deles armados, seguiu a manifestação mas, como salientou um dos manifestantes: “Deixámos claro que os povos do mundo dependiam de nós, que [os trumpistas] eram apenas mais uma razão pela qual termos de expulsar este fascistas da Casa Branca, e as pessoas não se deixaram intimidar.”

Honolulu, Havai: Uma mistura incrivelmente diversificada

Cerca de 250 pessoas saíram às ruas de Honolulu numa animada manifestação por algumas das ruas mais movimentadas da cidade. Era uma mistura incrivelmente diversificada. Crianças muito novas gritavam orgulhosamente “Não a Trump, Não ao KKK, Não a uns EUA fascistas” ao lado de manifestantes com mais de 80 anos. Os participantes eram de todas as etnias e raças – e alguns deles eram visitantes de outros países. A maioria deles trouxe os seus próprios cartazes criativos feitos à mão que refletiam os pesadelos listados no Apelo Para o 4 de Novembro. Outros trouxeram bandeiras. Bandeiras em arco-íris esvoaçavam ao lado de bandeiras da Coreia, de Porto Rico e do Havai, e entre elas não havia nenhuma bandeira norte-americana.

A manifestação terminou na histórica Praça Thomas, um parque de grande importância histórica para o povo nativo do Havai e também o local do movimento Ocupar do Havai. Quando os manifestantes entraram no parque, uma banda que estava no palco deu-lhes as boas-vindas. As pessoas escutaram arrebatadoramente quando o porta-voz da Recusar o Fascismo fez o discurso principal. Ao longo da tarde, as pessoas comentaram a sua força e clareza. Um visitante filipino pediu uma cópia para a poder citar no blogue dele nas Filipinas e uma outra vinda de Myanmar disse que nunca tinha pensado que um norte-americano pudesse falar de uma maneira tão ousada.

Ativistas comunitários de várias organizações falaram sobre cada um dos pesadelos. Os oradores foram fortes, apaixonados e determinados. Uma advogada defensora dos imigrantes falou emocionadamente sobre o medo dos clientes dela; o diretor executivo do Sierra Club denunciou as políticas ambientais de Trump; e um especialista agrícola da Guatemala falou sobre os efeitos das políticas de Trump nos povos de todo o mundo. Uma ativista coreana internacionalmente reconhecida, que tinha visitado sete vezes a Coreia do Norte, emocionou-se quando falou da ameaça de um ataque nuclear à Coreia do Norte e do efeito que o ataque teria em milhões de pessoas em toda a Coreia, em Guam e no Havai. A coronel (aposentada) Ann Wright juntou-se a ela num apelo a que todos se erguessem contra os gritos de guerra de Trump. Um ativista pela independência do Havai denunciou a militarização do Havai e os constantes e crescentes ataques às terras e ao povo do Havai.

Os apelos repletos de emoção feitos às pessoas para lutarem unidas, para se protegerem umas às outras e para terem coragem para resistir foram um dos verdadeiros pontos fortes da concentração.

Todas as pessoas escutaram atentamente quando os poetas lhes tocaram a “alma”, declamando poemas sobre tudo desde Colin Kaepernick ao pensamento crítico nas escolas.

Nos dias anteriores ao 4 de Novembro, os organizadores receberam muitas ameaças de trolls [indivíduos que colocam comentários ameaçadores na internet] reacionários que diziam ir acabar com a manifestação, perturbar a concentração, atropelar manifestantes ou coisas semelhantes. Quando as pessoas se começaram a concentrar no parque no dia 4, havia vários trumpistas a pairar por perto, alguns deles com bonés MAGA (Make America Great Again, Tornar os Estados Unidos Novamente Grandiosos) e câmaras vídeo. Apareceram cerca de 6 a 8 Proud Boys [Meninos Orgulhosos] para “entrevistar” manifestantes para o programa incendiário deles num canal televisivo comunitário, mas quando o MC os denunciou, a multidão tratou-os com repugnância e eles recuaram.

Boston

Entre 125 e 150 pessoas concentraram-se no Parkman Bandstand em Boston Commons para juntarem as vozes delas aos que por todo o país estavam a exigir “Este pesadelo tem de acabar! O regime de Trump e Pence tem de se IR EMBORA!” Houve pessoas que viajaram de tão longe como Providence, Rhode Island e Vermont para participarem no evento desse dia. Entre a multidão havia uma tremenda diversidade de pessoas – de ativistas de longa data pela paz a pessoas que participavam pela primeira vez. Havia estudantes de universidades locais como a Universidade de Boston, o Wellesley College e a Escola de Artes do Massachusetts, estudantes do ensino secundário de uma comunidade suburbana e outros estudantes. As pessoas tinham ouvido falar do 4 de Novembro através de uma grande variedade de fontes – entre as quais artigos que tinham aparecido nos jornais Boston Metro e Boston Globe nos dias anteriores ao dia 4, bem como várias redes sociais e cartazes que tinham visto nas suas universidades. Outras tinham recebido os massivos emails da Recusar o Fascismo ou simplesmente ido ao seu sítio internet. Algumas comentaram que era a primeira vez que participavam numa manifestação. Outras falaram da sua luta pessoal para tomarem a decisão de sair às ruas, mas de estarem orgulhosas de aí estar.

Em resposta às grandes preocupações com possíveis provocações por parte de rufiões fascistas, jovens ativistas Antifa [antifascistas], juntamente com membros da Veteranos Pela Paz, vieram participar no evento e trabalhar com os organizadores para impedir que a concentração fosse perturbada de alguma forma. Quando os provocadores de direita tentaram realmente perturbar a concentração, os veteranos e os ativistas Antifa juntaram-se aos organizadores da Recusar o Fascismo para impedir que isso acontecesse.

Além da Recusar o Fascismo, houve declarações da Coligação 1.º de Maio de Boston e do Partido Comunista Revolucionário. Também houve declarações, entre outras, dos Académicos Contra o Fascismo, de Manny Lusardi do Serviço de Ligação aos Imigrantes da Cidade de Cambridge e de uma jovem salvadorenha que falou com profunda paixão da experiência pessoal da família dela imigrada para os EUA. A concentração foi iniciada por um cantor folk local que fez uma interpretação da canção “Deportee” [“Deportado”].

Quando o sol começou a desaparecer e a temperatura a baixar, uma ruidosa manifestação de 50 pessoas avançou para as movimentadas ruas do centro da cidade de Boston, parando e espalhando-se periodicamente de cada vez que o espetáculo de luzes da Recusar o Fascismo era projetado nas paredes dos edifícios.

Atlanta

A concentração e manifestação de cerca de 175 pessoas foi muito animada, apesar da chuva. Cerca de 30 fascistas, alguns deles armados, tentaram perturbar o evento, mas sem sucesso. Estiveram presentes muitas pessoas apesar de saberem das ameaças dos fascistas, e outras juntaram-se-lhes nesse momento. Era uma multidão muito diversificada em idades e nacionalidades. Quando os organizadores andavam entre a multidão com um microfone para as pessoas falarem, um sem-teto disse: “O meu pesadelo é que este pesadelo não acabe.” Outras pessoas falaram sobre Trump se ter vangloriado de agressões sexuais e ataques às pessoas LGBTQ. Uma das pessoas que falou foi a tia de Jamarion Robinson, atingido 76 vezes pela polícia.

Cleveland

Cerca de 65 pessoas concentraram-se e manifestaram-se com grande determinação e espírito elevado face às milícias fascistas armadas e a outros fascistas variados que tentaram, e não conseguiram, perturbar o evento. Havia pessoas de uma grande variedade de idades, origens e perspetivas políticas. Muitas delas só recentemente tinham tido conhecimento deste movimento – através de um panfleto na rua, da igreja delas ou das redes sociais. Outras têm seguido os eventos da Recusar o Fascismo através da lista de email ou do sítio internet da Recusar o Fascismo. O espírito de unidade, determinação e de que os PODEMOS expulsar esteve presente nos MCs da concentração e nos oradores. Vários manifestantes disseram ter ouvido as ameaças de violência fascista contra o protesto e considerado seriamente se deveriam participar, decidindo fazê-lo porque as pessoas têm de acabar com este pesadelo.

Uma oradora na concentração, que se identificou como organizadora no bairro social dela, disse: “Precisamos de organização. Vou levar isto a todos os grupos de que faço parte. Será preciso que diferentes grupos se unam e parem o Trump. Ele tem de se ir embora – os cortes no Medicaid e no Medicare [serviços médicos], mais encarceramentos em massa, ele tem de se ir embora! O governo dele é racista, tem de se ir embora. Precisamos que haja mais protestos como este. Vou voltar para lá e trazer muito mais pessoas!” Um estudante universitário homossexual falou apaixonadamente da necessidade de expulsar o regime. Um cantor gospel foi ao microfone na paixão do momento e cantou a capella duas canções de Marvin Gaye: “What’s Goin’ On” [“O que está a acontecer”] e “Choice of Colors” [“Escolha de Cores”]. Um jovem negro que só recentemente tinha sabido deste movimento através da igreja dele disse que Trump é o pior presidente que ele conhecia e que precisamos de o expulsar.

Seattle

Um canal noticioso televisivo local noticiou que cerca de 100 pessoas se tinham manifestado na baixa da cidade – “exigindo o fim do que eles chamam ‘o nosso pesadelo nacional’.” O canal televisivo citou um manifestante que disse: “Estou farto da maneira como as coisas estão a acontecer com este governo. Eles estão a colocar-nos à beira de uma guerra nuclear. Isto tem de acabar.”

Um ativista da Indivisible foi um dos MCs da concentração, e entre os oradores esteve Weldon Nisly, pastor menonita aposentado e membro da Brigada Cristã de Manutenção da Paz que estava em Bagdad quando George W. Bush iniciou o bombardeamento de “choque e pavor” e a invasão do Iraque em 2003; e Tae Phoenix, uma cantora internacional e ativista. Jenn Wallen, uma académica, poeta, humanista, ativista, cantora e artista nativo-americana, iniciou a concentração com uma convocação e uma bênção.

Em várias cidades: Pequenos grupos agindo com uma extraordinária determinação e sentimento de comunidade

Nalgumas zonas, vários grupos de pessoas saíram corajosamente às ruas, desafiando as ameaças fascistas de violência – com um decidido sentimento de propósito e de fazerem parte de uma comunidade, um movimento em todo o país que nesse dia estava a começar a agir em nome da humanidade para chamar outros a darem um passo em frente. Entre outros, houve os seguintes eventos:

Indianápolis, Indiana: Cerca de uma dúzia de pessoas manifestaram-se – com a oposição de um número semelhante de pró-trumpistas.

Akron, Ohio: Sete pessoas estiveram presentes, entre as quais o reverendo John Beaty – co-convocador da Abraçar a Justiça e a Paz, membro da Defensores Inter-Fé da Imigração de Akron, Ohio, clérigo aposentado da Igreja Metodista Unificada e ativo na Igreja Grace United Church of Christ of Loyal Oak em Norton, Ohio – que fez uma declaração que dizia, em parte: “Eles falam como fascistas, parecem fascistas, agem como fascistas, animando os neonazis nacionalistas brancos aos mais altos níveis do governo. Pensam que eles podem ser fascistas? Este pesadelo tem de acabar! O regime de Trump e Pence tem de se IR EMBORA!”

Pittsfield, Massachusetts: O jornal local, Berkshire Eagle, noticiou, em parte: “Pouco depois das 13h, cerca de duas dúzias de pessoas tinham-se concentrado na Praça do Parque com cartazes e saudando os motoristas que passavam. A Indivisible de Pittsfield organizou a pequena concentração em solidariedade com um movimento nacional contra o que os organizadores dizem ser uma deslocação para o fascismo político.”

Falmouth, Massachusetts:

 

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Da RefuseFascism.org [Recusar o Fascismo], 8 de novembro de 2017

4 de novembro – Um dia de coragem e convicção, um verdadeiro começo

Enfrentando as mentiras, distorções e ameaças diretas de uma incessante campanha fascista nas redes sociais, encabeçada em parte por um conhecido operacional de Trump, Alex Jones...

Enfrentando as milícias fascistas armadas em pelo menos três cidades e agressivos núcleos de fascistas na maioria das outras...

Muitas vezes enfrentando uma extremamente forte presença policial...

Enfrentando um macarthismo baixo, mexeriqueiro e grosseiramente retrógrado, bem como uma capitulação ao macarthismo por parte de muitos dos que deveriam saber fazer melhor...

E enfrentando um silenciamento mediático até poucos dias antes dos protestos – mesmo assim as pessoas estiveram presentes. Por vezes às centenas ou mais, por vezes apenas um punhado de pessoas animadas – a 4 de novembro quatro mil pessoas em mais de uma vintena de cidades saíram às ruas como força determinada a ACABAR com o fascismo de Trump e Pence.

Quatro mil pessoas participaram nas atividades desse dia – das 1500 pessoas em Nova Iorque às mil em Los Angeles, às 250 em Honolulu e a mais de 300 em Chicago, às duas dúzias de pessoas firmes em Pittsfield, Massachusetts, às dez em Indianápolis e às sete em Akron. Em Austin, no Texas, 45 manifestantes da Recusar o Fascismo enfrentaram mais de 200 fascistas armados e escarnecedores, bem como uma intimidatória presença policial que impediu muitas pessoas de participarem na manifestação. Filadélfia ficou marcada por coloridos carros e cartazes e, também aí, por uma coragem decidida e focada face aos contramanifestantes armados e ameaçadores. Boston viu membros dos Veteranos pela Paz e Antifas a trabalhar em coordenação com a Recusar o Fascismo para manterem as coisas focadas na divulgação da mensagem face aos provocadores fascistas.

E em Chicago, formou-se no próprio local um grupo de tocadores de tambor que marcou um ritmo de alegria desafiadora daqueles que dá vontade de querer dançar.

Vieram por muitas razões e por uma só razão. Vieram porque não podem tolerar a demonização de setores inteiros da população e o entrincheiramento da supremacia branca a um nível nunca visto em várias gerações, com o pior ainda por chegar. Vieram porque querem que os filhos herdem um planeta em que as pessoas ainda possam viver e respirar. Vieram porque dão valor à verdade. Vieram porque não irão tolerar em lado nenhum aqueles que “agarram vaginas”, e muito menos na Casa Branca. Vieram porque se recusam a viver sob um governo religioso. Vieram porque não querem um mundo em que o presidente norte-americano não só ameaça como parece ansioso em usar armas nucleares, em que as portas são completamente fechadas a refugiados desesperados, em que a suspeita, o racismo e o medo estabelecem as condições e impõem as regras, em que o rosnar e o zombar são o rosto permanente do poder. Vieram porque pensam que as pessoas precisam de poder divergir, de se pôr de pé ou de “baixar o joelho”, quando acharem apropriado – sem as ameaças e os insultos vindos dos níveis mais elevados ou de todo um movimento fascista. Vieram pelo que aconteceu em Charlottesville. Vieram porque se lembram das lições da história e porque querem um futuro. Vieram porque, em nome da humanidade, se recusam a aceitar uns Estados Unidos fascistas.

Juntos, começaram a perfurar toda uma temporada de normalização. Juntos, começaram a criar uma ética e uma cultura de resistência decidida, de clareza e coragem e solidariedade face às distorções e às ameaças. Juntos, abriram um caminho.

Uma ampla diversidade

Aqueles que discursaram ou enviaram mensagens representaram o embrião do que é necessário fazer para atrair milhões de pessoas para as ruas. Entre eles esteve uma diversidade ecuménica de clérigos, incluindo muçulmanos; isto incluiu ativistas negros, nativo-americanos e latino-americanos em várias cidades; estiveram lá veteranos, Cindy Sheehan (mãe de um soldado morto em combate na Guerra do Golfo que ficou conhecida por ter confrontado George W. Bush) e, no Havai, uma ativista de visita da Coreia; nos palcos, foram lidas declarações de ativistas e artistas como Eve Ensler, Arturo O'Farrill e Gloria Steinem; as plataformas foram partilhadas por ambientalistas, ativistas dos movimentos pelos direitos LGBTQ, advogados e ativistas do movimento pelos direitos dos deficientes; e havia membros da Indivisible ou outras organizações afiliadas ao Partido Democrata ou aos comunistas revolucionários. Os músicos e os poetas agraciaram os palcos em muitas das cidades.

Entre os próprios manifestantes havia pais com os filhos a reboque, grupos de estudantes, gente dos subúrbios da classe média e pessoas dos bairros sociais e degradados das cidades. Muitos eram de grupos que têm sido demonizados por Trump, com uma presença particularmente forte e importante de imigrantes. Muitos eram de pequenas cidades, tendo-se juntado para tomar posição, por vezes mesmo contra as próprias famílias, para dizerem NÃO!, não vamos alinhar nisto, não vamos normalizar isto, não nos vamos acomodar.

Vieram estudantes sozinhos ou em grupos de dois, por vezes em grupos maiores: das universidades de Boston, Wellesley, Berkeley, Stanford, UCLA, da Universidade do Sul da Califórnia, DePaul e Columbia em Chicago, da Universidade de Columbia e da Universidade da Cidade de Nova Iorque, ambas em Nova Iorque, e de muitas outras. Ninguém sabe quantas pessoas recuaram face às estridentes campanhas de rumores e difamação. Uma estudante de Chicago que trabalha numa ONG disse que no escritório dela tinham debatido se lá iam, mas as pessoas “temiam a violência”; ela viria de qualquer maneira (e não houve violência). Houve mais de um caso em que um grupo de pessoas tinha planeado vir, mas no final só uma ou duas pessoas apareceram. Mas, porque um número suficiente de pessoas estavam dispostas a ser as primeiras, a avançar para o desconhecido, agora outras podem seguir-se-lhes... em números como os que são tão urgentemente necessários.

A Recusar o Fascismo recusou-se a recuar ou a ficar calada face à campanha de calúnias, por um lado, e ao silenciamento, por outro. Combateu as mentiras com a verdade e procurou agressivamente vias para contar a verdadeira história. Batalhou com os jornalistas e recolheu dinheiro para publicar um anúncio no New York Times. O que estava em jogo era demasiado, seja para ser difamado, silenciado ou ficar sem resposta. Por fim, conseguiu romper o nevoeiro mediático nalguns lugares e divulgar a história.

Os desafios

Os eventos de 4 de novembro colocam grandes desafios.

Aos que não são fascistas e dizem opor-se a Trump, mas que apesar disso acharam adequado atacar a Recusar o Fascismo: onde é que está a vossa consciência? Em particular, aqueles de vós que colapsaram perante o macarthismo e denegriram a Recusar o Fascismo devido à presença nela de membros do Partido Comunista Revolucionário – será que não aprenderam nada com Martin Niemöller, o pastor protestante alemão que, após uma longa demora e indecisão, se opôs a Hitler? Niemöller, que acabou por ir parar a um campo de concentração, disse: “Primeiro, levaram os comunistas, e eu não disse nada porque não era comunista; Depois, levaram os judeus, e eu não disse nada porque não era judeu; Depois, vieram buscar-me a mim, e nessa altura já não havia ninguém para falar.”

Aos que consideraram participar e que depois se mantiveram à margem, medindo o 4 de Novembro: há um lugar para vocês aqui. Um caminho está agora criado; mas os tempos são de urgência e a hora vai avançada e agora é o momento de começar a tomar esse caminho. Qualquer que seja o trabalho que estejam a fazer agora, por mais valioso e importante que seja, sem uma gigantesca ação nas ruas, não violenta e permanente, a exigir o fim deste pesadelo de regime, a estreita janela que ainda está aberta e em que podemos impedir a imposição plena do fascismo irá fechar-se – esmagando toda a resistência e direitos fundamentais e refazendo as leis. Agora é o momento para nos unirmos de uma maneira ampla, reconhecendo o grave perigo de uma guerra nuclear e de uma catastrófica devastação ambiental, pelas quais a humanidade não pode ficar à espera. Em última instância, só através das ações de milhões de pessoas nas ruas em vagas de protestos contínuos é que pode ser evitada uma grande calamidade através do afastamento do regime de Trump e Pence do poder. Agora temos de nos unir com criatividade e determinação para mobilizarmos as pessoas até ao momento em que os milhares se convertam em centenas de milhares e depois em milhões.

Finalmente, aos que estiveram presentes: devemos, todos nós, aprender a fazer muitas coisas que nunca fizemos. Temos de divulgar isto e mobilizar outras pessoas. Temos de nos apoiar uns aos outros quando tivermos hesitações, quando tivermos medo, quando ficarmos desencorajados... como inevitavelmente iremos ter e ficar. Temos de nos recordar do muito que está em jogo, e estar à altura disso, com convicção e coragem. Devemos, acima de tudo, recordar-nos constantemente a nós próprios, e uns aos outros e às pessoas que encontremos e a que nos liguemos, do muito que está em jogo no que enfrentamos e temos de trabalhar juntos para estar à altura. Podemos fazê-lo, e iremos fazê-lo.