Egipto: Foi obtida uma grande vitória, há mais a fazer

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 14 de Fevereiro de 2011, aworldtowinns.co.uk

Os egípcios conseguiram algo de grandioso. Devem ser felicitados, admirados e emulados. Conquistaram o direito a uma poderosa celebração. Em todo o lado, as pessoas estão felizes por eles e pelo que a vitória deles pode significar para a intolerável situação actual na região e no globo.

Numa palavra, eles fizeram com que a sua voz e as suas vidas tivessem um impacto. Porque isso é real, e não apenas retórico, tem consequências:

- Derrubaram um tirano cujo governo era um pilar do domínio norte-americano do Médio Oriente, da privação do povo palestiniano, da escravização do Egipto aos interesses estrangeiros e do roubo e humilhação do seu povo.

- No decurso de apenas algumas semanas, o povo egípcio acordou para a vida política e subiu para o palco político aos milhões, rompendo as grilhetas do desespero e cinismo que o tem mantido cativo a ele e a muitos dos povos do mundo.

- Tomou verdadeiramente a iniciativa nas suas mãos e criou uma situação demasiado rara no mundo de hoje, uma situação em que os acontecimentos têm sido determinados sobretudo pela luta do povo e não pelas manobras dos reaccionários.

Isto demonstrou uma verdade que muito pouca gente teria podido antever até há pouco tempo: a de que mesmo numa região onde a actual situação parecia ser tão eterna quanto odiada, os grandes e pequenos reaccionários não são necessariamente os mestres do destino das pessoas. O poder deles depende de armas, de mentiras e da passividade das pessoas, e agora que as pessoas puderam tão poderosamente fazer tremer esse poder, todos nós podemos ver mais claramente como pode ser possível ir ainda mais longe.

Além de revelar as fraquezas dos governantes, o movimento egípcio revelou também algo muitas vezes escondido sobre as próprias pessoas: a sua capacidade de se transformarem à medida que transformam o mundo à sua volta.

Sem exagerar o que se pode fazer em poucos dias nalguns bairros de uma cidade, as pessoas reunidas na Praça Tahrir do Cairo deram pelo menos a elas próprias e ao mundo um vislumbre de um outro tipo de sociedade.

Na praça já se situou um quartel militar colonial britânico. Ela foi depois cercada por vastos edifícios que simbolizam a manutenção do domínio estrangeiro do país e o poder cruel e adorador de cimento de um regime que era um ganancioso parceiro local do capital estrangeiro. Antigo local de protestos, a sua rotunda e ruas adjacentes foram redesenhadas para excluírem peões e multidões.

Mas, ao longo de 18 dias, tornou-se um lugar onde as pessoas mostraram a sua determinação em acabarem com a opressão e a sua disposição a assumirem riscos e fazerem sacrifícios sem pensarem numa recompensa pessoal, começando a apreciar e a assumir a responsabilidade não só pelas suas próprias famílias, mas também pelos seus irmãos e irmãs mais próximos ou mais distantes, e se descobriram capazes de fazerem mais contribuições individuais para a força colectiva do que alguma vez pensaram poder ser possível.

Como disse uma manifestante a um jornalista, na Praça Tahrir ela teve uma amostra do tipo de sociedade em que as pessoas querem viver.

Agora que a porta do futuro foi forçada a entreabrir-se, há forças extremamente poderosas que estão a conspirar para a voltarem a fechar firmemente.

À cabeça dessas forças estão as potências imperialistas, sobretudo os EUA, juntamente com a Grã-Bretanha, a Alemanha, a França, a Itália e outros países cujos governantes têm engordado com o saque dos países que dominam e com a exploração dos povos desses países. Tal como Washington e Londres, Pequim tem salientado o seu desejo de “estabilidade e uma ordem normal”, e não de mudança, no Egipto (AP, 12 de Fevereiro).

Embora as mãos dos imperialistas sejam normalmente pouco vistas no Egipto, a sua influência estende-se a toda essa sociedade.

Economicamente, o que o Egipto produz, e como o faz, é determinado pelo mercado mundial dominado pelos imperialistas e, em última análise, pelos interesses do capital imperialista. É por isso que um país excepcionalmente fértil, com um clima favorável e água abundante, passou de auto-suficiente a dependente de alimentos importados e, devido a isso, 40 por cento da sua população quase não consegue comer, enquanto alguns ficam obscenamente ricos. A própria pretensa prosperidade por que o Egipto passou na última década significou a ruína para muitas pessoas, enquanto as zonas rurais estagnavam, ou pior, e a capital inchava com milhões de ex-camponeses famintos por qualquer trabalho. A venda de quinquilharias e serviços turísticos substituiu todo e qualquer projecto de construção do país. Os dez por cento da sua mão-de-obra que trabalha no estrangeiro tornaram-se numa das principais fontes de rendimentos do Egipto. Os jovens com estudos e os intelectuais ficaram impossibilitados de encontrar qualquer emprego permanente, já para não falar no tipo de contribuição para as necessidades do seu país que lhe poderia trazer satisfação.

Porque é que, num país potencialmente rico do ponto de vista agrícola, com uma indústria desenvolvida e cujos habitantes têm mostrado o seu desejo de cuidar uns dos outros, há 50 mil crianças a viverem nas ruas e a passarem fome, só do Cairo?

A miséria do povo tem sido uma fonte de riqueza para alguns. Isto não é apenas uma questão de corrupção, embora haja bastante disso. O “funcionamento normal” do capitalismo nesse país dominado pelo capital estrangeiro enriqueceu as classes mais associadas a esse capital, os donos dos bancos e dos grandes negócios – muitas vezes monopólios na sua área de negócio – ligados de perto ao investimento estrangeiro e ao mercado mundial.

Este enquadramento económico tem representantes políticos que o impõem.

Há mais de meio século que o principal representante do capital estrangeiro é o exército. O exército derrubou a monarquia em 1952 e pôs fim ao domínio britânico e, durante várias décadas, desde meados dos anos 50, ligou o seu destino à URSS, então emergente como rival social-imperialista (socialista nas palavras, imperialista nos factos) do bloco encabeçado pelos EUA. Embora os EUA tenham ficado contentes com o enfraquecimento da influência britânica no Egipto, trabalharam para fazer do exército egípcio um instrumento do seu próprio domínio político.

Durante as últimas três décadas, os oficiais de alta patente do Egipto foram sistematicamente treinados na Universidade de Defesa Nacional em Washington e estiveram em contacto frequente com os seus congéneres norte-americanos. Durante esse período, os EUA forneceram um total de 40 mil milhões de dólares aos militares egípcios, que ficam apenas em segundo lugar em relação a Israel como maior recipiente de longa duração do dinheiro da “ajuda” que os EUA gastam na protecção dos seus interesses estratégicos.

Isto não é apenas uma questão de comprar influência, mas de interesses partilhados. As forças armadas egípcias são directamente proprietárias de um sector significativo das fábricas do país e de outras empresas e imóveis. Outras grandes empresas estatais em indústrias como o têxtil e o petróleo são geridas por ex-generais. O exército não só é a coluna vertebral do estado, como também está em todo o país; também desempenha um papel chave na economia do país, dependente do imperialismo.

Ao mesmo tempo, embora as forças armadas fossem a base política de Hosni Mubarak, a família dele usou a posição política delas para aumentar a sua influência no sector privado e ajudou-as a expandirem-se. Esses oligarcas do sector privado também são, à sua própria maneira, dependentes do estado, mas criou-se uma fricção entre eles e alguns dirigentes das forças armadas.

Ninguém pode negar que os EUA mantiveram Mubarak no poder durante três décadas, embora algumas pessoas na administração Obama estejam agora a tentar culpar a Secretária de Estado Hillary Clinton, e não o presidente, pelo embaraçoso facto de os EUA se terem tentado agarrar a ele quase até ao seu último dia (The New York Times, 14 de Fevereiro de 2011). Agora, parece que mesmo o General Omar Suleiman, o homem de confiança de Mubarak e vice-presidente de undécima hora, o homem que os responsáveis de Washington nomearam publicamente como sua segunda escolha se Mubarak se tornasse insustentável, pode ter ficado tão demasiadamente associado à recusa de Mubarak em se demitir, que também ele se tornou politicamente inviável. Mas, tal como os egípcios disseram quando ouviram rumores de que Mubarak estava a morrer, há muito que os mortos governam o Egipto.

No que diz respeito aos que representam a mão morta do passado a espremerem os vivos, os EUA ainda podem contar com as forças armadas egípcias. Mubarak nomeou pessoalmente os seus generais e tinha o poder de decidir a composição de todo o quadro de oficiais. (Algumas pessoas pensam que, devido ao facto de 40 por cento dos soldados serem incorporados, o exército egípcio enquanto instituição é “uma mão ao lado do povo”. Mas, na realidade, o muro entre oficiais e subordinados é ainda mais estanque no Egipto que na maior parte dos países.)

Mubarak nomeou o chefe do Conselho Supremo das forças armadas que agora dirige o país, Marechal de Campo Mohamed Tantawi, para Ministro da Defesa em 2008, e também lhe deu a pasta do Ministério da Produção Militar – dois lugares que ele ainda mantém. Isto faz de Tantawi não só o chefe das forças armadas mas também o principal CEO do país. O compromisso dele para com o domínio norte-americano do exército, do país e da região é atestado não só pelo elogio que os responsáveis norte-americanos lhe estão a fazer pelo nome, mas também pelo facto de em 1991 ter sido chefe das forças egípcias que combaterem ao lado dos invasores norte-americanos contra o povo iraquiano.

(A este respeito, nada diz mais sobre os objectivos políticos norte-americanos no Médio Oriente e no mundo que o facto de os EUA terem mandado as suas tropas removerem Saddam Hussein, mas durante décadas nem sequer criticaram publicamente Mubarak, um tirano sanguinário tão odiado quanto Saddam, e em geral e em todos os sentidos como o seu primo iraquiano, excepto num – Saddam desagradou aos EUA.)

Um analista do think-tank de Whitehall, o Royal United Services Institute, Shashank Josji, concluiu: Tantawi “encarna as forças reaccionárias ainda incrustadas no coração de um regime que pode ter perdido o seu represente mas não a sua essência” (BBC, 12 de Fevereiro de 2011).

Um telegrama diplomático norte-americano de 2008 tornado público graças ao WikiLeaks chama a Tantawi o “caniche de Mubarak”, mas a verdade neste preciso momento é que ele é o principal cachorro de Washington no Egipto.

Quanto ao segundo elemento no comando do Conselho Militar Supremo, o chefe de estado-maior das forças armadas Tenente General Sami Enan, embora seja menos conhecido do público e não tão próximo de Mubarak, é definitivamente um favorito do Almirante Mike Mullen. Durante a recente insurreição, este chefe de estado-maior das forças armadas norte-americanas reservou muitas vezes parte do seu tempo de supervisão da ocupação do Iraque e do Afeganistão para chamar Enan, apesar da suposta não interferência do governo Obama nos assuntos egípcios. Num podcast distribuído aos membros do serviço norte-americano, Mullen expressou uma grande confiança em Enan. “Temos uma relação muito forte com o exército egípcio há décadas”, disse o almirante norte-americano. “E quando olho para o futuro, certamente que vejo isso a continuar assim” (Sítio internet do Departamento de Defesa dos EUA).

Mesmo que não conhecêssemos esses homens pelos seus amigos, conhecê-los-íamos pelos seus actos. Além de suspenderem a agora irrelevante constituição que garantia o futuro político de Mubarak, de dissolverem o completamente desacreditado parlamento que Mubarak tinha enchido de membros do seu próprio partido (que agora estão a afastar-se aos milhares para organizarem um novo partido) e de se terem declarado ao comando do país, os primeiros actos do Conselho Supremo militar foram ratificar a vergonhosa aliança do Egipto com Israel – obedecendo à explícita exigência pública de um porta-voz de Obama – e aprovar o governo que o próprio Mubarak tinha nomeado, encabeçado pelo primeiro-ministro Ahmed Shafiq, chefe da força aérea, tal como Mubarak tinha sido no passado.

Imediatamente após o conselho militar se ter declarado a autoridade suprema, Tantawi reuniu-se com anterior e futuro Governador do Banco Central, o Ministro da Justiça e o chefe do Tribunal Constitucional, e depois conversou ao telefone com o seu congénere sionista, o Ministro da Defesa israelita e principal assassino de palestinianos, Ehud Barak. O antigo/novo Ministro das Financias, Samir Radwan, anunciou que não haveria “nenhuma mudança” nas políticas económicas do governo.

Como se isto não fosse prova suficiente de que o exército está decidido a actuar como garante da continuidade das estruturas políticas e económicas do país, os seus primeiros actos no terreno foram usar uma combinação de bajulação e intimidação, numa tentativa de esvaziar a Praça Tahrir de manifestantes, e ameaçar proibir as greves dos sindicatos independentes e das associações profissionais que se libertaram do controlo governamental.

Ainda há muito lixo a ser removido

É uma coisa boa que o povo egípcio tenha mostrado a sua força e determinação, porque ainda tem muito trabalho a fazer.

Ele enfrenta batalhas políticas nos próximos dias que poderão ser decisivas, não no sentido de que ganhá-las signifique a derrota final de toda uma estrutura de poder imunda e do tipo de sociedade que ela representa, mas de que a questão imediata é a de saber se as forças da ordem vão ou não poder meter o génio de volta na garrafa. O movimento não deve perder o seu impulso e iniciativa que conquistou à custa de tanto sacrifício.

Há mais vitórias imediatas necessárias para que sobreviva e avance.

Neste momento, coloca-se a questão da “estabilidade” contra a “instabilidade”. Para os inimigos do povo, a estabilidade é definida acima de tudo não em impedir as pilhagens, satisfazer as necessidades imediatas do povo e limpar os escombros, mas no repetido apelo do Conselho Supremo de que as multidões devem deixar de fazer exigências e regressar a casa.

Este tipo de “estabilidade” significará o fim do tipo de debate político destemido e vibrante que até agora sempre foi negado as pessoas. Significará o fim de as pessoas se reunirem em formas voluntárias de organização para tomarem decisões colectivas e imporem a sua vontade. As pessoas precisam das ruas e da praça, e estão furiosas com a manutenção do estado de emergência, que está em vigor desde 1967, apenas com uma pequena interrupção de 18 meses em 1980-81. Tantawi tem adoptado até agora as mesmas desculpas hipócritas de Mubarak e depois de Suleiman – qualquer hipótese de abandonar o estado de emergência tem que vir depois, depois de a calma ser restabelecida. Por outras palavras, primeiro calem-se e depois nós tratamos do vosso direito a falarem.

A lei de emergência não é uma mera formalidade. O exército continua a deter pessoas sem acusação e, nalguns casos, a torturá-las. A organização Human Rights Watch relatou que sabia de pelo menos 119 pessoas detidas sem acusação pelo exército e pela polícia militar entre a noite de 28 Janeiro, quando o exército foi substituir a polícia regular, e o momento em que Mubarak se demitiu. O jornal Guardian escreveu que, segundo os testemunhos que recolheu, o exército deteve “milhares de pessoas” durante as três semanas de insurreição.

Como parte do seu teste de força com as forças remanescentes do antigo regime, as pessoas estão a exigir a punição dos responsáveis governamentais e das forças de segurança que derramaram sangue do povo, a começar pelos responsáveis pelo assassinato de Khaled Said. Em Junho passado a polícia arrancou este jovem de Alexandria de um cibercafé e espancou-o até à morte no próprio lugar. Esse assassinato inspirou a página do Facebook “Somos Todos Khaled Said” que ajudou a iniciar aquela que alguns egípcios estão a chamar de “revolução da dignidade”.

A importância de se saber se as forças de segurança irão ou não pagar pelos seus crimes pode ser vista na forma como esta questão continua a ser levantada nas manifestações e na violenta repressão na Tunísia, onde claramente tem mais a ver com o futuro que com o passado. A actual luta nesse país, um mês após o derrube do regime de Ben Ali, mostra um outro factor que apenas se começa a fazer sentir no Egipto: algumas classes sociais tendem a ficar satisfeitas agora que o tirano se foi embora, enquanto muitas das massas simples estão mais que nunca sedentas do tipo de mudança fundamental nas suas vidas que o sistema ainda de pé não lhes pode oferecer. Outras importantes questões imediatas tomarão certamente forma em breve. No decurso destas batalhas, as massas podem construir a sua própria compreensão, organização e força.

É particularmente importante que as pessoas não se deixem ser enganadas – e não se enganem a si próprias – com a ilusão de que podem deter o poder e obter a liberdade através de referendos e eleições. Caso o exército organize de facto novas eleições e cumpra a sua promessa de entregar o governo a alguns civis, será com o fim de desmobilizar as massas, de as afastar do palco político e de lhes roubar a iniciativa. O objectivo será “estabilizar” o verdadeiro poder, a ditadura dos parceiros locais do imperialismo, com o exército como seu núcleo e defensor, independentemente do tipo de vestuário que o primeiro-ministro e os membros do governo usem.

Ao libertarem-se de Mubarak, as massas infligiram um sério golpe à estrutura do poder. Os EUA e os militares egípcios fizeram o seu melhor para se agarrarem a ele, não porque o seu domínio dependesse de um indivíduo específico, mas porque o povo ao afastá-lo criou uma situação perigosa e instável para esses governantes.

Durante décadas, o exército tem sobretudo conseguido esconder o seu punho através da subcontratação à polícia da maioria do trabalho do dia-a-dia de prisões e tortura, e conseguiu mesmo ficar de fora da ribalta política enquanto instituição, apesar da base militar de Mubarak e do papel dos generais. Tem beneficiado das ilusões populares que isso tornou possível e da confusão das pessoas sobre o papel histórico do exército devido ao seu papel na expulsão dos britânicos e na defesa do país contra Israel. Também tem beneficiado da esperança das massas nalguma outra solução diferente da de irem contra um exército, sobretudo, mas não só, porque ainda não têm o seu próprio exército.

Mas agora, contra a sua vontade e contra as esperanças dos senhores do império, o exército teve que se mover politicamente para as linhas da frente e, caso use a antiga polícia, a polícia militar ou qualquer outra instituição armada contra o povo, desperdiçará uma parte vital do seu capital político. Isso não é uma boa situação para os inimigos do povo.

No decurso do combate das próximas batalhas, aqueles que mais querem ver o Egipto livre e sobretudo aqueles que odeiam todas as formas de opressão e exploração têm de enfrentar as causas profundas da miséria do país e do seu povo e do criminoso estado actual do mundo em geral. Precisam de estudar a experiência da revolução, tanto do insucesso de tantos países em obterem a sua libertação após a queda dos seus próprios Mubaraks, como sobretudo das revoluções russa e chinesa lideradas pelos comunistas que, apesar das suas insuficiências e da sua derrota final, mostraram a possibilidade de se avançar para a libertação do imperialismo mundial como parte de um movimento revolucionário global que vise a libertação de toda a humanidade.

A experiência tem mostrado que uma verdadeira revolução é muito difícil, mas também tem mostrado que mais nada tem sequer qualquer hipótese, a longo prazo, de fazer recuar as forças que tentam “estabilizar” tudo o que os egípcios odeiam e de romper rumo ao futuro vislumbrado, mesmo que parcialmente e durante um breve momento, durante os dias e as noites de combate e solidariedade, de grande dor e grande alegria, na Praça Tahrir.

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