Do G7 para os refugiados: Por favor, afoguem-se longe da nossa vista

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 30 de maio de 2017, aworldtowinns.co.uk

A reunião em Taormina, Sicília, da quadrilha de sete das mais perigosas potências imperialistas do mundo teve um efeito imediato que ajuda a revelar o que é o G7.

O local, uma estância perto do mar, não foi escolhido apenas pelo seu luxo mas também pela sua localização geográfica, de difícil acesso mesmo em tempos normais. A principal discussão foi sobre continuar ou não a charada do Acordo de Paris sobre o Clima, criando a ilusão de que o sistema imperialista irá impedir o desastre climático, ainda que não possa dar os passos radicais necessários para de facto o fazer, em contraste com as claras políticas destruidoras do planeta de Trump de “o meu país em primeiro lugar”. O outro grande tópico foi a imigração, mas também aqui a questão não foi sobre como solucionar uma emergência ao serviço dos interesses da humanidade, mas sobre como manter do lado de fora seres humanos desesperados que fogem de guerras e outras situações horrendas para cuja criação os países do G7 desempenharam um papel importante. Como que para ilustrar estes termos da discussão, invocando a segurança da reunião de dois dias do G7, as autoridades italianas decretaram que, durante uma semana, os navios que transportassem pessoas salvas de se afogarem no Mediterrâneo não seriam autorizados a desembarcar nos portos sicilianos.

Na véspera da cimeira, vários milhares de pessoas tinham sido resgatadas às águas entre a Sicília e a Líbia. Como a União Europeia abandonou as suas operações conjuntas de salvamento, o navio ONG Aquarius é agora um dos maiores a fazer operações de salvamento, juntamente com outras organizações voluntárias, navios comerciais e a guarda costeira italiana. O navio não foi autorizado a levar os seus passageiros resgatados para a Sicília mas, em vez disso, teve de os levar para Salerno, a muitas horas de distância. Como salientou a proprietária do navio, a organização SOS Méditerranée, a intenção foi manter esses refugiados longe da atenção da comunicação social mundial reunida na Sicília e evitar o embaraço de colocar caras humanas reais num tópico de discussão cínica. Mas isto colocou em perigo de uma maneira consciente pessoas frequentemente desidratadas, perigosamente ao frio, feridas ou vulneráveis de outras formas que foram salvas no mar mas não autorizadas a desembarcar.

O navio Prudence, dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), equipado para transportar 600 passageiros, tinha a bordo 1 449 pessoas salvas, quando foi reencaminhado para Nápoles, talvez a uma dúzia de horas de distância do porto siciliano mais próximo. Um porta-voz dos MSF disse que o seu pessoal já não podia garantir a segurança das pessoas pelas quais tinha assumido responsabilidade. A situação foi especialmente aguda a bordo de navios de salvamento de menor dimensão que não têm nenhumas instalações para fornecer mais que cuidados imediatos de emergência, nem sequer para alimentar e abrigar pessoas durante uma viagem prolongada. Ainda pior, os vários dias extra que os navios gastam a subir a costa italiana e a regressar são dias em que não podem salvar pessoas.

O que significa falarem em direitos humanos, perguntou um porta-voz da SOS Méditerranée, ou fingirem estar a fazê-lo, se a Europa e o G7 não só renunciaram à sua responsabilidade em salvar vidas, como estão agora a experimentar impor às operações privadas de salvamento restrições que potencialmente colocam vidas em perigo, negando, por implicação, que todos os seres humanos têm um direito igual a que as suas vidas sejam salvas. E assim que é oficialmente imposto o precedente de que os interesses políticos de um estado têm precedência sobre certas vidas humanas, o perigo potencial é muito pior.