Da edição n.º 498, atualizada a 8 de julho de 2017, do jornal Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (http://revcom.us/a/498/tens-of-thousands-confront-global-oppressors-at-g-20-summit-en.html em inglês ou http://revcom.us/a/498/enfrentamiento-de-decenas-de-miles-a-los-opresores-globales-en-la-cumbre-del-G20-es.html em castelhano).

Dezenas de milhares de pessoas enfrentam os opressores globais na cimeira do G20

Atualização noticiosa de Hamburgo:

Sábado, 8 de julho. Mais de 50 mil pessoas inundaram as ruas de Hamburgo, Alemanha, durante o terceiro dia de protestos contra o G20. Houve duas manifestações separadas que depois convergiram, fazendo desta a maior manifestação desde o início da cimeira do G20 na quinta-feira.

A polícia tinha o centro da cidade cercado, com as principais ruas fortificadas com barricadas depois dos confrontos entre a polícia e os manifestantes na noite anterior, em que os manifestantes tinham novamente enfrentado destemidamente a polícia, erguendo barricadas com caixotes do lixo, bicicletas e sinais rodoviários. Um manifestante disse a um jornalista: “A polícia está a provocar as pessoas ao correr em direção aos protestos, ao aglomerar as pessoas para que elas comecem a entrar em pânico. Eles sabem que as pessoas vão ficar feridas.” Centenas de polícias entraram em edifícios para prenderem pessoas e usaram continuamente canhões de água contra os manifestantes. Pelo menos 11 manifestantes ficaram gravemente feridos depois de terem caído de um muro durante um confronto com a polícia. Os relatos noticiosos de sábado diziam que tinham sido presas pelo menos 143 pessoas e outras 122 estavam a ser mantidas em custódia. E agora a polícia está a perseguir as pessoas, inclusivamente apelando às pessoas para disponibilizarem fotos e vídeos no sítio internet deles para ajudar a identificar pessoas para serem detidas e processadas judicialmente.

No sábado, uma vez mais, as pessoas tomaram a palavra sob diferentes formas contra uma longa lista de afrontas perpetuadas pelo sistema capitalista: erguendo cartazes e gritando palavras de ordem sobre as alterações climáticas, os direitos das mulheres e dos migrantes, a independência curda, os direitos LGBT, as questões ambientais e muito mais. Música hip-hop e turca explodia dos altifalantes. As enormes multidões de manifestantes incluíam todo o tipo de pessoas, entre as quais muitos jovens, casais com os seus filhos e grupos curdos. Um relato noticioso descrevia o protesto como uma “mistura eclética e internacional, (...) uma demonstração de músculo anticapitalista junto aos ouvidos dos principais líderes do mundo que estão a terminar a cimeira do G20.” Alguns dos cartazes diziam: “Um mundo – Uma vibração”, “Solidariedade ilimitada” e “Hamburgo mostra atitude”. Durante vários dias, dezenas de milhares de pessoas tinham saído à rua, marchando, ocupando os parques, desafiando as ordens da polícia para dispersarem e defendendo-se dos violentos ataques da polícia – enviando ao mundo inteiro uma mensagem de protesto e RESISTÊNCIA contra o G20 e tudo o que ele representa.

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Sexta-feira à noite, 7 de julho. Em Hamburgo, Alemanha, durante os últimos dois dias, cerca de 100 mil pessoas saíram às ruas em protesto e rebelião e os jornalistas no local diziam que parecia que isto não ia terminar tão cedo. As pessoas estão a protestar contra a reunião do G20 e a agir contra todo um conjunto de afrontas perpetuadas pelo sistema capitalista. De muitas formas diferentes, estes manifestantes em Hamburgo estão a falar em nome de muitos mais em todo o mundo – avançando destemidamente até muito próximo dos chefes de estado que cometem crimes contra os povos do mundo inteiro.

O G20 (abreviatura de Grupo dos 20) é dominado pelos governos mais ricos e poderosos do mundo e a sua cimeira anual é o local onde eles se juntam para competirem e planearem como continuarem a atacar os povos do mundo. Muitos dos manifestantes vieram para confrontar Trump, que está aí para representar os EUA e que é odiado, entre outras coisas, pelo ataque dele a todas as tentativas de combater as alterações climáticas que ameaçam a própria vida no planeta e a guerra dele contra os imigrantes. Alguns dos cartazes que as pessoas levavam diziam: “Não à interdição, não à guerra”, “Guerra ao terror, guerra ao clima, guerra aos pobres, NÃO EM MEU NOME”, “O capitalismo mata”, “Deixem de destruir o nosso fantástico planeta”, “O planeta Terra em primeiro lugar”, “Construir pontes e não muros” e “Liberdade de movimento”.

A cimeira do G20 está a decorrer num momento em que o mundo enfrenta provavelmente os seus maiores problemas na história humana: guerras infindáveis no Médio Oriente; uma gigantesca migração devido à fome e à guerra; alterações climáticas que ameaçam a própria vida no planeta; um crescente perigo de guerra nuclear. E os “líderes mundiais” que presidem ao mundo imperialista estão perante grandes contradições e incertezas. A ordem, dominada pelo Ocidente, do pós-II Guerra Mundial está a desconjuntar-se em muitas frentes. A exploração e opressão dos povos em todo o mundo é cada vez mais intolerável, gerando protestos e rebeliões. E, à medida que se intensificam as tensões entre as grandes potências, o fascismo empinou a sua cabeça genocida – com o regime fascista de Trump e Pence e outros dirigentes fascistas na Europa. Nenhum dos líderes reunidos na cimeira do G20 tem qualquer resposta para estes problemas mundiais, porque eles são os representantes do sistema capitalista-imperialista global e lutam para manterem os seus próprios interesses reacionários e este sistema global.

Houve ações antes da cimeira – 12 mil pessoas saíram às ruas num protesto que foi chamado “G20 – Bem-vindos ao Inferno”. Um manifestante citado nos relatos noticiosos disse: “O importante é perturbar o G20. (...) Não é justo que nesta cimeira alguns países tenham o poder de decidir o que acontece no resto do mundo.”

Na quinta-feira, milhares de elementos da polícia militarizada enfrentaram os manifestantes, exigindo que as pessoas com máscaras as retirassem. Depois, quando a polícia avançou para tentar separar as pessoas que usavam máscaras do resto da manifestação, rebentou o inferno enquanto as pessoas se defendiam contra os porcos policiais. A polícia atacou com canhões de água de alta pressão, gás pimenta e bastões, alegando que tinha sido atacada com garrafas e outros objetos. Durante várias horas, houve escaramuças nas ruas e os manifestantes desafiadores mantiveram-se nas ruas até depois da meia-noite. Depois, na sexta-feira, os protestos continuaram quando dezenas de milhares de pessoas persistiram em sair às ruas, com mais confrontos com a polícia nalgumas zonas. As pessoas estão a resistir com toda a razão contra os violentos ataques da polícia, recusando-se a ceder – o que deve encorajar todos aqueles que anseiam por um mundo melhor.

Na sexta-feira à noite, alguns jornalistas estavam a calcular que 100 mil pessoas tinham participado nos protestos – e que mais de 20 mil polícias tinham sido mobilizados contra as manifestações. Na sexta-feira à noite, uma equipa da CNN no local disse que o mar de manifestantes se estendia ao longo de pelo menos 1,5 km. Antes disso, nesse mesmo dia, ativistas climáticos a bordo de 15 embarcações tinham tentado chegar a uma sala de concertos onde se tinham reunido os participantes no G20; alguns dos ativistas da Greenpeace saltaram para dentro da água e começaram a nadar para o edifício até a polícia os ter conseguido parar a todos.

Na quinta e na sexta-feira, a polícia atacou violentamente as pessoas com gás lacrimogéneo, canhões de água e granadas de estrondo. Foram usados canhões de água contra pessoas que estavam em pontes e telhados – colocando seriamente em perigo as vidas delas. Houve mais de 80 prisões e dezenas de outras pessoas foram detidas e pelo menos 14 manifestantes tiveram de ser levados ao hospital, três deles com ferimentos graves.

A democrática Alemanha que é a anfitriã do G20, com a sua chanceler “moderada” Angela Merkel, pôs a sua polícia a atacar violentamente os protestos – revelando uma vez mais que a democracia burguesa sempre foi uma desumana ditadura capitalista, mesmo que por vezes use uma esfarrapada luva de veludo. A comunicação social e as autoridades caluniam a “violência” dos manifestantes quando ao mesmo tempo o G20 inflige uma violência diária a uma astronómica escala global – das suas guerras pelo império, à destruição do próprio planeta, à brutalidade diária contra as massas e a opressão das mesmas.

Foi noticiado que houve cerca de 30 diferentes manifestações de protesto em diferentes partes da cidade. Algumas delas foram atacadas pela polícia. Houve ações criativas, como a do dia anterior ao início da cimeira em que 1000 artistas de muitos países levaram a cabo uma poderosa performance – cobrindo-se de cinzas e andando às voltas como zombies, “para agitar os corações das pessoas, para lhes dar a motivação para voltarem a se envolver politicamente”. E enquanto os líderes do G20 se reuniam para ouvir um concerto de Beethoven na Elbphilarmonie, uma famosa sala de concertos de Hamburgo, os manifestantes respondiam com a música de Jimi Hendrix tocada muito alto.

O nome de um dos protestos em Hamburgo, “G20 – Bem-vindos ao Inferno”, é uma referência à realidade de um mundo de horrores criado pelo capitalismo – um mundo em que oito pessoas têm mais riqueza que 3,5 mil milhões de pessoas, um mundo de guerras intermináveis, um mundo cuja estrutura de vida está a ser destruída, um mundo com milhares de milhões de pessoas sem emprego e sem futuro. Como têm salientado os manifestantes, aqueles que governam tudo isto não têm nenhum direito a ditar o futuro das pessoas e do planeta.

O futuro sob o G20 é um inferno. Mas pode haver um futuro melhor. A miríade de contradições enfrentadas por estes líderes mundiais; o desconjuntar de instituições antes estáveis; a continuação das rebeliões daqueles que se recusam a viver desta maneira – tudo isto pode representar aberturas para a revolução.

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6 de julho: Dezenas de milhares de pessoas vindas de toda a Europa e de fora dela têm estado a protestar de uma forma desafiadora em Hamburgo, Alemanha, levando as suas reivindicações e a sua indignação à Cimeira do G20. O G20 (abreviatura de Grupo dos 20) é dominado pelos governos mais ricos e poderosos do mundo, e a sua cimeira anual é onde eles se reúnem para competirem e planearem como continuar a atacar os povos do mundo. Muitos manifestantes vieram para confrontar Trump, que está aí para representar os EUA e que é odiado, entre outras coisas, pelo ataque dele a todos as tentativas de combater as alterações climáticas que são uma ameaça à vida no planeta e pela guerra dele aos imigrantes. Um comboio entrou na estação com muitos jovens pendurados nas janelas que erguiam cartazes pintados com punhos e “Parar Trump”.

A 2 de julho, ativistas da Greenpeace vindos de nove países enfrentaram – e bloquearam temporariamente – um navio cargueiro com 75 mil toneladas de carvão vindo da Rússia para Hamburgo. Nas suas pequenas embarcações estava pendurada uma silhueta de Donald Trump e num dos lados do cargueiro escreveram “Fim ao carvão” em letras de dois metros de altura.

No dia anterior ao início da cimeira, 1000 artistas vindos de muitos países juntaram-se para representar uma poderosa performance que disseram ter sido inspirada em “fenómenos como a Marcha Pela Ciência, a Marcha das Mulheres ou o Pulso da Europa. Vemos a nossa performance como parte desse movimento.” Todos os 1000 artistas cobriram-se completamente com cinzas e andaram às voltas como zombies, “para agitar os corações das pessoas, para lhes dar a motivação para voltarem a se envolver politicamente.”

Ao mesmo tempo, apenas algumas horas antes do início da cimeira, 12 mil manifestantes saíram às ruas num protesto chamado “G20 – Bem-vindos ao Inferno”. As pessoas levavam cartazes que diziam, por exemplo, “O capitalismo mata”. Mais tarde, um edifício foi coberto com um cartaz que dizia “Solidariedade sem fronteiras em vez de nacionalismo: ataquem o G20”.

Ainda antes de a manifestação ter começado, milhares de elementos da polícia militarizada enfrentaram os manifestantes e exigiram que as pessoas com máscaras as retirassem. Quando a polícia avançou para tentar separar aqueles que tinham máscaras do resto da manifestação, rebentou o inferno. A polícia atacou com canhões de água de alta potência, gás pimenta e bastões, alegando que tinha sido atacada com garrafas e outros objetos. Houve escaramuças nas ruas durante várias horas.

Calcula-se que mais de 100 mil manifestantes venham a estar nas ruas durante os próximos dois dias.