Crianças sírias: Uma pergunta que se responde a si mesma

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 3 de outubro de 2016, aworldtowinns.co.uk

Os EUA, a Grã-Bretanha e a França transformaram os horríveis ataques a civis em Aleppo oriental numa ocasião para marcarem uma vitória de propaganda contra os seus rivais russos e o regime sírio de Bashar Asad. Os bombardeamentos de civis são seguramente um crime de guerra, tal como eles alegam, e mesmo que essa zona seja uma praça-forte dos combatentes fundamentalistas islâmicos, tal como a Rússia alega, essas atrocidades revelam que ambos os lados são cruéis assassinos. Mas, apesar da conversa de todo o Ocidente sobre as crianças de Aleppo – com as fotos de crianças pequenas feridas e consternadas que deveriam quebrar qualquer coração – que acontece quando essas mesmas crianças ou outras como elas, na Síria ou noutros países onde o sofrimento das crianças atingiu proporções gigantescas, tentam fugir para lugares mais seguros?

Será que o Ocidente mostra qualquer preocupação com a forma como elas são tratadas nos aterradores campos de refugiados na Turquia e na Grécia, onde os refugiados sentem que estão a ser deliberadamente forçados a sofrer, como castigo por terem saído da Síria e para dissuadir outros de se lhes juntarem?

Porque é que as potências da NATO se recusam a usar os seus recursos navais para levar a cabo operações de busca e salvamento no Mediterrâneo? Porque é que elas abandonaram essas operações, à exceção da Guarda Costeira italiana e de uma Guarda Costeira grega que foi despojada da sua eficácia pelos cortes impostos pela União Europeia, pelo que o salvamento de vidas depende apenas dos esforços de pescadores e de voluntários das ONGs?

E quanto ao número estimado em mil crianças não acompanhadas – crianças que perderam ou se separaram dos pais – que se tentam manter vivas em Calais, França, num campo a que as bárbaras autoridades do mundo gostam de chamar “a selva”, embora os seus habitantes se ajudem uns aos outros de uma forma notável, dadas as circunstâncias? Até agora, as autoridades francesas têm-se recusado a ajudar sequer essas crianças, já para não falar em todas as crianças e adultos que desesperadamente precisam dessa ajuda, numa flagrante violação da lei francesa e internacional. O governo britânico lavou as suas mãos quanto ao destino delas, embora muitas dessas crianças tenham família na Grã-Bretanha e portanto tenham legalmente direito a asilo nesse país. Para os EUA, é um problema da Europa.

Ou será que a falsa “preocupação” do Ocidente com as crianças não é senão mais outra arma a esgrimir no seu confronto com os seus rivais reacionários?