Excertos do BOLETIM DE EMERGÊNCIA nº 61
do Comité Internacional de Emergência (27 de Fevereiro de 2001):

VII Delegação Internacional em Preparação - Fundos Necessários com Urgência: (...) Delegados de vários continentes, incluindo advogados, médicos, políticos e outros, comprometeram-se a participar nesta delegação [prevista para antes das eleições presidenciais peruanas de 8 de Abril]. Contudo, (...) falta-nos o dinheiro necessário a continuar, já que as despesas totais ascendem a mais de US$20,000 [cerca de 4.500 contos].

Cartas de Apoio Necessárias à Delegação: Da experiência anterior, sabemos que é muito importante que os delegados levem consigo cartas de apoio de um número alargado de indivíduos e organizações. Se as autoridades peruanas ameaçarem a delegação - ou quando se reunam com entidades não-governamentais - estas centenas de cartas mostram que esses delegados representam uma vasta secção de pessoas a nível mundial.

Ao escrever uma carta, ou a pedir a outros que o façam, use papel timbrado sempre que possível. De preferência, as cartas devem ser curtas e directas ao assunto: apoio à VII Delegação Internacional para ter acesso ao Dr. Guzmán; os 8 anos de isolamento do Dr. Guzmán violam muitas leis peruanas e internacionais; a delegação deve poder circular livremente e sem interferência; e que autor da carta segue a progressão da delegação. Um ponto adicional pode ser que o governo peruano cumpra a sua promessa de respeitar os direitos democráticos, incluindo os dos presos, estabelecidos pela lei peruana e pelas convenções internacionais subscritas pelo Peru. Uma carta-exemplo está disponível. (...)

Governantes Dizem Que o Dr. Guzmán Esteve em Greve de Fome: O Ministro da Justiça peruano, Diego Garcia Sayan, afirmou numa conferência de imprensa a 2 de Fevereiro de 2001 que o Dr. Guzmán e outros presos na base naval de El Callao - incluindo Oscar Ramirez Durand (Camarada Feliciano) - haviam terminado uma greve de fome que alegadamente havia começado 6 dias antes. O Ministro da Justiça descreveu-a como uma "acção de protesto" contra as condições da prisão, entre outras coisas.

O Provedor interino, Walter Alban, terá atribuído as seguintes palavras aos prisioneiros: "Os grevistas de fome exigem que as suas condenações por tribunais militares com juizes sem-rosto sejam anuladas, uma alteração das leis e o fim das sentenças de prisão perpétua, que os seus advogados sejam autorizados a entrar na Base Naval Callao e solidariedade com a luta de todos os presos políticos" (El Correo, 3 de Fevereiro de 2001).

Não podemos aceitar acriticamente nada que venha do governo peruano. O CIE afirmou várias vezes que o Estado Peruano tem uma longa tradição de distorção dos factos e portanto não pode funcionar como uma fonte fiável sobre o Dr. Guzmán e outros presos. As autoridades peruanas devem deixar de actuar como porta-vozes do Dr. Guzmán. Enquanto continuar o isolamento do Dr. Guzmán, as autoridades sabem que as suas afirmações e alegações não podem ser confirmadas. Contudo, estas alegações mostram claramente a urgência do fim do seu isolamento, em particular no que directamente diz respeito à saúde do Dr. Guzmán.

Notícias da Guerra Popular Maoista: Durante os últimos anos, a Guerra Popular no Peru tem continuado com avanços e recuos, sofrendo duros golpes ao mesmo tempo que golpeia fortemente o inimigo e desafia vitoriosamente todas as tentativas para a exterminar. O PC do Peru tem caracterizado a situação, iniciada com a prisão do Dr. Guzmán, como um "desvio no caminho" que está agora a ser superado. Uma das razões porque continua a ser difícil noticiar as acções da Guerra Popular foi revelada pela revista The Economist: "O Governo peruano tem usado a sua influência sobre os media para minimizar os relatos dos ataques do Sendero Luminoso." (Fev. 96). Mesmo assim, os media oficiais continuam a divulgar as suas acções. Eis alguns dos poucos relatos de acções atribuídas à guerrilha do Partido Comunista do Peru (PCP) durante o último mês:

O Correo de 30 Jan. 2001 dava uma curta notícia sobre um ataque na província de Leoncio Prado: "Um suposto subversivo foi morto e um civil e um soldado foram feridos após uma invulgar operação contra-subversiva no último sábado à noite".

A 15 de Fev., o El Comercio relatava que combatentes do PCP tinham entrado na cidade de Olmos, próxima de Chiclayo, na fronteira entre os departamentos de Piura e Lambayeque. Informava que os "elementos" do PCP tinham ido expulsar ladrões de gado renitentes que operavam na região.

"Guerrilheiros (do PCP) atacaram um helicóptero do exército no vale da selva do Rio Apurimac, matando um soldado e ferindo outro, segundo o exército... O ataque (18 Fev. 2001) ocorreu junto à base militar de Monopata na província de Ayacucho, 350 km a sudoeste da capital, Lima. O helicóptero aproximava-se da base para deixar mantimentos (e tropas) quando... o grupo rebelde abriu fogo sobre o aparelho." (Associated Press, 19 Fev. 2001). Aparentemente, um sargento morreu e um tenente foi ferido. Esta acção levou o comandante-geral do Exército, Carlos Tafur Ganoza, a negar uma vez mais o "regresso do terrorismo" (Expresso, 22 Fev. 2001).

Mais informação sobre o Peru (em espanhol ou em inglês): www.csrp.org ou revcom.us