Bandeira Vermelha, Jornal Comunista Revolucionário, Nº Especial,
1 de Maio de 2006

Lutar para Vencer !

O Governo Sócrates anda a mexer com o sistema de reformas, tomando medidas que afectam a vida de centenas de milhares de pessoas. É mais uma das gravosas medidas aprovadas por este governo reaccionário e anti-trabalhadores que, com uma capa de esquerda, trabalha para os grandes empresários e tem o seu aplauso unânime. Numa era em que o desenvolvimento tecnológico acelerado permite criar riqueza a um ritmo sem precedentes, os únicos beneficiários dessa criação de riqueza são um pequeno punhado de parasitas ligados ao capital financeiro internacional, enquanto que para os trabalhadores que a criam com as suas mãos e o seu suor, apenas sobejam migalhas cada vez menores.

As reformas, tal como o direito ao subsídio de desemprego, a estabilidade dos empregos, as semanas das 40 horas, o direito à greve, a igualdade das mulheres no trabalho e muitos outros direitos dos trabalhadores foram por estes conquistados através de duras e longas batalhas, muitas vezes envolvendo o derramamento do sangue dos trabalhadores às mãos das forças repressivas ao serviço do grande capital, como foi o caso da luta dos operários de Chicago que hoje relembramos.

Durante décadas, essa luta foi também inspirada nas vitórias dos trabalhadores de outros países, que aí tomaram o poder e instalaram estados socialistas que garantiam esses direitos. Com a derrota desses estados, o grande capital iniciou uma gigantesca ofensiva que passou pela intensificação da rapina e da exploração do trabalho e das riquezas dos países menos desenvolvidos e por uma grande ofensiva ideológica para nos convencer que teríamos de trabalhar cada vez mais, em cada vez piores condições e a troco de cada vez menos, apesar de produzirmos cada vez mais. Como não estávamos preparados, ideológica e organizativamente, para essa ofensiva, fomos recuando cada vez mais, perdendo direitos, abandonando a luta e deixando instalar-se o derrotismo entre nós.

O grande capital, na sua forma imperialista, decidiu mesmo passar a controlar directamente as fontes de riqueza, sobretudo o petróleo do Médio Oriente, criando novos e horrendos banhos de sangue, nomeadamente no Afeganistão e no Iraque, mas visando já outros países como o Irão e a Síria.

Mas nem tudo são boas notícias para o grande capital. Nalguns pontos do globo, os povos locais decidiram resistir. No Iraque, e independentemente de considerações sobre a uma parte da sua liderança ser obscurantista religiosa, o povo iraquiano decidiu que não iria assistir de braços cruzados à ocupação e ao saque do seu país e mostrou que também era possível humilhar os imperialistas.

Noutros países, os respectivos povos decidiram mesmo passar à ofensiva, por vezes de armas na mão. No Nepal, na Índia, na Turquia, no Peru e nas Filipinas estão em curso guerras populares revolucionárias contra os respectivos estados semicoloniais lacaios do imperialismo. No Nepal, e cada vez mais na Índia, essa estratégia tem vindo a revelar-se vitoriosa. A guerrilha maoista do PCN(M), que controla 80% das zonas rurais do Nepal, encurralou o rei feudal e os seus apoiantes norte-americanos, britânicos e indianos. As recentes manifestações de massas também puseram em cheque os partidos conciliadores (como o chamado Partido Comunista/União Marxista Leninista, um dos 7 partidos do poder), obrigando-os a mudar várias vezes de posição. Nem o acordo a que eles agora chegaram com o rei, que faz o país recuar à situação de há vários anos atrás, fará travar a ímpeto vitorioso dos explorados do Nepal a caminho da construção de uma nova sociedade.

A nossa obrigação é também perceber a injustiça deste mundo e da gravosa ofensiva contra os trabalhadores, perceber que também podemos obter vitórias se ousarmos organizarmo-nos para lutar e preparar as grandes batalhas que nos levarão à vitória, a uma sociedade diferente desta em que os que muito têm, cada vez mais têm, enquanto os que pouco têm, cada vez menos têm.

A luta é o único caminho! Ousemos lutar até à vitória!

1º de Maio de 2006

O Comité Editorial do Bandeira Vermelha
(com12outubro@hotmail.com)