Bandeira Vermelha, Jornal Comunista Revolucionário, Nº Especial, 1 de Maio de 2005

Novo governo, velha política

Marcamos este ano o 1º de Maio numa época de grandes transformações a nível nacional e mundial.

No nosso país assiste-se a uma destruição acelerada do tecido industrial e agrícola, devido à penetração das grandes multinacionais. Como consequência aumenta o desemprego e diminuem os salários de quem trabalha, gerando ainda mais fome e miséria.

Os trabalhadores portugueses têm lutado pelos seus direitos e contra este estado de coisas e certamente que desempenharam um papel fundamental no afastamento de sucessivos governos, com destaque para os de Barroso e Santana. Estes últimos governos criaram condições ainda melhores para o aumento da exploração dos trabalhadores portugueses por parte do grande capital nacional e estrangeiro, ao aprovarem um instrumento como o Código Laboral.

Mas, apesar das lutas e advertências, muita gente foi embalada pelas palavras dos “socialistas”, certamente com a esperança de que algo mudaria. Mas os sinais iniciais já indicam o contrário. O novo governo de Sócrates apenas pretende ser melhor gestor dos interesses do grande capital que os seus antecessores. Para já, vai manter o Código Laboral, aumentar os preços dos bens essenciais (hoje mesmo aumentam escandalosamente os transportes públicos), despedir funcionários públicos, aprovar a Constituição Europeia, enfim, tudo para satisfazer os grandes empresários que foram de facto quem o colocou no poder e quem manda no país. Os governos nacionais apenas se limitam a cumprir melhor ou pior as suas directrizes.

O governo mudou mas as políticas reaccionárias mantém-se: o espectro do desemprego, o fecho de empresas, a sua deslocalização, o emprego temporário que passa a ser permanente. E como antes de 1974, voltam em força o futebol e Fátima, para adormecer o povo trabalhador.

Tudo isto se passa num enquadramento mundial de grandes e rápidas mudanças. As grandes empresas invadem os mercados mundiais e saqueiam a força de trabalho e os recursos de todo o globo. E agora exigem o controlo directo de recursos cada vez mais difíceis de dividir, nomeadamente os energéticos, incluindo de forma violenta. O ataque dos EUA ao Afeganistão, seguido da invasão do Iraque, marcaram o início de uma nova era em que o imperialismo norte-americano tenta desestabilizar todo o Médio Oriente e outras regiões do mundo, à espera que desse caos resulte esse controlo directo dos recursos energéticos.

Mas o resultado desse caos é imprevisível, mesmo para o mais poderoso exército do mundo e seus aliados. No Iraque, uma violenta e cada vez mais intensa e sofisticada resistência do povo iraquiano está a baralhar os planos imperialistas. E cada passo que dão parece ter resultados desconhecidos: impuseram um governo fantoche, mas tiveram que dar o seu controlo aos fundamentalistas xiitas e aos curdos, que têm as suas próprias ambições; treinaram polícias e soldados, mas em muitas ocasiões estes passaram-se com as suas armas para o lado dos insurrectos.

Também noutros pontos do mundo o imperialismo mostra que não passa de um tigre de papel. No Nepal, uma insurreição maoista já controla 80% do país. Outras lutas revolucionárias emergem ou reforçam-se por toda a Ásia. A rebelião curda volta a mostrar a sua força. Na América Latina, lutas armadas e rebeliões populares opõe-se abertamente ao capitalismo e ao imperialismo.

Na situação actual, o inimigo avança com todas as suas forças para nos esmagar, e muitos povos de todo o mundo já se levantaram contra ele. Em Portugal, como em toda a Europa, precisamos de transformar a nossa raiva e revolta em força organizada. Sem uma organização revolucionária, com uma clara ideia de estratégia e objectivos, não teremos força para derrotar o inimigo. Transformemos a nossa consciência em organização! Lutemos contra a alienação! A salvação está nas nossas mãos, não em nenhum Deus ou outro salvador!

- PELA GLOBALIZAÇÃO DA LUTA SOCIAL E REVOLUCIONÁRIA!

- NÃO À CONSTITUIÇÃO EUROPEIA!

- À EUROPA DO CAPITAL OPONHAMOS A EUROPA DO TRABALHO!

- SOLIDARIEDADE COM OS HERÓICOS POVOS DO IRAQUE, DA PALESTINA E TODOS OS POVOS EM LUTA!

- VIVA O INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO!

1 de Maio de 2005

O Comité Editorial do Bandeira Vermelha

(com12outubro@hotmail.com)