Reproduzimos aqui o Nº Especial do jornal "Bandeira Vermelha", relativo ao 1º de Maio:

O 1º de Maio é Revolucionário!

Este 1º de Maio de 2004 é celebrado numa época de grandes tumultos a nível nacional e internacional.

Os últimos anos foram marcados por uma grande ofensiva expansionista do imperialismo, em particular do imperialismo norte-americano, com uma vaga de invasões militares coloniais como há muito não se via: Afeganistão, Iraque, Haiti, a lista já vai longa. Outros imperialismos de menor dimensão, como o francês, o espanhol, o russo, também intensificaram a sua expansão, ainda não directamente por invasão militar, mas através do incremento da sua influência económica em África, na Ásia e na América Latina.

Em Portugal, os capitalistas, através do seu encarregado de negócios Durão Barroso, também reforçaram a exploração e opressão dos trabalhadores e do povo português em geral. Mecanismos legais como o novo Código do Trabalho, as reformas da Segurança Social e do Sistema de Educação, o reforço das forças armadas e das polícias, o aumento dos impostos e das rendas e o apertar forçado do cinto são apenas as mais recentes medidas destinadas a sair da crise de sobreprodução em que o sistema capitalista global se encontra mergulhado, aumentando os lucros dos monopólios capitalistas e lançando os trabalhadores na miséria. O número de desempregados aumenta a um ritmo crescente, sendo o exemplo mais recente o caso da ex-Sorefame/Bombardier. Aumenta o número de sem-abrigo e as condições degradantes de vida e exploração dos imigrantes.

Trinta anos após o poderoso movimento revolucionário de 1974/75, foi montada uma gigantesca campanha de manipulação do nosso passado histórico, ignorando todas as características revolucionárias desse movimento e celebrando apenas os aspectos mais «moderados» e menos susceptíveis de relembrar aos trabalhadores que nessa época lutaram e obtiveram grandes conquistas e tiveram a esperança de finalmente poder viver num mundo sem explorados nem exploradores.

Mas os últimos tempos também trouxeram novos sinais de esperança, provando uma vez mais que onde há opressão há resistência. A heróica resistência oferecida pelo povo iraquiano aos invasores mostra que é possível superar a inferioridade tecnológica e eventualmente derrotar o inimigo comum, desde que haja uma férrea unidade e uma definição clara de objectivos. Na Palestina, nem a extrema intensificação da repressão militar conseguiu derrotar a coragem do seu oprimido povo palestiniano. E nos restantes países do Médio Oriente também crescem os sinais de resistência. Mas é mais para leste, na Ásia – nas zonas libertadas do Nepal, da Índia, do Bangladesh, das Filipinas – que novas tempestades revolucionárias irrompem e geram um genuíno entusiasmo em todos os povos da região e do mundo.

Ao mesmo tempo, em Portugal, enquanto a ofensiva capitalista se intensifica, os trabalhadores portugueses estão desarmados para resistir. Órgãos como os sindicatos e as comissões de trabalhadores, que deveriam estar na vanguarda da resistência, não têm nada mais a oferecer que acordos de conciliação como o da Auto-Europa e o pedinchar por mais algumas migalhas.

É tarefa dos trabalhadores portugueses constituir-se em força organizada de resistência ao capital e ao imperialismo, e seguir o exemplo dos trabalhadores mais conscientes de todo o mundo. São necessárias novas organizações dos trabalhadores e novas formas de luta e resistência, até ao dia em que possamos passar à ofensiva sobre os nossos inimigos de classe.

- PELA GLOBALIZAÇÃO DA LUTA SOCIAL E REVOLUCIONÁRIA!

- À EUROPA DO CAPITAL OPONHAMOS A EUROPA DO TRABALHO!

- SOLIDARIEDADE COM OS HERÓICOS POVOS DO IRAQUE, DA PALESTINA E TODOS OS POVOS EM LUTA!

- VIVA O INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO!

1 de Maio de 2004

O Comité Editorial do Bandeira Vermelha
(com12outubro@hotmail.com)