Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 24 de Janeiro de 2005, aworldtowinns.co.uk

Bangladesh: Campanha de assassinatos contra os maoistas

Uma força paramilitar chamada Brigada de Acção Rápida (BAR) está a montar uma campanha de terror contra os maoistas e outros revolucionários e progressistas do Bangladesh. Na noite de 16 de Dezembro, detiveram Mufaqqar Chowdhury na capital, Daca, e mataram-no nessa mesma noite. Depois, distribuíram uma nota à imprensa alegando que Chowdhury tinha sido morto por “fogo cruzado” durante um “encontro” (tiroteio) numa aldeia do distrito de Kushtia. O camarada Chowdhury era o secretário-geral do Partido Comunista do Bengala Oriental (Marxista-Leninista) e foi seu dirigente durante a fundação desse partido maoista em 1976. O camarada Nisim, um dirigente do Partido Proletário de Purba Bangla (PBSP) CC, foi morto em Julho passado no sul do Bangladesh. A BAR também assassinou membros de outros partidos maoistas e de várias outras organizações. Ao todo, assassinou 119 pessoas entre Junho e Dezembro, segundo o jornal Ajker Kagoj (1 de Janeiro).

A BAR é supostamente uma organização estatal mas, na realidade, é o exército privado do Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP) do primeiro-ministro Kaleda Zia que tem dirigido o país desde 2001 em aliança com a Jamaat-e-Islami e dois outros partidos. Usando o pretexto de ataques bombistas reaccionários, começaram por encenar falsos encontros para justificar o assassinato de membros da Liga Awami, a qual utilizava o mesmo tipo de tácticas quando estava no poder e é odiada pelo povo. A luta entre esses dois partidos representa um confronto entre diferentes facções das classes dirigentes do Bangladesh. A BAR tem estado envolvida em dacoity (roubos), violações, extorsões e outras acções contra as massas, incluindo contra membros das classes médias e mesmo da alta. Depressa começou a concentrar-se no assassinato de líderes revolucionários e activistas políticos. No início, ocorreram assassinatos dispersos a norte e a sul do país, mas agora, em nome da eliminação do “terrorismo”, desenvolveram uma campanha terrorista total de mortes em “fogo cruzado”.

Sob o mesmo pretexto, o governo do BNP de Kaleda Zia assinou um tratado de cooperação militar com os EUA e tem-se falado na construção de uma base norte-americana em Chittagong. Os maoistas do Bangladesh associaram a campanha dos esquadrões da morte contra os revolucionários com essa penetração militar norte-americana e enquadraram isso no contexto da interferência dos EUA no Nepal contra a guerra popular dirigida pelos maoistas.

Há trinta anos, a 2 de Janeiro de 1975, num falso encontro semelhante, Siraj Sikdar foi assassinado pela Rakkhi Bahini, uma força paramilitar ligada à Liga Awami. Sikdar foi o fundador do PBSP. Este ano, esse aniversário foi celebrado com uma marcha e a colocação de flores na sua campa pela manhã e com uma concentração nessa tarde na Universidade de Daca, convocada por várias organizações de massas. Os oradores denunciaram a BAR como a sucessora da Rakkhi Bahini. Também se opuseram às invasões norte-americanas do Iraque e do Afeganistão e contra as movimentações EUA-Índia contra a guerra popular do Nepal, entre outras palavras de ordem. Celebrações do aniversário do assassinato de Siraj Sikdar também tiveram lugar em Chittagong, Mymensingh, Rajsahi e noutros lugares do Bangladesh.

(Com base em informações fornecidas pelo Partido Proletário do Purba Bangla [PBSP] CC e pelo Grupo de Unidade Maoista do PBSP.)