Líder Maoista José María Sison Ameaçado pela "Guerra ao Terrorismo"
24 de Fevereiro de 2003. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

A 7 de Fevereiro, o líder revolucionário filipino José María Sison meteu uma acção legal contra o Conselho da União Europeia para exigir que o removam da sua lista de alegados "terroristas". Sob pressão dos EUA, que também colaram a etiqueta de "terrorista" a Sison, o Conselho pô-lo nessa lista em Outubro de 2002 e novamente no passado dia 12 de Dezembro. Em Agosto do ano passado, a Holanda congelou a conta bancária de Sison e retirou-lhe os benefícios de habitação, de saúde e sociais a que ele tinha direito como refugiado político.

Numa nova escalada desta ofensiva, o governo filipino está agora a exigir a extradição de Sison. Acusa-o de assassinato, nomeando-o responsável por acções do Novo Exército Popular revolucionário. Embora não haja nenhum tratado de extradição entre a Holanda e as Filipinas, os responsáveis filipinos afirmam que o governo holandês apoia o seu pedido.

Tudo isto tem lugar ao mesmo tempo que os primeiros dos cerca de 1700 soldados adicionais dos EUA chegam às Filipinas. Pela primeira vez, o governo norte-americano reconhece que não foram enviados para "aconselhar" mas para combater.

José María Sison é conhecido no mundo inteiro pela sua vida dedicada à libertação do povo das Filipinas e do mundo. Enquanto jovem estudante, figurou proeminentemente nos protestos generalizados de resistência contra a guerra de agressão dos EUA ao Vietname. Em 1968, influenciado pela China de Mao, fundou o Partido Comunista da Filipinas (PCF). Foi seu presidente até à sua captura pelo governo em 1977. Baseado no seu estudo do Maoismo, da experiência mundial e das particularidades das Filipinas, conseguiu escrever a estratégia para uma guerra popular prolongada na qual as massas populares filipinas poderiam tomar o poder nas aldeias e acumular a força que levaria o seu poder a todo o território dessa nação de muitas ilhas. Durante mais de oito anos de prisão, foi torturado e mantido incomunicável. Após a sua libertação em 1986, a meio de uma insurreição de massas nas Filipinas, a sua vida esteve em perigo constante. Em breve seria forçado a partir para o exílio na Holanda, onde tem vivido como refugiado político durante os últimos 14 anos. É actualmente o principal consultor político da Frente Democrática Nacional das Filipinas. Autor de vários livros, tem sido um crítico apurado da globalização imperialista e da "guerra ao terrorismo" dos EUA.

O Novo Exército Popular, dirigido pelo PCF, é descrito, mesmo pelos analistas mais reaccionários, como profundamente arraigado nos camponeses e, de acordo com várias fontes, está agora a crescer rapidamente. Tudo isso faz da tentativa de colar a etiqueta de "terrorista" a um revolucionário maoista um ultraje. A verdadeira razão para os ataques a Sison é que o PCF é o mais determinado e perigoso oponente da dominação dos EUA nas Filipinas - a que o Conselho de Segurança Nacional Filipino chama "a ameaça número um à segurança nacional". Dos campos de açúcar e outras plantações às fábricas de ultra-exploração e às instalações petrolíferas, as Filipinas foram durante muito tempo uma importante fonte de riqueza para os EUA. Foram abertamente uma colónia norte-americana durante meio século e continuam sob controlo norte-americano até hoje. As Filipinas também foram durante muitos anos uma posição militar estratégica dos EUA no Pacífico. Recentemente, o governo norte-americano tem tentado restabelecer as bases militares que foram forçados a abandonar pela luta popular há várias décadas atrás.

Os movimentos contra Sison devem ser vistos tendo em conta o escalar da intervenção militar norte-americana nas Filipinas. No ano passado, os EUA enviaram 1300 militares, chamando-lhes "pessoal de treino" e "conselheiros" do exército filipino. A 22 de Fevereiro, relatos noticiosos indicaram que os EUA estavam a planear enviar mais do dobro desse número, num total de 3000 militares, nas próximas semanas. O governo dos EUA descrevem isso abertamente como uma "missão de combate". Cerca de 750 soldados dos EUA, incluindo 350 forças especiais (os Bóinas Verdes que ganharam uma reputação especial de brutalidade no Vietname) levarão a cabo patrulhas de combate no arquipélago de Sulu, nas Filipinas meridionais. Serão apoiados por 1000 fuzileiros navais, helicópteros de ataque Cobra e jactos de ataque Harrier estacionados em dois navios ao largo das Filipinas. Quando notícias da expansão das operações militares dos EUA chegaram, a própria imprensa de referência filipina advertiu: "A revelação do Pentágono é apenas a mais recente confirmação de que, realmente, o norte-americano feio regressa: alto, egocêntrico, um rufião gratuito, mas desta vez usando um chapéu de dez galões".

É suposto que estas tropas montem uma ofensiva contra o Abu Sayyaf, um pequeno e obscuro grupo muçulmano, activo em Sulu. Mas os objectivos da intervenção norte-americana não serão certamente limitados a um pequeno canto do país. A campanha de calúnias norte-americanas, conduzida vigorosamente contra Sison, o PCF, o Novo Exército Popular e a Frente Democrática Nacional das Filipinas é a prova disso. Também se deve lembrar que o governo holandês é um aliado próximo dos EUA num outro crime actual, a campanha militar e política para a invasão do Iraque.

A Amnistia Internacional emitiu um relatório em Janeiro deste ano em que condena o governo filipino por usar a tortura para extrair informações e confissões de réus acusados de matar um coronel em Manila em 1996. A acusação contra eles repousa apenas nas suas confissões, extraídas usando quase-sufocação e água glacial que foi atirada sobre eles ao mesmo tempo que sujeitos a correntes eléctricas através de fios presos a diferentes partes dos seus corpos. O relatório da Amnistia censura o actual governo filipino de Gloria Macapagal-Arroyo pela persistência da tortura, apesar das "protecções dos direitos humanos" legais e institucionais, instituídas desde a expulsão em 1986 do ditador Ferdinand Marcos, que tinha o apoio dos EUA. É este governo terrorista que quer pôr as suas mãos no combatente da libertação, Sison.

Nas próprias Filipinas, o apoio activo a Sison veio de um largo movimento que vai de pescadores e camponeses sem-terra a religiosos progressistas e católicos leigos. Em Setembro passado, em Nova Deli, Índia, a polícia prendeu 100 activistas que se reuniam frente à Embaixada da Holanda. O apoio também se tem espalhado pela Europa, Canadá, EUA e Austrália, com manifestações e uma grande circulação de abaixo-assinados. Muitas personalidades proeminentes, entre elas vários membros do Parlamentos holandês, belga, sueco, dinamarquês e europeu, assinaram uma petição internacional de apoio à batalha legal de Sison. Prevê-se que os procedimentos legais do Tribunal Europeu de Justiça no Luxemburgo demorem meses. Os advogados de Sison estão a planear exigir medidas interinas para restabelecer e salvaguardar os direitos do seu cliente enquanto esperam uma decisão conclusiva do tribunal.

Continuando a defender a libertação dos povos, o próprio Sison mantém-se destemido. Diz que libertação é a palavra que os imperialistas norte-americanos EUA mais temem porque significa libertação do seu sistema imperialista de exploração.

Para mais informações, veja o número 29 da revista Um Mundo a Ganhar (www.aworldtowin.org) ou o sítio www.defendsison.be.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese