Auschwitz e o mundo actual

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 2 de Fevereiro de 2015, aworldtowinns.co.uk

Há setenta anos, a 27 de Janeiro de 1945, as tropas soviéticas chegaram aos muros do complexo do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau na Polónia e libertaram os poucos milhares de prisioneiros sobreviventes dos 1,3 milhões de pessoas levadas para lá. A cerimónia comemorativa em Auschwitz não visou exprimir o sofrimento e manter viva a memória dos que aí sofreram e morreram, foi apenas uma oportunidade para governos reaccionários imporem uma agenda que apenas trouxe e trará mais sofrimento e morte ao mundo.

Os presidentes da Áustria, França, Alemanha e Polónia estiveram presentes, juntamente com a realeza da Bélgica, Países Baixos e Dinamarca. O Presidente norte-americano Obama enviou o seu Secretário do Tesouro. O Presidente russo Putin não foi convidado, apesar do papel da antiga União Soviética, quando esta ainda era um país socialista, na libertação de Auschwitz. Isto foi mais um sinal da belicosa contenda das potências ocidentais com os seus rivais imperialistas russos. O conflito inter-imperialista, que esteve no cerne da II Guerra Mundial, não ficou limitado ao passado.

Além disso, em nome da defesa da “civilização” ocidental contra a “barbárie” do fundamentalismo islâmico, apresentado como sucessor do nazismo, estas comemorações de Auschwitz encobriram o facto de os regimes dos países imperialistas serem os maiores culpados de crimes bárbaros do mundo – não só no passado, mas também hoje.

Ao invadirem ou, de outra forma, ao destruírem o Afeganistão, o Iraque, a Síria, o Iémen, a República do Congo, a República Centro-Africana, o Mali e tantos outros países, só falar de hoje, para não falar dos milhões de mortos nas guerras deles contra a Argélia e o Vietname, eles chegaram a um número total de mortes sem comparação na história. Isto para não falar nos mecanismos comuns do seu letal sistema global.

Além disso, este aniversário foi usado para glorificar o selvagem e criminoso estado de Israel. Vale a pena salientar um editorial do The Guardian, porque de facto este jornal britânico tenta distinguir-se por ser crítico das políticas israelitas, em contraste com os governos dos EUA, Grã-Bretanha, Alemanha, França e por aí adiante. Dizia: “Um povo que esteve perto da extinção não pode ser culpado de não querer pôr uma vez mais o seu destino noutras mãos”. Isto é uma desculpa para o Sionismo, mesmo que os editorialistas possam desejar um Sionismo mais simpático do que alguma vez existiu ou possa existir, um estado construído em nome de um etnia e de uma religião (uma perspectiva política que pertence à Idade das Trevas) através do assassinato, da expulsão e do terrorismo contra as pessoas sobre cuja terra foi construído.

O genocídio nazi, um acontecimento histórico real que deveria esclarecer a crueldade inerente e irreformável do sistema imperialista, foi transformado numa marca mística para justificar ainda mais crimes. Os sionistas e as classes dominantes servidas pelo Sionismo tentam tornar proibido – e mesmo blasfemo – perguntar porque é que este genocídio aconteceu, como se compreendê-lo significasse justificá-lo. Hoje em dia, quando as potências imperialistas estão a reivindicar representar certos valores no seu conflito com o fundamentalismo islâmico, e a usar a perigosa ressurreição do anti-semitismo para esconderem os seus próprios crimes históricos e actuais, é mais que nunca necessária uma análise científica de um passado que parece assomar cada vez mais.

O seguinte texto é de um artigo do SNUMAG publicado por ocasião do sexagésimo aniversário da libertação de Auschwitz, há uma década (Olhando para o passado, para Auschwitz, perscrutando o futuro).

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Um intenso fedor a hipocrisia e mentira encheu o ar quando os líderes mundiais se reuniram em Auschwitz-Birkenau para marcar o sexagésimo aniversário da libertação do maior campo nazi da morte. A verdade é que os EUA e a Grã-Bretanha não ergueram um dedo para parar o genocídio, encobriram-no quando ele estava a ocorrer, e depois da guerra protegeram os homens que o fizeram. A questão é, por quê, e o que é que isso significa hoje?

Quando os nazis chegaram ao poder nas eleições alemãs de 1933, o ódio deles aos judeus era bem conhecido. A Alemanha tinha cerca de meio milhão de judeus, menos de um por cento da população. Os nazis começaram por reprimir os comunistas. Muitos das dezenas de milhares de judeus alemães que emigraram na primeira vaga eram de esquerda. A isto seguiu-se o assassinato secreto de doentes mentais, deficientes e outro “inadaptados”, no que acabou por ser um projecto-piloto dos campos da morte inaugurados oito anos depois. Os homossexuais também foram especialmente visados.

A violência de rua e o assassinato de judeus destinava-se a expulsá-los da Alemanha. Em 1936, as leis de Nuremberga retiraram-lhes direitos civis e ilegalizaram o casamento entre judeus e não-judeus. Contudo, assim que eles foram afastados de todas as posições de autoridade, houve uma pausa que levou algumas pessoas a pensar que o pior tinha passado. Esta ilusão foi rompida em 1938 com a Kristallnacht (Noite dos Vidros Partidos), quando os nazis levaram turbas a atacar lojas e casas de judeus. Com esse acontecimento e com a anexação alemã da Áustria nesse ano, cada vez mais judeus estavam a tentar fugir.

Mas poucos países os deixaram entrar. De facto, apenas um os acolheu em número ilimitado: a então socialista URSS. Em 1938, o Presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt convocou a Conferência de Evian, uma reunião de 32 países que teve lugar em França, para decidirem o que fazer em relação aos refugiados judeus. Embora os EUA e a Grã-Bretanha estivessem a admitir dezenas de milhares de pessoas por ano, dez vezes mais pessoas estavam a pedir vistos. As duas principais potências pediram a outros países que os aceitassem em vez deles. A França recusou-se. O único país presente que concordou em aumentar as suas quotas foi a República Dominicana. A imprensa nazi saudou a conferência como sinal de que o mundo estava a convergir para as suas políticas raciais.

O navio Saint Louis saiu de Hamburgo, Alemanha, em Maio de 1939 com rumo a Cuba com 937 refugiados desesperados a bordo, quase todos judeus alemães. A maioria tinha pedido vistos aos EUA. Cuba tinha dado autorização para eles aí desembarcarem enquanto esperavam por uma resposta. Pouco antes de chegaram, os EUA pressionaram Cuba para mudar a sua posição e proibir os refugiados de deixarem o navio. Nenhum outro país latino-americano os aceitou. O navio passou tão perto da costa norte-americana que os passageiros puderam ver as ruas iluminadas de Miami à noite. Esperou junto à costa por uma resposta a um telegrama enviado a Roosevelt a pedir refúgio humanitário. O governo norte-americano já tinha tomado uma decisão contra eles, mas não mandou nenhuma resposta. Em Junho, o navio foi forçado a regressar à Europa, onde muitos dos seus passageiros acabaram em campos da morte nazis.

Em 1941, quando os nazis proibiram oficialmente a emigração de judeus, mais de 80 por cento dos judeus alemães já tinham partido. Mas a invasão alemã da Polónia tinha deixado a principal concentração de judeus da Europa sob controlo do Terceiro Reich. À medida que os exércitos nazis avançavam pela Europa de Leste e pela União Soviética, invadindo violentamente zonas de forte concentração judaica, no que são agora a Bielorrússia e a Ucrânia, muitos milhões de judeus foram ficando sob as botas deles. Em Janeiro de 1942, numa conferência num verdejante subúrbio de Berlim chamado Wansee, eles adoptaram um plano para “a solução final”: todos os judeus seriam enviados para campos no leste. Os que fossem demasiado fracos para trabalhar seriam exterminados. Os restantes seriam forçados a trabalhar e a sofrer de fome até à morte. Os que sobrevivessem também seriam exterminados.

Os Aliados ocidentais sabiam disto, mas mantiveram-no em segredo. Quando o Conselho Mundial Judaico em Genebra mandou um telegrama ao Departamento de Estado norte-americano a detalhar os planos de Wansee, o governo não só o ignorou como disse a um importante rabino norte-americano, que também tinha recebido o relatório, para manter a boca calada. O Vaticano sabia de toda a história desde o início através de fontes católicas mas, apesar dos pedidos vindos de baixo, o Papa Pio XII recusou-se a fazer uma declaração pública contra o assassinato de judeus, que a Igreja ainda considerava oficialmente “assassinos de Cristo”.

No gueto de Varsóvia, uma organização combatente judaica liderada por comunistas e outras forças de resistência enviou batedores pelos esgotos para fora dos muros onde os nazis os mantinham presos. Eles seguiram os comboios que estavam a levar milhares de famílias para um destino desconhecido. No final da linha estava Auschwitz, onde acabaram por perecer mais de um milhão de judeus, 75 mil polacos não-judeus, 18 mil romanis (ciganos) e 15 mil prisioneiros de guerra soviéticos, mortos por gás venenoso, com os seus corpos cremados em fornos.

Um representante do governo polaco pró-britânico derrubado pelos nazis foi levado ao gueto para ouvir a história deles. Eles descreveram o campo e disseram-lhe que os comboios estavam a levar 10 mil judeus por dia para a morte, só de Varsóvia. Embora não particularmente favorável aos judeus, ele concordou em sair da Polónia e contar às autoridades britânicas e norte-americanas, pensando que, enquanto aliado político, eles o escutariam. Ele era o tipo de pessoa que esperava poder encontrar-se com Churchill, e teve uma longa conversa com Roosevelt. Nada aconteceu.

Auschwitz, tal como os outros campos de concentração, era alimentado desde 1942 por uma entrada constante de vidas judaicas e carvão por caminho-de-ferro. Sem essas vias férreas, a fábrica da morte teria acabado por parar e os fornos de gás teriam arrefecido. Porque é que os Aliados não os bombardearam? Afinal, eles estavam a atingir portos europeus ocupados pelos alemães, deixando-os em ruínas para causarem um desastre económico, e bombardearam a cidade de Dresden até causarem um incêndio que tudo consumiu, pela mesma razão. O que os deteve?

Tem sido alegado que Auschwitz estava demasiado a sudeste para estar dentro dos limites dos bombardeiros baseados na Grã-Bretanha. Mas, se isso alguma vez foi verdade, pelo menos em Abril de 1944 já não o era. Isto foi recentemente provado publicamente quando foi divulgada uma fotografia de reconhecimento aéreo do campo tirada pela RAF [a Força Aérea Real britânica]. Essas fotografias eram tiradas para preparar bombardeamentos aéreos. A fotografia mostra claramente os alojamentos dos prisioneiros, as câmaras de gás e os crematórios. Sabe-se que os serviços secretos aliados receberam relatórios de dois fugitivos de Auschwitz nesse mês, e dois outros no mês seguinte.

Auschwitz estava a aproximar-se do seu infernal clímax. A Polónia estava esvaziada de judeus. Os comboios levaram para a morte 440 mil húngaros, metade da população judaica do país, ao longo de apenas algumas semanas de Maio e Junho. Os EUA e a Grã-Bretanha limitaram-se a ficar a ver.

Em Agosto e Setembro desse ano, a força aérea norte-americana levou a cabo bombardeamentos aéreos de um complexo industrial a menos de cinco minutos das câmaras de gás de Birkenau. Uma sobrevivente de Auschwitz que falou para um recente documentário da BBC recordou amargamente como ela e outros prisioneiros assistiram a centenas de passagens de aviões de guerra por cima das suas cabeças. Eles diziam uns para os outros: Porque é que eles não bombardeiam este lugar? Mesmo que matem muitos de nós, essa é a única hipótese que qualquer de nós tem de sobreviver.

Outubro de 1944 testemunhou uma das conhecidas revoltas de prisioneiros de Auschwitz. Centenas de prisioneiros atacaram os guardas com machados e pedras. Usaram explosivos contrabandeados para fazer explodir uma câmara de gás e incendiaram um crematório. Os Aliados chegaram a considerar largadas aéreas de armas sobre o campo. Nunca o fizeram.

De facto, os campos continuaram a funcionar sem qualquer interferência exterior até 27 de Janeiro de 1945, altura em que o Exército Vermelho soviético chegou aos seus portões. Eles encontraram cerca de 7000 sobreviventes, todos demasiado fracos para caminhar. Quando fugiram para ocidente, os nazis tinham levado outros 58 mil prisioneiros com eles, numa marcha de morte. Eles estavam decididos a que, mesmo que fossem derrotados, nenhum judeu ficasse vivo.

Porém, os crimes dos EUA não acabaram nessa data. Muito poucos dirigentes e carrascos nazis chegaram a ser levados à justiça, pela simples razão de que os EUA os protegeram. Pouco depois da guerra, os EUA recrutaram muitos antigos nazis de topo como aliados contra a União Soviética.

Os Aliados identificaram três milhões de alemães como tendo cometido crimes durante a guerra. Um milhão deles foi julgado. Onze foram condenados à morte. Alguns deles receberam curtas penas de prisão. A maior parte dos restantes teve de pagar uma multa ou ficaram inelegíveis para cargos públicos durante um curto período de tempo. Em 1951, quase todos eles foram amnistiados. Aos grandes capitalistas como Krupp, cujas fábricas tinham usado mão-de-obra dos campos de concentração, foram devolvidas as suas fortunas.

O comandante nazi de Auschwitz foi enforcado. Mas dos 10 mil membros das SS, a forca de elite nazi, que aí tinham levado a cabo os assassinatos, só cerca de 750 chegaram a sofrer sequer o mais leve dos castigos.

Tal como foi recentemente reafirmado no livro US Intelligence and the Nazis [Os Serviços de Informações Norte-Americanos e os Nazis], de Norman J. W. Goda, baseado nos arquivos oficiais norte-americanos, milhares de nazis e agentes das SS foram levados para os EUA, onde “poderiam ser úteis na oposição às inclinações comunistas nas comunidades imigrantes”, como dizia um artigo da agencia noticiosa Associate Press. A Igreja Católica e os serviços de informações militares norte-americanos trabalharam em conjunto para contrabandear alguns dos mais notórios nazis para fora da Alemanha. De facto, diz Goda, a CIA levou um grupo de agentes alemães que tinha sido responsável pela recolha de informações na Frente Leste e usou-os como núcleo em torno do qual iriam construir o serviço de informações da futura Alemanha Ocidental, ainda hoje no activo.

Nos dias de hoje, os historiadores que defendem a conduta de Roosevelt e Churchill usam dois argumentos contraditórios. Um é que os dois temiam que se a guerra viesse a ser identificada com a salvação dos judeus da Europa, a “opinião pública” antijudaica nos seus próprios países poderia prejudicar o esforço de guerra. Por outras palavras, esta versão culpa os habitantes dos países ocidentais, os quais foram mantidos na ignorância do que os nazis estavam a fazer. Isto é inverter completamente a verdade.

O outro argumento, mais comum entre peritos militares, é de que se fosse conhecida a verdade sobre os campos de extermínio, a pressão pública para que fizessem alguma coisa em relação a isso teria interferido com a liberdade deles para definirem as prioridades militares de acordo com os seus objectivos globais da guerra.

Se se quiser saber quais eram os objectivos dos EUA, veja-se o que dela resultou quando eles venceram: os Estados Unidos tornaram-se na principal potência imperialista, capaz de engordar à custa da exploração em todo o mundo. A Grã-Bretanha, embora diminuída em relação à sua posição anterior, sobreviveu como grande potência e tornou-se na principal parceira dos EUA. A Alemanha e o Japão, que tinham tentado sem sucesso o tipo de dominação global que os EUA conseguiram, não tiveram outra alternativa a não ser tornarem-se parceiros associados no sindicato do crime liderado pelos EUA. Os EUA e a Grã-Bretanha não podiam usar nem uma única bomba para salvar as vidas dos judeus porque tinham outros objectivos. Eles protegeram os nazis depois da guerra pelo mesmo tipo de razões imperialistas.

Vale a pena pensar nas razões políticas e ideológicas que alimentaram o genocídio nazi contra os judeus, e porque é que as potências ocidentais optaram por o ignorar.

Os nazis sempre associaram judeus e comunismo, não só com propósitos demagógicos, mas também como parte da sua perspectiva global. Claro que o anti-semitismo floresceu muito antes dos tempos modernos, mas isso não explica porque assumiu a forma virulenta e genocida que os nazis lhe deram quando estavam a preparar o que consideravam ser um conflito inevitável com a URSS, uma causa para a qual esperavam vir a obter o apoio, ou pelo menos a neutralidade, dos aliados ocidentais. O ódio assassino dos nazis aos judeus tornou-se particularmente violento quando os exércitos alemães que se moviam para leste primeiro se viram num impasse e depois foram empurrados para trás pelos “Judeu Bolchevique”.

Muitos judeus tinham boas razões para odiarem a ordem mundial então existente. Eles estavam fortemente representados no movimento comunista, e um grande número deles viam à União Soviética como bóia de salvação. De facto, a União Soviética era uma bóia para os judeus, tal como para os oprimidos em geral. Os bolcheviques emanciparam os judeus num país, a Rússia czarista, que durante séculos tinha sido um inferno para eles. Eles acolheram os judeus no movimento revolucionário e na vida pública, da qual eles antes estavam excluídos. Ao longo da II Guerra Mundial, o Exército Vermelho salvou a vida de 1,5 milhões dos 4 milhões de judeus dos territórios ocupados ou invadidos pela Alemanha, segundo o conhecido historiador norte-americano Arno Mayer.

Tal como outras forças na guerra, os governantes norte-americanos e britânicos tinham as suas próprias agendas políticas e ideológicas. Uma das razões por que estavam ansiosos em limitar uma presença judia era justamente devido à influência da União Soviética socialista e do marxismo revolucionário entre muitos judeus. Além disso, eles queriam conquistar a opinião pública para combater essa guerra numa base o mais retrógrada possível. Eles queriam enfraquecer a opinião pública anti-imperialista e pró-soviética e promover, em vez disso, sentimentos patrióticos e chauvinistas. Queriam que essa guerra fosse levada a cabo de uma certa forma que servisse os planos imperiais deles e preparasse para confrontar a então socialista URSS, mesmo quando foram forçados a se aliar a ela para derrotarem a Alemanha.

Quanto mais claro se torna que todos os principais reaccionários do mundo permitiram o genocídio nazi, mais claro fica que os actuais governantes estão uma vez mais a tentar usar essa experiência para promover os seus actuais objectivos. Muitos deles estão a tentar, por exemplo, usar essa experiência para desculparem ou mesmo justificarem a opressão do povo palestiniano por Israel. Mas opormo-nos a isto não é suficiente. Também é necessário colocar a questão de porque é que ocorreu esse crime. Terá sido porque há um “mal” à espreita nos corações humanos, como dizem muitas pessoas, ou, em vez disso, devido a forças políticas, económicas e ideológicas reais em acção no mundo? Terá sido um mal que assumiu uma forma específica num contexto global específico? Terá sido um mundo configurado de uma forma diferente daquele em que hoje vivemos, mas em que as potências imperialistas foram motivadas, nem mais nem menos, pelos mesmos motivos que agora: a busca do império num sistema capitalista cujo resultado inevitável é a constante divisão e redivisão do globo?