Assassinados pela PIDE
Numa altura em que nos querem fazer crer que o fascismo nunca
existiu, e que Salazar era apenas "autoritário", numa altura em que
querem apagar os poucos vestígios físicos que ainda existem, convém
relembrar que o seu braço mais sinistro, a PIDE-DGS, bem como outros
braços armados do fascismo, perseguiram, torturaram e assassinaram
muitos portugueses e patriotas africanos, e que os seus responsáveis
e agentes nunca foram punidos nem sequer julgados. Para reavivar a
memória, voltamos a publicar excertos de um texto da Comissão "Abril
Revolucionário e Popular" em 2002, o qual inclui uma lista de mortos pelo
fascismo.
9 de Dezembro de 2005
A Página Vermelha
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- 1931, o estudante Branco é morto pela PSP, durante uma
manifestação no Porto;
- 1932, Armando Ramos, jovem, é morto em consequência de
espancamentos; Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de
tortura; Alfredo Ruas, é assassinado a tiro durante uma manifestação
em Lisboa;
- 1934, Américo Gomes, operário, morre em Peniche após dois meses de
tortura; Manuel Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a
tortura em consequência da repressão da greve de 18 de Janeiro; Júlio
Pinto, operário vidreiro, morto à pancada durante a repressão da greve
de 18 de Janeiro; a PSP mata um operário conserveiro durante a
repressão de uma greve em Setúbal
- 1935, Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP,
morre no hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (então
PVDE);
- 1936, Francisco Cruz, operário da Marinha Grande, morre na
Fortaleza de Angra do Heroísmo, vítima de maus tratos, é deportado do
18 de Janeiro; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a
tortura;
- 1937, Ernesto Faustino, operário; José Lopes, operário anarquista,
morre durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que
se seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente,
tenente-coronel, morre em condições suspeitas no forte de Caxias;
Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da
Silva, de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco
Manuel Pereira, marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e
Cândido Alves Barja, marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de
quatro dias no Tarrafal, vítimas das febres e dos maus tratos; Augusto
Almeida Martins, operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE)
durante a tortura ; Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre
no Tarrafal, vítima das febres e dos maus tratos;
- 1938, António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte
de Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de
doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no
Aljube, devido a tuberculose contraída em consequência de espancamento
perpetrado por seis agentes da Pide durante oito horas; Arnaldo Simões
Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do Tarrafal,
vítima de maus tratos; Francisco Esteves, operário torneiro de Lisboa,
morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo Caldeira, pintor, dirigente
do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia sem assistência
médica;
- 1939, Fernando Alcobia, morre no Tarrafal, vítima de doença e de
maus tratos;
- 1940, Jaime Fonseca de Sousa, morre no Tarrafal, vítima de maus
tratos; Albino Coelho, morre também no Tarrafal; Mário Castelhano,
dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no
Tarrafal;
- 1941, Jacinto Faria Vilaça, Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho;
António Guedes Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro, operário, e
José Lopes Dinis morrem no Tarrafal;
- 1942, Henrique Domingues Fernandes morre no Tarrafal; Carlos
Ferreira Soares, médico, é assassinado no seu consultório com rajadas
de metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!);
Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. Morre no
Tarrafal; Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal;
Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação;
António de Jesus Branco morre no Tarrafal;
- 1943, Rosa Morgado, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos,
António, Júlio e Constantina, são mortos a tiro pela GNR; Paulo José
Dias morre tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes morre no Tarrafal
com febre biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal;
Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de
espancamento perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na
região de Lisboa; Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no
Tarrafal; Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é
morto durante a tortura;
- 1944, general José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por
lhe ser recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Marques,
de Lisboa, militante do PCP, em consequência de espancamento e após
mês e meio de incomunicabilidade; Edmundo Gonçalves morre tuberculoso
no Tarrafal; assassinados a tiro de metralhadora uma mulher e uma
criança, durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da
herdade da Goucha (Benavente), mais 40 camponeses são feridos a
tiro.
- 1945, Manuel Augusto da Costa morre no Tarrafal; Germano Vidigal,
operário, assassinado com esmagamento dos testículos, depois de três
dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo; Alfredo Dinis
(Alex), operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada
de Bucelas; José António Companheiro, operário, de Borba, morre de
tuberculose em consequência dos maus tratos na prisão;
- 1946, Manuel Simões Júnior, operário corticeiro, morre de
tuberculose após doze anos de prisão e de deportação; Joaquim Correia,
operário litógrafo do Porto, é morto por espancamento após quinze
meses de prisão;
- 1947, José Patuleia, assalariado rural de Vila Viçosa, morre
durante a tortura na sede da PIDE;
- 1948, António Lopes de Almeida, operário da Marinha Grande, é
morto durante a tortura; Artur de Oliveira morre no Tarrafal; Joaquim
Marreiros, marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de
deportação; António Guerra, operário da Marinha Grande, preso
desde 18 de Janeiro de 1934, morre quase cego e após doença
prolongada;
- 1950, Militão Bessa Ribeiro, operário e dirigente do PCP, morre na
Penitenciária de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses
de incomunicabilidade; José Moreira, operário, assassinado na tortura
na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo é lançado por uma
janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira morre
em Lisboa após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é
assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça;
- 1951, Gervásio da Costa, operário de Fafe, morre vítima de maus
tratos na prisão;
- 1954, Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em
Baleizão, durante uma greve, grávida e com uma filha nos braços;
- 1957, Joaquim Lemos Oliveira, barbeiro de Fafe, morre na sede da
PIDE no Porto após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior, de
Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede da PIDE no Porto,
sendo o corpo, irreconhecível, enterrado às escondidas num cemitério
do Porto; José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, é assassinado
pela PIDE;
- 1958, José Adelino dos Santos, assalariado rural, é assassinado a
tiro pela GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários
outros trabalhadores são feridos a tiro; Raul Alves, operário da Póvoa
de Santa Iria, após quinze dias de tortura, é lançado por uma janela
do quarto andar da sede da PIDE, à sua morte assiste a esposa do
embaixador do Brasil;
- 1961, Cândido Martins Capilé, operário corticeiro, é assassinado a
tiro pela GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho,
escultor e militante do PCP, é assassinado à queima-roupa numa rua de
Lisboa;
- 1962, António Graciano Adângio e Francisco Madeira, mineiros em
Aljustrel, são assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro, operário de
Alcochete, é assassinado a tiro pela PSP durante a manifestação do 1º
de Maio em Lisboa;
- 1963, Agostinho Fineza, operário tipógrafo do Funchal, é
assassinado pela PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma
manifestação em Lisboa;
- 1964, Francisco Brito, desertor da guerra colonial, é assassinado
em Loulé pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por
agentes da PIDE durante uma manifestação em Lisboa;
- 1965, general Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos
são assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os
assassinos são o inspector da PIDE Rosa Casaco e o subinspector
Agostinho Tienza e o agente Casimiro Monteiro;
- 1967, Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, more
vítima de tortura na PIDE;
- 1968, Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em
Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é
morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a
guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias,
em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma
noite sem assistência;
- 1969, Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado
através de um atentado organizado pela PIDE;
- 1972, José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em
Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião
de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu
assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na
"fuga-libertação" de Alcoentre, em Junho de 1975;
- 1973, Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e
Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE,
chefiado por Alpoim Galvão;
- 1974, (dia 25 de Abril), Fernando Carvalho Gesteira, de
Montalegre, José James Barneto, de Vendas Novas, Fernando Barreiros
dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego Arruda, estudante
dos Açores, são assassinados a tiro pelos pides acoitados na sua sede
na Rua António Maria Cardoso, são ainda feridas duas dezenas de
pessoas.
A PIDE acaba como começou, assassinando. Aqui não ficam
contabilizadas as inúmeras vítimas anónimas da PIDE, GNR e PSP em
outros locais de repressão. Mas ainda podemos referir, duas centenas
de homens, mulheres e crianças massacradas a tiro de canhão durante o
bombardeamento da cidade do Porto, ordenada pelo coronel Passos e
Sousa, na repressão da revolta de 3 de Fevereiro de 1927. Dezenas de
mortos na repressão da revolta de 7 de Fevereiro de 1927 em Lisboa,
vários deles assassinados por um pelotão de fuzilamento, à ordens do
capitão Jorge Botelho Moniz, no Jardim Zoológico. Dezenas de mortos na
repressão da revolta da Madeira, em Abril de 1931, ou outras tantas
dezenas na repressão da revolta de 26 de Agosto de 1931. Um número
indeterminado de mortos na deportação na Guiné, Timor, Angra e no
Cunene. Um número indeterminado de mortos devido à intervenção da
força fascista dos "Viriatos" na guerra civil de Espanha e a entrega
de fugitivos aos pelotões de fuzilamento franquistas. Dezenas de
mortos em São Tomé, na repressão ordenada pelo governador Carlos
Gorgulho sobre os trabalhadores que recusaram o trabalho forçado, em
Fevereiro de 1953. Muitos milhares de mortos durante as guerras
coloniais, vítimas do Exército, da PIDE, da OPVDC, dos "Flechas", etc.
25 de Abril de 2002