Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 15 de Dezembro de 2003, aworldtowinns.co.uk

Alguns êxitos recentes da Guerra Popular no Nepal

O vale de Katmandu, onde se situa a capital do Nepal, é supostamente uma praça-forte do regime monárquico apoiado pelos EUA. Apesar disso, a guerra popular maoista tem aí golpeado seriamente o regime, de acordo com artigos recentes do Krishna Sen Sambadi Samit (KSS), um serviço noticioso pró-maoista em língua nepalesa.

Citando o comissário de um batalhão do Exército Popular de Libertação (EPL) da zona, o KSS relatou que as tropas revolucionárias locais mataram em batalha 148 soldados do Exército Real e oito membros da polícia militarizada desde que o governo desencadeou o fim do cessar-fogo em Agosto. O comissário do batalhão disse que as forças governamentais reaccionárias assassinaram 19 civis e mataram nove soldados rebeldes durante esse período.

Em Jumla, no Nepal ocidental, uma região onde os maoistas controlam a maior parte das zonas rurais (como o fazem em muitas regiões do Nepal), os soldados do EPL acolheram cinco soldados do Exército Real que abandonaram as fileiras reaccionárias para se unirem às forças armadas revolucionárias. Numa cerimónia de celebração, um dos ex-membros do Exército Real disse que, no vale de Katmandu, 29 soldados se tinham revoltado cerca de um mês antes e tinham jurado servir o povo. Quando abandonaram o Exército Real, prometeram uns aos outros que regressariam aos seus distritos de origem e que se juntariam ao EPL.

Na região de Terai, uma zona de planícies ao longo da fronteira do Nepal com a Índia, a Frente de Libertação do Terai convocou uma greve geral de massas contra a tirania do regime real, na zona de Madesh, que se estende do Terai oriental ao central. Esse foi um sinal do grau em que o Exército Real foi expulso da maior parte dessa região. Até há relativamente pouco tempo, um controle governamental apertado e cruel teria tornado impossível qualquer expressão política revolucionária do povo a esta escala.

Numa acção política de massas semelhante, e no seguimento dos progressos da guerra popular, a Organização de Mulheres de Todo o Nepal (Revolucionária) convocou uma greve geral nacional para 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher. A monarquia proibiu essa organização de massas. A dirigente do grupo emitiu uma declaração em que adverte que ao mesmo tempo que o antigo regime sofre uma “aguda desintegração”, “vários reaccionários, internos e estrangeiros, especialmente os imperialistas dos EUA, recorrem a uma ofensiva aberta contra o povo nepalês”.

Ela pediu “interacção, discussão e unidade táctica das mulheres patrióticas, progressistas e revolucionárias a nível nacional e internacional”. Entre outros pontos, enfatizou também a edificação de “aldeias-modelo livres da opressão das mulheres nas áreas libertadas”, onde as mulheres têm direitos iguais em propriedade, política e todas as esferas da sociedade e apelou a uma maior participação das mulheres nos governos populares revolucionários locais.

O serviço noticioso KSS relembra que as eleições para os governos revolucionários locais estão a acontecer actualmente nos distritos ocidentais do Nepal.

Os EUA aumentaram a sua insistência de que o Partido Comunista do Nepal (Maoista), que dirige esta revolução que envolve milhões de pessoas, é uma organização “terrorista”. E já foram tão longe como colocar o PCN(M) na lista de grupos cujos recursos nos EUA serão congelados de acordo com a legislação “antiterrorista”. Essa medida pode ter muito pouco significado prático, mas é politicamente muito ultrajante. Os recentes acontecimentos no Nepal fornecem fortes exemplos de quem são os verdadeiros terroristas.