Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 26 de Janeiro de 2009, aworldtowinns.co.uk

Afeganistão: A nova estratégia dos ocupantes – intensificar a ocupação

Os ocupantes do Afeganistão, encabeçados pelos EUA, anunciaram que apresentariam em breve a sua nova estratégia. Embora possam não estar a revelar todos os elementos da sua estratégia, alguns aspectos já são aparentes no que já estão a fazer.

Há já algum tempo que os EUA têm exercido uma crescente pressão para compelir os seus aliados a enviarem mais tropas, sobretudo para as zonas de guerra. Essa pressão, bem como o fracasso das forças dos EUA e da NATO em ganharem o controlo do país, deu lugar a uma oposição à anterior estratégia norte-americana da parte dos países europeus e em particular dos britânicos, que avisaram que simplesmente aumentar o número de invasores no terreno não conseguirá impedir a deterioração da situação. A alternativa que eles apresentaram envolve negociar com os talibãs e outras forças da oposição islâmica e fortalecer o governo fantoche e o seu exército. Usar os líderes tribais e as suas milícias tem sido há muito um outro importante elemento de discussão entre os ocupantes.

Ao mesmo tempo, quando o General David Petraeus, o anterior comandante no Iraque, se tornou comandante de todas as forças norte-americanas no Iraque e no Afeganistão no final de Outubro, isso provocou uma especulação de que os EUA iriam tentar replicar a mesma estratégia que ele implementou no Iraque e que obteve algum sucesso na limitação da iniciativa dos insurrectos islâmicos chamados Al-Qaeda do Iraque. Porém, o General McKiernan, comandante das forças dos EUA e da NATO no Afeganistão, realçou as diferenças entre o Iraque e o Afeganistão e concluiu que a palavra que ele não usaria em relação ao Afeganistão seria “vaga abrupta”. “O que é necessário é um ‘compromisso prolongado’ para com um esforço de contra-insurreição que poderá durar muitos anos e requerer, em última instância, uma solução política, e não militar.” (Associated Press, 19 de Setembro de 2008)

Quaisquer que sejam as diferenças entre os ocupantes, parece que o quadro da nova estratégia é constituído por uma mistura de diferentes elementos. Isso incluiria o aspecto preferido dos EUA, um grande aumento do número de soldados, combinado com uma série de outras medidas a que antes os EUA resistiram.

1 – Um gigantesco aumento de tropas

Apesar da oposição e da controvérsia em torno dessa questão (ver o SNUMAG de 19 de Janeiro de 2009), Washington está decidido a multiplicar o número de tropas no Afeganistão. Este aspecto parece ser a característica mais importante da “nova” estratégia. E, apesar da oposição de vários países europeus, os EUA continuarão a pressionar os seus aliados para enviarem mais tropas e levantarem as suas restrições à movimentação das suas forças para que elas participem em combates nas zonas de guerra. Em Dezembro, Mike Mullen, presidente dos Chefes de Pessoal Conjuntos dos EUA, anunciou que, no decurso do próximo ano, mais cerca de 30 000 tropas norte-americanas se juntarão às forças ocupantes no Afeganistão. Com essas forças, bem como com as 3000 recentemente enviadas, o número total de soldados de ocupação será quase 95 000. Na realidade, contando com as empresas militares privadas, haverá mais de 100 000. Isto é mais do triplo do número de tropas que inicialmente invadiram o país em 2001.

A expressão “compromisso prolongado” usada pelo General McKiernan em Setembro e pelo General Petraeus em Janeiro confirma que os EUA estão a preparar-se para uma ocupação de longo prazo. Alguns responsáveis militares e governamentais norte-americanos estão a falar numa década ou mesmo em décadas de envolvimento no Afeganistão.

Qual seria o resultado? Será que o grande aumento do número de tropas e os planos para uma ocupação “prolongada” resolve o problema do Afeganistão aos imperialistas ou simplesmente os atolará numa guerra mortífera? Entre as muitas questões em jogo neste conflito, as mais importantes são a forma como essas medidas poderão fortalecer de facto as forças opositoras, como poderão configurar a rivalidade entre os imperialistas e também como poderão criar oportunidades a outros estados reaccionários da região. Outras questões incluem o possível aumento dos problemas logísticos e do número de pontos vulneráveis das forças de ocupação e o impacto global do enorme custo envolvido. O que é certo é que os povos do Afeganistão e da região sofrerão mais opressão e brutalidade às mãos dos invasores e as consequências dessa ocupação. Uma invasão intensificada e prolongada poderá criar mais instabilidade e abrir caminho a uma maior intromissão de outros países que não os ocupantes. Em resultado disso, o Afeganistão continuará provavelmente a ser um campo de batalha para aquilo a que os colonialistas britânicos chamaram de “o grande jogo”. Porém, a situação também poderá criar oportunidades que as forças revolucionárias do Afeganistão, dependendo do seu desenvolvimento, poderão aproveitar.

2 – Envolver os outros países da região

Um outro elemento da nova estratégia será o envolvimento de países vizinhos, em particular o Paquistão, o Irão e a Índia, como bem a Arábia Saudita e os estados do Golfo que apoiaram o Ocidente e financiaram os fundamentalistas islâmicos no Afeganistão durante a ocupação soviética. O Paquistão e o Irão têm uma importância muito especial neste aspecto, mas de pontos de vista opostos. Ao Paquistão foi atribuída pelo Ocidente a tarefa de intervir nos assuntos internos do Afeganistão quando os soviéticos o invadiram. Foi o principal apoio dos talibãs quando eles tomaram o poder e apoiaram-nos durante todo o seu reinado. Os talibãs continuaram a desfrutar do apoio de pelo menos um sector do exército e dos serviços de informações do Paquistão, mesmo após a invasão pelos EUA em 2001, quando eles começaram a combater as forças norte-americanas e da NATO. É difícil imaginar que Washington não soubesse disso. Mas continuaram a apoiar o presidente/general Pervez Musharraf como aliado especial na sua “guerra ao terror”.

O Paquistão não podia pura e simplesmente deixar de se intrometer no Afeganistão depois de os EUA terem instalado o regime de Hamid Karzai, ou talvez devesse dizer-se que não podia ficar sentado tranquilamente, devido à cumplicidade desse regime com a Índia. O Paquistão considera a sua influência no Afeganistão um importante factor na sua disputa com a Índia, pelo que não foi surpresa nenhuma ver o Paquistão tentar desesperadamente influenciar os acontecimentos no Afeganistão e opor-se a qualquer situação que desse influência à Índia aí. Porém, as implicações da sua intromissão vão muito mais longe.

Elas atraíram o próprio Paquistão para a guerra e regionalizaram o conflito. Uma organização irmã dos talibãs afegãos surgiu no Paquistão e é aí muito activa. Por isso, os ocupantes chegaram à conclusão que o Paquistão já está emaranhado no Afeganistão e que não pode haver uma solução para o problema dos talibãs afegãos sem também lidarem com o Paquistão. As duas preocupações tornaram-se inseparáveis. O General Petraeus reflectiu isso quando disse: “‘O Afeganistão e o Paquistão, de muitas formas, fundiram-se num único conjunto de problemas, e a solução no Afeganistão fica incompleta sem uma estratégia que inclua e ajude o Paquistão’ e que também tenha em conta a agitada relação do Paquistão com a rival Índia.” (Associated Press, 8 de Janeiro de 2009)

Também parece que qualquer nova estratégia de ocupação irá reconhecer que o Irão também é um importante interveniente no Afeganistão. Porém, o Irão é uma outra história. De facto, com a queda dos talibãs, a República Islâmica do Irão alargou a sua influência ao Afeganistão. Teerão já tinha relações amistosas com alguns dos senhores da guerra da Aliança do Norte e em particular uma influência sobre algumas das forças xiitas de Hazarajat (Afeganistão central). Depois da ocupação, o Irão estabeleceu boas relações com o governo de Karzai. Mas os EUA, que tinham declarado o Irão membro do “eixo do mal” e que têm tentado isolar o seu regime, não estavam contentes com os benefícios de que o Irão desfrutava em resultado da ocupação. Washington tem tentado energicamente marginalizar a República Islâmica do Irão e impedi-la de representar um papel importante. Além disso, os responsáveis dos EUA têm acusado o Irão de armar os insurrectos e de alimentar os distúrbios no Afeganistão.

Porém, segundo notícias recentes sobre a necessidade de envolver os países vizinhos na procura de uma solução para o problema dos EUA no Afeganistão, emergiu que o Irão poderia muito bem ser autorizado a entrar no jogo. Isto também é evidente num recente discurso de Petraeus sobre o assunto. “Os Estados Unidos e os seus parceiros podem um dia vir a ter objectivos comuns com o Irão, um outro vizinho do Afeganistão, na estabilização e restruturação desse país”, disse ele numa conferência do Instituto da Paz dos Estados Unidos, uma organização de investigação financiada pelo governo. (Associated Press, 8 de Janeiro de 2009) “‘Tal como os Estados Unidos, o Irão está preocupado com o comércio de narcóticos no Afeganistão e o ressurgimento dos extremistas. Não quer ver extremistas sunitas nem certamente extremistas ultra-fundamentalistas a governar o Afeganistão mais do que qualquer outra pessoa’, disse ele, embora reconhecendo que os Estados Unidos e o Irão têm também ‘alguns pontos de conflito bem significativos’.”

Outros aspectos desta dimensão da nova estratégia dos ocupantes dizem respeito ao envolvimento da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos que tinham relações amistosas com os talibãs e foram os únicos países, além do Paquistão, a reconhecer o regime talibã.

3 – Envolver as tribos na guerra

Envolver as tribos na guerra do Afeganistão e empenhá-las na luta contra os insurrectos islâmicos parece ser outra dimensão da nova estratégia. As forças norte-americanas já tentaram esta abordagem no Iraque sob as ordens do General Petraeus, quando os seus soldados se associaram aos Conselhos de Despertar, os antigos insurrectos sunitas das zonas tribais. Os EUA compraram literalmente alguns dos líderes tribais para combaterem do seu lado como parte de uma coligação informal ou que pelo menos espiassem os grupos insurgentes sunitas. Quando essa abordagem parecia estar a ser bem-sucedida, os EUA alargaram-na no início de 2007, contratando membros de tribo locais e antigos insurrectos para trabalharem para os invasores como guardas armados em bairros da capital e noutros lugares.

A princípio, o General McKiernan negou qualquer intenção de usar essa abordagem no Afeganistão. “‘Eu não quero que os militares envolvam as tribos’, disse ele. Devido ao complicado sistema de tribos e grupos étnicos rivais no Afeganistão e à recente história de guerra civil, aliarmo-nos às tribos erradas tem o risco de reacender conflitos internos, disse ele. ‘Não demoraria muito a voltar a haver uma guerra civil’. Também acrescentou: ‘O empenho das tribos no Afeganistão também é vital... Mas deve ser feito pelo governo afegão e não pelos militares dos EUA’.” (Associated Press, 19 de Setembro de 2008) Mas pode-se ver que aqui vai ser usada uma “afeganização” da abordagem dos EUA no Iraque.

De facto, já foi iniciada numa base tribal nalguns lugares. Está à beira de ser implementada em Wardak, nas proximidades de Cabul, onde se diz que os talibãs estão presentes em 80% da província. Segundo responsáveis dos EUA e da NATO, se for aí bem-sucedida eles pretendem ampliá-la a outras zonas do sul e do sudeste onde os talibãs são mais fortes. O exército americano está a planear comprar os shuras locais [conselhos de líderes tribais] com dinheiro, recursos e armas. Em troca, esses conselhos devem comprometer-se, no mínimo, a absterem-se de fornecer alimentos e abrigo aos insurrectos e, onde possível, a fazer a guerra dos ocupantes, armando as suas tribos.

Segundo Abdul Rahim Wardak, o ministro afegão da defesa, “Eles tencionam organizar milícias locais de 100 a 200 combatentes em cada distrito provincial, com os combatentes vindos das aldeias onde vivem. (Wardak tem oito distritos.) Para ajudar a assegurar a lealdade de todos os combatentes, os norte-americanos e os afegãos estão a planear deixar que os líderes locais, como os chefes tribais e os clérigos, escolham os milicianos por eles. Esses milicianos receberão um breve período de treino, bem como armas como espingardas de ataque e lançadores de granadas e equipamento de comunicações.” (International Herald Tribune, 24 de Dezembro de 2008)

Este plano tem causado uma profunda preocupação em muita gente, mesmo dentro do governo afegão. Temem que possa mergulhar o país numa guerra civil, cujo principal resultado será a brutalização da população local. Mesmo Karzai disse que armar milícias seria um “desastre”. É irónico que durante anos o seu governo tenha tentado ou pelo menos aparentado desarmar as milícias, as tribos e os comandantes locais e que eles agora estejam a fazer o oposto. Esta abordagem não é inédita no Afeganistão. Os britânicos e mesmo os soviéticos também a utilizaram. Segundo um relatório, “um líder tribal da província de Wardak disse que embora os talibãs sejam profundamente impopulares na sua província, as pessoas estavam preocupadas que as milícias locais possam fazer piorar a situação” (IHT, 24 de Dezembro de 2008). No melhor dos casos, esta abordagem orientar-se-á para reavivar a forma tradicional de governo do Afeganistão. Como admitiu claramente um responsável afegão, “A única forma com que se pode trazer paz e estabilidade a este país é reavivar a forma tradicional de governo das pessoas dentro da comunidade para a governação e a segurança.” (Barna Karimi, ministro adjunto para a política, no Directório Interdependente de Governo Local, Reuters, 22 de Dezembro de 2008)

Em consequência, mesmo a hipocrisia sobre libertação das mulheres que foi tão central nas promessas dos invasores, está a definhar. Mesmo muito do que se disse sobre “dar poder” às mulheres entra em contradição com a actual vaga de dar poder aos líderes tribais, clérigos e comandantes locais (que são por vezes, embora nem sempre, as mesmas pessoas) e a “forma tradicional de governo das pessoas dentro da comunidade” – as odiosas e amplamente odiadas relações sociais opressivas que eles representam e impõem.

4 – Negociar com os talibãs

Uma outra importante dimensão da nova estratégia seria uma tentativa de atrair os talibãs e outros insurgentes islâmicos para negociações. Movimentações diplomáticas nesse sentido têm decorrido já há dois anos, mas foram intensificadas nos últimos meses pelo governo afegão, bem como pelo Paquistão e pela Arábia Saudita. Isto pode ter sido uma reacção a um crescente coro de diplomatas europeus, comandantes da NATO e responsáveis governamentais afegãos, Karzai em particular, que alegam que a guerra não pode ser ganha militarmente e pedem conversações com os opositores fundamentalistas ao regime. Até agora, os EUA têm-se oposto a isso, a princípio com base em que a sua posição é tão forte que não precisam de o fazer e agora com base em que não estão numa posição negocial suficientemente forte. Isto pode mudar. Numa cimeira (jirga) de 50 figuras políticas importantes do Paquistão e do Afeganistão que teve lugar em Outubro passado para discutir o “desenvolvimento da paz e segurança na região”, uma das principais decisões, segundo Abdullah Abdullah, um ex-ministro afegão dos negócios estrangeiros que nela participou, foi a formação de um comité mais reduzido para iniciar conversações com os talibãs e outros grupos de oposição dos dois países. No final de Outubro, o parlamento paquistanês aprovou uma resolução de que “o diálogo deve ter agora a mais elevada prioridade” (Guardian, 27 de Outubro de 2008).

Algumas pessoas têm indicado que estão dispostas a abandonar as pré-condições que antes tinham definido para negociações com os talibãs. Rustam Shah Mohmand, um participante na jirga e antigo embaixador paquistanês no Afeganistão, disse: “Os dois governos tiveram que abandonar as actuais condições de apenas negociar com quem se desarmar e aceitar a Constituição... Fala-se com as pessoas com quem se combate. Não se pode falar apenas com os que baixam as armas.” (Guardian, 27 de Outubro de 2008)

Ao mesmo tempo, há notícias de que um esforço para facilitar as conversações entre o governo afegão e os talibãs afegãos teve lugar na Arábia Saudita em finais de Setembro ou início de Outubro. Nele participaram altos responsáveis afegãos próximos de Karzai. As notícias dizem que também participou um representante activo dos talibãs, embora dois porta-vozes dos talibãs o tenham negado posteriormente. Qualquer que seja a verdade sobre esta questão específica, fica claro que os governos afegão e paquistanês estão a tentar alguma forma de negociação para usarem em paralelo com outros meios para derrotarem ou conterem os talibãs. Tanto os EUA como os talibãs podem estar relutantes a publicitar essas movimentações, mas é muito improvável que qualquer dos lados esteja completamente de fora. Os EUA têm estado sob pressão para mostrar flexibilidade, vinda dos seus aliados, do governo afegão e de alguns dos seus próprios peritos, diplomatas e mesmo líderes militares. Diz-se que o embaixador norte-americano no Afeganistão representou algum papel nesta questão. “Diplomatas da NATO dizem que também houve uma forte alteração da posição dos Estados Unidos sobre como lidar com os talibãs, muito graças ao embaixador norte-americano em Cabul, William Wood, que tem defendido em Washington uma posição de maior flexibilidade.” (IHT, 30 de Outubro de 2008)

Quanto aos talibãs, apesar dos seus desmentidos públicos, as suas alegações de “não terem participado” na reunião na Arábia Saudita e de “ainda não estarem preparados para negociações”, o ministro saudita dos negócios estrangeiros Saud al-Faisal confirmou que a reunião tinha tido lugar e é difícil imaginar que uma tal reunião possa ter ocorrido sem eles. Segundo uma notícia do Shola Jawid, órgão do Partido Comunista (Maoista) do Afeganistão, reproduzida pelo SNUMAG (25 de Fevereiro de 2008), desde 2007 que têm tido lugar negociações de baixo nível com os ocupantes e antes disso houve conversações não oficiais entre os talibãs e o governo e mesmo directamente entre os talibãs e algumas forças de ocupação. Os porta-vozes dos talibãs também confirmaram os relatos de que se estão a distanciar cada vez mais da Al-Qaeda, o que pode ser interpretado como um sinal para abrir caminho para a mesa das negociações.

Porém, actualmente ninguém acredita que essas negociações possam acabar com a guerra em breve. Ainda há um longo caminho a percorrer. Nenhum dos lados quer que a guerra termine antes de ter uma indiscutível vantagem militar. Neste mesmo momento, os dois lados querem negociar apenas até ao ponto que os ajude a lutar. Assim, isso não será uma faceta principal ou mesmo séria da estratégia global, pelo menos por enquanto.

Uma perspectiva global

Além disso, os ocupantes já alteraram os seus planos de uma forma significativa. Criaram um comando militar global mais unificado, fizeram planos para duplicar a dimensão do exército afegão (de 65 000 para 130 000) e tentaram fortalecer a capacidade do regime para governar. Tem havido inúmeros relatos que indicam que os seus soldados não estão a ser adequadamente treinados ou pagos. Normalmente é-lhes dada uma breve instrução e são enviados para a acção tão depressa quanto possível como carne para canhão.

Também se tem falado em dar mais importância à reconstrução do país, uma questão que nunca foi levada a sério, a lidar com a produção de droga e ao estabelecimento de melhores relações entre os ocupantes e o povo para “vencer os corações e as mentes”. Há uma grande interrogação sobre se essas medidas poderão ser efectivas dadas as circunstâncias de uma ocupação militar e mesmo os imperialistas não lhes dão muita atenção. Não se pode esperar que nenhuma destas questões represente um papel importante no corpo principal da sua dita nova estratégia.

Os principais elementos dessa dita nova estratégia já estão em efeito e podem ser formalmente anunciados agora que o novo presidente norte-americano Barack Obama tomou posse.

O ponto mais importante da nova estratégia é que o seu objectivo é completar uma invasão e oprimir o povo do Afeganistão segundo os interesses do sistema imperialista global. Esse objectivo é contra os interesses dos povos de todo o mundo. Não há dúvida nenhuma que todos os seus aspectos são extremamente reaccionários e que a sua implementação será combinada com a trapaça e a conspiração contra o povo. Claro que não é impossível que os imperialistas consigam ter algum sucesso em conter os talibãs e em avançar nos seus esforços para controlarem mais o país porque, apesar da sua luta contra os ocupantes, os talibãs são, em geral, odiados pelo povo. O povo já experimentou a sua forma de domínio e a sua brutalidade e certamente não almeja um retorno a isso.

Os principais elementos desta nova estratégia são os mesmos factores que foram a causa da instabilidade, das guerras reaccionárias e da opressão e miséria das pessoas durante as três últimas décadas ou mais. Eles significam uma intensificação da ocupação.