A Insurreição da Páscoa e o Brexit

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 25 de abril de 2016, aworldtowinns.co.uk

O aquecer do debate sobre o “Brexit” (a possível saída britânica da União Europeia) coincidiu com o centenário da Revolta Oriental contra o domínio britânico na Irlanda. Qual é a ligação?

A 24 de abril de 1916, enquanto centenas de milhares de irlandeses estavam a combater no exército britânico para salvar o império britânico dos seus rivais alemães na I Guerra Mundial, alguns milhares de homens e mulheres irlandeses organizaram uma insurreição armada para libertar a Irlanda da dominação britânica.

Após cinco dias de guerra urbana, um grande número de tropas britânicas cercou a Central de Correios e outras posições rebeldes. Reforçadas por uma canhoneira capaz de atingir o coração de Dublin, elas desencadearam o mesmo tipo de barragem de artilharia que fez com que a guerra no continente fosse tão assassina.

Quando os rebeldes se renderam, os britânicos submeteram 187 pessoas a julgamentos imediatos e secretos liderados por oficiais britânicos vitoriosos sem direito de defesa. Todos os sete signatários do apelo à Insurreição da Páscoa, independentemente do papel real deles, e oito outras pessoas, foram imediatamente executados, entre os quais James Connolly, um dos líderes, que estava tão ferido que teve de ser levado perante o esquadrão de fuzilamento amarrado a uma cadeira. Milhares de suspeitos foram reunidos e cerca de 1800 foram enviados para campos de concentração. Foram precisos seis anos de guerra e de guerra civil antes de a Grã-Bretanha sair da maior parte da ilha, mas não de toda.

Hoje, não é preciso dizer que nenhuma das vozes autorizadas que debatem o Brexit está a pedir que a Grã-Bretanha saia da parte da Irlanda que permanece colónia dela, nem que a Grã-Bretanha abandone a continuação da sua exploração das antigas colónias e de milhares de milhões de seres humanos em países dominados pelo capital imperialista em geral.

Embora as questões complexas envolvidas no debate do Brexit precisem de ser analisadas por direito próprio, para dizer isto de uma forma simples, elas revolvem à volta do que é considerado melhor para os interesses da mesma classe dominante imperialista britânica criminosa visados pela Revolta da Páscoa, especialmente sobre como melhor se associarem e rivalizarem com as outras classes dominantes das grandes potências imperialistas que são, em separado e juntas, responsáveis pela maior parte da miséria dos milhares de milhões de habitantes do mundo, desde as duas guerras mundiais às guerras, à repressão e às insuportáveis condições atuais, das quais dezenas de milhões de pessoas estão a fugir numa crise humanitária que não é menos criminosa nas suas origens e consequências.