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| Palestino morto por soldados
israelitas em Hebron a 26 de Outubro. (Foto: AP/Nasser Shiyoukhi) |
Palestinos que apenas tiveram o azar de estar no sítio errado têm sido espancados e mortos na rua. Além disso, páginas internet palestinas e alguma comunicação social ocidental têm noticiado caso atrás de caso em que os soldados podem ter colocado uma faca perto do corpo de alguém que eles já tinham matado. Cerca de metade dos palestinos mortos até agora nem sequer foram acusados de qualquer ataque; a maioria estava a manifestar-se. Nalguns casos, foram feridos ou mortos simplesmente por “parecerem” palestinos. Um judeu foi apunhalado por outro que o confundiu com um “árabe”. Um eritreu de 29 anos, que também foi “erradamente identificado”, foi atingido a tiro por um soldado e depois espancado até à morte por uma multidão que gritava “Morte aos árabes”.
A desculpa é o facto de alguns palestinos terem usado chaves de fenda e facas de cozinha contra soldados, polícias e colonos pseudo-“civis” armados com armas automáticas e, nalguns casos, terem atacado aleatoriamente adultos e crianças judias. Mas a atual vaga de assassinatos israelita nada tem a ver com a proteção de vidas humanas. Israel mata adultos e crianças palestinas sem qualquer justificação, quer eles estejam armados ou não.
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| Manifestantes palestinos
durante recentes confrontos com as forças israelitas na Cisjordânia.
(Foto: Musa Al-Shaer/France-Presse/Getty
Images) |
Que vidas estavam a ser protegidas quando as tropas israelitas dispararam do outro lado da barreira que circunda Gaza, matando dois meninos desarmados, Marwan Barbakh de 13 anos e Khalil Othman de 15, e ferindo sete outras pessoas que participavam num protesto a 10 de outubro?
Que vidas estavam a ser protegidas quando um colono israelita que tinha uma espingarda de ataque disparou e matou Fadel Qawasmeh, de 18 anos? Ele tinha acabado de atravessar um posto de controlo para chegar a casa em Hebron, uma cidade da Cisjordânia cujos habitantes palestinos estão virtualmente encarcerados em nome da proteção de alguns colonatos judeus ilegais cujo objetivo declarado é tomarem todas as casas e terras palestinas. Em vez de prenderem ou sequer desarmarem o atirador, os soldados deixaram os colonos distribuir doces para celebrarem.
Se Israel está a tentar proteger vidas, porque é que quando um atacante, alegado ou real, é capturado e desarmado, ele é frequentemente executado nesse mesmo local? Porque é que os jornalistas estão a ser visados e porque é que as pessoas que estão a filmar os incidentes são violentamente reprimidas, como o operador de câmara francês brutalmente espancado depois de se ter identificado?
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| Uma jovem palestina de 17
anos, Dania Irshaid, foi morta a 25 de outubro em Hebron pelo exército
israelita, que alegou que ela teria brandido uma faca, o que foi
negado por várias testemunhas. (Foto: AAPs)
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Porque é que os soldados, os colonos e outros cidadãos judeus israelitas podem matar palestinos com total impunidade, apoiados pela força militar conjunta de quase todas as potências ocidentais? Porque é que algumas pessoas estão a usar chaves de fenda e facas face a isto?
A atual insurreição que começou em Jerusalém Oriental e noutras zonas palestinas no norte de Israel, propagando-se à Cisjordânia e depois a Gaza, não surgiu a partir do nada. As autoridades ocidentais e a sua comunicação social gostam de dizer que a questão é a suspeita palestina de que Israel planeia afastar os muçulmanos da mesquita de Al Aqsa, construída sobre as ruínas do igualmente sagrado antigo Monte do Templo judeu. Grupos de colonos apoiados por personalidades governamentais têm ameaçado fazer exatamente isso. Embora os rabis autorizados argumentem que os judeus estão proibidos de aí rezar por razões religiosas, não seria a primeira vez que o Sionismo ajustava a tradição religiosa por razões políticas. Mas isto não é essencialmente um conflito de religiões.
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| Jovens palestinos enfrentam
as forças israelitas num posto de controlo na Cisjordânia a 7 de outubro. (Foto: Reuters) |
Dos seis homens presos pela morte de Khdeir, três foram libertados, embora a polícia tenha dito que eles eram suspeitos de envolvimento na morte. Os outros três, que confessaram, estão na prisão à espera de julgamento. Espera-se que eles venham a declarar-se não culpados por razões de loucura relacionadas com as suas convicções religiosas. O governo não destruiu as casas deles, não puniu as famílias deles, etc.
O bairro de Khdeir é um dos vários bairros de Jerusalém Oriental que tem visto cada vez mais protestos e luta contra a polícia e os colonos. Jerusalém Oriental, que antes era maioritariamente palestina e onde também viviam judeus que já lá estavam há muito tempo, tem visto as famílias palestinas a ser afastadas por novos colonos. Por exemplo, um dos bairros é quase inteiramente habitado por pessoas recentemente chegadas dos EUA. Os bairros palestinos, tanto os mais pobres como os melhores, estão cercados por muros e vedações, literalmente sob cerco dos soldados e dos colonos.
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| Um manifestante ergue uma
bandeira da Palestina enquanto outros se protegem durante um ataque do
exército israelita no posto de controlo de Qalandia, próximo de Ramallah. (Foto: Reuters) |
Se as casas deles são incendiadas, os carros dos bombeiros israelitas não vêm salvá-las. O lixo deles é um problema deles. Novas escolas estão fora de questão. Todos os anos, mais casas e outras estruturas palestinas são deitadas abaixo por terem sido construídas sem uma licença que é quase impossível obter. Não é incomum um judeu estrangeiro aparecer à porta de alguém – acompanhado pela polícia – com documentos que o declaram dono legítimo da casa, porque alguém, de alguma forma, disse que vendeu o apartamento ou o edifício aos antepassados dele.
Agora mais que nunca, os palestinos de todas as classes sociais em Israel e nos outros territórios ocupados têm de reconhecer que podem ser mortos a qualquer momento, com total impunidade, e que podem esperar que a dignidade deles seja violada, para além da ocupação por Israel da maior parte da própria Palestina.
Muitos daqueles que protestam, combatem a polícia e os soldados ou que de alguma forma estão dispostos a morrer em vez de aceitarem esta situação, não eram nascidos quando os Acordos de Oslo foram assinados há duas décadas, altura em que Israel concordou em negociar com a liderança palestina. Desde então, a atual situação tornou-se ainda mais insuportável para os palestinos em todas as terras ocupadas pelos sionistas em 1947 e 1967. A última década de paz relativa na Cisjordânia trouxe ainda mais colonos que tomaram cada vez mais terras que eles juram que nunca entregarão, mais mortes pela policia e pelo exército para “protegerem” colonos armados impunes e suprimirem os direitos políticos palestinos, e mais desespero. Gaza foi transformada numa prisão ao ar livre cujos habitantes são perpetuamente castigados sem nenhuma outra justificação a não ser a alegação de Israel de que a sua segurança depende do sofrimento deles. Os palestinos de Jerusalém Oriental e outros lugares em Israel, supostamente os mais privilegiados, estão agora entre os lutadores mais determinados.
Se os palestinos que são cidadãos e residentes de Israel são tratados desta forma, como é que poderá a chamada “solução dois estados”, um “estado” palestino minúsculo, fragmentado e impotente à sombra de Israel, ser algo melhor?
Uma razão pela qual as pessoas se agarram a esta “solução” é porque é difícil imaginar como é que o poder opressivo do Sionismo pode ser derrotado enquanto Israel desempenhar um papel essencial para os EUA no Médio Oriente. É o único aliado completamente fiel e rufião dos EUA na região, precisamente porque o estado israelita e a sociedade privilegiada sionista não poderiam sobreviver sem o apoio dos EUA e de outras potências imperialistas. Isto coloca os palestinos numa situação muito difícil onde é necessário um novo pensamento estratégico no meio de uma situação regional que nunca foi tão instável e desfavorável aos EUA, que a têm dominado há décadas.
As pessoas que querem um Médio Oriente muito diferente, e um mundo muito diferente, e todas as pessoas que ousam acreditar que os interesses israelitas e o projeto sionista não são superiores aos direitos palestinos, precisam de ajudar a denunciar o que realmente está a acontecer e de se colocarem ao lado da justiça.
| Fonte: Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), aworldtowinns.co.uk (em inglês) |