Flotilha de Gaza enfrenta obstáculos à medida que se prepara para sair
27 de Junho de 2011. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

Com a partida actualmente adiada em pelo menos alguns dias, os participantes na «Flotilha da Liberdade II» que vai desafiar o bloqueio israelita de Gaza enfrentam novos obstáculos (ver o SNUMAG de 20 de Junho de 2011).

Depois da actuação do governo turco e da organização de caridade islâmica IHH para cancelar os planos do navio Mavi Marmara de viajar como navio-bandeira da flotilha, o governo grego está agora a actuar contra os seis barcos actualmente ancorados em portos gregos e onde se juntaram centenas de participantes na flotilha. A polícia está a reter o barco rebaptizado "The Audacity of Hope" [«A Audácia da Esperança»], onde iriam viajar vários voluntários norte-americanos, devido ao que as autoridades gregas dizem ser uma queixa de «um interveniente privado» que questiona que ele seja capaz de navegar. Segundo a Rádio do Exército Israelita, é o Centro Jurídico de Israel que está por trás da queixa. O barco canadiano «Tahrir» também foi sujeito a uma inesperada inspecção e outros navios têm agendadas inspecções não rotineiras antes de serem autorizados a partir. Teme-se que um barco ancorado na cidade grega do Pireu, que iria levar activistas gregos, suecos e noruegueses, possa ficar retido após a descoberta que o seu eixo do hélice tinha sido cortado.

Os activistas de mais de 20 países sentiram-se encorajados quando os estivadores gregos que tinham aderido a uma greve geral nacional prevista ter início a 28 de Junho votaram fazer uma excepção à paralisação para permitirem o carregamento destes navios. Os palestinianos de Gaza têm feito manifestações a exigir que seja garantida a segurança dos membros da flotilha.

O «Dignité al-Karama»
(Foto: Murielle Kasprzak/AFP/Getty Images)

Os responsáveis israelitas continuaram a ameaçar os participantes na flotilha e a alegar que os navios e barcos transportariam «perigosas substâncias químicas incendiárias» e que o objectivo do protesto seria «derramar sangue» de soldados israelitas.

Dois navios de carga e cerca de sete navios de passageiros transportando centenas de activistas contra o bloqueio devem juntar-se num local não revelado no mediterrâneo oriental e dirigir-se a Gaza. Um dos dois barcos franceses envolvidos na flotilha, chamado «Dignité/Karama», saiu de Marselha após uma enérgica concentração em que foram repelidos os agressores membros da Liga de Defesa Judaica. Parou na Córsega e está agora em mar aberto rumo ao ponto de reunião.

Os navios e barcos levam 3000 toneladas de ajuda humanitária à população de Gaza. Israel tem bloqueado desde 2006 a entrega de muitos produtos aos 1,5 milhões de habitantes da faixa, mantendo-os prisioneiros como castigo colectivo por terem eleito um governo do Hamas. O Comité Internacional da Cruz Vermelha, organismos da ONU e peritos em direito internacional têm declarado que esse bloqueio é ilegal.

Apesar disso, os EUA e outros governos continuam na prática a apoiar o bloqueio, embora possam admitir a duvidosa legalidade dele. A 22 de Junho, o Departamento de Estado dos EUA emitiu um «aconselhamento de viagem» a avisar que a Flotilha da Liberdade do ano passado tinha resultado em «ferimento, morte e deportação de cidadãos norte-americanos», como se o governo norte-americano nada pudesse fazer para impedir que isso aconteça de novo e que não iria assumir nenhuma responsabilidade se isso acontecer.

A Secretária de Estado Hillary Clinton acusou a flotilha de estar a planear «actos provocatórios ao entrar em águas israelitas de forma a criar uma situação em que os israelitas têm direito a se defenderem». Isto é factual e legalmente incorrecto, já que as águas de Gaza não pertencem a Israel e o Mavi Marmara estava em águas internacionais quando em 2010 os comandos israelitas o atacaram e mataram nove passageiros. Claro que Clinton sabia isso. A declaração dela parece ter tido como objectivo dar uma aprovação prévia e uma desculpa pré-estabelecida a tudo o que Israel possa decidir fazer aos passageiros desta vez.

Não há nenhuma «neutralidade da internet»

Um dos participantes na flotilha saúda de bordo do «Juliano» à partida de Perama, perto de Atenas.
(Foto: John Kolesidis/Reuters)

É de salientar que o governo norte-americano, que por vezes alega apoiar os objectivos da «Primavera Árabe», está ansioso por negar o acesso à internet e à comunicação social aos árabes que querem justiça, e que por acaso são palestinianos. Ao mesmo tempo que os EUA gostam de criticar outros países por censurarem a internet, o governo de Barack Obama não fez nenhum protesto quando a 23 de Junho a Apple retirou a aplicação «Terceira Intifada», dêscarregável da internet, depois de ter estado online apenas durante alguns dias. Em Março, o Facebook fechou também uma página Web em árabe chamada «Terceira Intifada» que rapidamente tinha conseguido ter 350 000 «amigos».

Em ambos os casos, esses monopólios da internet disseram estar a responder a pedidos do governo israelita. O Ministro israelita da Diplomacia Pública apelidou essas páginas de «anti-israelitas e anti-sionistas» – pontos de vista que não são ilegais de exprimir na maioria dos países e que de facto são partilhadas por inúmeros milhões de pessoas, incluindo alguns judeus. Em vez de fazer as habituais alegações de «terrorismo» ou mesmo a ameaça de violência, o ministro israelita disse bastante abertamente que quaisquer «apelos a uma insurreição contra Israel... poderiam unir muitos milhares de pessoas para um objectivo que pode ser desastroso».

Esta é a posição que os governos dos EUA e da maioria dos outros países ocidentais têm tomado ao declararem intolerável a causa da justiça para a Palestina. Os poderosos do mundo não alegam que acções como a da flotilha são moralmente erradas ou ilegais mas simplesmente que a defesa do estado judaico justifica uma brutal repressão, mesmo contra protestos simbólicos.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese