O «barco judeu para Gaza»: Como Israel trata os judeus que consideram que a opressão é imoral
4 de Outubro de 2010. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

O Irene à partida de Chipre em direcção a Gaza
levando activistas judeus


Israel não pôde tratar o Irene da mesma forma que tratou o Mavi Marmara. Ao contrário do que aconteceu em Maio passado, altura em que comandos israelitas mataram nove passageiros turcos num navio de ajuda humanitária com destino a Gaza, eles tiveram que ter mais cuidado com este pequeno iate que levava um carregamento simbólico de materiais médicos e escolares e de brinquedos terapêuticos para Gaza que foi interceptado a 28 de Setembro.

Dos dez passageiros, seis eram judeus israelitas: um ex-oficial que iniciou há alguns anos uma carta assinada por pilotos da Força Aérea que se comprometiam a recusarem-se a bombardear cidades palestinianas; o seu irmão, também veterano de guerra; um proeminente activista da paz cuja filha foi morta por um bombista suicida palestiniano; a sua mulher, a filha activista da paz de um general israelita; um repórter da televisão israelita; e um muito conhecido apoiante crítico do sionismo que se descreve a si próprio como sobrevivente do Holocausto. Os outros eram um refugiado da Alemanha nazi que agora vive nos EUA, uma professora universitária de estudos judeus na Alemanha, um biógrafo britânico do famoso autor e sobrevivente de Auschwitz Primo Levi e um fotojornalista britânico. O Irene foi organizado por um grupo de Londres chamado Judeus pela Justiça para a Palestina. Entre os seus patrocinadores estava a mãe do líder do Partido Trabalhista Ed Miliband e do antigo Secretário dos Negócios Estrangeiros David Miliband.

O barco foi cercado por um contratorpedeiro e outros navios de guerra, por helicópteros e, segundo alguns relatos, submarinos. As imagens noticiosas mostraram dois navios de guerra a empurrar o Irene, um de cada lado, e a fazê-lo andar à volta. Quando dezenas de comandos subiram a bordo, os passageiros não opuseram nenhuma resistência de qualquer tipo. Mas o ex-piloto israelita Yonatan Shapira pôs os seus braços à volta do sobrevivente do Holocausto Reuven Moskovitz, de 82 anos, e recusou-se a ir.

Os comandos aplicaram um taser a Shapira por duas vezes no braço direito. Depois, um capitão naval retirou-lhe o colete salva-vidas, pôs-lhe o taser no tórax e enviou-lhe uma descarga de electricidade para o coração. Ele caiu, puseram-lhe algemas e arrastaram-no, juntamente com o irmão. Eles enfrentam acusações criminais graves. Outros passageiros foram pontapeados e espancados. Todas as máquinas fotográficas foram confiscadas. A professora universitária da Alemanha foi detida por se ter recusado a assinar os documentos de deportação voluntária.

O Irene interceptado a 28 de Setembro perto de Gaza
(Imagem reproduzida do sítio das Forças Israelitas de Defesa)


Moskovitz disse num comunicado: «Quando eu era criança vivi num gueto durante vários anos, e penso nas crianças palestinianas». «É meu dever sagrado de sobrevivente protestar contra a perseguição, a opressão e o encarceramento de tantas pessoas em Gaza, entre as quais mais de 800 mil crianças». Também disse: «É pura e simplesmente imoral».

Um porta-voz do Ministério israelita dos Negócios Estrangeiros e um comunicado militar chamaram ambos à tentativa simbólica do Irene de romper o bloqueio a Gaza uma «provocação».

Contudo, o governo de Israel não pôde e não deseja refrear o uso da bestialidade. Levou a cabo esta batalha por uma elevada posição moral com uma amostra da sua habitual crueldade. Precisava de dar uma lição a essas pessoas, para impedir que outras sigam o seu exemplo.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese