Tropas norte-americanas participam em operações de contra-insurreição nas Filipinas
23 de Novembro de 2009. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

Em 2002, as tropas norte-americanas começaram a levar a cabo abertamente missões militares nas Filipinas, como parte integrante da «guerra ao terrorismo» dos EUA. Desde então, os EUA já forneceram 1,6 mil milhões de dólares em ajuda militar e económica ao governo filipino, muita dela centrada na historicamente muçulmana («moro») e profundamente oprimida ilha meridional de Mindanao. Uma unidade norte-americana de elite de contra-insurreição de 600 soldados está aí em operação ao lado das forças do governo filipino. Oficialmente, o seu principal alvo tem sido o Abu Sayyaf, um grupo fundamentalista islâmico que se diz estar ligado à Al-Qaeda. Porém, desde Agosto de 2008, eles também participam na ofensiva contra a Frente Moro de Libertação Islâmica, uma organização cujo objectivo é a autonomia do povo moro da ilha. Centenas de milhares de camponeses têm sido forçados a ir para campos de refugiados (The New York Times, 23 de Novembro de 2009).

Agora, há relatos de que as tropas norte-americanas também estão a ter um papel activo no ataque ao Novo Exército Popular (NEP) liderado pelo Partido Comunista das Filipinas (PCF) nas zonas rurais de Mindanao.

Esta situação em evolução surge após a gigantesca ofensiva militar apoiada pelos EUA para pôr fim à insurreição da minoria tâmil do Sri Lanka e na véspera de uma anunciada ofensiva sem precedentes do governo indiano, cada vez mais aliado aos EUA, contra a insurreição dos adivasis (povos tribais) liderada pelo Partido Comunista da Índia (Maoista). A relação entre estas ofensivas de contra-insurreição e a continuação das violentas tentativas de consolidação de uma ordem política e económica mundial adequada aos seus interesses imperialistas na região e no mundo requer uma séria vigilância e análise.

O texto que se segue é um excerto de uma notícia da philippinerevolution.net, uma página na internet mantida pelo Gabinete de Informações do PCF.

A Frente Democrática Nacional (FDN)-Mindanao recebeu mais informações relativas à actual participação de soldados norte-americanos em operações de combate em Mindanao. Desta vez, as operações não são só em Basilan e Sulu, mas também noutras zonas da ilha. Segundo relatos confirmados, militares dos EUA têm desempenhado um papel activo nas operações de combate contra o NEP no interior de Bukidnon.

Inicialmente, foram noticiados quatro incidentes separados. Por volta de meados de Fevereiro e no início de Julho, foram vistos soldados norte-americanos a participar em operações de combate em Quezon, Bukidnon. Essas tropas, em conjunto com uma unidade das Forças Armadas das Filipinas [FAF, o exército governamental], envolveram uma unidade do NEP em combate e cometeram actos fascistas contra os residentes da zona. Em Abril e novamente em Setembro, tropas dos EUA também foram vistas com soldados das FAF em Valencia e Malaybalay a pedir aos residentes locais possíveis localizações do NEP e mesmo intimidando os civis da zona.

Além destes relatos, a FDN-Mindanao também recebeu informações semelhantes de fontes fidedignas do Sul de Cotabato, do Centro de Mindanao e das províncias de Davao.

A crescente participação de tropas norte-americanas em operações de combate nas zonas moro tornou-se mesmo mais comum. Em Setembro passado, pelo menos dois soldados dos EUA foram mortos num ataque armado contra uma escolta das tropas norte-americanas em Indangan, Sulu. No início desse mês, tropas norte-americanas, numa reacção instintiva à explosão de uma granada nas proximidades, dispararam indiscriminadamente as suas armas no porto de Jolo, Sulu, danificando instalações nas docas e uma mesquita vizinha. Já antes, em 2002, um membro das forças armadas do Exército dos EUA, o sargento Reggie Lane, integrado nas tropas do 18º IB, tinha atingido a tiro Buyong-buyong Isnijal, um camponês de Basilan, quando uma brigada conjunta de soldados dos EUA e das Filipinas invadiram a sua casa.

Estes relatos expõem cada vez mais as mentiras por trás dos pronunciamentos padrão dos responsáveis norte-americanos que negam um real envolvimento das suas tropas em operações de combate em Mindanao. Eles fornecem mais provas de que as tropas dos EUA que pertencem à Força Conjunta de Acção de Operações Especiais (JSOTF)-Filipinas se têm juntado às unidades das FAF envolvidas em operações contra-revolucionárias na ilha.

Mesmo quando os responsáveis norte-americanos e filipinos são rápidos a negar que os soldados dos EUA estejam envolvidos em operações de combate, eles não negam que o exército dos EUA está activamente envolvido no fornecimento às FAF de informações de combate e aéreas, bem como apoio logístico às operações terrestres das FAF.

Estes incidentes indiciam claramente a crescente intervenção militar e as atrocidades fascistas dos EUA, em aliança com as tropas fantoches locais.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese