O G20 de Londres: Queremos um outro mundo ou queremos este mundo com remendos? – Episódios das manifestações anti-G20
6 de Abril de 2009. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

«Será que o Presidente francês Sarkozy conseguirá obter o seu mecanismo de regulação financeira global ou prevalecerá a abordagem anglo-americana de estímulo financeiro à crise?», «Será que as alterações climáticas passarão a ser uma prioridade ou serão postas no grelhador?» As pessoas em todo o mundo, e sobretudo na Grã-Bretanha, foram bombardeadas com a mensagem de que toda a gente tinha um interesse vital nos debates da reunião do G20 em Londres, a conferência cimeira das 20 maiores economias do mundo, e que essas seriam as únicas alternativas. Intimamente relacionada com isto, surgiu uma outra mensagem: como é que alguém ousa sequer pensar em protestar?! Disse-se que as questões a ser discutidas no G20 seriam de uma importância tão imensa para o futuro de todo o planeta que não se deveria sequer permitir que alguém perturbasse os nossos líderes democraticamente eleitos enquanto eles faziam as suas delicadas negociações. O Vice-Presidente dos EUA, Joseph Biden, tentou jogar com a recente chegada do Presidente Barack Obama ao governo para defender que os manifestantes «nos deveriam dar uma oportunidade» e ouvir primeiro o que os líderes planeavam fazer.

Contudo, o futuro do planeta é realmente vital e enfrenta ameaças sem precedentes – e é exactamente por isso que o seu destino não pode ser deixado nas mãos dos líderes do G20 e de outros como eles. Essa questão – em que mãos devemos colocar as nossas esperanças no futuro – foi objectivamente o que tornou tão importantes as manifestações contra o G20 em Londres e noutras cidades da Europa, e também estava muito presente nas mentes e foi debatida por um grande número de manifestantes.

A 28 de Março, no sábado anterior à reunião do G20, mais de 35 mil pessoas marcharam através de Londres numa manifestação convocada por uma vasta coligação de ecologistas, organizações de beneficência e sindicatos. O slogan oficial, «Ponham as Pessoas em Primeiro Lugar», pretendia ser uma espécie de conselho ou pressão sobre os decisores do G20. Nesse mesmo dia, 15 mil pessoas manifestaram-se em Berlim, 6 mil em Roma (onde decorria uma reunião dos Ministros do Trabalho do G8) e outras 6500 em Viena, sob as palavras de ordem «Façam os Ricos Pagar» e «O Capitalismo Mata», tal como o fizeram centenas de pessoas em Paris.

Uma ainda maior atenção foi dada à própria reunião do G20 na quarta e quinta-feira. À medida que se aproximava o dia da reunião, uma outra mensagem, mais sinistra, surgiu da própria polícia com cada vez mais força: «extremistas violentos», talvez mesmo «terroristas», estavam decididos a «sequestrar» os protestos. Alguns dias antes do G20, foi preso um punhado de pessoas ao abrigo da Lei Antiterrorismo. Manchetes de primeira página ligavam os «terroristas» e o G20 e diziam que «suspeitos de terrorismo» tinham material político «extremista», bem como «armas perigosas», e que estavam provavelmente a planear um ataque ao G20. Só mais tarde se soube que eles não tinham nada mais perigoso que fogo-de-artifício e quando a comunicação social tentou pressionar o agente responsável pela investigação, este revelou que as prisões tinham decorrido quando um deles foi apanhado a pintar graffiti numa parede. Recusou-se a identificar o material político «extremista» apreendido, mas disse que «era diferente do que vocês normalmente vêem», o que levanta a questão: irá agora a polícia tratar qualquer coisa fora do usual como «terrorista»?!

Este espectro de confrontos violentos dominou as manchetes dia após dia antes do G20, enquanto a Polícia Metropolitana de Londres montava o que dizia ser a «maior operação» da sua história, com o cancelamento de todas as licenças dos polícias e milhares de reforços vindos das regiões vizinhas. Foi mobilizada uma força de 30 mil polícias. Disseram aos banqueiros que «reduzissem» a roupa para não serem visados, como se fossem os indivíduos, e não os próprios líderes do G20, o verdadeiro alvo da ira dos manifestantes. Vale a pena salientar aqui que os únicos banqueiros feridos durante os protestos, e houve alguns, foram maltratados pela polícia e não pelos manifestantes.

Apesar da atmosfera de ameaça e intimidação alimentada pela polícia e pela comunicação social, dezenas de milhares de pessoas saíram à rua na quarta-feira para receber o G20. Ninguém sabe realmente quantos, entre outros motivos porque, em primeiro lugar, a maioria dos protestos foi altamente descentralizada, com seis ou oito ou mesmo mais acções diferentes a decorrerem ao mesmo tempo, com cada uma das aglomerações a ter qualquer coisa entre algumas dezenas a muitos milhares de pessoas e porque, em segundo lugar, a polícia aproveitou todas as oportunidades para bloquear enormes zonas do centro de Londres, encurralando os manifestantes em grupos isolados e fazendo o seu melhor para impedir acções coordenadas.

Um factor crucial na definição da forma como toda esta batalha se desenrolou foi a imagem de Obama. Qualquer pessoa que não se juntasse à celebração que deu as boas-vindas a Inglaterra ao primeiro presidente negro da história dos EUA era retratada como os bêbados da cidade que aparecem sempre para estragar a festa. Embora a análise das relações entre o imperialismo norte-americano e as restantes principais potências do mundo esteja fora do âmbito deste relato, duas coisas podem ser ditas: em primeiro lugar, muitos dos outros líderes do G20 dão claramente as boas-vindas a Obama como representando a perspectiva de uma abordagem à política global um pouco mais multilateral por parte de Washington mas, em segundo lugar, também esperam muito que a mudança de imagem que Obama representa vá revigorar a capacidade dos EUA para «liderarem o mundo democrático», ou seja, o sistema global de pilhagem imperialista em que todos eles têm um interesse vital.

Quanto aos manifestantes, muitos deles tinham a esperança que Obama pudesse trazer alguma verdadeira mudança à política dos EUA. De facto, se esse não tivesse sido o sentimento de tanta gente, é difícil crer que o G20 pudesse sequer ter tido lugar em Londres. Já de há algum tempo para cá que, na Europa, a maioria das reuniões dos principais chefes de estado tem sido forçada ao afastar-se para locais remotos mantidos inacessíveis às pessoas normais, como o retiro de Gleneagles nas terras altas escocesas para o G8 de 2005 e Heilingendamm na Alemanha para o G8 de 2007 (e uma ilha militarizada na Sardenha para a próxima reunião do G8). Esta vida na sombra não foi mais real para ninguém que para George Bush que, no final do seu mandato, foi forçado a limitar as suas principais aparições a bases militares e outras zonas protegidas do ódio que centenas de milhões de pessoas em todo o mundo sentiam pelo que ele representava.

Por isso, o próprio acto de realizar este tipo de reunião dos principais chefes de estado numa capital global foi uma vez mais, e de certa forma, uma tentativa de inverter um veredicto correcto sobre esses líderes mundiais. Atirou ao chão uma luva para as fileiras das forças que os têm perseguido por toda a Europa e pelo mundo nas suas reuniões periódicas. Isto foi particularmente assim, dado que eles vieram para um centro financeiro mundial num momento em que o seu sistema financeiro global está a infligir uma tão grande dor e miséria a literalmente milhares de milhões de pessoas em todo o mundo. Mas embora muitos dos manifestantes tivessem alguma esperança em que Obama possa vir a originar mudanças reais, ao mesmo tempo muitos reconheciam que as afrontas que vêem reflectem os mecanismos de um sistema muito mais vasto. Como disse um manifestante: «Porque é que haveríamos de pensar que o facto de os chefes dos principais estados capitalistas se reunirem irá tornar possível resolver um problema causado pelo capitalismo?»

E foi assim que um grande número dos que vieram até Londres, incluindo em particular de todos os cantos das ilhas britânicas e da Europa do Norte, chegou com um verdadeiro sentimento de determinação de tentar impedir os negócios do costume no centro financeiro de Londres, enquanto os líderes do G20 se reuniam.

Episódios da primeira prova de Obama em protestos de massas

Na quarta-feira, à medida que chegavam os líderes do G20, os promotores de campanhas sobre as alterações climáticas levaram a cabo várias acções. No Centro ExCel, na zona East End de Londres, onde iria decorrer a reunião do G20, realizaram uma «manifestação icebergue de emergência sobre o clima», para a qual trouxeram um gigantesco bloco de gelo para dramatizar o descongelamento das calotes de gelo polar e a urgente ameaça do aquecimento global. Uma Marcha pelo Emprego atravessou alguns dos bairros mais pobres de Londres para chamar a atenção para os milhões de pessoas em todo o mundo que estão a ser despedidas dos seus empregos e a ser lançadas para a rua. Às 12:30, numa acção altamente coordenada que usou o Twitter e outros meios electrónicos, cerca de 1000 pessoas apareceram subitamente em Bishopsgate, o coração da zona financeira de Londres conhecida como «The City» [«A Cidade»], e montaram várias centenas de tendas, criando uma «cidade de tendas» atrás de uma enorme faixa que proclamava: «A Natureza Não Faz Resgates Financeiros». Elas planeavam aí ficar 24 horas e usar a zona como base para a realização de acções de formação e divulgação e para falarem com transeuntes.

Ao início dessa mesma tarde, 6 a 8 mil pessoas reuniram-se frente à Embaixada dos EUA numa manifestação de oposição às guerras do Iraque e do Afeganistão em particular. Tal como nos protestos anti-NATO de Estrasburgo, França, do final dessa semana, muita gente sentia que era importante que essas acções fossem poderosas provas de desafio. Não só as pessoas estavam furiosas porque Obama está a enviar mais tropas para o Afeganistão e a pedir à Europa que faça o mesmo, como também várias pessoas salientavam as recentes notícias sobre uma nova lei contra as mulheres aprovada pelo governo de Karzai, apoiado pelos imperialistas, que limita o direito das mulheres a saírem das suas casas sem acompanhamento e legaliza as violações pelos maridos. Isto é mais uma prova de que, independentemente de quão reaccionários possam ser os talibãs, a ocupação imperialista não é parte da solução, mas sim o centro do problema.

Entretanto, numa altura em que os manifestantes antiguerra e os promotores de campanhas sobre as alterações climáticas ainda estavam em acção, outros milhares de pessoas estavam a concentrar-se na estação do metro de Bank para levar os protestos até ao próprio centro financeiro de Londres. Foi aqui que as tensões foram mais fortes. Alguns manifestantes falavam do total contraste entre o resgate aos banqueiros e aquilo por que as vastas massas estão a passar. Muita gente mencionava Sir Fred Godwin, antigo chefe do Banco Real da Escócia, que se reformou com 50 anos e uma reforma de um milhão de dólares anuais, depois de ter presidido ao colapso do banco e ao seu resgate público, enquanto centenas de milhares de pessoas da classe trabalhadora estão a ser lançadas para as filas das esmolas com 130 dólares por semana. Um grupo de manifestantes tinha-se encharcado de sangue para mostrar o que a realidade da crise financeira significava para os povos do Terceiro Mundo, para quem a subida dos preços dos alimentos e da energia significam frio e fome.

Os manifestantes estavam a convergir em quatro manifestações mais pequenas, cada uma com muitas centenas de pessoas, para a principal concentração de 5 a 6 mil pessoas que já estavam na estação. Mas, de repente, centenas de polícias cercaram o grupo principal, enquanto centenas de outros polícias bloquearam cada uma das 4 marchas e depois, cercaram, por sua vez, algumas delas. Trata-se de uma técnica desenvolvida durante os últimos anos na Grã-Bretanha e chamada «kettling» [«meter numa chaleira»]. Um grande número de polícias de choque bloqueia todas as ruas vizinhas de forma a cercarem uma massa de manifestantes, por vezes mantendo-os aí durante muitas horas, quase sempre sem qualquer aviso de antecedência. Depois, se assim o decidirem, deixam os manifestantes sair, mas apenas pelo «orifício da chaleira», um de cada vez, tirando-lhes uma fotografia e identificando-os à medida que saem. Se os manifestantes se recusam, são presos ali mesmo. Esta táctica de estado policial é uma forma de as autoridades em Inglaterra, o berço da democracia parlamentar ocidental moderna, construírem uma gigantesca base de dados computadorizada dos seus cidadãos que inclui os registos do ADN de milhões de pessoas. Esta prática acaba de receber o apoio do supremo tribunal. Ela faz parte do que se diz ser a sociedade de vigilância mais global do mundo, com vários milhões de câmaras em circuito fechado (CCTV) por todo o país e onde se diz que todos os metros quadrados do centro de Londres estão cobertos por CCTVs da polícia.

Tudo isto tem ocorrido sob a supervisão do Partido Trabalhista. Ao mesmo tempo que ao longo da semana a burguesia britânica salivava com a fantasia de, de alguma forma, ter o seu próprio momento Obama, ou pelo menos descontrair temporariamente com isso, a sua situação contrasta claramente com a dos EUA. Ao contrário do que aí aconteceu, em que foi o governo Bush que liderou a investida de guerra e repressão pós-11 de Setembro, na Grã-Bretanha foi o Partido Trabalhista, supostamente de esquerda, que liderou essa era de guerra e repressão, deixando um grande vazio entre os milhões de pessoas que tradicionalmente o viam como alternativa aos Tories conservadores.

Durante cerca de duas horas, os 5 a 6 mil manifestantes «enchaleirados» ficaram resignados a cantar, entoar, dançar ou apenas a falarem uns com os outros. Um estudante de 20 anos de uma universidade da zona de Newcastle esforçava-se por perceber porque é que não houve mais pessoas a sair, dada a devastação que a crise estava a infligir à vida das pessoas de todo o mundo. Falou da sua experiência de discussão com alguns dos seus companheiros que o tentavam convencer que ele devia apoiar o socialismo na Cuba de Castro e na Venezuela de Hugo Chávez. Mas, disse ele, eu tenho estudado o que está a acontecer nesses países e não vejo que eles se estejam a libertar do imperialismo. Cuba não diversificou a sua economia e Chávez está a fazer todo o tipo de acordos com as multinacionais e depende do petróleo para se tentar libertar do imperialismo. Não é de baixo para cima, é de cima para baixo. Ele estava, tal como vários outros estudantes que encontrou durante os protestos, a ler O Capital de Marx num pequeno círculo de estudo e estava ansioso por uma discussão sobre a revolução comunista, que tipo de sociedade ela visava e qual era a experiência das revoluções do século XX.

Alguns dos manifestantes tinham estado em Edimburgo, na Escócia, para aí protestarem contra a cimeira do G8 em 2005. Um jovem londrino disse que nessa altura tinha sido «muito ingénuo»: «Nessa altura, nós estávamos focados em África e eu realmente pensei que íamos fazer com que o G8 fizesse muito pelas pessoas desse continente. Mas se se vir a percentagem do produto interno bruto (PIB) que os países do G8 estão a distribuir em ajuda externa, ela não se alterou nos últimos dez anos.»

Muitos manifestantes identificavam-se com o anarquismo, o anticapitalismo ou mesmo com a revolução. Como disse um jovem estudante do secundário: «Eu olho à minha volta e vejo todos estes estados e eles são todos maus, e parece que as revoluções comunistas não resolveram esse problema, pelo que só temos que ser contra o estado». Mas, ao mesmo tempo, quando pressionado a dizer como é que poderia ser organizada a sociedade, ele, tal como muitos outros, reconheceu: «Olhe, eu realmente não sei, mas estou a tentar perceber isso». O anarquismo, tal como o anticapitalismo, tem-se traduzido muitas vezes na abertura de espaço para estilos de vida alternativos que permitem a fuga aos limites da sociedade de consumo e que existem nalgum tipo de espírito de solidariedade com as pessoas de todo o mundo, e embora a opinião comum fosse a de que o comunismo tinha falhado, também havia abertura a analisar a experiência das revoluções do século XX e o que queria dizer o capitalismo ser o problema, e o que seria necessário para de facto se ultrapassar a sociedade de classes, e uma intensa discussão sobre todas as «grandes questões» da revolução, como a natureza humana, e sobre como essas mudanças poderiam acontecer de facto.

À medida que as horas passavam, os manifestantes ficaram cada vez mais inquietos. Ninguém foi autorizado a sair, nem sequer as pessoas idosas que se queixavam devido à sua saúde. As pessoas começaram a fazer pressão contra o perímetro policial, e começaram as escaramuças, com os polícias a manejarem os seus bastões à rédea solta. Alguns dos activistas aproveitaram o descontentamento e mobilizaram muitas das 5 a 6 mil pessoas para cerrarem fileiras e empurrarem com cada vez mais vigor contra uma das linhas da polícia, acabando finalmente por rolar por cima dela. Livres da chaleira! Mas antes que os manifestantes tivessem conseguido andar mais que algumas centenas de metros, a polícia tinha chamado reforços, fechado as ruas vizinhas e restaurado o cerco. E assim prosseguiu o dia, alternando entre períodos de intenso confronto e períodos de intensa discussão na «chaleira» sobre o capitalismo e o comunismo.

Ao anoitecer, a polícia virou a sua atenção para «os verdes» do Acampamento das Alterações Climáticas em Bishopsgate, onde nessa altura estavam reunidas pelo menos 1500 pessoas, a maioria com a intenção de passar a noite na «cidade de tendas». Mesmo esse cenário eco-alternativo era excessivo para a polícia e várias centenas deles cercaram-no, atiraram os manifestantes para fora das suas tendas e «enchaleiraram-nos» até muito tarde na noite.

As pesadas tácticas policiais, em particular a utilização do «enchaleiramento» a uma escala muito maior que nunca, causou muita controvérsia, mesmo entre a comunicação social liberal, particularmente quando se soube que um homem de 47 anos, Ian Tomlinson, tinha morrido durante os protestos. No momento em que escrevemos, continua a haver uma viva controvérsia – tendo sido noticiado que ele foi fotografado pouco antes de morrer, sentado no chão a falar com 5 polícias de choque. Porque é que a polícia não chamou uma ambulância? Teria ele sido «enchaleirado» antes de cair, ou foi ainda pior? A lentidão com que qualquer um dos factos tem emergido diz muito sobre quão decidida estava a polícia a não deixar que esse incidente estragasse o G20.

Alguns manifestantes fizeram a viagem de Londres para Estrasburgo ao mesmo tempo que Obama e os outros líderes dos países da NATO. Alguns defendiam que essa era a «verdadeira» reunião, a reunião que mostrava o que esses líderes realmente são: enquanto em Londres o G20 conseguiu montar um grande espectáculo de música e dança sobre estarem a tentar acabar com a crise financeira, da reunião da NATO em Estrasburgo o que saiu foi a sua inflexível determinação em prosseguirem e mesmo escalarem a mais recente guerra no Afeganistão para defenderem o império que todos eles partilham. Também em Estrasburgo houve uma gigantesca presença policial, com milhares de polícias de choque franceses a fecharem a cidade a qualquer pessoa que se parecesse, mesmo que vagamente, com um manifestante e a travarem ferozes batalhas nas ruas com milhares de jovens.

O jornal conservador francês pró-Sarkozy (e portanto pró-Obama, cuja imagem Sarkozy cobiça) Le Figaro vangloriava-se na sua primeira página depois da reunião da NATO que «Quatro dias de Obama tinham apagado oito anos de Bush». Os principais imperialistas e reaccionários estão de facto a espremer tudo o que podem da mudança de imagem que Obama trouxe ao império norte-americano e ao sistema global que ele encabeça. Mas há um problema fundamental: o império permanece e o seu funcionamento traz miséria, guerra e opressão a centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, vezes sem conta – e Obama não é apenas alguém que por acaso está no topo da ordem imperialista mundial, ele está activa e entusiasticamente empenhado nessa função. Pela primeira vez num palco global, Obama estava do lado errado da barricada, protegido por falanges de polícias de choque armados com bastões dos milhares de pessoas que lutam por um mundo melhor. O que aconteceu em Londres e Estrasburgo foi a abertura de algumas fendas iniciais na nova e cintilante roupagem ideológica com que o imperialismo norte-americano está a tentar vestir o seu sangrento império e o sistema global que ele lidera.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese