«Temos orgulho em participar na industrialização
do país»
(Poster chinês, 1954)
As mulheres detêm metade do céu – isso já foi mais que um sonho
9 de Março de 2009. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

Pouco depois da revolução chinesa em 1949, novas leis deram às mulheres um estatuto legal igual e os plenos direitos que lhes tinham sido negados nos dias em que os imperialistas, os seus aliados capitalistas locais e os proprietários feudais governavam o país. As novas leis puseram fim aos casamentos infantis e forçados, deram às mulheres o direito a divorciarem-se e o direito à terra, para que deixassem de ser propriedade dos homens sob qualquer forma. A libertação de um grande número de mulheres da prostituição é outro exemplo das grandes mudanças concretizadas quase do dia para a noite.

Mas Mao Tsétung compreendeu que o salto da igualdade formal perante a lei para a total emancipação das mulheres de tudo o que as oprimia enquanto sexo desigual requeria uma luta árdua e prolongada – e que, sem isso, a revolução não poderia entrar na via da superação de todas as marcas da opressão e da exploração deixadas pela velha sociedade e que, em vez disso, instalaria o capitalismo. A revolução, à medida que se desenvolvia e que as mulheres participavam na criação de uma nova sociedade, teria não só que transformar as relações sociais e económicas tradicionais que oprimiam as mulheres mas também as instituições sociais e os valores e o pensamento das pessoas. Com a sua famosa frase «As mulheres detêm metade do céu», Mao e os revolucionários chineses estavam a proclamar que não podia haver nenhuma emancipação da humanidade sem a participação e a emancipação de metade da sociedade – as suas mulheres.

Reimprimimos aqui excertos de três livros sobre as mulheres na China revolucionária que mostram os impressionantes passos rumo à libertação das mulheres naquele que era então um dos países mais atrasados do mundo. Estes passos apenas podem ocorrer quando o proletariado, a classe cuja própria libertação requer a libertação da humanidade de todas as formas de exploração, detiver o poder de estado. Estes relatos também mostram o poderoso papel que as mulheres podem desempenhar no avanço desse processo. A realidade dos feitos da China socialista dá um vislumbre do que se pode conseguir no futuro, quando a ditadura revolucionária do proletariado for de novo estabelecida num ou mais países, como parte do processo de criação do comunismo, um mundo finalmente livre de classes e divisões de classe e das instituições e do pensamento que são o fruto da sociedade de

Uma mulher mostra como tinham de amarrar os pés antes da Revolução, para os manterem muito pequenos
classes.

***

No livro Fanshen, Um Documentário sobre a Revolução numa Aldeia Chinesa (Vintage Books, 1966), William Hinton escreveu sobre o campo nos primeiros tempos da revolução chinesa, quando o velho domínio feudal e as suas instituições e costumes estavam a ser derrubados pela primeira vez. Ele descreve casos típicos de esposas agredidas por irem a reuniões nocturnas da Associação de Mulheres. As mulheres membros da Associação organizavam reuniões para todas as mulheres da aldeia e chamavam o marido ou o sogro para que se defendesse publicamente das acusações feitas pela mulher ou pela nora. Se ele se recusasse a responder, muitas vezes elas davam-lhe uma tareia para lhe mostrar que a partir daí as coisas seriam diferentes e que seria melhor que ele deixasse de abusar da mulher quando estivesse a sós com ela. O comité de mulheres estaria presente, sempre atento e pronto a intervir de novo se necessário. Hinton escreveu:

«Entre as que foram espancadas estava a mulher do camponês pobre Man-ts'ang. Quando ela regressou a casa vinda de uma reunião da Associação de Mulheres, o marido bateu-lhe como de costume, gritando: ‘Vou ensinar-te a ficares em casa. Vou mudar-te os teus maus hábitos.’ Mas a mulher de

A caminho do trabalho nos campos
Man-ts'ang surpreendeu o seu amo e senhor. Em vez de, depois disso, ficar em casa como mercadoria obediente, no dia seguinte dirigiu-se à secretária da Associação de Mulheres, a mulher do miliciano Ta-hung, e fez uma queixa contra o marido. Depois, numa discussão com os membros do comité executivo, a secretária convocou uma reunião das mulheres de toda a aldeia. Pelo menos um terço, talvez mesmo metade delas, compareceu. À frente dessa concentração sem precedentes de mulheres decididas, foi exigido a Man-ts'ang que explicasse os seus actos. Man-ts'ang, arrogante e insubmisso, concordou prontamente: Disse que tinha batido na mulher porque ela tinha ido às reuniões e que ‘a única razão por que as mulheres vão a reuniões é para terem liberdade para namorar e seduzir’.

Esse comentário suscitou um furioso protesto das mulheres reunidas perante ele. As palavras rapidamente levaram aos actos. Elas precipitaram-se de todos os lados sobre ele, derrubaram-no, pontapearam-no, rasgaram-lhe as roupas, arranharam-lhe a cara, puxaram-lhe o cabelo e sovaram-no até ele já não conseguir respirar.

«‘Vais bater-lhe? Vais bater-lhe e caluniar-nos a todas? É melhor violares a tua mãe. Talvez isto te ensine.’»

«‘Parem, eu nunca mais lhe vou bater’, gritou ofegante o marido apavorado que estava à beira de desmaiar devido aos golpes delas.»

«Elas pararam, deixaram-no levantar-se e mandaram-no para casa com um aviso – quando tocasse de novo na mulher com um dedo, receberia mais do mesmo ‘remédio’.»

«Desse dia em diante, Man-ts'ang nunca mais ousou bater na mulher dele e a partir desse dia a mulher passou a ser conhecida em toda a aldeia pelo seu nome de solteira, Ch'eng Ai-lien, em vez de simplesmente pelo título de mulher de Man-ts'ang, como era costume desde o início dos tempos.»

***

O Grande Salto em Frente, iniciado em 1958, trouxe as mulheres para fora de casa e para o torvelinho da batalha pela criação de uma nova sociedade na produção, na política, na cultura e noutras frentes. As Comunas Populares criadas como forma colectiva de propriedade e de governo nos campos trouxeram os refeitórios comunitários, os infantários, as reparações domésticas cooperativas e outras coisas que não só aumentaram o bem-estar dos

De camponesas isoladas a trabalhadoras industriais, como estas operárias da indústria electrónica
camponeses como também começaram a libertar as mulheres da reclusão familiar, fornecendo soluções colectivas às necessidades sociais que formalmente caiam apenas sobre os ombros das mulheres. Isso tornou ainda mais fácil a sua participação na criação de novas fábricas e em projectos de irrigação e a representação de um maior papel na política e noutros campos.

Houve resistência a esse processo por parte daqueles que no Partido Comunista queriam fazer parar a revolução com a modernização da China e o desenvolvimento do capitalismo, uma sociedade em que a igualdade formal de todos os indivíduos esconde verdadeiras desigualdades, opressão e exploração. Em vez de ser um bastião da luta mundial pelo comunismo, eles queriam vender o país e o seu povo ao sistema capitalista mundial.

Foi por isso que Mao desencadeou a Revolução Cultural, uma grande luta de inúmeros milhões de pessoas para dar um novo e maior salto na via socialista. A luta entre as duas vias no partido e na sociedade chinesa manteve-se durante uma década. Por fim, após a morte de Mao em 1976, os «seguidores da via capitalista no partido», sobre quem Mao tinha feito um aviso, conseguiram fazer um golpe militar, prender a liderança revolucionária do partido e começar a fazer da China aquilo que é hoje – uma enorme fonte de lucro para o capitalismo globalizado e uma vez mais um lugar onde as

necessidades da humanidade não contam para nada e um inferno especial para as raparigas e as mulheres.

O livro Some of Us, Chinese Women Growing Up in the Mao Era [Algumas de Nós, Mulheres Chinesas que Cresceram na Época de Mao] (editado por Xueping Zhong, Wang Zheng e Bai Di; Rugers University Press, 2001) fornece relatos individuais de mulheres chinesas (que agora vivem e ensinam nos EUA) das memórias da sua participação na Revolução Cultural e da sua experiência de «jovens educadas» que desciam aos campos para trabalharem com os camponeses. Em geral, elas consideram esse período como muito positivo e não exprimem nenhum pesar – uma refutação daquilo a que um dos editores chama a actual «narrativa da idade das trevas» sobre a Revolução Cultural e a «loucura de Mao». Os editores e as autoras salientam que as memórias da época de Mao na China são necessariamente diversas e dependem da perspectiva de classe e do contexto social. Os pontos de vista das conhecidas «memórias de sofrimento» são veementemente contestadas por estas jovens educadas, agora mais velhas «jovens não arrependidas», que narram como saíram do ambiente urbano para irem trabalhar com os camponeses e ajudarem a vencer o enorme fosso económico, social e intelectual entre as cidades e os campos.

Nesse livro, elas querem saber: «Que experiências e que memórias contam para a história»? Embora tenham as suas próprias críticas a fazer, elas insistem em que as profundas mudanças sociais para as mulheres e as subsequentes contradições que foram desencadeadas pela revolução e pelas políticas de Mao para a igualdade de género e as tentativas de eliminar a disparidade entre as condições rurais e urbanas requerem mais investigação. Quando andavam na escola, elas não sentiam nenhum estigma enquanto mulheres. Estas jovens assumiram voluntariamente o seu papel no fermento revolucionário. Uma das autoras comenta que o facto de as jovens serem treinadas para cheerleaders [chefes de claque] no Ocidente deve ser considerado uma forma de lavagem ideológica ao cérebro em termos da posição da mulher na sociedade e proclama quão afortunada se sente por, em vez disso, ter sido «lavada ao cérebro para se tornar uma revolucionária».

Nesse excerto de Algumas de Nós, Naiha Zhang descreve os laços íntimos que ela criou com duas mulheres camponesas da sua idade e como se sentia honrada por poder trabalhar no campo. Ela salienta a atmosfera de «poder fazer» em que as mulheres eram encorajadas a desempenhar um papel activo e muitas vezes de liderança – e o faziam.

«Tanto Guirong como Lifeng se salientaram entre os seus pares. Guirong, um ano mais velha que eu, era a dirigente da Federação de Mulheres da

Os refeitórios comunitários nas quintas socialistas ajudaram a acabar com a escravidão doméstica
Brigada. Lifeng, um ano mais nova, era líder da equipa de mulheres da sua aldeia. Ambas eram hábeis no trabalho do campo e nas agulhas. Guirong parecia frágil mas era conhecida pela sua destreza na agricultura, que aprendeu com o seu tio, um mestre agricultor. Observá-la a trabalhar o sorgo era um regalo. Nas suas mãos, a enxada de cabo longo movia-se com uma elevada eficiência e precisão, alguns golpes ágeis e secos limpavam o sorgo. Nunca havia um movimento desperdiçado ou redundante. Era igualmente uma entendida na colheita do sorgo, um outro trabalho agrícola que distinguia os camponeses ao nível da sua perícia. Ela era rápida, mas extraordinariamente calma e graciosa, deixando para trás pequenos pacotes de sorgo com a mesma forma exacta e os mesmos intervalos, criando um padrão bem desenhado se visto da extremidade do campo...»

«Dissemos frequentemente umas às outras que devia ter havido algum tipo de sorte que nos juntou e nos manteve unidas. Após um ano na estação experimental da brigada, fomos transferidas para o pequeno pomar da brigada, sendo eu a responsável. O pomar situava-se numa encosta próxima da aldeia de Guirong, com uma casa térrea de dois quartos donde se avistavam filas de pequenas árvores chinesas de maçã-caranguejo com folhas em forma de pêra. Tínhamos três bois e um antigo carro com rodas de madeira. Cultivávamos pequenos produtos, como feijões e legumes, entre as pequenas árvores de fruta. Depois de trabalharmos no pomar da brigada durante um ano, a comuna quis estabelecer uma quinta agrícola experimental na zona da comuna, comigo como sua dirigente. Disse aos dirigentes da comuna que queria que Guirong e Lifeng fossem comigo e eles concordaram vivamente. Permanecemos juntas com uma dúzia de outras pessoas – camponeses de várias brigadas e alguns zhiqing (jovens urbanos que iam para os campos) locais – até que três anos depois deixei os campos para ir para a universidade, em 1977...»

«Juntas, nós as três fizemos todo o tipo de trabalhos – um dos mais fatigantes foi atirar lama e fazer o telhado de uma casa... Tudo isto pode sugerir que passámos tempos difíceis. Sim, passámos por muitas dificuldades e suportámos sofrimentos, mas, globalmente, éramos felizes. Nessa altura, todas as organizações ou projectos tinham que ser auto-suficientes. Tínhamos de nos auto-sustentarmos antes de podermos ter dinheiro para fazermos

«Criticar em profundidade a 'teoria da natureza humana' das classes de proprietários e capitalistas»
(Poster chinês, 1971)
experiências ou outras tarefas. Tínhamos orgulho em que, em resultado dos nossos esforços, tanto o pomar da brigada como a quinta experimental da comuna estavam a resultar bem do ponto de vista económico... Estudávamos em conjunto durante a noite. Guirong ficou com os livros que eu tinha. Lifeng, que tinha tido muito pouca instrução, começou a aprender a ler e a escrever. Trazia consigo um pequeno caderno e muitas vezes, quando tinha oportunidade, tirava-o para rever as palavras que nele estavam escritas. Tínhamos partilhado sonhos e aspirações e vivido juntas como eu o teria feito com os meus amigos zhiqing. Mas estávamos todas conscientes, embora não falássemos sobre isso, de que os nossos destinos finais iriam divergir devido ao facto de eu ser da cidade e elas do campo... Deixei Momoge em Janeiro de 1977, com nostalgia e um sentimento de culpa. A quinta experimental foi desmantelada no final de 1977.»

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Claudie Broyelle visitou a China em 1971, durante a Revolução Cultural, com um grupo de mulheres activistas francesas intrigadas com a árdua e desordenada luta pela libertação das mulheres na China. Elas ouviram muitas histórias de mulheres sobre a forma como tinham saído dos papéis tradicionais que as mulheres representavam em casa e como portadoras de crianças, para aprenderem a ler, a lutar com as ideias intelectuais e a desempenhar o seu pleno papel na transformação da sociedade. No seu livro Women’s Liberation in China [A Libertação da Mulher na China] (Harvester Press, 1977), ela escreveu sobre o que, em conjunto com outras mulheres, viveu nos campos de Chao Yan:

«Dentro da fábrica havia um sentimento de solidariedade, dinamismo e dedicação. Era muito comum ver mulheres trabalhadoras a ficar depois do seu trabalho diário para terminarem uma tarefa ou praticarem uma técnica difícil. Claro que não éramos forçadas a fazê-lo e não éramos pagas pelas horas extraordinárias. Será que temos que receber bónus por estarmos a fazer a revolução? É isto a sua essência. Além disso, a nossa experiência não agradou de forma nenhuma a toda a gente. Em 1961, alguns dos gerentes da fábrica, completamente cegos pelas ordens do conselho municipal de Pequim, decidiram ‘racionalizar’ a produção. Decretaram que havia demasiada gente a trabalhar ali e que teríamos que deixar de fazer chaleiras uma vez que agora éramos uma fábrica de equipamento médico. Quão desdenhosos eram eles das nossas chaleiras! A ‘reorganização’ teria implicado que um grande número de nós fosse para casa. Eles pensavam que nos iam convencer dizendo que os homens iam obter um aumento salarial para que nós pudéssemos ficar em casa e cuidar das nossas famílias. Será que dessa forma não seria tudo mais simples? Mas esses planos tiveram uma vigorosa resistência da parte das mulheres, e elas declararam: ‘Não vamos voltar para a cozinha, não vamos sair do nosso trabalho!’ A vida na fábrica tornou-se muito tensa. Houve
«Mulher condutora de tractor»
(Poster chinês, 1964)
uma luta desesperada entre essa facção da administração que queria gerir a fábrica com vista ao lucro imediato e que, acima de tudo, não queria que as mulheres trabalhadoras se libertassem, e a grande maioria das mulheres trabalhadoras que queriam continuar no caminho que tinham escolhido.»

«Essa luta foi levada a cabo com uma completa consciência do que estava em causa. Nós compreendíamos o que estava em jogo. Na maioria dos casos, os nossos maridos e os outros homens apoiavam-nos. Isto pode explicar-se facilmente. O que aconteceu em Chao Yan não foi um incidente isolado. Em todas as fábricas, uma ofensiva reaccionária organizada por Liu Shao-chi visou quer a reintrodução das normas capitalistas de produção, quer impedir o seu derrube pelas massas. Isto explica porque é que os homens, que também estavam a ter que se opor à ofensiva burguesa, compreenderam e em geral apoiaram a resistência das mulheres. Como muitas de nós estávamos sem trabalho, não recebíamos nenhuma remuneração. Mas isso não tinha importância. Se não tínhamos trabalho, criávamos algo para nós mesmas! Se não recebíamos nenhum salário, aguentar-nos-íamos ajudando-nos umas às outras! Pedimos a outras fábricas que nos dessem trabalho que nós então fazíamos na ‘nossa fábrica’. Algumas mulheres trabalhadoras trouxeram sobras para a fábrica (tijolos, chapas metálicas e por aí adiante), que nós recuperávamos e limpávamos para as reciclarmos. O trabalho das mulheres era útil, mesmo que não fosse ‘lucrativo’, e nós provámo-lo. Poucas mulheres, apenas cerca de quinze de nós, não conseguiram continuar. Ou foram trabalhar para grandes fábricas ou voltaram para casa. Durante a Revolução Cultural, acabámos por perceber ainda mais claramente a verdadeira natureza dessa política reaccionária. Levámos a cabo campanhas para denunciar o método dessa dita ‘racionalização’.»

«A maioria dos que tinham apoiado a linha de Liu Shao-chi descobriram que interesses tinham estado realmente a servir. Eles estão agora trabalhar connosco ao nosso lado. Quase todas as mulheres que tinham saído da fábrica voltaram a trabalhar aí. Recentemente, as mulheres trabalhadoras desta fábrica aperfeiçoaram um processo para o fabrico de silicone. Antes, as trabalhadoras aqui eram todas antigas donas de casa e geralmente bastante idosas, entre os quarenta e os cinquenta anos. Agora, também temos algumas jovens que saíram da escola e que partilham os seus conhecimentos com as trabalhadoras mais velhas e que, ao mesmo tempo, aprendem com elas as qualidades da persistência revolucionária e da flexibilidade proletária. Neste bairro, virtualmente nenhuma mulher permanece em casa, só as mulheres que são demasiado velhas ou que estão mal de saúde – mas mesmo para elas a vida mudou. Elas ajudam-se umas às outras e fazem algumas tarefas domésticas para ajudarem as que trabalham longe de casa; organizam a vida política e cultural do bairro; não estão tão isoladas como antes. Esta transformação resulta da entrada de milhares de mulheres em actividades produtivas e

«A nova especialista em explosivos»
(Poster pintado por Jin Chen, 1974)
sociais. Quanto a nós, somos assalariadas e é importante que tenhamos conquistado a nossa independência económica. Mas deve perceber-se que ainda é mais importante para nós mantermos uma posição firme no mundo, preocuparmo-nos com as questões comunitárias em vez de apenas nos preocuparmos com problemas familiares. Temos usado a produção como arma para nos libertarmos, para servirmos melhor o povo chinês e a revolução mundial.»

A actual situação das mulheres, seja nas sociedades capitalistas desenvolvidas, seja no terceiro mundo, continua a basear-se na opressão e assume diferentes formas em diferentes lugares. O capitalismo apenas actualizou essa opressão com formas modernas, através da sobreexploração numa economia globalizada onde há mulheres que ganham 2 dólares por dia em fábricas espalhadas pelos quatro cantos do globo. As mulheres continuam a ser violadas, mortas e transformadas em troféus de guerra. A escravização sexual de mulheres e crianças tornou-se um fenómeno mundial. E em todo o lado as mulheres são avaliadas em função da sua utilidade para os homens enquanto mães, esposas e para satisfação sexual. A libertação das mulheres só pode ser alcançada através de uma transformação revolucionária do mundo e de toda a humanidade, sendo a emancipação das mulheres uma pedra angular dessa emancipação.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese