Bloco Vermelho, Itália: Contra as ameaças de «identificar e castigar os manifestantes»
2 de Fevereiro de 2009. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

O texto que se segue foi extraído do blogue do Bloco Vermelho, uma organização da juventude revolucionária de Itália (www.redblock-it.blogspot.com).

Os estudantes da Universidade La Sapienza em Roma enfrentaram o Presidente da Câmara Baixa Gianfranco Fini quando ele discursava a 21 de Janeiro. [Fini, um chamado «pós-fascista» – os autoproclamados sucessores de Benito Mussolini – é um importante membro do governo de direita liderado pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi e presidente da câmara baixa do parlamento.] Desde então, da direita à esquerda, todos os «partidos do palácio» [os antigos e actuais membros das coligações parlamentares governamentais] têm exprimido a sua solidariedade com esse neofascista e nenhum porta-voz do governo ou dos partidos do centro sequer fez qualquer referência pública à ameaça que Fini fez nessa altura de «identificar e castigar» esses manifestantes.

Castigá-los, por quê?

Não é que nos surpreenda que cães de guarda da burguesia e representantes do PD [Partido Democrático – uma das principais correntes que saíram do Partido Comunista não-revolucionário que há décadas tem sido um pilar do sistema em Itália] tenham uma vez mais apelado à repressão...

Apesar disso, é necessário e importante denunciar esta atmosfera de caça às bruxas que somos forçados a respirar em Itália, onde o estado dos imperialistas burgueses e dos fascistas modernos não vacila em reprimir qualquer forma de dissensão e que, em nome da «segurança», fomenta o racismo e a intolerância [contra os imigrantes] – e denunciar qualquer outro adubo que encoraje a proliferação de grupos neofascistas e nazis que são culpados de cometer agressões, esfaqueamentos, etc. Ao mesmo tempo que criminalizam a dissensão, eles mantém-se calados sobre os crimes de Israel e inundam-nos com uma propaganda segundo a qual qualquer pessoa que defenda as vítimas desse estado é um terrorista.

É por isso que nós exprimimos a nossa solidariedade máxima com os estudantes de Roma que desafiaram esse Presidente de Câmara neofascista e sobretudo com os estudantes que foram identificados pela polícia pela simples razão de terem gritado «fascista» a Fini (o que é uma verdade).

Hoje ainda vivemos num estado democrático onde a liberdade de expressão e dissensão está garantida, mas não temos nenhuma ilusão sobre a democracia burguesa. Temos de nos opor constantemente a qualquer passo que o estado possa dar em direcção ao fascismo moderno e protestar fortemente contra qualquer tentativa da burguesia de violar a sua própria constituição numa direcção reaccionária.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese