Bangladesh: Polícia assassina dirigente revolucionário
4 de Agosto de 2008. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

Camarada Mizanur Rahman Tutul

A polícia do Bangladesh assassinou Mizanur Rahman Tutul, dirigente do Partido Comunista do Purba Bangla (Marxista-Leninista) Lal Pataka [Bandeira Vermelha].

A 25 de Julho, o Batalhão de Acção Rápida (BAR) da polícia prendeu Tutul, de 42 anos, também conhecido como Mijan, na zona de Uttara, em Daca, a capital do país, de acordo com o que foi revelado numa conferência de imprensa dada na noite de 26 de Julho pela sua mãe, Novera Khatun, no Clube de Imprensa de Jhenaidah. A mãe, de 80 anos de idade, exigiu ao governo que não o matasse e que, em vez disso, seguisse o processo legal e o levasse a julgamento. Ela também disse que o seu filho, que é médico, não tinha cometido nenhum crime excepto ser membro daquele partido clandestino. Nesse dia, o jornal Jugantor, do Bangladesh, também noticiou que Tutul tinha sido preso a 25 de Julho.

Apesar disso, a 27 de Julho as autoridades alegaram que Tutul tinha sido morto num “fogo cruzado” num campo em Naogaon, a norte, por volta das 4 da manhã desse dia – dois dias depois da sua detenção e cerca de oito horas depois da conferência de imprensa – no que foi descrito como um ataque policial a uma reunião secreta de membros desse partido clandestino. Embora a polícia tenha alegado que a reunião envolvera 50 a 60 revolucionários armados e 80 polícias, disse que Tutul tinha sido a única vítima e que todos os outros participantes tinham escapado. Os médicos do Complexo Médico de Raninagar declararam-no morto à chegada. Uma fotografia do seu cadáver ensanguentado foi exibida triunfalmente na imprensa.

Tutul foi um dos co-fundadores do PCPB(ML) Lal Pataka em 1997, com Quamrul Islam Mastar, também morto pela polícia num “fogo cruzado” em 2004.

No mesmo dia da morte de Tutul, a polícia anunciou que tinha matado um outro membro do partido em Natore, em circunstâncias semelhantes. Desta vez, a polícia admitiu ter detido Ansar Ali vivo a 25 de Julho, mas insistiu em que ele fora morto num “tiroteio” quando os polícias o levaram de volta a uma aldeia para procurarem e capturarem outros camaradas seus.

Ao denunciar o assassinato de Tutul, a organização de direitos humanos Odhikar, do Bangladesh, exigiu que o governo cessasse as mortes extrajudiciais que já custaram a vida a 197 pessoas em “fogos cruzados”, “tiroteios”, “trocas de tiros” e “encontros” com a polícia, desde 11 de Janeiro de 2007, altura em que os militares tomaram o poder e declararam o estado de emergência nacional. A Odhikar disse que esta morte representava “uma clara alteração em relação a mortes anteriores, porque a vítima parecia não estar envolvida na utilização de quaisquer meios violentos para propagar as suas convicções políticas”.

Num comunicado de 1 de Agosto, a Odhikar advertiu ainda: “Esta morte ameaça a vida das pessoas que acreditam em ideais políticos específicos”. Só em Julho, a polícia matou 16 pessoas em circunstâncias semelhantes, dizia o comunicado.

O exército e a polícia do Bangladesh têm usado métodos semelhantes contra os revolucionários desde que o país foi fundado em 1971. Estas mortes mais recentes ecoam o assassinato nesse ano de Siraj Sikdar, um líder maoista e fundador do Partido Proletário do Purba Bangla (PBSP).

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese