Palestinianos afastados das suas próprias praias
16 de Junho de 2008. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

Um autocarro cheio de crianças palestinianas com idades entre os 6 e os 12 anos saiu de Hebron, na Cisjordânia, para elas irem ver o mar. Impedidos de irem para ocidente, para as praias do Mediterrâneo, devido ao “muro de separação” erguido por Israel, dirigiram-se para leste. Elas nunca tinham visto uma grande massa de água. A excursão escolar, coordenada pelo Ministério da Educação da Autoridade Palestiniana, reconhecida pelos israelitas, além das crianças, incluía pais e professores.

As praias do Mar Morto são maravilhosas e as crianças estavam realmente ansiosas para as verem. Mas os soldados israelitas pararam o autocarro e não o deixaram passar. O autocarro voltou para trás e regressou de novo nesse mesmo dia, na esperança de que os soldados apenas tivessem estado de mau humor.

O motorista do autocarro, Mohammed Ahmed Nuaga'a, descreveu assim o que aconteceu, ao jornal Independent (14 de Junho): “Tentei explicar-lhes que se tratava de estudantes muito novos que tinham vindo de muito longe para concretizarem um grande sonho – o de verem o mar”, disse ele.

“Mas os soldados foram agressivos e começaram a gritar-nos que era proibida a passagem de palestinianos, fossem crianças ou adultos. Os estudantes imploraram aos soldados que os deixassem passar, nem que fosse por 10 minutos, para verem o mar e regressarem, mas nada aconteceu.”

Acontece que é uma política oficial israelita erguer postos de controlo nas estradas pouco antes da chegada às praias do Mar Morto, aos fins-de-semana e nos feriados judeus.

Por quê? Porque os comerciantes das comunidades à beira-mar – colonos judeus instalados ilegalmente na parte norte do mar, a qual é suposto ser território palestiniano, mesmo segundo Israel – queixaram-se ao exército que ter palestinianos sentados nas praias prejudicava o seu negócio de venda de produtos a turistas israelitas que não estão habituados a partilhar espaços públicos com palestinianos.

Muitos dos israelitas vêm, sem dúvida, daquela que antes foi uma jóia da Palestina, Jerusalém, através das infames estradas apenas para israelitas que saem da cidade e atravessam a Cisjordânia. Essas estradas muradas dividem as comunidades palestinianas umas das outras, permitem a rápida movimentação das tropas israelitas e tornam mais fácil a deslocação dos colonos judeus, encorajando assim a criação de ainda mais colonatos judeus ilegais cada vez mais profundamente no pouco território que resta aos palestinianos. A construção desses colonatos acelerou desde que começaram as negociações do “roteiro da paz”.

Um indício do carácter desses colonatos surgiu a 8 de Junho quando um grupo israelita divulgou um vídeo feito por uma mulher numa aldeia palestiniana perto de Hebron. Mostrava jovens com máscaras que brandiam bastões, marchando vindos de um colonato judeu, e espancavam o seu pai de 70 anos e a sua madrasta quando estes pastoreavam na ladeira as cabras da família. (Ver o vídeo em news.bbc.co.uk Médio Oriente).

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese