Crítica literária: Assassinato em Samarcanda
24 de Março de 2008. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.

Craig Murray discursa sobre
o Afeganistão a bordo do Comboio da Paz.

(Foto: Vodex, http://flickr.com/photos/vodex/251491059/)

Murder in Samarkand [Assassinato em Samarcanda], de Craig Murray, Mainstream Publishers, Edimburgo, 2006. Edição norte-americana: Dirty Diplomacy [Diplomacia Suja], Scribner, Nova Iorque, 2007.

O diplomata de carreira Craig Murray foi embaixador da Grã-Bretanha no Uzbequistão de Agosto de 2002 a Outubro de 2004. Isso deu-lhe um lugar de primeira fila na “guerra ao terror” dos EUA e da Grã-Bretanha e o que ele viu chocou-o – o bastante para ele acabar por se virar contra o governo que representava e contra a própria “guerra ao terror”. O seu livro revela com crueza a verdadeira natureza do que essas duas potências andam a fazer no mundo actual e expõe as mentiras e a hipocrisia com que são encobertos os seus objectivos imperialistas.

O Pano de Fundo

Samarcanda é uma das maiores cidades do Uzbequistão, sem dúvida o país mais populoso e com maior poder militar na Ásia Central. Quando a URSS se fragmentou – muito depois de ela própria se ter tornado num país capitalista e imperialista, apesar do seu falso disfarce socialista – os EUA avançaram para tornarem todos os países anteriormente conhecidos como “satélites soviéticos” em satélites norte-americanos, visando cercar a Rússia e dificultar-lhe a formação de um novo bloco de rivais imperialistas dos EUA. Ao Uzbequistão foi destinado representar um papel significativo nesse esforço. Embora o seu governante, Islam Karimov, tenha subido ao poder nos tempos soviéticos, rapidamente se tornou num aliado norte-americano. O gás e outros recursos naturais do país tornaram-no muito atractivo para o capital ocidental, mas a sua localização estratégica deu-lhe uma importância ainda maior como posto militar avançado que domina todos os outros países da Ásia Central e virado tanto contra a Rússia como o Irão. A sua fronteira com o Afeganistão e a sua influência política, económica e militar aí tornaram-no indispensável aos EUA para a sua invasão desse país em 2001 e para a continuação da ocupação.

As relações norte-americanas com o Uzbequistão de Karimov têm passado por altos e baixos desde 2001, altura em que a região sul do país forneceu as bases aéreas e terrestres para a investida liderada pelos EUA. Durante o mandato do embaixador Murray, os EUA forneceram grandes quantidades de ajuda militar directa e indirecta para que o país pudesse manter e começar a modernizar o enorme exército que tinha herdado da era soviética. Em 2005, os EUA decidiram criticar Karimov por abater manifestantes antigovernamentais nas ruas, embora, como veremos nesta resenha do livro, o seu regime nessa altura não fosse menos sangrento que quando ele e Bush eram grandes amigos. O regime argumentou que os EUA e a Grã-Bretanha tinham encorajado os protestos para forçarem o governo a assumir uma posição mais agressiva em relação à Rússia. Nessa altura, o Uzbequistão expulsou as tropas dos EUA, mas a Alemanha, o principal país europeu a participar na ocupação do Afeganistão, foi autorizada a usar sem interrupção as instalações militares uzbeques. Recentemente, as tropas norte-americanas começaram a deslocar-se uma vez mais para o Afeganistão através da ponte aérea do Uzbequistão.

O quão pouco as críticas norte-americanas e europeias ao regime de Karimov em relação aos direitos humanos são motivadas por outra coisa que não os interesses imperialistas foi uma vez mais demonstrado por esta recente reviravolta dos acontecimentos: Karimov tomou posse para um terceiro mandato como presidente a 18 de Janeiro, depois de umas eleições em que os outros três candidatos não pediram às pessoas para votarem neles mas, em vez disso, o elogiaram. Alguns meses antes, no período que antecedeu as eleições, foi assassinado um importante jornalista de um país vizinho e mais pequeno, o Quirguistão, aparentemente por causa das suas ligações à oposição a Karimov no Uzbequistão. O think-tank internacional pró-imperialista Grupo Internacional de Crise concluiu que o país maior tinha conseguido arrastar o seu vizinho menor para baixo do seu controlo. Contudo, em vez de exporem tudo isto, a UE e os EUA cancelaram algumas das sanções contra o regime de Karimov e saudaram a sua reeleição enviando representantes de alto nível para se reunirem com ele e renovarem as relações. A União Europeia enviou um alto diplomata e os EUA enviaram o Almirante Fallon que chefia o Comando Central dos EUA responsável pelas operações militares no Iraque, no Afeganistão e, potencialmente, no Irão.

O julgamento

No início do seu mandato como embaixador em Tachkent, Murray foi convidado a assistir ao julgamento de vários suspeitos de terrorismo. Ele já era céptico em relação ao sistema judicial do Uzbequistão, talvez porque tinha lido relatórios de autópsias indicando que a morte de dois homens suspeitos de serem membros do partido islâmico se devera a terem sido fervidos vivos. Ele também tinha descoberto que, como viria a escrever mais tarde neste livro: “Uma técnica estava generalizada em todo o país – colocavam-lhes uma máscara de gás e depois bloqueavam os filtros. Presumo que a vantagem disso é que sufoca sem contundir.”

Mas o que ele viu com os seus próprios olhos nesse julgamento – e o que aconteceu depois – começou a abrir-lhe os olhos para realidades maiores que a sua vida e mais importantes que a sua carreira.

Um ancião estava arrolado para testemunhar contra o seu sobrinho. Num momento chave do julgamento, a acusação chama-o à tribuna e lê uma declaração que ele tinha assinado, acusando o sobrinho de roubar dinheiro e de o enviar a Osama bin Laden, de viajar para o Afeganistão para receber treino em campos da Al-Qaeda e outros actos semelhantes. A acusação pergunta ao homem: “É este o seu testemunho?” O velho responde: “Mas não é verdadeiro. Eles torturaram-me para dizer isso.” O juiz interrompe para apoiar a acusação e diz que as acusações de tortura já tinham sido rejeitadas antes no caso. Não podiam ser reintroduzidas. “Mas eles torturaram-me!”, diz o velho. “Torturaram o meu neto à frente dos meus olhos. Bateram-lhe nos testículos e puseram-lhe eléctrodos no corpo. Puseram-lhe uma máscara para o impedirem de respirar. Violaram-no com uma garrafa. Depois trouxeram a minha neta e disseram que a violariam. Diziam a toda a hora Osama bin Laden, Osama bin Laden. Nós somos camponeses pobres de Andijon. Somos bons muçulmanos, mas o que é que sabemos sobre Osama bin Laden?” A voz do velho torna-se cada vez mais elevada e ao mesmo tempo mais trémula até que desfalece. O juiz decide que a ligação do prisioneiro a Osama bin Laden não estava em dúvida. Afinal, os dois homens tinham-na confessado.

Murray diz: “Já tinha visto o suficiente. Essas três horas nos tribunais tiveram um profundo efeito em mim. Se estes eram os nossos aliados na Guerra ao Terror, nós não estávamos nos terrenos morais transparentes que Blair e Bush alegavam tão gabarolamente.” Murray intitula o primeiro capítulo do seu livro de “Despertar”.

Os EUA, a Grã-Bretanha e os direitos humanos

Como Blair e Bush tinham proclamado que a invasão do Afeganistão tinha a ver com direitos humanos e democracia, Murray enviou um telegrama para Londres, dando uma descrição detalhada do que tinha visto e explicando a situação geral no Uzbequistão. Pediu ao governo Blair e à União Europeia que protestassem contra a extracção de informações sob tortura e a utilização dos seus resultados nos tribunais.

Para sua grande surpresa, Murray recebeu uma resposta do Ministério dos Negócios Estrangeiros instruindo-o de que não deveria interferir porque a informação tinha sido obtida por um “serviço de segurança amigo” através de um “briefing de detido”. Na linguagem diplomática, percebeu ele, isso significava que a tortura era feita sob o comando e para benefício da CIA, que provavelmente tinha entregado os homens às forças de segurança uzbeques para fazerem o seu trabalho sujo. O Secretário britânico dos Negócios Estrangeiros, Jack Straw, e o chefe do MI6 (os serviços secretos militares britânicos) classificaram a informação de “operacionalmente útil”, significando que era útil para justificar a invasão de países em nome da “guerra ao terror”. Se a informação era verdadeira ou não, isso era tão irrelevante para os Negócios Estrangeiros como a forma como fora extraída. Era feita para consumo público. Como veio a perceber depois, o que se passava não era o governo uzbeque estar a enganar os EUA e a Grã-Bretanha, mas os EUA e a Grã-Bretanha estarem a usar a tortura para obterem resultados que justificassem a ideia de os EUA estarem a expandir as bases aéreas no Uzbequistão e a construírem ligações ao governo de Karimov para o defenderem contra a Al-Qaeda.

Murray acreditava que essas coisas iam contra o que ele achava serem os “nossos interesses”, por “minarem fatalmente a nossa posição moral”, o que “promoverá o terrorismo islâmico”. “Se Karimov está do ‘nosso’ lado”, tentou ele explicar aos seus superiores, “então esta guerra simplesmente não pode ser entre as forças do bem e do mal. Deve ter a ver com coisas mais complexas, como assegurar a presença militar norte-americana a longo prazo no Uzbequistão... Eu penso que eles [os EUA] estão a seguir na direcção errada. Temos que os avisar dos perigos de que nos apercebemos.”

Talvez o que mais o chocou foi que o seu governo não partilhava as suas preocupações. Quando as tentou expor, foi impedido em todas as suas tentativas. Os Negócios Estrangeiros disseram-lhe que esses “interrogatórios” eram legais e que qualquer outra questão para além disso, como a moralidade, não era da sua conta. Numa segunda comunicação aos Negócios Estrangeiros em 2003, ele protestou: “Recebemos, através dos EUA, informação obtida pelos serviços secretos uzbeques. Deveríamos parar. É, de qualquer forma, informação sem valor. Os patetas torturados são obrigados a assinar confissões que mostram o que o governo uzbeque deseja que os EUA e a Grã-Bretanha acreditem, que nós e eles estamos a combater a mesma guerra contra o terror. Sei que uma recente reunião interdepartamental em Londres considerou a questão e decidiu continuar a receber o material. Isso é errado em termos morais, legais e práticos. Dificulta os meus esforços para conseguir que o governo uzbeque pare a tortura; eles estão inteiramente conscientes de que a nossa comunidade de serviços secretos absorve os resultados.”

No ano seguinte, o director executivo da Freedom House [Casa da Liberdade], uma organização baseada em Washington que diz defender os direitos humanos, disse-lhe que tinham decidido deixar de criticar o regime de Karimov devido, segundo as palavras de Murray, “à necessidade de promover a liberdade no sentido mais lato, dando todo o apoio às forças dos EUA e da coligação.” Também os europeus decidiram evitar criticar Karimov.

Ao contrário dos seus antecessores – os diplomatas de carreira que se contentavam em receber vinho e jantares na capital do regime de Karimov – Craig viajou milhares de quilómetros pelo Uzbequistão. Além de Samarcanda e das principais províncias, visitou cidades distantes e pequenas aldeias para aprender mais sobre as pessoas que viviam sob o regime de Karimov. Falou com organizações de direitos humanos, professores do ensino universitário e secundário, estudantes, artesãos e gente comum de todos os estratos sociais. Encontrou corrupção, abuso e opressão. Por vezes, tomou os problemas nas suas próprias mãos, desafiando as autoridades locais do regime. A revolta camponesa de Andijon foi um exemplo disso: Depois do colapso da União Soviética, as terras de que o governo era proprietário foram distribuídas individualmente entre os camponeses de Andijon. Os camponeses trabalharam duramente para as tornarem férteis. Quando a terra ficou mais produtiva, o regime exigiu-lhes que a devolvessem ao governo. Os camponeses recusaram. Os homens de Karimov queimaram as colheitas dos camponeses. Craig viajou para investigar a situação e confrontou as autoridades locais pela sua punição colectiva dos camponeses de Andijon.

O tráfico de drogas

Além de descobrir essas ditas “capitulações extraordinárias” e o uso da tortura, Murray descobriu que o regime de Karimov tinha uma parceria com o general afegão Abdul Rashid Dostum no tráfico de heroína em Termez através da Ponte da Amizade, construída durante a invasão soviética do Afeganistão. O controlo nominal das operações antinarcóticos dos EUA, da Grã-Bretanha e da Europa no Uzbequistão, todas a colaborar com o regime de Karimov, tinha falhado miseravelmente em fazer algo sobre o problema – e isso ainda hoje é verdade.

Murray escreveu: “Uma área onde o regime de Karimov foi protegido pela sua aliança com os Estados Unidos foi a do tráfico de narcóticos. Os Estados Unidos, a Alemanha e o Reino Unido, bilateralmente, e a ONU e a União Europeia, todos investiram dinheiro no controlo dos narcóticos. Em Termez, onde a Ponte da Amizade cruza para o Afeganistão, eles forneceram aos serviços alfandegários uzbeques todo o tipo de equipamento moderno, desde cães farejadores a enormes aparelhos de raios-X que conseguem esquadrinhar contentores inteiros... Mas se alguém permanecer aí durante algum tempo, começará a reparar nas caravanas de Mercedes de janelas fumadas e camiões militares de seis toneladas que são desviadas para um trilho que circunda as instalações aduaneiras e que nunca são paradas. Elas transportam 40% da produção de heroína do Afeganistão. A maior parte é depois colocada em fardos de algodão e enviada por via-férrea até ao Báltico, para Riga e São Petersburgo, para ser depois embarcada rumo à Europa.”

Murray acrescenta: “O lado afegão deste tráfico é controlado pelo General Dostum, líder da Aliança do Norte. Esta Aliança, apoiada pelos EUA, fez o grosso da ocupação do terreno contra os talibãs, seguindo no rastro dos bombardeamentos norte-americanos de saturação.” O General Dostum “tinha uma predilecção por amarrar os seus oponentes às lagartas dos tanques e pô-los depois em movimento e por encerrar prisioneiros em contentores metálicos sob um calor abrasador e deixá-los assar até à morte. Por isso tem o mesmo tipo de problema de imagem que o Presidente Karimov. Os veículos que nunca são revistados e circulam entre Dostum e o regime uzbeque trazem narcóticos e levam armas, dinheiro e produtos químicos para o fabrico da heroína.”

A ligação norte-americana e britânica a Dostum e o seu pelo menos passivo apoio ao tráfico de drogas diz muito sobre as necessidades norte-americanas e tem objectivos mais vastos para a região. Pode-se dizer que a heroína é a cola que une a “coligação de vontades” regional que os EUA agruparam para servir esses objectivos. Dostum, tal como o próprio Karimov, foi um apoiante da URSS, um desses “comunistas ateus” contra quem os EUA haviam recrutado pessoas como Osama bin Laden quando a derrota da superpotência rival era a principal preocupação norte-americana. Com o colapso da URSS e a ascensão do fundamentalismo islâmico a principal obstáculo aos planos norte-americanos para o domínio regional, gente como Karimov e Dostum simplesmente mudaram de lado.

Para invadirem o Afeganistão, os EUA não o poderiam fazer sem dois elementos vitais que o tráfico de narcóticos comprou. Um foi a gigantesca base aérea de Karshi-Khanabad, no sul do Uzbequistão, antes usada pela URSS e que, depois de renovada pelo empreiteiro norte-americano Haliburton, se tornou no quartel-general da invasão liderada pelos EUA. O outro elemento foram as forças mercenárias afegãs que fizeram a maior parte da luta terrestre contra os talibãs. O senhor da guerra afegão General Dostum, de etnia uzbeque, forneceu uma grande parte dos soldados que acabariam por tomar Cabul no meio dos enormes bombardeamentos norte-americanos e britânicos. A maioria da heroína vendida em todo o mundo vem do Afeganistão e esse tráfico de droga sustenta não só o regime de Karimov, mas também o regime de Hamid Karzai, instalado pelos EUA no Afeganistão. O General Dostum, que Karzai nomeou dirigente das forças armadas e Vice-Ministro da Defesa, é um dos principais pilares desse regime. Trata-se da mesma política da CIA de usar o tráfico de droga para fins políticos que os EUA utilizaram no Vietname e mais tarde na América Central.

Encobrindo os assassinatos

Quão longe estavam dispostos a ir os governos norte-americano e britânico para protegerem este tráfico de droga? Richard Conroy, chefe dos esforços antidroga da ONU no Uzbequistão, foi encontrado morto numa aeronave que se dizia ter colidido devido ao que as autoridades chamaram de erro humano. Os rumores indicavam que ele tinha sido assassinado. Uma pessoa de visita ao gabinete de Murray disse-lhe que o representante da ONU tinha recebido um tiro na parte de trás da cabeça e colocado no avião depois. Murray fez algumas investigações sobre o que aconteceu. Falou com um enviado britânico, Steve Brown, que esteve envolvido na identificação dos corpos nos escombros do avião.

Murray escreveu: “Chamei agora o Steve ao meu gabinete. Perguntei-lhe se ele tinha ouvido falar nos vários rumores sobre a morte de Richard Conroy. Tinha. Perguntei-lhe então se havia alguma coisa relacionada com os cadáveres que lhes pudesse dar credibilidade. Ele disse que havia duas coisas que não entendia. Quando ergueu a cabeça carbonizada do primeiro cadáver, o seu cérebro estatelou-se no chão. Ele teve de o apanhar e de o meter de volta no crânio... Com o cadáver seguinte tinha acontecido o mesmo e ele fez uma descoberta estranha. Faltavam as bases e as partes de trás de cada crânio, recortadas por algo similar a uma serra circular. Ambos ponderaram, mas não conseguiam pensar em nenhuma razão por que é que isso poderia ter sido feito durante uma autópsia. Eu tinha visto muitas fotografias de autópsias em Tachkent, mas nunca me tinha deparado com este procedimento. E aí a causa da morte era muito directa – o que poderiam eles esperar aprender com os recortes na parte de trás dos crânios?” Murray acrescenta: “Ponderámos. Para o dizer da forma mais ligeira, essa curiosa operação tornava impossível contestar a afirmação da minha visita sobre um tiro na parte de trás da cabeça. Mas, com a misteriosa ausência das partes de trás dos crânios, não se podia pura e simplesmente abandoná-la.”

O embaixador torna-se inimigo do império

Quando Murray tentou tornar esses factos conhecidos, agindo segundo os valores que o seu governo pretendia defender, descobriu que estava marginalizado. Os Negócios Estrangeiros iniciaram um processo disciplinar contra si. Segundo a sua própria descrição, ele fora um diplomata “bebedor de uísque e perseguidor de saias”, mas, diz ele, estava inocente dessas acusações disciplinares. Todas as acusações acabaram por ser anuladas, mas ele foi castigado por ter violado a Lei do Segredo Oficial, ao discuti-las. Foi afastado do seu posto depois de um artigo num jornal de Londres o ter citado sobre o que ele tinha visto e foi acusado de “muito má conduta” depois de ter aparecido num programa de notícias da televisão britânica.

O governo britânico tentou arduamente impedir a publicação de Assassinato em Samarcanda. Ele foi ameaçado com um processo por violação dos direitos de autor se usasse material produzido durante o mandato dele em Tachkent – incluindo a correspondência que ele próprio escreveu. Embora o livro tenha acabado por chegar à Grã-Bretanha, publicado na sua Escócia natal, o governo conseguiu censurar cerca de 15 documentos importantes, impedindo-os de aparecerem no livro. (A recente edição norte-americana inclui alguns deles.) Entretanto, as forças contra a guerra apoiaram o ex-embaixador, publicitando amplamente as acusações e denúncias dele e talvez salvando-o de uma mais drástica vingança governamental EUA/GB. Ele tornou-se num importante orador nos eventos contra a guerra. A primeira página dele na internet, e mais tarde outras, foram encerradas quando o governo britânico ameaçou processar os fornecedores internet por permitirem a divulgação de documentos oficiais sem autorização. Tem havido uma batalha de avança-e-recua, mas actualmente nenhuma das páginas dele na internet está acessível. Os documentos só estão disponíveis em páginas internet baseados fora da Grã-Bretanha, como dahrjamailiraq.com/murray/index.php. Para ver um vídeo de um discurso de Murray, vá a www.youtube.com/watch?v=eNAe9hK4Yqc. [NT: A página www.craigmurray.org.uk tem estado disponível.]

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese