A manifestação do 8 de Março em Bruxelas
25 de Fevereiro de 2008. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.

Aspecto de uma anterior manifestaçao organizada pela Karzar

No final de Janeiro foi noticiado que uma mulher afegã na Província de Loghman se tinha imolado no tribunal poucos minutos antes do veredicto. Segundo as autoridades locais, ela tinha recorrido ao tribunal devido a “problemas familiares” e pediu para se divorciar do seu marido abusivo. Aquilo a que ela assistiu naquela sala de audiências não lhe deixou nenhuma dúvida de que o veredicto ia ser contra si. Ela deve ter decidido então que não havia nenhuma forma de poder regressar a uma vida que, para ela, era pior que a morte. A “libertação” das mulheres foi uma das principais justificações para a ocupação do Afeganistão, que não teve nenhuma outra razão de ser que não fossem os interesses dos imperialistas. As mulheres continuam a não ter nenhum direito e são fortemente discriminadas por leis enormemente influenciadas pela lei islâmica.

Isto não é verdade apenas no Afeganistão, mas também no Irão, no Iraque, no Paquistão e em muitos outros países do terceiro mundo, sobretudo nos governados ou influenciados por líderes religiosos.

É por isto que há cerca de três anos foi criada a “Campanha das Mulheres pela Abolição de toda a Legislação Misógina e com Base no Género e das Leis Penais Islâmicas contra as Mulheres do Irão” (Karzar) por activistas iranianas no exílio. A campanha tem sido apoiada por centenas de revolucionários e progressistas iranianos e internacionais que estão descontentes com a discriminação contra as mulheres no Irão e noutros países islâmicos.

Aspecto de uma anterior manifestaçao organizada pela Karzar

Este ano, para o Dia Internacional da Mulher (8 de Março), a Karzar está a trabalhar com o Partido Socialista de Esquerda da Bélgica para organizar uma manifestação pelas ruas de Bruxelas, sede da União Europeia. A manifestação começará às 13h, frente à embaixada dos EUA (27, Boulevard du Régent). Os manifestantes mostrarão a sua oposição a um possível ataque contra o Irão liderado pelos EUA e exporão a hipocrisia norte-americana sobre o seu apoio aos direitos das mulheres, pelo que pode ser visto no Iraque ocupado pelos EUA, onde a legislação antimulheres tem sido uma característica central dos governos instalados pelos EUA.

Depois, a manifestação passará pelo Parlamento Europeu para exprimir a sua oposição a esse bando de potências imperialistas. Seguirá então para a embaixada da República Islâmica do Irão, onde os manifestantes mostrarão a sua oposição à opressão das mulheres e às leis severamente discriminatórias. A manifestação terminará na Universidade de Bruxelas (UBL), onde oradores de diferentes países e organizações falarão sobre a opressão das mulheres e o Dia Internacional da Mulher.

A força dessa manifestação é que embora proteste contra a brutal opressão das mulheres pelo regime iraniano e outros fundamentalistas islâmicos, opõe-se claramente a qualquer intervenção norte-americana contra o Irão ou qualquer outro país da região e do mundo. A manifestação também salientará que não são apenas as mulheres iranianas ou afegãs que são oprimidas e discriminadas, mas também as mulheres dos países imperialistas em geral, como a Bélgica, a França, os EUA e outros, onde as mulheres podem ter conquistado a igualdade perante a lei mas continuam a ser discriminadas pela sociedade e pelo sistema e ainda sofrem a supremacia masculina. Isto mostra que remover leis discriminatórias não é o fim mas apenas o início da batalha pela libertação das mulheres.

O texto que se segue inclui excertos da convocatória dessa manifestação. Para mais informações, contacte: karzar2005@yahoo.com ou http://www.karzar-zanan.com/.


Dia Internacional da Mulher – A escolha é nossa! A escolha é tua!

Cartaz da manifestação de 2007

A 8 de Março de 2008, nós queremos proclamar: “Basta!” Já não podemos tolerar o inferno criado pelos sistemas patriarcais, do Kosovo ao Iraque, do Afeganistão às Filipinas, dos EUA a França e Inglaterra, da Turquia e Irão ao Paquistão.

O ano que deixámos para trás foi um ano amargo para a maioria das mulheres do mundo:

Apesar de todas as atrocidades, as mulheres do Irão, do Iraque, do Curdistão, da Turquia e do Afeganistão não foram silenciadas. No coração do Médio Oriente, as mulheres iranianas esforçam-se por enviarem notícias das suas lutas contra o regime misógino e religioso do Irão às forças progressistas do mundo inteiro. Elas tentam ligar a corrente das suas lutas ao mar global da luta das mulheres.

Os regimes reaccionários dos EUA e do Irão, cada um deles oferece-nos uma versão diferente do inferno: seja a morte por apedrejamento, a forca, o véu obrigatório e a violação pelos “Guardas Revolucionários” do Irão, ou, como no Iraque, um regime apoiado pelos EUA e seus aliados, imposto através de sanções económicas e bombardeamentos e ataques militares – com a óbvia escravização das mulheres. Devemos permitir que as fileiras do movimento das mulheres sejam estilhaçadas pela terrível opção entre os imperialistas e o regime islâmico reaccionário do Irão? Ou devemos confiar nos 28 anos de experiência, conhecimento e lutas das mulheres iranianas que provam que essas duas posições hostis são as duas versões do mesmo sistema patriarcal e antimulheres e que qualquer apoio a uma irá inevitavelmente fortalecer a outra?

Conseguiremos comunicar às pessoas de todo o mundo as reivindicações da maioria das mulheres iranianas que estão determinadas a conquistar um futuro independente do regime islâmico e das forças patriarcais dos EUA e seus aliados? Conseguiremos ser as portadoras da notícia positiva de que as mulheres iranianas escolheram um caminho independente da ordem mundial reaccionária dominante?

A escolha é nossa! A escolha é tua!

A 8 de Março, estaremos nas ruas para proclamarmos a nossa escolha: Estamos determinadas a escrever novas páginas na história contemporânea do Irão, conquistando a nossa emancipação e igualdade. As nossas reivindicações mínimas são a abolição de todas as leis bárbaras e desiguais contra as mulheres, incluindo a execução por apedrejamento, o uso obrigatório do véu e o apartheid dos sexos. Estamos determinadas a conquistar o direito ao divórcio, a manter as nossas crianças depois do divórcio, a conquistar o controlo total sobre os nossos corpos, o direito a escolher os nossos parceiros, seja como heterossexuais ou lésbicas, e a eliminar qualquer controlo ou interferência religiosa nos vários aspectos da vida das mulheres. Exigimos a libertação e a emancipação das mulheres de qualquer opressão e exploração. Estas reivindicações só são realizáveis com o derrube do regime islâmico do Irão.

A presença de cada uma de nós na manifestação do 8 de Março reforçará as nossas reivindicações e a nossa determinação em conquistarmos essas reivindicações.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese