Jena, Luisiana, EUA:
Levantamento de massas contra a opressão racial
24 de Setembro de 2007. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.
|  |
| (Foto: Getty
Images / Chris Graythen)
|
“Nada
semelhante a este movimento – nada semelhante ao seu espírito,
mobilização ou determinação – havia sido visto há muito tempo.” Foi
assim que o jornal Revolution descreveu a vaga de dezenas de
milhares de pessoas, predominantemente afro-americanos que se
manifestaram na pequena cidade de Jena, no Luisiana, a 20 de
Setembro, contra as tentativas das autoridades para mandarem para a
prisão seis jovens negros por se terem oposto à supremacia branca.
Nesse dia, decorreram outras manifestações de apoio em cidades e vilas
em muitas zonas do país, muitas delas organizadas por estudantes do
ensino secundário e universitário que, no último minuto, se baseavam
na Internet e na rádio.
Há um ano atrás, no início do período escolar, um estudante negro
pediu autorização ao director da escola secundária de Jena para se
sentar à sombra da árvore situada à frente da escola, um local que até
então tinha sido considerado “apenas para brancos”. No dia
seguinte, apareceram penduradas da árvore três cordas com laços, um
símbolo da tortura e do linchamento por turbas brancas que foi usado
para manter os negros “no seu lugar” depois de a escravidão ter
sido oficialmente abolida há quase um século e meio atrás – uma
prática terrorista que se intensificou no início do século XX,
persistindo nessa forma durante muitas décadas, e que continua hoje
sob outras formas. É um ícone dos dias em que aos descendentes dos
escravos era negado sequer uma aparência de igualdade e em que, de
facto, eram assassinados por a exigirem.
|  |
| (Foto:
Washington Post)
|
Como contou depois ao
jornal maoista a mãe de um dos jovens que ficariam conhecidos como os
“6 de Jena”, “Nós sentimo-nos como se os brancos estivessem a
dizer: ‘Bem, se se sentarem debaixo dessa árvore, vamos enforcar-vos.’
Foi assim que nós, enquanto negros, nos sentimos, embora os brancos
tenham dito que era uma brincadeira. Como podia ser uma brincadeira
quando algo semelhante foi feito aos negros durante anos?”
Pouco depois dessa ameaça de linchamento, um grupo de estudantes
negros permaneceu debaixo da árvore num acto de protesto. As
autoridades locais ameaçaram punir os estudantes negros. Após uma
série de provocações violentas contra os jovens negros, começou uma
luta no pátio da escola que deixou um estudante branco momentaneamente
inconsciente. (Mais tarde, os seus pais deram uma entrevista a um
jornal declaradamente supremacista branco.) Seis estudantes
afro-americanos dessa escola foram detidos e acusados de conspiração
para cometer assassinato.
A maioria deles passou meses na cadeia. O único que chegou a
julgamento até agora, Mychal Bell, foi condenado e mandado para a
prisão. Agora com 17 anos, ele tem estado na prisão desde Dezembro
passado, mesmo após um tribunal superior ter anulado essa condenação a
14 de Setembro. Os outros cincos jovens continuam sob ameaça de
acusação. As suas famílias têm sido intimidadas e ameaçadas de morte.
O FBI e as autoridades nacionais enviaram agentes a Jena que
declararam as detenções e os julgamentos como “não irregulares”.
|  |
| (Foto: Damon
Winter/The New York Times)
|
Foi isso
que motivou tanta gente a vir apoiar os 6 de Jena. O protesto foi
amplamente descrito como resultado de “um trabalho de organização
de base” que trouxe gente que afluiu à cidade em autocarros,
carrinhas, automóveis e motorizadas, vindos dessa zona do sul dos
Estados Unidos e de tão longe quanto Nova Iorque e a Califórnia. O
jornal Revolution, porta-voz do Partido Comunista
Revolucionário dos EUA, escreveu: “Tinha sido passada a palavra
para se ‘vestir roupas negras’ e quase toda a gente trazia t-shirts
negras. Em todo o lado para onde se olhasse, havia grupos de pessoas
reunidas – usando as t-shirts originais que tinham feito e
transportando sinais de fabrico caseiro, expressando a luta pela
Libertação dos 6 de Jena: ‘Basta!’, ‘Abaixo o Jenacídio’, ‘Libertem os
cativos’, ‘Vão à raiz do problema’, ‘Os Seis de Jena fizeram o que era
correcto’, ‘Seis de Jena, Harlem apoia-vos’, ‘O nó está solto, roupa
sem algemas, Liberdade para os Seis de Jena’, ‘Não há lugar para o
racismo’... À medida que as pessoas regressavam a casa, havia um
verdadeiro sentimento de que tinha sido feito história. Muitas pessoas
estavam a falar sobre como isto era o início de algo que era
necessário há muito tempo, o início de um novo movimento.”
A situação tem-se tornado mais intensa desde então. Tem havido uma
contra-ofensiva reaccionária contra as reivindicações das massas. Na
mesma altura em que os manifestantes se agrupavam nessa tarde para se
dirigirem à vizinha cidade de Alexandria, jovens racistas brancos num
camião com cordas penduradas na traseira passaram repetidamente por
eles. Duas pessoas que estavam no camião foram presas. Aparentemente,
um deles tinha as letras “KKK” tatuadas no tórax e era de uma família
envolvida na organização violentamente supremacista branca Ku Klux
Klan. No dia seguinte, um juiz recusou-se a libertar Mychal Bell da
prisão sob fiança.
|  |
| (Foto: Damon
Winter/The New York Times)
|
O jornal
Revolution escreveu: “Não se trata apenas de Jena. Trata-se
de tudo – da forma como este sistema engole tantos jovens negros e
de outras minorias, e de tudo o resto que eles têm imposto às massas
durante anos e anos a fio. E trata-se de um facto: a única coisa que
até agora tem impedido estes jovens de serem total e injustamente
condenados (enviados para a prisão sem muitas preocupações com uma
aparência de legalidade), e que tem conquistado algumas concessões
iniciais, tem sido a força das massas em luta.” Mas, continuava o
jornal, as massas precisam de se questionar “por que é que coisas
como esta continuam a acontecer”. Um editorial concluiu: “O povo
não pode permitir que esta injustiça vença. O povo tem que impedir,
através de acções políticas de massas, esta imposição violenta da
supremacia branca e impedir mais outro caso de jovens negros que
desaparecem nos calabouços do sistema. Os 6 de Jena devem ser
libertados. E tudo isto tem que se tornar parte de um crescente
movimento revolucionário.”