CCPOMSA apela aos povos da Ásia do Sul a se oporem à crescente intervenção da classe dominante indiana nos países vizinhos
13 de Agosto de 2007. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.

Reproduzimos de seguida um comunicado à imprensa publicado pelo Comité Coordenador dos Partidos e Organizações Maoistas da Ásia do Sul (CCPOMSA) datado de 25 de Junho de 2007.

A classe dominante indiana procura obter um domínio total dos países da Ásia do Sul, agindo como gendarme dos EUA nessa região. Na Cimeira da SAARC (Associação de Cooperação Regional da Ásia do Sul) em Abril, chegaram mesmo a propor um Parlamento da Ásia do Sul, tentando minar a limitada soberania que ainda existe nos países da Ásia do Sul. Antes, tinham proposto uma moeda comum para a região, de forma a consolidarem ainda mais a hegemonia económica da Índia na região. Na Cimeira da SAARC continuaram a fazer pressão a favor da sua SAFTA (Associação de Livre Comércio da Ásia do Sul) para dominarem os mercados da região e permitirem um fluxo sem restrições dos bens produzidos na Índia (sobretudo os das empresas dos grandes compradores e das transnacionais) para todos os países da Ásia do Sul.

O CCPOMSA apela à dissolução da SAARC e ao estabelecimento de genuínos fóruns de relações entre os povos dos países da Ásia do Sul.

Nos últimos tempos, os governantes indianos têm intervindo ainda mais brutalmente nos assuntos internos dos países vizinhos e esmagado ainda mais brutalmente as aspirações à autodeterminação nacional dos povos de Caxemira, Naga, Manipur, Assam, etc.

No Nepal, têm desempenhado um papel activo com o objectivo de dissiparem as aspirações democráticas do povo nepalês e promoverem os elementos reaccionários, tentando isolar os maoistas. Têm instigado o povo madhesi da região do Terai (as planícies meridionais do Nepal) contra os maoistas, em coligação com o monarca nepalês. Os fundamentalistas hindus têm estado particularmente activos na criação de bandos de vigilantes dedicados ao assassinato de activistas, como aconteceu em Gaur, onde foram mortos 28 maoistas. Recentemente, esses bandos assassinaram um membro do Comité Central da LJC (Liga da Juventude Comunista) na região do Terai, em conjunto com um outro camarada. Ultimamente, o embaixador indiano tem deambulado activamente pelo interior do Nepal, oferecendo grandes somas de dinheiro para escolas, hospitais, estradas, etc., de forma a afastar as massas da influência dos maoistas. Além disso, os paramilitares indianos têm atingido a tiro e matado nepaleses de origem butanesa, (para os impedir) de regressarem à sua pátria, e têm estado completamente envolvidos na conspiração dos EUA para deslocarem 60 000 refugiados para o Ocidente para uma forma de trabalho escravo dos dias modernos. Os imperialistas norte-americanos e os governantes indianos têm estado a trabalhar para promoverem os reaccionários e neutralizarem os maoistas.

O CCPOMSA condena energicamente o papel dos governantes indianos no Nepal e exige que deixem de se intrometer nos assuntos do Nepal e que o povo indiano leve à justiça os bandos assassinos que operam ao longo da fronteira nepalesa.

No Bangladesh, os governantes indianos não só apoiaram abertamente o seu comparsa Sheikh Hasina, como utilizaram o actual governo no poder, apoiado pelo exército, para pressionarem a favor de gigantescos negócios para as grandes empresas compradoras indianas. Tentaram ajudar os Tata (um grupo capitalista monopolista indiano) a fazerem aí investimentos massivos e ultimamente os Mittal (um internacionalmente poderoso monopólio indiano do aço) a assinarem um gigantesco acordo no sector da energia no Bangladesh. O embaixador indiano tem trabalhado activamente no país, ao lado do embaixador dos EUA, nos acordos entre os vários partidos políticos e o governo no poder.

O CCPOMSA exige que as extensas riquezas naturais do Bangladesh, um país de grande pobreza, sejam utilizadas para o desenvolvimento do seu próprio país e não roubada pelos compradores indianos e pelos imperialistas norte-americanos.

No Sri Lanka, eles ameaçaram abertamente o governo, quando este tentou comprar armas à China e ao Paquistão. Os governantes indianos já impuseram humilhantes acordos de livre comércio ao Sri Lanka. Também têm ajudado sub-repticiamente o governo do Sri Lanka a esmagar as justas aspirações do povo tâmil a um Tamil Elam.

O CCPOMSA exige a anulação de todos estes acordos desiguais e apoia a justa luta do povo tâmil pela sua autodeterminação das botas cardadas das classes dominantes indianas.

Além disso, os governantes indianos continuam a manter e a apertar o seu controlo viciante sobre os pequenos países da região como o Butão, o Siquim, as Maldivas, etc., e continuam as suas tentativas de intimidação do Paquistão, jogando a carta do Caxemira. Em particular, continuam a manter à força as nacionalidades oprimidas pela hegemonia indiana. O exército de ocupação indiano não só esmaga as suas justas reivindicações com uma extrema brutalidade, como têm instigado um sector do povo contra o outro para afogarem as suas justas lutas em oceanos de sangue. Isso acontecerá em Nagaland, Manipur, Assam, Caxemira e noutros lugares.

O CCPOMSA exige que os povos dessas nacionalidades oprimidas possam determinar o seu próprio futuro e exige a retirada imediata e total do exército e das forças paramilitares indianas de toda essas regiões.

A Ásia do Sul tornou-se num abrasador caldeirão de movimentos revolucionários, democráticos e das nacionalidades. O CCPOMSA apoia todos esses justos movimentos e apela aos povos da Ásia do Sul para que se unam contra o seu inimigo comum e não caiam presas das políticas de divisão dos governantes e dos seus protectores na região, os imperialistas norte-americanos.

1) Partido Proletário do Purba Bangla (CC) – PBSP (CC) [Bangladesh]
2) Partido Comunista do Bengala Oriental (Marxista-Leninista) (Bandeira Vermelha) – PCBO(ML)(BV) [Bangladesh]
3) Partido Comunista do Bangladesh (Marxista-Leninista) – BSD(ML) [Bangladesh]
4) Partido Comunista do Butão (Marxista-Leninista-Maoista) – PCB(MLM) [Butão]
5) Partido Comunista da Índia (Maoista) – PCI(M) [Índia]
6) Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) (Naxalbari) – PCI(ML)(Naxalbari) [Índia]
7) Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista-Maoista) – PCI(MLM) [Índia]
8) Partido Comunista do Nepal (Maoista) – PCN(M) [Nepal]

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese