Realizado o Congresso Revolucionário Canadiano
11 de Dezembro de 2006. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.

Reproduzimos de seguida um artigo do número especial de 1 de Dezembro da Arsenal-Express, uma publicação do Partido Comunista Revolucionário do Canadá (comité organizador).

Os activistas políticos, em representação de camaradas de várias cidades e províncias de todo o país, que se reuniram em Montreal no Congresso Revolucionário Canadiano (CRC) no passado fim de semana deram o seu entusiástico apoio à fundação do Partido Comunista Revolucionário, cujo estabelecimento iminente coroará mais de seis anos de luta do PCR(co).

O PCR(co) tomou a iniciativa de convocar este Congresso em Fevereiro passado com o objectivo de reunir o maior número possível de revolucionários proletários em torno de um projecto simultaneamente simples e exigente: a construção dessa ferramenta indispensável ao desenvolvimento da luta revolucionária do proletariado canadiano, um partido marxista-leninista-maoista ligado ao movimento comunista internacional.

A reunião em Montreal de activistas de muitas cidades, não só do Quebeque mas também do Ontário e de tão longe como o Canadá Ocidental, escondidos dos olhos e dos ouvidos da burguesia e das suas forças de segurança, representa uma vitória em si mesmo, testemunho da seriedade com que todas essas forças fundadoras levaram a cabo a preparação do Congresso. De facto, para os que desejam pôr fim ao capitalismo e ao imperialismo e participar na grande luta pela libertação da humanidade de todas as formas de opressão e exploração, nada é mais importante que levar a cabo essa batalha essencial da edificação de um partido revolucionário.

Que contraste com o espectáculo mediático organizado na mesma altura no congresso do Partido de Solidariedade do Quebeque, de Françoise David, que procura “melhorar o sistema” participando no jogo parlamentar burguês e reforçando as velhas e obsoletas instituições em que se baseia o domínio da grande burguesia canadiana! Quem assistiu ao Congresso Revolucionário Canadiano tinha um objectivo muito diferente e muito mais vasto: não a criação de “mais um partido” para alongar a lista de participantes nas próximas eleições, mas a edificação de um partido que venha a ser o braço político do proletariado revolucionário, um partido que venha a ser a soma de todas as nossas capacidades – ideológicas, políticas, organizativas e de combate – e cujo objectivo e determinação sejam lutar até ao fim, por outras palavras, até à concretização do comunismo a nível mundial. Algumas pessoas poderão achar este programa altamente ambicioso! Mas poderemos nós realmente permanecer imóveis e assistir à forma como o capitalismo leva a humanidade para a sua destruição – e com uma crescente ferocidade?

Dois congressos independentes realizados ao mesmo tempo mas diferentes em todos os sentidos. Eles representaram duas perspectivas e dois mundos totalmente opostos: o velho mundo capitalista e imperialista, cujo prazo expirou, e o novo mundo comunista cuja tarefa é a libertação do proletariado e de todos os oprimidos.

Obviamente conscientes da sua responsabilidade histórica e da sua modesta posição, mas solidamente enraizados nos séculos de luta do proletariado mundial, as mulheres e os homens que participaram no Congresso começaram por fazer um minuto de silêncio em memória dos que deram as suas vidas pela causa do comunismo e que caíram em combate depois da realização do primeiro congresso do PCR(co) há três anos. De salientar entre eles os nossos dois jovens camaradas da região de Mont-Laurier, no Quebeque, “Bridge” e “Montevarius”, que perderam a vida na primavera de 2004 num trágico acidente ocorrido quando realizavam o trabalho político que a organização lhes tinha atribuído, bem como o camarada Sunil do Partido Comunista do Nepal (Maoista) com quem tivemos o grande privilégio de nos reunir e trabalhar apenas alguns dias antes de os disparos de artilharia de um helicóptero do Exército Real do Nepal o terem assassinado em Novembro de 2005; o camarada Zhang Chungqiao – um extraordinário revolucionário do século XX que dirigiu a Grande Revolução Cultural Proletária ao lado de Mao e da sua camarada Jianq Qing e que morreu depois de passar mais de 20 anos encarcerado pelos revisionistas, sem nunca renunciar aos seus ideais comunistas; e os nossos queridos camaradas do Partido Comunista Maoista da Turquia e Curdistão do Norte que, como é bem conhecido, foram emboscados e massacrados pelas forças de segurança do estado turco em Junho de 2005.

Depois da apresentação do relatório introdutório pelo Comité Político de Correspondência do CRC, os representantes de cerca de 15 organizações – comités organizadores do PCR, grupos de simpatizantes e organizações de massas como a Frente Vermelha da Juventude – deram as suas perspectivas sobre o actual estado da luta de classes e a fundação do Partido Comunista Revolucionário. Alguns fizeram-no com base na sua própria análise, enquanto outros levantaram não só os seus pontos de unidade como também as questões colocadas pela linha estratégica e pelo programa do PCR(co). Contudo, todos saudaram a formação do PCR e enfatizaram que constituía um grande passo em frente não só para os revolucionários do Canadá como também para o proletariado do mundo inteiro.

Também a assistir ao Congresso Revolucionário Canadiano estiveram apoiantes do Partido Comunista (Maoista) do Afeganistão, do Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista), do Partido Comunista das Filipinas e do Comité Coordenador Continental Bolivariano que trouxeram saudações das respectivas organizações. Também foram recebidas mensagens de solidariedade vindas de Itália, do Iraque, do Bangladesh e da Colômbia.

A mensagem do Partido Maoista afegão, por exemplo, foi recebida com enorme entusiasmo pelos participantes que lhe deram uma espontânea ovação em pé. Como salientava a mensagem, durante os últimos meses, as tropas canadianas, actuando em conjunto com outras forças da NATO comandadas por um general canadiano, cometeram assassinatos em massa de civis afegãos. A mensagem acrescentava: “Ousamos acreditar que a vossa exposição destes crimes ajudará a desencadear um poderoso movimento de massas dentro desse bastião imperialista que é o Canadá que contribuirá para o desenvolvimento da luta revolucionária e proletária no vosso país.”

Os participantes no Congresso também foram informados de uma importante mensagem do Comité do Movimento Revolucionário Internacionalista [CoMRI], que agrupa partidos e organizações maoistas a nível mundial. Ao mesmo tempo que salientava que a fundação de um partido comunista revolucionário de vanguarda no Canadá representa um importante passo em frente, o CoMRI também fez questão de recordar que “com isso vem a responsabilidade de se fundarem na teoria revolucionária, de terem a certeza, para usar a analogia de Mao, de que estão a escolher as setas certas e a assegurar que elas atingem o alvo”. Além disso, o internacionalismo proletário requer que a revolução no Canadá esteja firmemente ancorada no objectivo de emancipar toda a humanidade. O internacionalismo não pode ser reduzido a uma versão mais ou menos militante do tipo de solidariedade que os povos espontaneamente estendem uns aos outros; a questão é construir o partido do proletariado canadiano como parte integrante do movimento comunista internacional com base no facto de que o proletariado é uma única classe mundial.

Isso foi reforçado por uma camarada que falou em nome do Comité Central do PCR(co). Depois de um rápido esboço da história das lutas entre as duas linhas que impulsionaram o punhado de comunistas revolucionários que constituíram o PCR(co) até à fase em que hoje está, ela explicou: “Toda esta acumulação de experiência, com os seus avanços e recuos, leva-nos a reafirmar estas palavras simples de Mao: é preciso um partido revolucionário para se fazer uma revolução. E, da mesma forma, também reiteramos as palavras igualmente simples de Lenine: sem teoria revolucionária não pode haver partido revolucionário. Essa teoria revolucionária, esse guia para a acção, está concentrada no marxismo-leninismo-maoismo. Hoje, temos que tornar essa teoria viva no Canadá e aplicá-la na prática revolucionária com o objectivo da tomada do poder político à burguesia canadiana pelo proletariado... [Reticências no original] Hoje, apelamos a todos os revolucionários do Canadá para assumirem essa responsabilidade, para assumirem connosco esta tarefa que torna numa necessidade urgente a edificação de uma organização que encarnará a unidade dos revolucionários e a defesa do MLM e do programa que nele se baseia.”

No final do Congresso, os participantes adoptaram quatro resoluções quase por unanimidade, com algumas abstenções.

A primeira resolução dizia respeito à fundação do PCR. Depois de um certo número de considerações, o texto diz: “Nós, os participantes no Congresso Revolucionário Canadiano, apoiamos de todo o coração a fundação iminente do Partido Comunista Revolucionário. Pretendemos divulgar a fundação do PCR e popularizá-la entre a população do Canadá, em tantas cidades quanto possível, entre o proletariado e os grupos e redes de activistas. Desta forma, pretendemos, com orgulho e entusiasmo, levar avante as lutas dos pobres e dos proletários do Canadá contra o poder político da burguesia imperialista. Faremos tudo o que pudermos, numa realidade quotidiana, para transformarmos o nosso apoio numa poderosa iniciativa das massas proletárias. Apoiemos o PCR e, a começar desde já, espalhemos por todo o Canadá o mais vasto movimento de luta pelo socialismo que o país alguma vez conheceu!”

A segunda resolução apoiava o desenvolvimento do Movimento Revolucionário Internacionalista “como força de reunião de todos os revolucionários do mundo”. A terceira reafirmava o apoio dos revolucionários canadianos ao Partido Comunista do Nepal (Maoista) na sua “luta revolucionária para que tenha êxito na criação, com a ajuda do povo nepalês, de uma verdadeira Nova Democracia que lhe permitirá destruir o velho estado e construir um novo em que o povo exercerá o poder sob a direcção do partido para continuar a luta pelo socialismo e o comunismo.” Finalmente, a última resolução apresentada ao Congresso para aprovação apelava a um segundo Congresso Revolucionário Canadiano em 2008 em Toronto, como parte dos esforços para alargar o trabalho do novo partido a todo o país.

O Congresso chegou ao fim cantando A Internacional em todos os idiomas falados pelos activistas que nele participaram.

Os textos das alocuções ao Congresso, incluindo o relatório do Comité Político de Correspondência e a alocução do Comité Central do PCR(co), bem como as mensagens de solidariedade dos partidos e organizações marxistas-leninistas-maoistas, serão publicados dentro de algumas semanas numa edição especial da revista Le Drapeau Rouge, bem como na página internet do PCR(co).

Durante as próximas semanas, o PCR(co) basear-se-á nos resultados deste Congresso e no balanço do seu próprio trabalho durante os últimos seis anos para levar a cabo as transformações necessárias para o estabelecimento do novo Partido Comunista Revolucionário.

Apelamos a todos os revolucionários proletários de todo o Canadá, incluindo os participantes, directa ou indirectamente, na iniciativa do Congresso Revolucionário Canadiano, a ocuparem o seu lugar neste combate e a assumirem a necessária luta política e ideológica que nos permitirá finalmente armarmo-nos com essa ferramenta que é indispensável para a mobilização das massas na luta pela revolução e pela causa do comunismo!

(Os documentos do Congresso, incluindo a mensagem do CoMRI, estão disponíveis em www.pcr-rcpcanada.org)

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese