“A corrente da violência contra as mulheres vem de há milhares de anos e é mais que tempo que atravessemos todas as fronteiras e cheguemos a todo o mundo”
27 de Novembro de 2006. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.

Um número muito alargado de forças num cada vez maior número de países marcou o dia 24 de Novembro como Dia Internacional Para Acabar com a Violência Contra as Mulheres. Nessa ocasião, a Organização de Mulheres 8 de Março (Irão-Afeganistão) publicou o seguinte folheto:

Enquanto os soldados norte-americanos violavam em bando uma menina iraquiana de 14 anos chamada Abeer e depois a queimavam viva, também em Neka, uma pequena aldeia no norte do Irão, ardia o coração da tia de Atefeh. Atefeh tinha apenas 15 anos quando os seus assassinos islâmicos a enforcaram depois de a terem violado.

Enquanto os senhores da guerra islâmicos do Afeganistão apedrejavam Amina até à morte, o horror da chuva de pedras fazia o coração de Hajieh tremer na prisão de Jolfa no Irão. Noutra prisão iraniana, Khyrieh implorava: “Não me apedrejem, prefiro que me enforquem.”

Enquanto os jovens patriarcalistas de um subúrbio de Paris pegavam fogo a Sohane, de 18 anos, a jovem Marjan de 16 anos queimava-se viva no Irão para evitar casar com um homem tão velho como o seu avô. Um pouco depois, Sumara no Paquistão morria porque tinha sido queimada na maior parte do seu corpo. Morreu sem dizer que tinha sido o marido a fazer-lhe isso.

Enquanto Kolsum, uma menina somali de 7 anos, era circuncidada, o seu grito entrelaçava-se com os gritos de dor de Maryam, de 9 anos, na noite do seu casamento, quando a sua boneca lhe foi tirada para longe e ela se tornou noiva.

Sindisou tem SIDA. Alguns homens violaram-na repetidas vezes. Quando tinha 3 anos, o seu avô violou-a. Na mesma altura, Fadima, na Suécia, foi morta pelo pai e pelo irmão.

Marie Trintignant morreu depois de ter sido espancada pelo namorado, um famoso cantor francês. Pouco depois, Nadia, uma poetisa afegã, foi assassinada pelo marido. Mais ao menos na mesma altura Lisa e Joyce nos EUA foram violadas e depois assassinadas por desconhecidos.

Enquanto Natalie esperava por clientes num bordel-janela em Amesterdão, um navio carregado com um batalhão de escravas sexuais estava ancorado em Hamburgo.

Enquanto centenas de milhares de mulheres perdiam as suas vidas durante os anos em que os EUA e os seus aliados impuseram sanções ao Iraque, milhões de mulheres em África perdiam as suas vidas devido à guerra ou às consequências da guerra e as suas irmãs eram violadas aos milhares por soldados na Bósnia.

A corrente internacional de violência tem unido milhões de mulheres. Uma violência que mais de três mil milhões de mulheres em todos os cantos do globo sofrem diariamente. Nas cidades, nas aldeias, em casa ou no trabalho, nas ruas... Uma corrente que está ligada de um dos lados ao Estado e do outro à violência doméstica.

A corrente da violência contra as mulheres vem de há milhares de anos e é mais que tempo que atravessemos todas as fronteiras e cheguemos a todo o mundo.

Se a luta e a resistência das mulheres tem feito estremecer as grilhetas da violência em todo o mundo, a beligerância descontrolada do capital e da nova ordem mundial tem aumentado a sua extensão e a sua intensidade. A pobreza, a morte, a doença, a fome, o analfabetismo, a escravidão e o desemprego no mundo de hoje apertaram mais que nunca as grilhetas da violência à volta das nossas mãos e pernas.

Mas, à medida que esta violência se torna cada vez mais globalizada, também a luta e a resistência das mulheres estão a assumir uma dimensão crescentemente internacional. Ouvimos os ecos da luta e da resistência de cada uma a grande distância e os nossos corações batem mais rapidamente. Somos inspiradas pelas lutas umas das outras e sentimo-nos orgulhosas e encorajadas pelas nossas vitórias. Qualquer progresso que uma mulher faça em qualquer parte do mundo é uma vitória nossa.

À medida que nós mulheres nos tornamos mais conscientes, percebemos que essa violência é uma ferramenta nas mãos do sistema patriarcal de classes, usada para estabelecer e consolidar a nossa subjugação. Também percebemos que essa violência não é controlável a menos que acabemos com o estado de subordinação das mulheres. O domínio imposto sobre as mulheres não desaparecerá pacificamente, porque a guardá-lo está o poder do sistema patriarcal de classes. A libertação das mulheres depende do derrube do sistema reaccionário dominante no mundo.

Aqui estamos milhões de nós, com fortes ligações entre nós, prontas para estilhaçarmos as grilhetas da nossa opressão e escravidão históricas e para estabelecermos as fundações para que uma sociedade sem opressão nem exploração possa ser construída. Temos que acelerar rapidamente os nossos passos, porque estamos atrasadas. O tempo está a bater à nossa porta.

(Para mais informação: www.8mars.com)

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese