O 1º de Maio e outras manifestações no Canadá
8 de Maio de 2006. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.

1º de Maio em MontrealO texto que se segue contém excertos de um artigo da Arsenal-Express, a newsletter electrónica do Partido Comunista Revolucionário do Canadá (Comité Organizador) (www.pcr-rcpcanada.org) e de um artigo de um apoiante do Movimento de Resistência Popular Mundial - Winnipeg (www.wprmwinnipeg.blogspot.com).

Montreal

Cerca de 250 pessoas responderam ao apelo do PCR(CO) e saíram à rua em Montreal para comemorar o Dia Internacional dos Trabalhadores. A nossa organização convocou uma “manifestação revolucionária e internacionalista” depois de se saber que os grandes sindicatos tinham decidido mudar a manifestação do 1º de Maio para o dia 29 de Abril.

1º de Maio em MontrealOs manifestantes concentraram-se à noite no bairro de Park-Extension. Com as suas dezenas de comunidades étnicas, o bairro de Park-Extension está entre os mais pobres do país e reflecte a actual realidade do proletariado multinacional do Canadá.

Antes de partirem, os manifestantes, alguns dos quais viajaram várias centenas de quilómetros para participarem na manifestação, ouviram um representante da Frente Vermelha da Juventude (RYF, www.frontrouge.org), que denunciou o destino que o capitalismo reserva aos jovens proletários. Apontando o exemplo dos jovens franceses que, no Outono passado e recentemente, se mobilizaram nas cités contra a lei que permite o despedimento de trabalhadores com menos de 26 anos sem justa causa durante os seus dois primeiros anos de trabalho, o camarada declarou que os jovens têm direito a se revoltarem e têm um mundo a ganhar na luta pelo socialismo, se se juntarem ao proletariado.

A seguir, um representante da Organização Filipina da Juventude, Kabataang-Montreal, condenou a recente subida ao poder nas Filipinas do governo de Gloria Macapagal-Arroyo e a detenção ilegal e arbitrária do Congressista Crispin Beltram que foi injustamente acusado de “terrorismo” pelo regime reaccionário. Os jovens da comunidade filipina apoiam activamente o movimento revolucionário do seu país de origem – um movimento que luta pela democracia e pelo fim do domínio imperialista.

1º de Maio em MontrealDepois, uma activista do PCR(CO) leu o comunicado do 1º de Maio do Comité do Movimento Revolucionário Internacionalista, em francês e em inglês. No final, o nosso camarada François Thibault, que participou na 1ª Brigada Internacional de Construção de Estradas no Nepal revolucionário, salientou a necessidade de construção do estado-maior general da revolução – o nosso partido comunista revolucionário que dirigirá a luta pelo socialismo e o comunismo. Sublinhando que “a tarefa de organizar a revolução pertence aos revolucionários e a mais ninguém”, o porta-voz do PCR(CO) convidou todos os manifestantes a assumirem essa responsabilidade e a, no próximo Outono, participarem no Congresso Revolucionário Canadiano.

Embora modesta, a manifestação foi significativa por mais de uma razão: ao nos manifestarmos sob a bandeira da revolução e do internacionalismo proletário no mesmo dia em que milhões de outras pessoas também o fazem em todo os cantos do mundo, expressamos claramente a nossa determinação em lutar até ao fim pela eliminação do capitalismo e pela construção de uma nova sociedade livre de qualquer forma de exploração e opressão: uma sociedade comunista.

Winnipeg

O Movimento de Resistência Popular Mundial - Winnipeg organizou uma manifestação no 1º de Maio, integrada numa série de protestos que teve lugar durante uma semana contra a Operação Bisonte em Carga, um exercício de treino das Forças de Reserva canadianas em Winnipeg, Manitoba (Canadá central). O MRPM-Winnipeg divulgou o seguinte comunicado:

“Iremos aceitar a opressão dos povos do mundo pelas forças armadas do nosso governo? Aceitaremos a guerra ao ‘terrorismo’ que é feita em nosso nome e que eles dizem que irá durar várias gerações? Aceitaremos a guerra no Afeganistão e sustentaremos uma teocracia que claramente não serve os interesses das massas? Ou o derrube de um governo eleito no Haiti? Aceitaremos o papel que o Canadá tem no mundo? Não! Temos de resistir! Canadá fora do Haiti e do Afeganistão! Mobilizemo-nos nas escolas e nos locais de trabalho!!!”

Um dos muitos protestos contra a Operação Bisonte em Carga foi o passeio de bicicleta de 3 de Maio, promovido pelo grupo Massa Crítica. Quando o contingente de mais de 50 pessoas em bicicleta se aglomerou na Praça do Antigo Mercado, 12 viaturas policiais e numerosos polícias em bicicleta pareciam ser um presságio do que estava para acontecer. O grupo tinha andado de bicicleta ao longo de apenas três quarteirões quando três pessoas foram presas por alegadas infracções viárias.

O passeio prosseguiu ao longo da Avenida Portage, dirigindo-se então para norte, rumo ao Camp Pioneer, onde viria a ter lugar uma outra série de confrontos. Quando nos aproximámos das viaturas militares, o grupo gritou muito energicamente: “Soldados para casa! Canadá fora do Haiti! Fora do Afeganistão!”

No Camp Pioneer, os manifestantes alinharam-se frente à vedação e começaram a acenar às tropas. Os ciclistas eram mais numerosos que os polícias, empurrando-os contra a vedação no passeio. A polícia começou a tirar as pessoas para fora do passeio e das suas bicicletas. Prenderam quatro pessoas e tentaram levar outras sem o conseguirem. As pessoas resistiram agarrando-se aos seus companheiros e gritando aos soldados e à polícia.

É este o tipo de democracia que as tropas estão a ser treinadas a impor? Por que é que, se é pela liberdade que eles estão a lutar, não vieram em socorro dos manifestantes? Claramente, é porque estão a ser treinados para travar guerras injustas contra os povos do mundo – e não para proteger as pessoas quando elas estão a ser reprimidas pela polícia.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese