As mortes nos deslizamentos de terras nas Filipinas não são um desastre “natural”
27 de Fevereiro de 2006. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.

O seguinte artigo apareceu no Arsenal-Express, uma publicação noticiosa electrónica em francês que representa os pontos de vista do Partido Comunista Revolucionário (Comité Organizador) do Canadá (www.pcr-rcpcanada.org).

Enquanto no Canadá todos os olhos estavam apontados para o desempenho dos “nossos” atletas nas Olimpíadas de Inverno em Turim, toda a comunicação social canadiana ignorava uma horrível catástrofe que ocorreu a 17 de Fevereiro nas Filipinas, quando um deslizamento de terras tragou literalmente a aldeia de Guinsaugon, situada na ilha de Leyte, no leste das Filipinas. Edificada num dos lados de uma montanha, a aldeia desapareceu sob um leito de lama tão espesso que chegou a ter dez metros nalguns lugares. Quarenta e oito horas depois, apenas tinham sido encontrados 57 sobreviventes das cerca de 1857 pessoas que aí viviam.

Segundo a agência noticiosa Associated Press, a catástrofe ocorreu “depois de duas semanas de chuvas incessantes que antes tinham tornado necessário evacuar a aldeia”. Mas o que a princípio poderia realmente parecer tratar-se de outro desastre natural não o foi. Não teve nada a ver com qualquer “acto de Deus” e poderia ter sido evitado se as Filipinas tivessem seguido um modelo diferente de desenvolvimento.

As inundações e os deslizamentos de terras já tinham matado cerca de 6000 pessoas na mesma ilha em Novembro de 1991. Mais recentemente, em 2004, desastres semelhantes atingiram outras partes das Filipinas. Em cada um deles, a causa subjacente foi a desflorestação em massa do país. Os lenhadores cortaram tantas árvores que são poucas as que mantêm as encostas no lugar.

Num comunicado à imprensa, os maoistas do Partido Comunista das Filipinas salientaram a responsabilidade das gigantescas multinacionais estrangeiras mineiras e madeireiras e dos seus parceiros filipinos locais que não têm nenhuma hesitação quanto à destruição do meio ambiente. Apesar das repetidas exigências do povo filipino para que o governo aja para travar essa destruição injustificável, o governo liderado pela marioneta dos EUA Gloria Macapagal-Arroyo sempre fez tudo o que essas companhias multinacionais lhe diziam. Ela deu-lhes mesmo o apoio do exército para impedir qualquer protesto contra a sua presença.

Os resultados dessa atitude criminosa foram tornados ainda piores pela lentidão com que as autoridades enviaram ajuda. Depois de horas de uma espera interminável, o regime decidiu finalmente chamar os fuzileiros norte-americanos que ocupam o país. Isto mostra quanto o país é dominado pelo imperialismo norte-americano.

A direcção do Partido Comunista das Filipinas, por sua vez, emitiu imediatamente um apelo a todas as forças revolucionárias e democráticas, incluindo os combatentes do Novo Exército Popular, para proporcionarem toda a ajuda possível (alimentos, medicamentos e outros produtos semelhantes) aos sobreviventes e para levarem a cabo operações de salvamento. Também apelou a todos os movimentos de massas do país para incrementarem a luta contra a pilhagem e a destruição do meio ambiente pelos capitalistas estrangeiros. Além disso, o partido apelou a todas as organizações revolucionárias, incluindo aos órgãos locais do novo poder democrático, para tomarem todas as medidas necessárias para estabelecerem políticas de desenvolvimento amigas do ambiente com base no fim do domínio estrangeiro e da defesa dos interesses fundamentais do povo filipino.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese