Grã-Bretanha: Mais repressão em nome da “segurança”
18 de Julho de 2005. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.

Uma sórdida proposta está a ser apresentada aos britânicos: esqueçam as principais causas dos dois atentados bombistas de Londres, apelam Blair e os seus ministros, tudo o que realmente importa agora é mais segurança para vocês e os vossos – e a única maneira de a assegurar é reforçar a polícia. Agora, as mesmas forças que antes fizeram florescer fanáticos reaccionários como Osama bin Laden para os seus próprios fins e iniciaram uma guerra injusta pelo petróleo e pelo império, que toda a gente sabia que se iria repercutir no país, querem agora aparecer como os protectores do povo.

Blair atacou os “terroristas” por utilizarem o “sacrifício de inocentes” para os seus próprios fins – ao mesmo tempo que ele e os seus ministros aproveitavam os atentados, utilizando-os cinicamente como pretexto para continuar a guerra, para mais mortes no estrangeiro e para mais repressão no país. Vejamos os factos: será que as várias medidas de “segurança” que o governo britânico introduziu – os vários milhares de novos agentes do MI5, o armamento de cada vez mais polícias que já vai em 10% de toda a polícia britânica, a Lei Antiterrorista (ATA) e muito mais – tornou de alguma forma as pessoas mais seguras, ou será que, em vez disso, foram apenas usadas sobretudo para reprimir a resistência contra o governo e para tornar a Grã-Bretanha mais próxima de um estado policial? Das 700 pessoas presas antes dos recentes atentados ao abrigo da ATA britânica, apenas uma foi condenada por cometer um crime relacionado com o “terrorismo”, ao mesmo tempo que a Secção 60 da ATA foi usada literalmente centenas de vezes para intimidar manifestantes que as autoridades sabiam perfeitamente nada terem a ver com terrorismo. Ela foi recentemente usada contra muitas centenas de manifestantes anti-G8. Não é verdade que o principal objectivo a longo prazo da proposta de bilhetes de identidade de alta tecnologia e de outras medidas “antiterroristas” é impor um mais apertado controlo tipo Big Brother sobre toda a população?

Entre as medidas que agora foram enviadas ao Parlamento para “aprovação rápida” estão:

• Novos poderes generalizados para deter suspeitos de “terrorismo” durante três meses sem qualquer acusação, em vez do actual limite de 14 dias. Isto iria muito mais longe no restabelecimento das infames políticas de “internamento” que foram usadas contra a rebelião irlandesa.

• Poderes para fechar páginas internet e o novo delito criminal de usar a internet para preparar actos terroristas, tudo parte da “supressão do uso indevido da internet”. Uma lista de pessoas proibidas de entrar na Grã-Bretanha incluirá quem escrever na comunicação social impressa ou inserir na internet artigos ou textos que o governo britânico considere inaceitáveis.

• Tornar delito criminal a “recusa de cooperação” em dar à polícia acesso total a ficheiros informáticos codificados. Embora a polícia não tenha conseguido dar um único exemplo de alguma vez em que um ficheiro informático codificado tenha sido usado num ataque terrorista, a codificação é normalmente usada por defensores de direitos humanos e por muitas pessoas e empresas que não querem que o seu correio electrónico seja lido, bem como por revolucionários de todo o mundo.

A 17 de Julho, o Ministro do Interior Charles Clarke anunciou que além de enviar legislação para aprovação rápida para criar um bilhete de identidade obrigatório, o governo estava a introduzir uma cláusula que cria o crime de “incitação indirecta de actos terroristas”. Caso houvesse alguma confusão sobre se isto representa um importante passo em direcção a um estado policial, Sir Falconer, responsável do ministério para os assuntos legais, explicou à comunicação social que isso significava “atacar os valores ocidentais”. Os comentadores do Partido Trabalhista na comunicação social disseram que isso resultaria sem dúvida em “clérigos islâmicos radicais” serem enviados de volta a países onde provavelmente poderiam ser encarcerados ou mesmo torturados, mas que isso era algo “com que deveríamos aprender a viver”. Presumivelmente, a tortura é agora um dos “valores comuns” que Blair acha que os cidadãos britânicos deveriam acolher abertamente (uma vez que tem sido praticada há muito tempo pelos EUA e pela Grã-Bretanha através de países seus protegidos, mas que até agora tinha sido parcialmente escondida dos olhos dos cidadãos).

Criar legislação que criminaliza o “ataque aos valores ocidentais” também indica quão amplamente o governo pretende alargar as suas redes policiais. Vale a pena salientar que o ANC, o movimento de resistência de Nelson Mandela, foi considerado “terrorista” durante a era Thatcher, sobretudo porque lutava contra um governo apoiado pela Grã-Bretanha, o regime sul-africano de apartheid. Há todas as razões para pensar que mais cedo ou mais tarde – e provavelmente mais cedo – o governo britânico usará essas leis para criminalizar o apoio a genuínos movimentos nacionais de libertação e às lutas revolucionárias estrangeiras.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese