Recebemos o seguinte comunicado que, apesar de datar de há mais de um ano e da escassa informação sobre a sua origem, decidimos reproduzir pela sua importância.

Declaração de Fundação da
Organização Maoista Revolucionária Iraquiana

A Organização Maoista Revolucionária Iraquiana (OMRI) é uma organização marxista-leninista-maoista revolucionária internacionalista que visa organizar as lutas teórica e armada de forma a fazer a revolução socialista e instaurar a ditadura do proletariado. Também visa cumprir as tarefas de construção de uma sociedade socialista humanista e de um mundo civilizado. O nosso objectivo é pôr fim à exploração e escravidão do homem pelo homem, romper as cadeias e as grilhetas dos que produzem a paz e o pão e que constituem a classe operária. O único caminho para a salvação e a libertação dessa escravidão de classe da burguesia e do capitalismo local e internacional é a luta intelectual para educar a nossa classe operária e o campesinato sobre a desigualdade e a clara escravidão do género humano pelo capitalismo imperialista, bem como educá-los sobre a iniquidade da ocupação anglo-americana e dos fantoches iraquianos que a ela estão ligados, quer sejam fanáticos sectários, nacionalistas, líderes tribais, baathistas, islamitas políticos, ou – mais perigosamente – a esquerda revisionista oportunista que age como agente da burguesia e dos norte-americanos. A mesma esquerda que antes colaborou com o regime baathista fascista de Saddam está agora a colaborar com a ocupação.

Além de trabalhar para propagar uma consciência política de classe, o nosso movimento tem o seu braço militar, e por conseguinte uma luta armada, concretizada na Guerra Popular que inclui os operários, os camponeses, os desempregados e os seus aliados entre os estudantes, as mulheres, os sindicatos, os conselhos de operários e as organizações e intelectuais revolucionários.

O nosso movimento tem estado, e continua a estar, presente nas terras da Mesopotâmia e tem levado a cabo orgulhosas e heróicas batalhas contra os invasores e os seus fantoches, contra a sua polícia, exército e aparelho de segurança mercenários que são lacaios de Mussad, dos EUA, do Irão e das criminosas milícias sectárias. Nós sacrificámos os nossos mais honrados e glorificados camaradas que têm honrosa e orgulhosamente caído como mártires do espírito patriótico iraquiano, do movimento comunista revolucionário iraquiano, da nossa classe operária iraquiana e do campesinato iraquiano e dos seus princípios e aspirações à justiça e bem-estar, à independência nacional, económica, social e cultural e à libertação das mulheres iraquianas da injustiça e da desigualdade social.

A nossa Organização Maoista Revolucionária deu alguns dos seus melhores quadros, heróis imortais entre os quais está o nosso líder, um intelectual comunista revolucionário, o nosso imortal camarada mártir ELWAN. Apesar dos seus grandes sucessos académicos, ele tornou-se num exemplo de proletário, pelo que as forças malévolas o assassinaram usando os seus aterradores métodos habituais. A sua vida deixou de pulsar, mas a revolução nunca deixou de vibrar com a sua história imortal que ele deixou como herança revolucionária aos camaradas que prosseguem no caminho dele. Outro camarada mártir, o camarada proletário ABO ESHTAR, um quadro que aderiu à faísca da revolução proletária armada, era membro fundador da OMRI e membro do seu Politburo. O nosso heróico e imortal camarada mártir JANGOZ (IBRAHIM ALI), um quadro de vanguarda, um intelectual proletário que se ergueu corajosamente contra o odiado sectarismo, os nazi-nacionalistas e os conflitos étnicos. Como opositor da invasão imperialista do Iraque e de outras zonas do mundo, ele defendeu a tocha da luta de classes dos operários até ser expulso do seu emprego de conferencista universitário e ser forçado a trabalhar com trabalhadores manuais. O nosso camarada foi um destacado membro da FRENTE ESTRELAS VERMELHAS maoista, um camarada cuja perda nunca poderá ser reparada, sobretudo nestas circunstâncias excepcionais. A nossa organização perdeu muitos dos seus quadros revolucionários de vanguarda que se destacaram ao nível da liderança, bem como ao nível da actividade intelectual. A OMRI também perdeu muitos dos seus guerrilheiros; além dos anteriormente mencionados está o camarada FAHAD, membro do comité para as tarefas adicionais. Os bandos putrefactos, criminosos, fascistas e racistas de Jaafari e Maliki, apoiados pelas forças militares e pelos especialistas imperialistas anglo-americanos e pelos bandos de Mussad, assassinaram o nosso camarada dirigente.

Símbolo do braço armado da OMRI,
Frente Estrelas Vermelhas Revolucionárias


Os nossos heróicos camaradas revolucionários da FRENTE ESTRELAS VERMELHAS (FEV) maoista revolucionária iraquiana levaram a cabo várias operações militares contra as forças de ocupação e a estrutura do regime fantoche (exército, polícia e serviços de segurança). Entre essas operações estiveram a OPERAÇÃO SPARTAKUS (Revolta de Libertação dos Escravos) a 26 de Outubro de 2005 e as duas outras operações revolucionárias PÃO e PAZ na terça-feira, 2 de Março de 2006.

A 18 de Março de 2006, em Samaraa, o nosso camarada NEWROZ (REZGAR MOHAMMAD), estudante universitário, foi preso num cruzamento quando estava acompanhado da sua esposa. O nosso camarada foi sujeito aos mais selvagens e ferozes métodos de tortura às mãos de mercenários da frente fascista composta pelos sectários Guardas Nacionais, pelos porcos “Pesh Marga”, pelos lobos da BADER, pelos restos do Partido Baath e pelos serviços secretos iranianos. Glória ao nosso herói mártir, o camarada Rezgar Mohammad!

A 19 do mesmo mês, foi preso o camarada AHWAR, trabalhador manual desempregado, que foi sujeito à mesma tortura selvagem. Tal como o camarada Rezgar, ele ergueu-se heroicamente contra os seus covardes e imundos torturadores. No mesmo dia em que o camarada Rezgar se tornou mártir, a 20 de Março de 2006, também se tornou mártir o camarada AHWAR.

A OMRI está presente entre as fileiras do povo, do proletariado, do campesinato, dos estudantes, das mulheres, das organizações sindicais e de trabalhadores e dos intelectuais do Iraque. A nossa actividade política é clandestina devido à situação que a ocupação nos impôs e devido à política antipopular dos seus agentes nazi-fascistas. Nós declaramos claramente que trabalhamos completamente em segredo com um aparelho de segurança para assegurar a continuidade da nossa actividade política defendendo os princípios comunistas revolucionários, bem como para assegurar a protecção e o fortalecimento do nosso braço armado, permitindo aos nossos camaradas expandirem a nossa frente, a FEV, uma frente de um imortal heroísmo reconhecido nacional, regional e internacionalmente.

Apesar da nossa organização ter sido, e ainda ser, clandestina e independente e de não ter nenhuma ligação organizativa ao Reagrupamento de Revolucionários Marxistas-Leninistas Iraquianos (RRMLI), esta última tomou a iniciativa e sugeriu uma coordenação entre nós ao nível da informação e da comunicação social. Infelizmente, o RRMLI explorou essa coordenação à custa da luta dos nossos camaradas conscientes, daqueles que participaram no estabelecimento do nosso movimento de guerra popular do proletariado iraquiano, a FEV. Não podemos desperdiçar esta oportunidade de saudar o nosso camarada HAMORABI, pelo seu heróico papel revolucionário de vanguarda ao abraçar a estratégia armada do Marxismo-Leninismo-Maoismo, uma estratégia seguida pelos nossos imortais mártires nesta longa marcha; o seu profundo conhecimento do Marxismo-Leninismo-Maoismo e das circunstâncias excepcionais do Iraque na actual fase, uma fase de ocupação norte-americana que precisa de um estudo e de uma análise da luta de classes e das classes que têm interesse em se libertarem da exploração de classe e da ocupação imperialista e das que o não têm.

A partir dessa análise, pode deduzir-se a palavra de ordem estratégica que representa os objectivos do movimento maoista iraquiano. Lenine disse correctamente: “Ao longo da história, todas as classes que quiseram vencer tiveram que ter entre as suas fileiras dirigentes políticos, representantes de vanguarda capazes de organizar o movimento e de o dirigir”. E acrescentou: “Os dirigentes efectivos e experientes do partido forjam-se lentamente e com dificuldade. Sem isso, a ditadura do proletariado e a sua unidade de vontade não são mais que vazias de qualquer significado.” Por isso, os marxistas-leninistas vêem o partido revolucionário como um verdadeiro estado-maior do proletariado; esse partido tem que resolver correctamente a relação entre os dirigentes e o partido, as classes, as massas e as organizações segundo os princípios do Centralismo Democrático. Esse partido tem que ter um núcleo dirigente relativamente estável composto por dirigentes experientes capazes de manter a unidade entre a verdade universal do Marxismo-Leninismo-Maoismo e a prática diária da revolução. Esses dirigentes emergem da luta de classes e do movimento revolucionário do povo, e quer sejam membros do Comité Central ou dos Comités locais do Partido, são absolutamente leais ao seu sangue e carne, as massas. Esses dirigentes têm a capacidade de exprimirem em concreto a vontade das massas e colocarem coerentemente as suas ideias em prática. Esses dirigentes são verdadeiros representantes das massas. O Partido Comunista da China sempre salientou a teoria marxista-leninista no que diz respeito ao papel das massas e dos indivíduos na história, à relação entre os dirigentes e o partido, as classes e as massas e à ligação dessas relações com o princípio do Centralismo Democrático dentro do partido.

Os nossos camaradas tornados mártires planearam o trabalho entre as massas, bem como o programa político, prático e teórico, adoptando a estratégia da luta armada para derrotar o inimigo capitalista, interno e externo, uma estratégia baseada na psico-tecnologia: a utilização da comunicação social para debilitar psicologicamente o inimigo de classe. Porém, o RRMLI quis impor a sua vontade sobre as nossas decisões e os nossos artigos publicados na DISCUSSÃO MODERNA, bem como na sua página na internet. A maioria desses artigos foi escrita por Quadros Políticos da OMRI, apesar das alterações, omissões e erros que fizeram sem nos consultar. Além disso, enviámos-lhes muitos artigos que se recusaram a publicar sem darem qualquer justificação. Apesar dessa prática, nós decidimos não expor esses actos e tivemos em conta a situação política e prática dos nossos camaradas na OMRI e no seu braço armado FEV, bem como a situação do nosso heróico povo iraquiano, uma situação determinada sobretudo pela opressão e escravização da nossa classe operária e camponesa.

Nós decidimos, apesar de tudo isto, que era impróprio expor a descortesia e o comportamento de não-camaradagem de que não beneficiam a luta comunista revolucionária nem a classe operária e camponesa local e internacional. Não procuramos atacar abertamente aqui os camaradas do RRMLI, não é esse o nosso objectivo aqui. Porém, gostaríamos de salientar o facto de que estivemos, e ainda estamos, no terreno, presentes em todos os aspectos da luta: teórico, social, económico e militar. Há uma diferença, a de que nós estamos presentes nas terras da Mesopotâmia e não apenas nas páginas da internet. Nós compreendemos a realidade tal como ela é no terreno e não como é mostrada nos canais de televisão por satélite e na internet. Nós não estamos a viver na Europa, a sonhar com a Revolução Socialista e a ditadura do proletariado sem ter qualquer camarada ou apoiante na pátria. Seguramente, isso seria um sonho que não se basearia numa análise dialéctica, numa análise marxista-leninista revolucionária.

Entretanto, os nossos camaradas que estabeleceram a FEV – que está a levar a cabo a guerra popular proletária maoista armada – estão actualmente a trabalhar, com espingardas aos seus ombros, para expandirem e desenvolverem a luta revolucionária, e portanto para desenvolverem a revolução proletária e a capacidade subjectiva de a levarem a cabo, bem como para elevarem os nossos métodos organizativos a um nível mais elevado em todas as áreas. Nós devemos ser um núcleo organizado e uma faísca da primeira revolução popular proletária maoista no Médio Oriente, uma vanguarda dos movimentos do Médio Oriente com todas as elevadas responsabilidades consequentes e tudo o que isso implica em termos de luta e combate. Nós percebemos que a nossa faísca tem brilhado no Médio Oriente e no mundo e que será o exemplo de uma firme aderência ao Marxismo-Leninismo-Maoismo revolucionário como vanguarda do oriente! Os nossos Quadros Políticos e a liderança da FEV mostraram ser fidedignas desde que desbravaram o caminho, na sua fase mais difícil, da primeira revolução popular proletária maoista armada iraquiana!

Nós sabemos que a nossa voz e a nossa luta atraíram a atenção dos governos nazis anglo-americanos de Jaafari e Maliki, o que explica as imundas conspirações fascistas que eles planearam com o objectivo de aniquilarem os nossos quadros e destruírem o nosso movimento. Porém, o nosso movimento está a crescer e a ficar cada vez mais forte e as suas escolas revolucionárias estão a competir. Essas escolas, que hoje estão a esmagar as conspirações fascistas, esmagarão amanhã o seu domínio sanguinário selvagem.

Por isso, porque continuaremos a nossa luta e manteremos aos nossos princípios, prometemos aos nossos mártires levar avante a causa e colocar em acção os seus testemunhos revolucionários como garantia de que aguentaremos as difíceis circunstâncias e que vingaremos o seu martírio.

Saudamos calorosamente o camarada HAMORABI pelo seu heróico papel de dirigente proletário revolucionário na fundação da nossa organização e do seu braço armado FEV.

VIVA O MARXISMO-LENINISMO-ESTALINISMO-MAOISMO!

VIVA O MOVIMENTO MAOISTA IRAQUIANO E INTERNACIONAL!

VIVAM ÔS OPERÁRIOS E OS CAMPONESES IRAQUIANOS!

VIVA O MOVIMENTO POPULAR PROLETÁRIO MAOISTA REVOLUCIONÁRIO ARMADO INTERNACIONAL!

HONRA E GLÓRIA AOS MÁRTIRES IMORTAIS DA ORGANIZAÇÃO MAOISTA REVOLUCIONÁRIA IRAQUIANA!

SAUDAÇÕES AOS MOVIMENTOS POPULARES ARMADOS NO NEPAL, FILIPINAS, ÍNDIA, COLÔMBIA, IRÃO, TURQUIA E PERU!

SAUDAÇÕES AOS COMUNISTAS MAOISTAS DE MARROCOS, SÍRIA, LÍBANO E GOLFO PÉRSICO!

VIVA A GUERRA POPULAR MAOISTA PROLETÁRIA IRAQUIANA!

VIVA A RESISTÊNCIA NACIONAL LIBANESA CONTRA OS INVASORES SIONISTAS ISRAELITAS E NORTE-AMERICANOS!

VIVA A RESISTÊNCIA DO POVO PALESTINIANO CONTRA OS CRIMINOSOS ATAQUES SELVAGENS ISRAELITAS!

Quadros Políticos da Organização Maoista Revolucionária Iraquiana

Frente Estrelas Vermelhas (http://rrsf.jeeran.com/)

15-Agosto-2006