O seguinte comunicado foi distribuído pelo CMA-J em preparação para a Jornada Global de Acção e Luta, que teve lugar a 18 de Março, por ocasião do terceiro aniversário da invasão imperialista do Iraque.

Todos à concentração pelo fim da ocupação do Iraque!
Solidariedade com a resistência iraquiana!

O CMA-J apela a uma mobilização em massa para a concentração que marca o terceiro aniversário da invasão do Iraque pelas forças imperiais dos agressores norte-americanos e seus aliados, a 20 de Março de 2003.

Uma invasão e ocupação que levaram à destruição total do país, da sua economia, da vida dos iraquianos comuns e à pilhagem das suas riquezas. Em vez das promessas de liberdade e auto-governo para o povo iraquiano, a este foi-lhe servido uma horrível ementa de miséria extrema, exploração sem limites, bárbaras torturas e maus-tratos. As mulheres sofrem agora uma discriminação como há décadas não conheciam. As minorias nacionais, em vez da autodeterminação, ficaram sujeitas à opressão das novas oligarquias locais, lacaias dos seus novos amos imperiais. Os jovens, obrigados ao desemprego, servem de carne para canhão dos novos opressores e das várias cliques religiosas em disputa pelo poder.

Apesar do atoleiro em que ficaram mergulhados no Iraque, os imperialistas norte-americanos e seus fiéis aliados britânicos continuam a sua política de interferência e destabilização da região, esperando no futuro vir a beneficiar da queda de regimes e do caos que geram na região. Esperam assim vir a controlar mais firmemente esta região de enorme importância pela sua posição estratégica e os seus recursos naturais. Para além do Afeganistão e do Iraque, a Palestina, a Turquia, o Líbano, a Síria e o Irão são os países que os EUA esperam vir a controlar e saquear directamente.

Sucessivos governos portugueses têm sido cúmplices destes actos criminosos. Barroso, Lopes e Sócrates foram a tríade que envolveu o nosso país nessa barbárie e como tal deve ser apontada. Mesmo que o envolvimento militar directo seja reduzido, os nossos governantes têm estado coniventes de alma e coração com esta política de agressão e guerra, nomeadamente envolvendo o território nacional e as suas bases.

Mas três anos de ocupação também foram três anos de resistência. O povo iraquiano tem demonstrado uma grande coragem ao opor-se à ocupação. Apesar do terror sistemático e organizado imposto pelos EUA em prisões como Abu Ghraib, e do genocídio terrorista contra populações inteiras, como na cidade mártir de Fallujah, os iraquianos têm-se recusado a cooperar com os invasores e resistem de todas as formas possíveis, confirmando a velha máxima de que "onde há repressão, há resistência".

O CMA-J é um dos subscritores do Apelo-Iraque que convoca a concentração do próximo sábado, dia 18, e apela à participação de todos nessa Jornada Global de Acção e Luta, que acontecerá simultaneamente em vários pontos do globo. Entre as outras acções previstas, incluem-se uma festa de solidariedade no dia 18, pelas 18h30, no Ateneu de Lisboa (Baixa) e concertos com músicos iraquianos exilados, no dia 19, no Rivoli (Porto, 17h) e no dia 20, no Fórum Romeu Correia (Almada, 21h).

- LIBERDADE PARA O POVO IRAQUIANO! FIM DA OCUPAÇÃO!

- DENUNCIEMOS A CUMPLICIDADE DO GOVERNO PORTUGUÊS!

14 de Março de 2006

Colectivo Mumia Abu-Jamal (CMA-J)
(e-mail: cmaj@mail.pt)