As forças “nacionais” de segurança do Afeganistão – mais um grande problema para o povo
17 de Novembro de 2008. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

Uma das principais preocupações das pessoas comuns desde a ocupação do Afeganistão tem sido a insegurança. Preocupação em serem mortas ou violadas ou ainda feridas ou detidas, preocupação consigo próprias, as suas famílias e vizinhos e com as pessoas em geral. Ouvimos frequentemente que a insegurança ficou pior desde a ocupação e muita gente diz que os perigos se tornaram muito piores nos últimos meses. Esta deterioração da situação surge apesar das mais de 70 mil tropas de ocupação no país, do esforço intensivo para construir um exército e forças de polícia “nacionais” e das muitas forças privadas afegãs (os grupos armados jihadistas) contratadas pelos ocupantes e pelo regime fantoche.

Recentemente, os comerciantes dos bazares da cidade ocidental de Herat – que está longe das zonas de guerra – entraram em greve contra o crescente número de sequestros, roubos e actos de extorsão de que têm sido vítimas. A página internet do serviço em persa da BBC noticiou que “o crescente número de incidentes de toma de reféns e de sequestros nas maiores cidades do Afeganistão, e particularmente na capital, Cabul, nos últimos meses, acrescentou uma nova dimensão às inquietações e preocupações das pessoas” (5 de Novembro de 2008). A maioria dos que exprimiram os seus pontos de vista sobre esse assunto acha que os bandos criminosos têm alguma relação com grupos da elite governante ou que, como dizem algumas pessoas, “a máfia no poder” está por trás deles.

As mulheres, sobretudo as adolescentes e jovens, têm tido muitas razoes de preocupação desde o início da ocupação. Embora algumas escolas para raparigas tenham sido reabertas depois da queda dos talibãs, a falta de segurança tem-nas colocado em perigo de serem violadas em grupo ou atingidas de outra forma a caminho da escola. O perigo é tão grande que menos de um terço das raparigas em idade escolar ousa ir às aulas.

O recente ataque (8 de Novembro) a alunas no bairro de Mirawais em Kandahar é um exemplo particularmente repugnante. Dois homens não identificados numa motocicleta usaram pistolas de água para atirar ácido de bateria às caras de um grupo de raparigas perto da escola secundária feminina de Nika. Elas eram facilmente identificáveis como alunas porque usavam todas uniformes escolares, incluindo lenços. Os homens arrancaram antes alguns dos lenços da cabeça das adolescentes para terem a certeza de que as suas caras seriam desfiguradas. As seis continuam hospitalizadas.

As mulheres, as crianças e os seus familiares em geral são frequentemente sequestrados e retidos para resgate. Na maioria desses casos, os executantes são membros dos antigos grupos jihadistas da era soviética agora empregados pelo governo. Muitos desses grupos foram integrados na polícia, outros são agora forças privadas de segurança subcontratadas, e por vezes operam independentemente. Há alguns meses atrás, o Presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, admitiu numa entrevista à revista alemã Der Spiegel que as forças estrangeiras, nas regiões de que são responsáveis, subcontratam a segurança a chefes armados locais notórios pelas suas atrocidades contra o povo durante os últimos 30 anos. O problema tem sido objecto de muitas manifestações nos últimos anos, incluindo um protesto frente à esquadra da polícia da cidade de Kandahar, onde os manifestantes acusaram a polícia de cumplicidade.

Esta situação tem sido uma grande desilusão para muitos milhares de afegãos que têm estado a regressar vindos dos campos de refugiados no Paquistão, Irão e outros países onde procuraram abrigo das guerras no seu país. Os que continuam a viver no estrangeiro são surpreendidos por novas restrições e mesmo pela prisão ou pior, cujo objectivo é expulsá-los. Apesar disso, alguns dos que regressaram ao Afeganistão partiram de novo e muitos mais estão a considerar essa opção.

Isto para não falar nos danos e perigos devido à guerra e aos ataques aéreos dos ocupantes e outros ataques às pessoas, bem como às atrocidades e à tirania religiosa que os talibãs estão a impor nas zonas onde o podem fazer, o que agora talvez seja metade do país.

Uma mensagem diplomática francesa codificada desviada para o semanário francês Le Canard Enchaîné citava o embaixador britânico no Afeganistão, Sherard Cowper-Coles: “A actual situação é má, a situação de segurança está a ficar pior, tal como a corrupção, e o governo perdeu toda a confiança... As forças estrangeiras são a tábua de salvação de um regime que sem elas rapidamente se desmoronaria.” (International Herald Tribune, 5 de Outubro de 2008)

Muitas das promessas dos invasores – os votos de que o seu objectivo era libertar e proteger as pessoas – mostraram ser falsas. A conferência de Bona de 2001 que desenhou o caminho dos imperialistas para a ocupação, uma reunião que teve lugar apenas alguns dias antes da queda do domínio talibã, decidiu que eles forneceriam o treino e o equipamento para um exército “nacional” de 70 mil homens e uma força “nacional” de polícia. Agora que essas forças de segurança se mostraram incapazes de ajudar os ocupantes a controlar o país, a solução dos ocupantes é tentar duplicar a dimensão do chamado exército afegão, ao mesmo tempo que tentam intensamente reforçar as suas próprias forças armadas no país. Contudo, tanto as tropas afegãs como as estrangeiras mostraram ser incapazes de garantir a segurança das pessoas e são, de facto, muitas vezes directa ou indirectamente parte do problema.

Mas o regime e os ocupantes não vão nem podem fazer melhor. Isto é tudo o que eles podem fazer e tudo em que se podem basear.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese