Protestos em todo o mundo marcam o 4º aniversário da invasão do Iraque
19 de Março de 2007. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.

Manifestações em dezenas de cidades de todo o mundo marcaram o quarto aniversário da invasão do Iraque encabeçada pelos EUA e que gerou centenas de milhares de mortes e uma situação cada vez mais de pesadelo para o povo iraquiano.

A maior acção teve lugar em Madrid, Espanha, onde entre 100 a 400 mil pessoas, segundo diversas estimativas, se manifestou através da cidade. O Partido Socialista (PSOE), no governo em Espanha, representou um importante papel nas manifestações nesse país onde a questão da submissão às ambições globais norte-americanas foi uma questão intensamente debatida nos círculos dominantes espanhóis. Muitas palavras de ordem e faixas denunciaram veementemente os infames “3 dos Açores” – o Presidente norte-americano George Bush, o primeiro-ministro britânico Tony Blair e o então PM espanhol José María Aznar, mais tarde afastado do governo, cuja cimeira nos Açores na véspera da invasão teve como objectivo mostrar um suposto apoio internacional à guerra. [Ao seu lado e também cúmplice estava o ex-primeiro ministro português e actual presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso – NT]. Os manifestantes e os oradores pediram que os três fossem levados a julgamento por crimes de guerra. Uma faixa gigante dizia: “Fim à ocupação, Fechem Guantânamo, Não ao Guantânamo global!” Outras exigiam que as tropas estrangeiras fossem retiradas do Afeganistão onde a Espanha tem quase 700 soldados a combater sob o comando da Nato. Manifestações semelhantes tiveram lugar simultaneamente em Barcelona, Pamplona, Sevilha, Cádis, Granada e noutras cidades de Espanha.

As manifestações nos EUA tiveram lugar num contexto em que os rivais de Bush no Partido Democrático decidiram criticar a sua administração por causa de “Walter Reed e Valerie Plame e não Abu Ghraib e Guantânamo” – visando os escândalos que envolvem o tratamento médico dos veteranos da guerra do Iraque e a revelação pública do nome de uma agente da CIA pelos ajudantes de Bush, de uma forma que se recusaram a fazer em torno dos principais crimes de guerra e crimes contra a humanidade do regime. Isto mostra os limites políticos – e a moralidade – dentro dos quais está encarcerado o debate político dominante nos EUA, embora os EUA se encontrem cada vez mais isolados internacionalmente no que provou ser um desastroso acto de agressão mesmo do ponto de vista dos interesses imperiais norte-americanos.

Na noite de 16 de Março, mais de 200 pessoas foram presas à frente da Casa Branca quando se sentaram para rezar e se recusaram a sair. Esse acto de desobediência civil foi organizado por uma coligação religiosa. No dia seguinte, com o número de participantes indubitavelmente reduzido devido a uma tempestade regional de gelo, cerca de 20 000 pessoas manifestaram-se atravessando Washington e o Rio Potomac até ao Pentágono, o quartel-general das forças armadas norte-americanas e local de um famoso confronto com o governo em 1967, durante a guerra do Vietname. Aí, várias centenas de jovens que tentavam avançar para o Pentágono envolveram-se num jogo do empurra com a polícia. Entre os manifestantes estavam veteranos da guerra do Iraque, homens e mulheres no activo que se opõem à guerra e mães de soldados norte-americanos mortos no Iraque. A palavra de ordem “Não ataquem o Irão” foi uma característica visível. Vários oradores pediram a demissão de Bush.

Nesse dia e no dia seguinte, cerca de 10 000 pessoas manifestaram-se em Los Angeles e vários milhares de pessoas em cada uma de várias cidades dos EUA, incluindo São Francisco, Seattle, Portland, Mineápolis, Hartford, Nova Iorque e outras.

Em Seul, manifestantes sul-coreanos exigiram a retirada das tropas do seu país do Iraque e travaram uma intensa batalha com a polícia de choque que tentou impedir a sua manifestação.

Manifestantes em Sydney e Melbourne exigiram a retirada das tropas australianas do Iraque e também do Afeganistão. Outra importante exigência foi o regresso à Austrália de David Hicks, actualmente encarcerado em Guantânamo. A simpatia pública em relação a Hicks tem crescido na Austrália, sobretudo depois da publicação dos seus relatos detalhados da tortura que ele e outros prisioneiros sofreram sob custódia dos EUA, incluindo repetidos espancamentos, pontapés, drogas de alteração da mente, abusos sexuais e falsas execuções. Recentemente, os EUA retiraram a acusação original de que Hicks tinha lutado ao lado dos talibãs, ao mesmo tempo que ameaçam fazer acusações militares contra o major norte-americano designado para representar Hicks no seu “julgamento” perante uma comissão militar. O major, Michael Mori, foi especificamente acusado de ter dito a um entrevistador da televisão australiana que o tratamento dado a Hicks era “um crime de guerra muito maior do que o que ele tinha feito a qualquer outra pessoa” e pedido “acções para processar as pessoas que participaram nesse sistema ilegal” que o regime Bush montou para obter condenações “de forma a provar que o que fizeram estava certo” e justificar a guerra. O primeiro-ministro do governo australiano, John Howard, fez da sua recusa em apoiar Hicks um símbolo da sua recusa em ceder perante a exigência popular de que retire os 1500 soldados australianos do Iraque e admita que a guerra é e sempre foi injusta.

A 17 de Março, vários milhares de pessoas manifestaram-se em Istambul, carregando cartazes que diziam “Somos todos iraquianos”, como parte dos dias globais de protesto. Também houve manifestações em Atenas, Nicósia, Copenhaga, Praga (que também se opuseram aos planos dos EUA para instalarem mísseis na República Checa), Roma, Bogotá e outras cidades [incluindo em Portugal - NT]. Uma importante manifestação contra a guerra teve lugar em Londres em Fevereiro. Outras acções estão planeadas a nível internacional para 20 de Março, o próprio dia do aniversário, e para a próxima semana.

Em notícias relacionadas, a digressão de Bush pela América Latina despertou uma acesa recepção na sua última paragem no México a 12-13 de Março. Enquanto Bush e o Presidente mexicano Felipe Calderón se reuniam na cidade oriental de Mérida, centenas de manifestantes na capital, muitos deles com as faces cobertas, derrubaram meia dúzia de barricadas que cercavam a Embaixada dos EUA e atacaram-na com pedras, pedaços de betão e outros objectos. Também lutaram com a polícia e queimaram bandeiras norte-americanas. Na mesma altura, houve pelo menos dois outros protestos na Cidade do México. Centenas de manifestantes também apedrejaram o consulado dos EUA em Mérida. O alvo principal da fúria dos manifestantes era a guerra do Iraque. Por isso, a digressão latino-americana de Bush terminou com um resultado perfeito – um repúdio indignado em relação aos EUA e às suas políticas em cada um dos cinco países que visitou.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese