Gigantescas manifestações contra a guerra nos EUA e na Grã-Bretanha
26 de Setembro de 2005. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.

Manifestações coordenadas contra a ocupação do Iraque tiveram lugar a 24 de Setembro em muitos países, sobretudo nos EUA e na Grã-Bretanha. Também houve protestos de menor dimensão em países europeus que não fazem parte da coligação Bush-Blair, nomeadamente em França.

Cerca de 250 000 pessoas manifestaram-se em Washington, D.C. e mais algumas dezenas de milhares em São Francisco. Centenas de familiares de soldados e também os próprios soldados juntaram-se às maiores manifestações contra a guerra que os EUA viram desde o início da guerra. Durante os dias seguintes, numa série de acções de desobediência civil perto do Pentágono e da Casa Branca, a polícia de Washington prendeu centenas de pessoas, incluindo familiares de militares como Cindy Sheehan, uma proeminente activista contra a guerra cujo filho soldado foi morto no Iraque.

Familiares de soldados mortos no Iraque e militares no activo também desempenharam um importante papel na manifestação de Londres em que participaram dezenas de milhares de pessoas que passaram frente ao Parlamento e ao nº 10 da Downing Street, onde reside o primeiro-ministro. Um manifestante levava um cartaz caseiro que mostrava um avião norte-americano ou britânico a deitar bombas no Iraque, com a frase: “Democracia – Fazemos Entregas!”

Um grupo de trabalhadores grevistas de várias nacionalidades despedidos da empresa Gate Gourmet, que fornece comida no aeroporto de Heathrow, participou com faixas contra a guerra e cantando: “Queremos justiça: as tropas despedidas, os trabalhadores readmitidos!” Estudantes levavam uma faixa com enormes letras, onde se lia: “O assassinato de 100 000 mulheres e crianças não é terrorismo?” Vários jovens vestiram-se de prisioneiros, acorrentados e com as bocas coladas com fita, em solidariedade com os prisioneiros de Guantânamo.

Este foi o primeiro grande protesto de Londres desde que os atentados no metro a 7 de Julho desencadearam uma ofensiva governamental de propaganda patriótica e uma campanha de terror policial contra os imigrantes. Familiares de Jean Charles de Menezes, o brasileiro assassinado pela polícia como suspeito de “terrorismo”, estavam entre os oradores.

A oposição à guerra, que sempre foi o sentimento predominante na Grã-Bretanha, tinha obtido um novo impulso na semana anterior quando os serviços noticiosos divulgaram cenas de confrontos armados em Baçorá, no sul do Iraque, entre soldados britânicos e soldados do governo iraquiano instalado pelos ocupantes e que supostamente eles estavam lá a apoiar. O mito de que os britânicos agem “suave suavemente” em comparação com as tropas dos EUA foi seriamente posto em causa pela ira de quase toda a gente em Baçorá contra os ocupantes britânicos que se sentia instantaneamente nas imagens televisivas.

Apesar do isolamento político do governo Blair em relação ao povo por causa da guerra, não há nenhum fim à vista para a participação da Grã-Bretanha. Na sua conferência na véspera da manifestação, o Partido Trabalhista no governo recusou-se mesmo a debater a guerra. Os representantes de algumas forças no partido conservador rival, bem como no Partido Liberal Democrata, embora digam que se opõem à guerra, também se opõem à exigência de retirada imediata das tropas britânicas, argumentando ser “cortar e fugir” ou uma “retirada em derrota”. Uma inegável maioria dos britânicos opõe-se vigorosamente à guerra e a principal exigência da manifestação de Londres – o fim imediato da ocupação – é compartilhado por muitos milhões de pessoas, mas estes sentimentos não são escutados e não têm nenhum peso no parlamento que supostamente os representa. Uma situação semelhante à que existe nos EUA.

Vários oradores no comício que culminou a manifestação de Londres defenderam que a maneira de resolver esta situação é no próprio parlamento e basicamente através do Partido Trabalhista, seja “tomando de volta” o Partido Trabalhista, na sua maioria, seja elegendo outros políticos que o poderiam pressionar. Esta ideia tem sido proposta desde o início da guerra e não tem mais futuro agora que noutra altura. Poderia perguntar-se se a frustração e o sentimento de passividade impotente face à repetida e humilhante ostentação do governo em relação ao sentimento popular é um factor desencorajador de uma maior participação nesta manifestação, em contraste com outras que tiveram lugar ainda não há tanto tempo.

A raiva contra a guerra e a fúria contra o governo que se fizeram sentir nessa manifestação de Londres mostraram que há um grande potencial para uma outra direcção do movimento contra a guerra, uma direcção que possa transformar os sentimentos populares numa força material, através do activismo das próprias pessoas.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese