Reproduzimos o comunicado publicado no nº 0 (Maio de 2002) do "BANDEIRA VERMELHA" (Jornal Comunista Revolucionário):

O 1º de Maio é Internacionalista!

Em era de globalização é altura de os operários e demais assalariados passarem a comemorar a sua data histórica mais importante em termos internacionalistas, abandonando concepções tribais ou nacionalistas. Na União Europeia até se compreende que se realizasse uma grande jornada de luta e de festa - também festa de solidariedade! - numa grande cidade, emblemática por tradição de luta ou de significação política (Paris ou Bruxelas, por exemplo), onde se reunissem os operários de toda a União.

Mas não é o que acontece, os partidos burgueses para operários cuja missão histórica é atrelar os trabalhadores aos interesses e ao estado da burguesia, desviando a sua atenção dos seus objectivos da tomada do poder, do socialismo e do comunismo, vão cumprindo razoavelmente bem a sua missão de traidores de classe. É o que se verifica em Portugal, é o que se verifica um pouco por toda a parte do velho continente, em fase acelerada de unificação, e pela generalidade do mundo.

Na Europa do euro, condições se reúnem para que as classes operárias das diversas nacionalidades se entendam em caminhos e reivindicações comuns. Entre essas reivindicações, impõem-se o salário europeu e a semana das 35 horas.

A crise económica latente, e que poderá eclodir de forma mais ou menos violenta, irá apressar esta luta comum, principalmente dos trabalhadores dos países mais periféricos e menos desenvolvidos que serão os primeiros a ser chamados a suportar a crise do capital. Se o euro permite ver o grau de exploração a que estes trabalhadores são sujeitos pela comparação dos custos de vida e dos salários nos diferentes países, ele levará à unificação e desenvolvimento de lutas comuns - o salário é também o preço de uma mercadoria. Um salário europeu - numa primeira etapa, o salário mínimo europeu - limitará o dumping social exercido pelos grupos económicos.

No nosso país, o salário mínimo europeu acabava de vez com a política esclavagista da nossa dita burguesia nacional que, em 16 anos de integração europeia, entende ainda que deve continuar a pagar salários de fome e impor horários de trabalho do século dezanove como forma de "modernização" e de "concorrência" com os outros países da União e obrigava, por outro lado, aos sindicatos e respectivos dirigentes a ver um pouco mais longe ou então a desaparecer do mapa da luta social, que é o que lhes vai acontecer mais cedo ou mais tarde.

Portugal é o país da UE em que a distribuição do rendimento nacional se faz de forma mais desigual (43% para o trabalho, 57% para o capital, e onde os patrões praticamente não pagam impostos), cujo leque salarial se vai alargando, encontrando-se os salários mais altos próximos dos europeus mais elevados e os mais baixos bem aquém dos salários mínimos praticados na Europa comunitária; uma subida geral dos salários mesmo que substancial é perfeitamente possível, é tudo uma questão de uma mais justa redistribuição do rendimento nacional.

A política deste governo recém-eleito, na continuidade do seu antecessor de má memória, vai ser a de querer impor medidas que foram repudiadas pelos trabalhadores dos países mais desenvolvidos da União como forma de aumentar ainda mais os lucros (as denominadas mais-valias) dos patrões. A flexibilização e a polivalência - assim como a privatização dos sectores sociais do estado - deverão ser rechaçadas pelos trabalhadores portugueses, se os nossos indígenas e trogloditas patrões não conseguem ao menos imitar a mais avançada burguesia europeia, então que desapareçam também, ficará o caminho mais plano para o socialismo.

A entrada de algumas figuras no actual governo, conhecidas pela sua actividade como homens de mão do grande capital europeu, nomeadamente espanhol, e nacional, dá-nos já a ideia do que irá ser a política deste governo PSD-PP. Ora, isto faz com que nos preparemos, no imediato, para combates mais duros, combates que não se desligam dos travados já por trabalhadores de países como a Itália ou a vizinha Espanha - esquecemo-nos que aqui ao lado mora uma classe operária experiente e combativa e que, numa primeira fase, os trabalhadores portugueses deverão ter reivindicações comuns aos dos trabalhadores do Estado espanhol.

O internacionalismo não passa só pelo apoio à luta de libertação de povos subjugados por potências ou governos estrangeiros, como acontece presentemente como o povo martirizado da Palestina, passa também e antes de tudo pela solidariedade das diferentes classes operárias. Façamos do 1º de Maio um dia de luta e de solidariedade verdadeiramente internacionalista.

O Comité Editorial do
BANDEIRA VERMELHA
(com12outubro@hotmail.com)