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Karl Marx
O que dizem de mim é absurdo e cómico
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O que é que o socialismo conseguiu até hoje?
Duas coisas. Os socialistas demonstraram a existência de uma luta universal e generalizada entre o capital e o trabalho e, consequentemente, tentaram promover um entendimento entre os trabalhadores dos diferentes países. Esse entendimento é tanto mais necessário quanto os capitalistas se estão a tornar mais cosmopolitas na contratação do trabalho, admitindo trabalhadores estrangeiros em vez de trabalhadores nacionais, não só na América, mas em Inglaterra, França e Alemanha. Nasceram de imediato relações internacionais entre trabalhadores dos três diferentes países, mostrando que o socialismo é um problema internacional, e que seria resolvido pela acção internacional dos trabalhadores. As classes trabalhadoras agem espontaneamente, sem saber quais serão os fins do movimento. Os socialistas não inventaram nenhum movimento. Limitaram-se a dizer aos trabalhadores qual é o carácter e quais são os fins dos movimentos que já existem. |
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Isso implica o derrube do actual sistema social. Este sistema de terra e capital nas mãos dos empregadores, por um lado, e a mera força de trabalho nas mãos dos trabalhadores, por outro, é apenas uma fase histórica, que há-de dar lugar a uma situação social mais evoluída. O antagonismo entre as duas classes vai a par com o desenvolvimento dos recursos industriais dos países modernos. De um ponto de vista socialista já existem meios de revolucionar a actual fase histórica. A partir dos sindicatos construíram-se em muitos países organizações políticas. Na América, a necessidade de um partido dos trabalhadores tornou-se manifesta. Eles já não podem confiar nos políticos. As facções tomaram conta da legislatura e a política tornou-se um negócio. A América não está sozinha, só que o seu povo é mais decidido que o europeu. As coisas vêm à superfície mais rapidamente. Há menos fingimento e hipocrisia do que deste lado do oceano. Diz-se que é o cérebro e o chefe do socialismo, e que da sua
residência puxa os cordelinhos de todas as associações e revoluções
que estão a acontecer. O que tem a dizer sobre isso?
Têm-lhe sido atribuídas, a si e aos seus apoiantes, todo o tipo
de declarações incendiárias contra a religião. É claro que queria ver
todo o sistema destruído.
Atribuem-lhe também afirmações, segundo as quais nos EUA, na
Grã-Bretanha e talvez na França pode acontecer uma reforma do trabalho
sem uma revolução sangrenta, mas que terá de haver derramamento de
sangue na Alemanha, na Rússia, Itália e na Áustria.
Mas é verdade que escreveu com simpatia acerca dos communards de
Paris?
Então, para fazer triunfar os princípios do socialismo, os seus
defensores advogam o assassínio e o derramamento de sangue?
Este texto é uma adaptação de Pedro Mexia
à entrevista realizada por «H.» do Chicago Tribune [em "Notícias do Milénio"] |
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