Comité do MRI: «1º de Maio de 2004, Celebremos o 20º Aniversário do Movimento Revolucionário Internacionalista!»
12 de Abril de 2004. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

Hoje em dia, os saqueadores imperialistas desencadearam novos horrores e ao fazê-lo viraram contra si centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. Tempestades de resistência atravessaram o globo. Como disse Mao, onde há opressão, há resistência — e isso foi provado inúmeras vezes, repetidas vezes, durante décadas. Como poderemos transformar essa resistência em libertação? Como podem ser afastados os perigos e agarradas as oportunidades? Só compreendendo profundamente e aplicando a teoria libertadora do Marxismo-Leninismo-Maoismo (MLM) e fazendo a revolução proletária irão as nossas lutas elevar-se ao nível necessário para pôr fim ao imperialismo.

O Serviço Noticioso da Revista Um Mundo a Ganhar junta-se à celebração do 20º aniversário do Movimento Revolucionário Internacionalista publicando um texto do Comité do MRI revendo as dificuldades e os sucessos do movimento comunista internacional e reafirmando hoje a enorme necessidade de abraçar essa teoria libertadora que é o MLM, de unir fileiras com os partidos e organizações do MRI e de criar organizações maoistas revolucionárias em regiões inteiramente novas. Celebramos os nossos avanços no espírito de abraçar as correntes de resistência de hoje e de avançar muito mais no caminho da criação final de um futuro luminoso para a humanidade.

Celebremos o 20º Aniversário do MRI!

Comité do Movimento Revolucionário Internacionalista

1º de Maio de 2004

Há vinte anos, em Março de 1984, a formação do Movimento Revolucionário Internacionalista (MRI) foi anunciada ao mundo numa histórica conferência de imprensa em Londres que corajosamente declarou a formação de «um centro embrionário dos maoistas do mundo» e a meta da formação de uma internacional comunista de tipo novo. Pouco tempo depois, a 1 de Maio do mesmo ano, foi publicada a Declaração do Movimento Revolucionário Internacionalista, que foi distribuída em muitos idiomas. Embora desde então a situação mundial tenha sofrido mudanças dramáticas e o próprio entendimento do MRI sobre a sua ideologia revolucionária tenha avançado, especialmente com a adopção em 1993 do Marxismo-Leninismo-Maoismo como sua ideologia-guia, a Declaração permanece uma preciosa vitória e uma sólida fundação para novos avanços.

A formação do MRI foi, acima de tudo, uma resposta à tomada da China revolucionária pela nova burguesia dirigida por Hua Kuofeng e Deng Xiaoping, logo após a morte de Mao Tsétung em 1976. Os mais próximos seguidores de Mao, incluindo a sua viúva, Chiang Ching, foram presos e uma onda de terror espalhou-se pelo país. Milhares de pessoas foram mortas ou encarceradas. A China, que tinha sido a prova viva da possibilidade de edificação de uma sociedade nova, livre da exploração, foi rapidamente transformada num inferno de exploração capitalista. A China, que sob Mao tinha sido um bastião da resistência ao sistema imperialista mundial, tornou-se noutro elo da cadeia mundial de opressão.

O movimento comunista internacional sofreu severos danos por causa da perda da China. Muitas forças seguiram o partido chinês para o pântano revisionista. Outros ecoaram o terrível ataque de Enver Hoxha ao Pensamento Mao Tsétung (a que hoje chamamos Maoismo). Alguns tentaram «redescobrir» o socialismo na União Soviética que Mao tão vigorosa e convincentemente expôs como sendo social-imperialista. E um número ainda maior de comunistas perdeu a sua esperança na possibilidade da revolução proletária e afastou-se completamente da actividade política.

A formação do MRI foi uma declaração de recusa em abandonar a revolução. Foi um acto ousado de levantar bem alto a bandeira vermelha quando ela estava a ser espezinhada na China, na Albânia e noutros lugares. Como dizia a Declaração, «Hoje em dia... as forças que lutam por uma linha revolucionária são uma pequena minoria cercada e atacada por revisionistas e apologistas da burguesia de todos os matizes. Contudo, essas forças representam o futuro.» Com a compreensão que a passagem de vinte anos nos dá, podemos ver quão proféticas foram essas palavras.

Apenas alguns anos após a formação do MRI, todo o Bloco de Leste, incluindo a própria URSS, implodiu para gáudio e aplauso dos imperialistas ocidentais que tentaram usar o colapso dessa monstruosidade revisionista para proclamar a vitória final da «democracia» ocidental sobre o «totalitarismo comunista». Ainda hoje a maré do violento ataque ideológico burguês contra a teoria e a prática da revolução proletária faz os seus danos.

Apesar desses momentos difíceis, o MRI e os partidos e organizações que o constituem não só conseguiram manter a sua orientação como também fizeram alguns avanços dramáticos. A Guerra Popular sob a direcção do Partido Comunista do Peru avançou continuamente ao longo dos anos 80 e princípios dos anos 90, antes de enfrentar uma «curva no caminho» após a captura do seu líder, Presidente Gonzalo, e do subsequente aparecimento de uma linha oportunista de direita que apelava ao abandono da guerra. Apesar dos sofrimentos e das dificuldades, os revolucionários comunistas do Peru persistiram e lutam por manter bem erguida a bandeira vermelha.

A Ásia do Sul, habitada por centenas de milhões de explorados e oprimidos do mundo, é crucial no processo da revolução proletária mundial. As forças maoistas da Índia, do Nepal, do Bangladesh e do Sri Lanka foram um pilar do MRI desde a sua formação. Um novo capítulo desta história começou no Nepal em 1996 com o início da Guerra Popular. Agora, após apenas oito anos, o Partido Comunista do Nepal (Maoista) já libertou a maior parte do país e está à beira de tomar o poder político a nível nacional, o que está a ter repercussões em toda a região.

Na Índia, a ligação do MRI à luta revolucionária em curso foi fortalecida com a participação do Centro Comunista Maoista da Índia e do Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) (Naxalbari).

Na Turquia, a corrente maoista está a emergir mais forte após uma série de lutas entre as duas linhas contra a influência perniciosa de uma tendência semi-hoxhaista no movimento comunista desse país. Como resultado, as condições subjectivas estão a progredir no sentido de uma nova e poderosa vaga da guerra popular.

No Irão, toda uma geração de revolucionários sofreu a prisão, a execução ou o exílio, mas por entre a derrota e a desmoralização a bandeira vermelha foi mantida bem erguida pelas forças do MRI que viriam a formar o Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista). Hoje, enquanto o regime reaccionário dos mulás agoniza no seu leito de morte e os imperialistas e reaccionários procuram controlar a inevitável «mudança de regime», percebe-se mais claramente que nunca a importância do MRI e da existência do seu contingente no Irão.

No Afeganistão, onde a invasão pela União Soviética e a subsequente direcção da guerra anti-soviética por reaccionários apoiados pela CIA (e pela China) esmagaram e/ou desorientaram as forças comunistas, emergiu um novo partido comunista.

Deste modo, podemos ver que, na região do Médio Oriente e Ásia Central, a única escolha que as massas têm não é o falso conflito entre imperialistas «modernizadores» e o obscurantismo islâmico «antiocidental». O caminho da revolução de nova democracia, do socialismo e do comunismo é sem dúvida nenhuma uma via difícil, mas é a única via para a verdadeira libertação. Sofrendo às mãos de exploradores nacionais e estrangeiros, cansados de ver a soberania nacional e os direitos democráticos espezinhados por esses mesmos inimigos e fartos das «soluções» sem saída dos falsos líderes, sejam eles barbudos ou recém-barbeados, homens ou mulheres, os elementos revolucionários desses países precisam da ideologia libertadora do Marxismo-Leninismo-Maoismo e são as forças do MRI, em particular, que estão a lutar para lhes levarem essa ideologia.

Durante muito tempo, os imperialistas dos EUA consideraram os países da América Latina como o seu «quintal», acreditando terem um direito ilimitado de explorar as massas desses países e de controlar o seu destino. Embora nos últimos anos a Guerra Popular no Peru tenha enfrentado dificuldades, tem sido um exemplo luminoso para os revolucionários de toda a região, e os camaradas da Colômbia, do México e de outros países da América Latina têm lutado por popularizar as suas lições. Na América Latina, bem como noutros lugares, os esforços dos imperialistas dos EUA para impor um controlo ainda mais apertado estão a intensificar o já grande ódio ao imperialismo ianque. Também aqui existem possibilidades para novos saltos revolucionários.

Desde o princípio que o MRI reflectiu a realidade de que a revolução proletária mundial consiste em dois fluxos principais – a revolução socialista proletária nos países imperialistas e a revolução de nova democracia nos países oprimidos da Ásia, de África e da América Latina. A visão do MRI do objectivo final de um mundo sem classes e a sua orientação internacionalista é fortalecida pela sua presença em ambos os tipos de países. Na cidadela imperialista dos Estados Unidos, o Partido Comunista Revolucionário dos EUA conseguiu criar raízes entre as massas e avançar na preparação da futura batalha pela libertação do mundo dos seus maiores opressores. Em Itália e na Alemanha, partidos e organizações estão a desenvolver-se como parte do MRI, e noutros países imperialistas há camaradas a reconhecer cada vez mais o papel do MRI na unidade das verdadeiras forças maoistas.

Em suma, o mundo está preparado para a revolução e a situação está a amadurecer cada vez mais. Mas para que os sonhos dos oprimidos se transformem em realidade, a ideologia proletária tem que avançar e uma sólida organização comunista deve ser edificada. Ainda há muitas partes do mundo onde as forças maoistas são extremamente fracas ou não existem, como em África, onde a necessidade de uma transformação revolucionária é por demais evidente. Mesmo onde existem genuínas forças maoistas, a sua capacidade é geralmente reduzida dada a amplitude das tarefas a realizar e das possibilidades a concretizar.

Além disso, temos que considerar a totalidade do movimento comunista internacional e o seu futuro, não apenas as partes específicas que o compõem. O MRI foi formado não apenas para ajudar os partidos e organizações existentes a aprenderem uns com os outros e a avançarem, mas para se desenvolver como um centro, fortalecer o pólo político e ideológico do proletariado mundial como um todo e lançar as bases para novos avanços, tanto ideologicamente como na prática, em direcção a uma internacional comunista de tipo novo. A necessidade de clarificação política e ideológica, de uma mais forte unidade dos comunistas a nível internacional e de novos avanços na liderança da luta revolucionária das massas, tudo isso clama por ser realizado. Todos os revolucionários maoistas devem compreender a importância do MRI para a revolução proletária mundial e fazer o máximo esforço para o ajudar a progredir.

O mundo é hoje um inflamado turbilhão de conflitos. O inimigo imperialista está em violenta expansão e os povos são forçados a resistir de mil maneiras diferentes. A ordem e estabilidade imperialistas estão a dar lugar a um tumulto mais intenso em que se intensificam as dificuldades, o sofrimento e os sacrifícios que as forças comunistas e as massas populares enfrentam. Contudo, essas mesmas condições são muito favoráveis à nova vaga emergente da revolução proletária mundial. Assim, vemos uma vez mais que o perigo pode ser transformado em oportunidade, que a necessidade de resistir pode ser transformada em liberdade de dar grandes passos em frente. A esta luz, podemos ver que os importantes sucessos do MRI em mais de duas décadas são apenas o prelúdio de desafios ainda maiores no horizonte que o proletariado avista.

Participantes no Movimento Revolucionário Internacionalista:

Centro Comunista Maoista da Índia
Grupo Comunista Revolucionário da Colômbia
Organização de Comunistas Marxistas-Leninistas da Tunísia
Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) (Naxalbari)
Partido Comunista da Turquia Marxista-Leninista [TKP ML]
Partido Comunista do Afeganistão
Partido Comunista do Bangladesh (Marxista-Leninista) [BSD(ML)]
Partido Comunista do Ceilão (Maoista)
Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista)
Partido Comunista do Nepal (Maoista)
Partido Comunista do Peru
Partido Comunista Maoista [Itália]
Partido Comunista Revolucionário, EUA
Partido Proletário de Purba Bangla (PBSP) [Bangladesh]

Além desta lista de partidos e organizações participantes no MRI, em vários países há candidatos a participar no MRI que lutam por formar partidos de vanguarda marxistas-leninistas-maoistas.

BCM RIM
WC1N 3XX LONDON
Inglaterra

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese