Depois de Génova:

Atirar lenha para a fogueira!

Seattle, Praga, Nice, Washington, Cancún, Gotemburgo e agora Génova. Sempre que os dirigentes das principais potências imperialistas se reúnem, são confrontados com uma oposição cada vez mais organizada e poderosa aos seus crimes. Enquanto antes estavam habituados a organizar a sua "nova ordem mundial" numa obscuridade de luxo, agora cada movimento seu é perseguido.

Cada novo encontro tem sido marcado por confrontos cada vez mais intensos que colocam os defensores da actual ordem de desigualdade, miséria e opressão generalizadas face a jovens determinados a lutar por um mundo mais justo. E também os imperialistas mostram cada vez mais que o seu poder de exploração e pilhagem em última análise se baseia descaradamente na força bruta e assassina. A 20 de Julho, em Génova, a polícia italiana matou Carlo Giuliani com duas balas na cabeça, tornando-o no primeiro mártir deste movimento.

As ultrajantes desigualdades do sistema imperialista, a chocante realidade de um mundo cada vez mais polarizado entre, por um lado, um pequeno mas extremamente rico e poderoso bando de criminosos internacionais e, por outro lado, as muitas centenas de milhões de pessoas que vivem em condições de extrema pobreza, doença em larga escala e opressão nacional, estão a fazer emergir uma nova vaga de luta revolucionária. E isto é verdade não apenas nos países oprimidos que suportam o maior fardo da exploração imperialista, mas também no próprio coração do capitalismo, como a Europa e os Estados Unidos. Aí, estão a levantar-se novos exércitos de jovens que odeiam o que as suas classes dominantes fazem pelo mundo fora e assumem uma causa comum com os oprimidos de todos os países. A solidariedade internacional tem sido uma marca deste movimento desde o seu início.

Esta nova vaga de luta nas próprias cidadelas imperialistas está a assustar desesperadamente o inimigo. Os lideres dos estados mais poderosos sobre a Terra decidiram que de futuro apenas se podem reunir em lugares desertos e remotos, tão longe quanto possível das massas que dizem representar. Numa tentativa de derrotar ou de desviar o movimento, a classe dominante e os seus fiéis seguidores estão a usar uma gama completa de tácticas, do assassinato directo a tentativas de dividir o movimento entre os chamados "moderados" e os "extremistas".

Para milhares de pessoas, este é o seu primeiro teste de fogo. Fazem-se debates sobre como avançar no meio das voltas e reviravoltas do movimento, sobre como responder tanto às balas como aos enganos da classe dominante, como unir as pessoas ao mesmo tempo que se eleva a luta a um nível superior. Fazem-se discussões entusiásticas sobre que tipo de sistema político e económico mundial é possível sem exploração. Tudo isto é uma verdadeira universidade de luta.

O Movimento Revolucionário Internacionalista (MRI), centro embrionário das forças maoistas do mundo, saúda o surgimento e a intensificação do movimento contra a globalização e saúda o internacionalismo que tem marcado estas batalhas. Este levantar da juventude no Ocidente é o resultado directo do funcionamento do mundo capitalista e da hipocrisia dos seus principais representantes políticos. Assim, este movimento pode e deve tornar-se parte da única força que pode destruir totalmente a própria besta: a revolução proletária mundial. O MRI existe em vários países em todo o mundo, incluindo no Peru e no Nepal onde os nossos participantes, o Partido Comunista do Peru e o Partido Comunista do Nepal (Maoista), levam a cabo guerras populares; em Itália e nos Estados Unidos onde o Partido Comunista (Maoista) e o Partido Comunista Revolucionário, EUA, trabalham para a revolução nesses países imperialistas; na Turquia, no Irão, no Bangladesh, na Índia, na Colômbia e noutros países onde partidos do nosso Movimento também trabalham para transformar as vítimas da "globalização" nos coveiros do imperialismo. De Seattle a Génova, o MRI tem estado presente na luta "antiglobalização", através dos seus partidos e organizações participantes. Podemos e devemos fazer mais para contribuir para o desenvolvimento destas tempestades no Ocidente como parte deste furacão global que está em gestação.

Comité do Movimento Revolucionário Internacionalista - 23 de Julho de 2001
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