Do Comité do Movimento Revolucionário Internacionalista:

1º de Maio de 2003

Uma Nova Vaga Emergente da Revolução Mundial

Os proletários com consciência de classe e as massas revolucionárias de todos os países do mundo celebram este ano o Primeiro de Maio em condições excepcionais. Por todo o mundo, os povos estão furiosos com os imperialistas norte-americanos pela sua brutal rapina do Iraque e estão determinados a ajustar contas. A resistência vista nos primeiros dias da guerra, mostrava que as massas no Iraque estavam determinadas a lutar. Um movimento popular de dezenas de milhões irrompeu na cena mundial. Mas o súbito colapso do regime de Saddam provava, uma vez mais, que não pode haver luta efectiva contra o imperialismo sob liderança das classes reaccionárias. Unir e dirigir o povo numa luta revolucionária dirigida contra os imperialistas e contra os governos reaccionários de todos os países do mundo é a grande tarefa do proletariado, e dele apenas.

Apenas o proletariado internacional, a classe que se situa no pólo oposto dos imperialistas à escala mundial, e cujos interesses são a destruição completa do sistema imperialista, a libertação total de todas as nações, e a criação de uma sociedade sem classes e sem exploração - o comunismo. Os porta-vozes do inimigo têm vindo há muitos anos a fazer horas extraordinárias para declarar essa visão e essa missão como um sonho impossível e perigoso. Mas é um sonho que está enraizado nas próprias condições materiais do proletariado internacional, no seu trabalho cooperativo, nas suas condições de exploração e na sua luta comum. É um sonho que deve lutar e que luta constantemente por se reafirmar apesar das montanhas de distorções e mentiras e que continua a entusiasmar e a fornecer um sentimento de direcção e de objectivo. A ilusão verdadeiramente perigosa é a estranha ideia de ser possível resolver os problemas da humanidade sem destruir o próprio sistema capitalista, um sistema social cujo único motor é a exploração do homem pelo homem, que gera todo o tipo de opressão e de desigualdade, que já sacrificou muitos milhões de pessoas nas suas injustas guerras de agressão e de pilhagem - um tal sistema nunca poderá ser reformado.

Os beneficiários e os protectores deste sistema predatório mundial nunca escutarão a voz da razão, nem se inclinarão às exigências populares, mesmo quando essa sua vontade é expressa de uma forma expressiva e esmagadora. Na boca dos imperialistas, expressões como "lei internacional", "democracia", "consentimento dos governados" e "liberdade", mesmo que pregadas eloquentemente por Tony Blair ou grunhidas por George Bush, ou mesmo quando traduzidas para francês ou alemão, não passam de decorações para cobrir a nua realidade.

Os imperialistas e os reaccionários são uma pequena minoria e apenas conseguem manter a sua dominação do planeta através dos seus exércitos, das suas forças policiais e dos seus serviços secretos, para não falar dos seus gigantescos arsenais de armas de destruição em massa, sobre os quais estão tão determinados a manter o monopólio. A guerra contra o Iraque demonstrou uma vez mais a correcção das palavras de Mao Tsétung; "O poder político está na ponta da espingarda".

Não importa quão poderosos possam parecer os imperialistas, eles são fracos, em última análise. Porquê? Porque a exploração, a opressão, a injustiça e a agressão fazem com que os povos do mundo os odeiem, incluindo os povos dos seus próprios países.

O Marxismo-Leninismo-Maoismo, a ciência e ideologia do comunismo, é poderoso, não apenas porque analisa correctamente o mundo, mas porque corresponde aos interesses da maioria da humanidade. Quando a perspectiva comunista é compreendida pelo proletariado e pelos oprimidos, transforma-se numa força material e pode transformar o mundo.

Repetimos o nosso apelo a que se olhe para os Himalaias, onde podemos ver milhões de espezinhados a levantar-se de armas na mão, tomando o poder político para a imensa maioria do povo. Pouco a pouco, o Nepal está a ser transformado pela Guerra Popular de um país muito atrasado num brilhante exemplo do futuro do proletariado e dos oprimidos de todos os países. No Peru, na Turquia, na Índia, nas Filipinas e noutros lugares, revolucionários maoistas persistem em levantar bem alto a bandeira da Guerra Popular.

Todo o enquadramento político e social do Médio Oriente foi agitado pela invasão imperialista norte-americana do Iraque. É certo que, nos próximos meses e anos, se tornará numa ainda mais encarniçada arena da luta de classes. O que lhe falta agora é a poderosa presença de um movimento genuinamente comunista na maior parte da região.

A Ásia do Sul é um dos mais importantes centros da tormenta da revolução proletária mundial. As centenas de milhões de habitantes da Índia, do Paquistão, do Sri Lanka e do Bangladesh estão a sofrer tremendamente devido ao sistema imperialista e à opressão semifeudal. Mas, ao contrário de muitos outros lugares do mundo em que a energia revolucionária das massas não encontra uma saída positiva, a existência de genuínos partidos maoistas abre o caminho a uma alternativa verdadeiramente revolucionária na Ásia do Sul.

Na Europa, na América do Norte, no Japão e na Oceânia, as possibilidades de grandes avanços na luta de classes estão também a atrair grande atenção. O poderoso movimento contra a agressão norte-americana ao Iraque forneceu um vislumbre do descontentamento subjacente ao domínio do mundo pelos capitalistas monopolistas, incluindo nos próprios centros imperialistas.

Em África, a doença e a malnutrição atacam o povo. Os regimes dos pequenos tiranetes que governam em nome dos seus amos imperialistas são frágeis e conflitos e mesmo guerras irrompem em país após país. Hoje é o povo que sofre com essas guerras pelo direito a roubar e a pilhar, mas essas condições mostram que está a amadurecer a possibilidade de um tipo completamente diferente de guerra, pela verdadeira libertação.

Os Estados Unidos há muito que consideram a América Latina como o seu "jardim das traseiras" e são fáceis de observar os resultados do domínio neocolonial desses países e a subordinação da sua vida económica aos seus amos ianques. Sob os ditames do Fundo Monetário Internacional, a fome chegou à outrora abastada Argentina e a ameaça de uma crise mais profunda e da ruptura paira sobre toda a região.

É por isso que uma nova da Revolução está a emergir por todo o planeta. O povo quer um mundo diferente e está cada vez mais determinado a lutar por ele.

Isto faz com que a edificação de partidos marxistas-leninistas-maoistas de vanguarda seja cada vez mais urgente e crucial. Onde esses partidos não existam, devem ser formados. Onde existam, devem ser reforçados de modo a cumprirem as suas tarefas revolucionárias. E esses partidos devem ser unidos numa nova Internacional Comunista, em direcção à qual o Movimento Revolucionário Internacionalista é um importante primeiro passo.

As batalhas dos últimos meses são apenas uma pequena amostra do que está para vir. Os imperialistas norte-americanos são levados a prosseguir o seu louco jogo de tentar redefinir violentamente o mundo e de cravar ainda mais profundamente os seus dentes nos pescoços dos povos. Mas os povos de todos os países não toleram nem tolerarão um tal futuro e novas tempestades de resistência são inevitáveis. Não importa quão forte seja o inimigo imperialista, o nosso poder de centenas de milhões é potencialmente muito maior. A arrogância do inimigo de classe nunca conseguirá ocultar o facto de que estão a lutar desesperadamente pela defesa de um sistema ultrapassado, apropriado apenas para o museu, tal como o foram antes os antigos impérios esclavagistas e os sistemas feudais. Façamos avançar a luta e preparemo-nos para ainda maiores batalhas que se vislumbram no horizonte!

Oponhamo-nos, Resistamos e Derrotemos a Guerra Imperialista dos EUA Contra o Mundo!

Olhemos para os Himalaias - Um Mundo Melhor Está a Nascer!

Edifiquemos e Reforcemos Partidos Maoistas de Vanguarda Unidos no Movimento Revolucionário Internacionalista!

Viva o Internacionalismo Proletário!

O Comité do Movimento Revolucionário Internacionalista