Recebemos o seguinte comunicado da Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo – FRDDP (Brasil):


Abaixo a agressão imperialista à Líbia! Viva a guerra de resistência dos povos de todo o mundo!

No dia 19 de março, com a aprovação da ONU, forças imperialistas da OTAN compostas por USA, França, Inglaterra, Canadá, Bélgica, Itália, Espanha, Dinamarca e outros iniciaram bombardeios sobre o território líbio, sob o pretexto de proteger a população civil de massacres perpetrado pelo fascista Kadafi frente aos massivos protestos populares.

O imperialismo novamente está usando o pretexto da defesa dos direitos humanos e da democracia para promover mais uma agressão contra os povos. Estes mesmos governos, principalmente o USA, mantêm regimes monárquicos feudais em países vizinhos, como Bahrein, Iêmen, Egito, Arábia Saudita, Kwait e nada fazem diante do massacre das massas que estes mesmos governos vêm cometendo. Muito ao contrário, enquanto na diplomacia internacional aconselham cuidado com os excessos, seguem apoiando estes regimes reacionários lhes fornecendo mais armas e recursos. Em dezembro passado a Secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton elogiou o governo do Bahrein pelo seu “compromisso [...] para com o caminho democrático”.

Mais ainda, o USA e forças da coalizão mantêm a criminosa ocupação do Iraque e Afeganistão, apoiados por exércitos mercenários, vêm perpetrando um continuado genocídio contra as massas e a ONU nada tem a declarar.

Disputas imperialistas por novas partilhas e revolução mundial

A agressão empreendida pela OTAN/USA é continuação da histórica opressão colonial sobre os povos do continente africano e um novo capítulo da guerra imperialista de partilha, frente a profunda crise mundial que vive o capitalismo. É violação do direito de auto-determinação dos povos e parte da ofensiva contrarrevolucionária iniciada por Bush e continuada por Obama. Busca utilizar a justa luta das massas contra a opressão e exploração para reestruturar o capitalismo burocrático nestes países, impulsionando frações e grupos de poder da grande burguesia para que instaurem “novos” governos títeres.

O USA busca impedir a existência de um legítimo processo revolucionário fortalecendo forças lacaias da oposição e, ao mesmo tempo, impedir que outras potências imperialistas (destacadamente França, Rússia, China, Alemanha) de se apoderem de suas antigas zonas de domínio. Por isso a intervenção militar ianque é também uma medida desesperada frente a seu próprio declínio com o fracasso de suas políticas de agressão e a acelerada penetração chinesa na África. E isso o faz como parte de sua nova doutrina de segurança nacional, também apelidada de “doutrina Obama”, em conluio com grupos dominantes locais e forças do oportunismo para que assumam a frente dos “novos” governos.

Os levantamentos das massas estão na esteira da crise do sistema imperialista mundial e são a expressão do desenvolvimento da situação revolucionária no mundo. As massas protagonizam estas grandes e violentas rebeliões empurradas pelas condições econômicas e políticas a que estão submetidas, e ainda que sem uma orientação mais conseqüente, lutam contra tudo que represente a velha ordem. Insurgem-se contra governos títeres do imperialismo, por direitos democráticos e contra toda ordem monárquica-fascista-feudal. São, portanto parte da segunda grande onda da revolução mundial.

A crise do sistema imperialista mundial agudiza todas as três contradições fundamentais no mundo hoje: aquelas entre nações/povos oprimidos e o imperialismo; entre proletariado e burguesia e a contradição interimperialista, que se traduz como contradições entre superpotência e potências e entre todos os monopólios. O aprofundamento da crise na Europa, como continuação da crise de todo sistema imperialista mundial, recai sobre os ombros dos povos árabes e africanos, intensificando a exploração e opressão sobre o povo de seus países e estancando a verdadeira válvula de escape que se tornou a imigração para os países europeus. Tudo isto tem resultado em grave piora nas condições de vidas das massas.

A torrente de rebeliões das massas desde a Tunísia, Argélia, Egito, Marrocos, Arábia Saudita, Síria, Catar, Líbia, Iêmen, Bahrein, Sudão, Jordânia, Omã, Palestina, Iraque e Afeganistão, se estendendo ao Paquistão e à Guerra Popular na Índia, no sul da Ásia, compõe uma verdadeira muralha de ferro das massas armadas, que fincam lanças mortais no coração do imperialismo, empurrando-o cada vez mais para a pilha de cinzas da história.

Por sua vez, nas condições atuais, a situação do imperialismo ianque é cada vez mais diferente dos anos de 1990, quando este atingiu a condição de superpotência única hegemônica e impulsionou sua ofensiva “neoliberal” se arvorando como polícia do mundo; quando esgotou sua estratégia da “Guerra Fria” e inaugurou a sua quinta estratégia denominada “Nova Ordem”. Mesmo com a ofensiva realizada pelos ianques a partir do 11 de setembro de 2001, a da “Guerra ao Terror”, é outra a correlação de forças ao nível mundial.

A Rússia recuperou-se economicamente, principalmente baseada em sua grande reserva de petróleo e reafirmou sua condição imperialista e militar de superpotência nuclear. A China social-imperialista penetra sobre vastas áreas de influência, dominando comercial e economicamente, rivalizando seriamente com o USA em diferentes partes do globo.

Como resultado do agravamento das contradições interimperialistas pelo controle e domínio de novas áreas de influência, atiçam as pugnas entre as frações burocrática e compradora da grande burguesia no interior das colônias e semicolônias pelo controle do aparelho de Estado. É nestas condições, por entre essas fissuras, que eclodem os levantamentos das massas que de forma heróica se encorajam para enfrentar as três montanhas que as exploram e oprimem: o imperialismo, a semifeudalidade e o capitalismo burocrático. Furiosamente sacodem os regimes burocráticos, derrubam seus gerentes de plantão e velhas dinastias, cujos déspotas em sua maioria são, há décadas, meros marionetes do imperialismo ianque e europeu.

As massas são arena de contenda entre revolução e contrarrevolução. O que o imperialismo procura fazer e sempre o fará é tentar manipular os levantamentos de massas para utilizá-los para seus interesses de domínio e exploração e no objetivo de aplastá-los. Para isso aplica sua Guerra de Baixa Intensidade, como tem feito nos levantamentos árabes e a partir das condições políticas criadas, se for preciso, intervir militarmente. Mas a crise objetiva do imperialismo empurra as massas para a luta e para a luta cada vez mais violenta. Os revolucionários não podem se iludir e iludir as massas, devem impulsionar por todos os meios a rebelião popular e suas formas mais organizadas.

O Presidente Mao Tsetung afirmou que “é uma lei do imperialismo causar distúrbios e fracassar, voltar a causar distúrbios e fracassar novamente, até seu fracasso completo… A lei do povo é lutar e fracassar, voltar a lutar e fracassar outra vez até triunfar definitivamente”.

Rebelião popular e disputa interimperialista na Líbia

O que ocorre na Líbia é ao mesmo tempo um levantamento popular contra um governo de tipo fascista e uma acirrada disputa interimperialista por seu domínio e partilha de seu petróleo. Aí as potências buscam influenciar e mesmo dirigir o rumo dos acontecimentos cada qual a favor dos interesses de seus respectivos monopólios e de suas políticas imperialistas. Os serviços de inteligência do imperialismo atuam de todas as formas, buscando por dentro das forças da resistência canalizá-las para seus interesses. Tentam passar a todos que estes defendem uma intervenção estrangeira para a “proteção da população civil”, enquanto em manifestações em Benghazi e noutras áreas de forte presença dos insurgentes, havia pessoas que levavam faixas gigantes escritas em inglês: “Não à intervenção estrangeira – Os líbios podem ser eles próprios a fazê-lo”.

Os levantamentos populares na Líbia são fruto dos anseios das massas contra o regime burocrático fascista de Kadafi, que há muito tempo deixou de lado sequer as consignas anti-imperialistas de outras épocas para se tornar mais um peão do imperialismo ianque no tabuleiro da disputa política na região.

Kadafi subiu ao poder em 1969, seu triunfo representou a ascensão de um conjunto de forças nacionalistas, de setores radicalizados da burguesia nacional (média burguesia), como parte do amplo movimento do pan-arabismo encabeçado pelo egípcio Gamal Nasser. Estas forças puderam chegar ao poder no contexto dos anos de 1960/1970, quando as lutas de libertação nacional sacudiam a Ásia, África e América Latina. Enquanto a URSS social-imperialista e o USA disputavam o resto do mundo como suas áreas de domínio e de influência ao tempo que se uniam para combater a revolução, com as teses da transição e coexistência pacífica, a China socialista animava e apoiava as forças revolucionárias em todas as partes. Esta situação criou aberturas para que forças de classe nacionais pudessem ascender ao poder e promover uma série de medidas de caráter democrático-nacional.

Apesar de sua retórica anti-imperialista, dado a limitação do caráter burguês de sua direção, seu regime degenerou da luta de libertação nacional para capitalista burocrático, logo se alinhando e se submetendo à URSS social-imperialista. Nos anos de 1970/80, Kadafi apoiou muitos movimentos armados de libertação nacional, destacadamente o palestino e em áreas que interessava à URSS social-imperialista. Isso lhe valeu sanções econômicas e sua demonização pelo USA e pelo imperialismo europeu.

Apesar de promessas quanto ao desenvolvimento da indústria e agricultura dos primeiros anos, a Líbia se submeteu dentro do sistema capitalista mundial, mantendo a economia do país baseada quase exclusivamente no petróleo, dependendo fortemente do mercado das potências da Europa ocidental. Utilizou os recursos do petróleo para incrementar suas forças armadas e de segurança, tanto para controle interno como para funcionar como força de intervenção regional. Comprou jatos franceses e utilizou o petróleo como moeda de troca na política internacional, atraindo capitais italianos e alemães.

Seus “comitês populares” e demais órgãos supostamente de participação das massas, que lhe conferiam a autodenominação de socialista, tornaram-se instrumentos para a corporativização fascista das massas, ao passo que impedia qualquer forma de organização popular independente.

Com o colapso da URSS social-imperialista, Kadafi rapidamente buscou as mesmas relações subalternas com potências imperialistas da Europa ocidental, se reconciliando com a Inglaterra, permitindo maior penetração e controle do setor de energia para potências como a Itália. Como parte de seu processo de colaboração com imperialismo, no ano de 1995, jogou por terra sua máscara de apoio à causa palestina expulsando 30 mil palestinos do território líbio.

Com a ofensiva contrarrevolucionária desencadeada por Bush, em 2001, mas particularmente a partir da segunda invasão ianque do Iraque em 2003, Kadafi se tornou um aliado do USA na “Guerra ao Terror”. A Líbia foi retirada da lista de “Estados terroristas” e grandes monopólios petrolíferos ianques retornaram ao solo líbio. A Líbia tem desempenhado desde então um importante papel como força especial de intervenção dos ianques no continente africano através da União de Estados Africanos.

Prova a mais de sua subjugação ao imperialismo e traição a pátria é a carta enviada por ele ao USA no início de abril, em que clama pelo fim dos bombardeios, afirmando ser um aliado na guerra contra o terror, e ainda, dizendo torcer por uma reeleição de Obama nas próximas eleições, o mesmo responsável por centenas de bombas sobre o território líbio, ademais dos continuados massacres no Iraque, Afeganistão, Paquistão, Filipinas e tantos países da Ásia, África e América Latina.

Por sua vez a poderosa força popular das rebeliões revela sua carência de uma direção conseqüente, já que se acham desprovidas de uma vanguarda revolucionária minimamente conformada e estruturada para encabeçar a luta e dar-lhe rumo democrático-popular. Não poderá ter êxito no curto prazo e abrirá sempre espaço para que as classes dominantes, aliadas do imperialismo, manobrem com os levantamentos populares.

Isto o USA está fazendo na Líbia e nos demais países árabes, porém e ao mesmo tempo, estas rebeliões adubam terreno para que surja e se forje suas vanguardas revolucionárias. Nisto cabe aos revolucionários assumir o principio marxista de que as massas fazem a história, e se lançarem no turbilhão de massas para dirigi-las pela derrubada não apenas dos tiranos de plantão e sim pela destruição completa do velho Estado e pelo estabelecimento da república de nova democracia rumo ao socialismo.

Frente única anti-imperialista sob hegemonia proletária

No momento em que o imperialismo agride os povos, como faz agora na Líbia, os revisionistas e trotskistas assustados começam a brandir a necessidade de apoiar e fazer frente com os governos dos países agredidos, sem fazer qualquer distinção sobre estes governos. É preciso distinguir um governo verdadeiramente nacionalista de governos fascistas que para sobreviverem apelam para o povo. Não fazer tal distinção é criminoso, pois os imperialistas não só lançam toneladas de bombas sobre os países rebelados, eles armam negociações e enganam o povo. Vendem seu modelo apodrecido de democracia com suas eleições corruptas e para isto contam com os oportunistas.

Por isto mesmo que sem a hegemonia do proletariado numa frente única com a burguesia, a luta está condenada ao fracasso, à capitulação vergonhosa. Exatamente devido ao caráter de classe vacilante da burguesia nacional – tem contradições com o imperialismo, mas também com o proletariado – a aliança com ela é extremamente instável e perigosa. Sem essa hegemonia tal frente não pode sequer mobilizar as massas e organizar a maioria da nação, ela tenderá sempre para as negociações e componendas.

Para que a luta de libertação possa existir, desenvolver-se e triunfar é preciso sim de uma frente única das classes oprimidas pelo imperialismo, mas sob a hegemonia e direção do proletariado. A hegemonia e independência do proletariado se fazem assentando-se na aliança operário-camponesa, sob a direção de um autêntico partido proletário revolucionário e a construção de um exército popular. Só assim é o proletariado pode se impor, conquistar e manter sua hegemonia. Porque só assim é possível desencadear a guerra revolucionária popular de resistência e de libertação nacional, unir a imensa maioria da nação, para expulsar o imperialismo, confiscar a grande burguesia e os latifundiários e estabelecer uma verdadeira república de nova democracia e transitar ao socialismo.

Cabe aos revolucionários de todo mundo desmascarar os gerenciamentos do oportunismo (governos do tipo: Kadafi, OLP, Chávez, Morales, Correa, Dilma/Lula e etc.). Elevar a luta anti-imperialista e fortalecer a aliança operário-camponesa para combater o imperialismo e seus gerenciamentos de turno, seja os de direita declarada, seja os de fachada de “esquerda”, “socialista” ou “popular”. Só impulsionando e desenvolvendo as lutas de resistência e as guerras de libertação em todo mundo é possível derrotar o imperialismo e pôr abaixo seus lacaios em cada país.

Abaixo a guerra imperialista!
O imperialismo é um tigre de papel!
Viva a guerra popular!

Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo – Brasil