INTRODUÇÃO A
"A DEMOCRACIA BURGUESA E A DITADURA DO PROLETARIADO"

Pensamos que é útil e oportuno recordar este texto escrito por Lenine, em 1919, e lido aquando da reunião da I Internacional Comunista, apresentando como exemplo para todo o mundo a experiência da tomada do poder pela classe operária russa e dando a conhecer a estratégia utilizada quanto à democracia burguesa.

A atitude do Partido Bolchevique em relação ao parlamentarismo burguês é diametralmente oposta da assumida pelos diversos partidos que se reivindicam da classe operária e do comunismo em outros países da Europa, em especial destaque dos partidos revisionistas portugueses (do PCP ao PCTP), partidos estes que se atolaram no mais abjecto legalismo e defesa das maravilhas da democracia burguesa.

Encontramo-nos a pagar a factura do apoio aos MFA's e Ramalhos Eanes, do boicote à luta dos operários e do ataque às greves gerais, da conciliação com a burguesia nacional e das alianças com os sectores mais reaccionários da sociedade, representados por um Freitas do Amaral e por um PP/CDS.

Os operários tomaram conta de algumas fábricas após o 25 de Abril, não tomaram conta de toda a economia e - erro fatal! - não ousaram ser poder político. Houve um retrocesso. Assim se compreende que a classe operária se encontre sem um partido de classe - um partido comunista revolucionário - sem órgãos de massa lutadores e autónomos e, principalmente, sem uma forte consciência de classe que a oriente no caminho a seguir.

Há que recuperar tempo, há que arregaçar mangas e pôr pernas a caminho, o fortalecimento da consciência política faz-se também com o conhecimento e o domínio da teoria, o tarefismo cego torna todo o esforço dos operários e dos revolucionários numa coisa vã e facilmente dominada pela burguesia. Todos os esforços deverão convergir para um ponto comum: a tomada do poder político pelos operários em aliança com outras classes exploradas. Caso contrário será tempo e trabalho perdidos.