Recebemos o seguinte comunicado assinado pelo Colectivo de Comunistas Revolucionários e pelo Colectivo Mudar de Vida. Uma versão em formato PDF para impressão está disponível aqui

Revolta-te!

Contra o terrorismo social capitalista temos legitimidade de lutar por todas as formas

Em poucos meses, o governo PSD/CDS mostrou que a sua política é a continuação, para pior, da política do PS. Em cima de tudo o que já tinha sido feito pelos governos de Sócrates, os últimos meses tudo pioraram.

A maioria obtida por PSD e CDS abriu portas a uma nova onda contra os assalariados impulsionada por toda a classe capitalista. A mudança foi exclusivamente a favor de patrões e poderosos.

A destruição das protecções sociais do Estado e das defesas legais do trabalho foram aceleradas, agora sob o chapéu do acordo firmado com a troika FMI/BCE/UE. Estas medidas são de verdadeiro terror social. Visam alterar radicalmente a relação de forças entre patrões e trabalhadores. O fito é dar ao capital todas as liberdades para dominar como quiser a força de trabalho.

Está à vista que o rumo dado pelo capital à vida do país é o desemprego maciço, o empobrecimento geral da população trabalhadora e a sua redução à condição de massa sem direitos.

Esta política de esmagamento das classes trabalhadoras faz acumular a indignação e a revolta. Importantes manifestações de jovens reclamam uma vida digna. Cresce o número dos que querem responder ao terror social imposto pelo patronato. As condições são favoráveis ao alargamento do campo da luta de classes.

É preciso incentivar esta disposição de luta e rejeitar a chantagem sobre os “perigos de convulsão social”. Com o argumento da defesa da ordem, as classes dominantes apenas pretendem assegurar condições para continuarem a esmagar os de baixo.

Está em curso um ataque em todas as frentes contra o trabalho. Contra isso, é preciso unir todas as forças que se juntam à luta de massas e declarar a legitimidade da resposta social em todas as suas formas.

Para que a luta tenha um sentido útil, é preciso que os trabalhadores rejeitem pagar os custos da crise e façam valer os interesses próprios da sua condição de classe. Não lhes cabe, nem podem, resolver os problemas do capital – mas podem, e só eles podem, defender os seus interesses de assalariados.

Acreditamos que é possível forçar o patronato a recuar se, do lado dos trabalhadores, se reunirem as forças sociais dispostas a obrigar o capital a pagar a crise.

Quatro medidas para que o capital pague a crise

Trabalho para todos
- Ponto final nos despedimentos.
- Contra o desemprego e a precariedade,  reduzir o horário de trabalho sem reduzir salários.

Combate à pobreza e à degradação do nível de vida
- Aumento dos salários e pensões, redução do leque salarial. 
- Não ao aumento dos preços.
- Uso dos dinheiros do Estado e da Segurança Social em exclusivo para apoio ao emprego e ao bem-estar dos trabalhadores. 
- Corte drástico nas despesas militares. Regresso de todas as forças militares e policiais em missões no estrangeiro.

Mais justiça social em vez de polícia
- Apoio social aos bairros pobres, aos imigrantes e à população empurrada para a miséria. 
- Fim ao esbanjamento dos dinheiros públicos. Revogação das Parcerias Público-Privadas.
- Julgamento dos especuladores e corruptos. Expropriação das suas fortunas em benefício da Segurança Social.
- Fim dos privilégios dos administradores e políticos. Extinção das reformas milionárias.
- Impostos fortemente progressivos sobre o capital e as fortunas.

Unidade popular contra o capital
- Recusa do acordo com a troika.
- Combate à política de terrorismo social do patronato.
- União de todos os movimentos de resistência ao ataque capitalista.
- Reforço da organização sindical e da sua capacidade de luta
- Solidariedade com os povos da Grécia e de Espanha.

Outubro de 2011
Colectivo de Comunistas Revolucionários
Colectivo Mudar de Vida