PCI(M): “Condenemos as prisões e a tortura dos activistas maoistas em Kolkata e Mumbai!”

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 12 de Março de 2012, aworldtowinns.co.uk

A Índia tem estado numa via rápida para desempenhar um papel mais importante na economia global. As multinacionais indianas e internacionais estão ansiosas por retalhar as terras habitadas pelos povos tribais para porem as mãos nas riquezas do seu subsolo, minerais como a bauxite, o carvão e o ferro.

O governo indiano não pode tolerar o facto de grandes partes do país não estarem sob seu controlo e está decidido a esmagar toda e qualquer resistência que se atravesse no seu caminho, sobretudo o Partido Comunista da Índia (Maoista) e as massas ávidas de uma mudança radical que constituem o exército que ele lidera. Em finais de 2009, com um conjunto de forças militares e uma extrema crueldade, o governo indiano iniciou uma guerra contra o povo a que chamou Operação Caçada Verde. O texto que se segue é um comunicado à imprensa datado de 2 de Março de 2012 do Comité Central do Partido Comunista da Índia (Maoista), assinado pelo seu porta-voz, Abhay.

Na última semana de Fevereiro de 2012, a polícia prendeu alguns activistas do nosso Partido, entre os quais alguns quadros seniores de Kolkata [ex-Calcutá – NT] e Mumbai [ex-Bombaim – NT]. Com informações específicas fornecidas pela criminosa Agência Especial de Informações do Andhra Pradesh (APSIB), forças conjuntas das polícias e das Forças de Acções Especiais (STF) [dos estados indianos] do Andhra Pradesh, Maharashtra e Bengala Ocidental invadiram os refúgios dos nossos camaradas nos subúrbios de Kolkata e Mumbai e prenderam pelo menos nove camaradas, entre os quais duas camaradas mulheres. Em Kolkata foram presos os camaradas Sadanala Ramakrishna, Deepak Kumar Pargania, Sukumar Mandal, Bapi Mudi e Sambhu Charan, enquanto os camaradas Dinesh Wankhede, Aasimkumar Bhattacharya, Suman Gawde e Paru Patel foram capturados em Thane, no Maharashtra.

Os camaradas Sadanala Ramakrishna, de pseudónimo Santosh, (62 anos) e Aasimkumar Bhattacharya (65 anos) eram os quadros seniores entre os presos. O camarada sénior Sadanala Ramakrishna trabalha para a revolução há pelo menos quatro décadas. Há muitos anos que sofre de graves problemas de saúde. Engenheiro mecânico formado na prestigiada Faculdade Regional de Engenharia (REC) de Warangal, onde outros líderes martirizados como Surapaneni Janardhan e Azad também emergiram como grandes revolucionários do seu tempo, o camarada Ramakrishna sacrificou a sua brilhante vida à causa da libertação dos oprimidos.

As duas camaradas mulheres presas – Vijaya e Suman – têm estado a receber tratamento médico há algum tempo, ficando em refúgios fora das zonas de combate. Em particular, a camarada Vijaya sofre de graves problemas cardíacos.

As forças policiais, conhecidas pelo pior tipo de crueldade, têm torturado mental e fisicamente estes camaradas enquanto estão sob a sua custódia. Forjaram várias acusações falsas contra eles para os poderem fazer elanguescer para sempre atrás das barras.

Por um lado, as classes dominantes estão a declarar que estas prisões são um grande sucesso por elas e, por outro lado, estão a tentar apresentar os nossos camaradas como perigosos criminosos, alegando ter confiscado enormes quantidades de dinheiro vivo e outros materiais usados no fabrico de armas.

Estas prisões não são senão uma parte da Operação Caçada Verde, i.e., a “Guerra contra o Povo” que está a decorrer desde 2009. As classes dominantes compradoras, em conivência com os seus amos imperialistas, em particular os imperialistas norte-americanos, desencadearam esta guerra brutal de repressão nas zonas mais pobres da Índia de forma a que as suas políticas neoliberais de pilhagem dos recursos possam continuar sem entraves. Elas visam particularmente a liderança revolucionária e a sua eliminação. Como alegou recentemente o próprio Pentágono, as Forças Especiais dos EUA não só estão activamente envolvidas, como também estão a ajudar os seus congéneres indianos no terreno, nas operações de contra-insurreição que visam eliminar a liderança revolucionária. Este facto também nos mostra que os EUA têm patrocinado a actual Operação Caçada Verde, tornando numa piada de mau gosto valores como a liberdade, a independência e a soberania do nosso país. Os governantes exploradores do nosso país estão a sonhar se pensam que este movimento pode ser eliminado caso a sua liderança seja aniquilada.

O movimento revolucionário não pode ser esmagado com prisões e assassinatos. As barras dos calabouços não podem impedir que as ideias revolucionárias se propaguem entre as vastas massas.

O CC do PCI (Maoista) condena vigorosamente estas prisões e a desumana tortura que estão a infligir aos nossos camaradas. Exigimos a libertação imediata e incondicional destes camaradas, bem como de todos os presos políticos que sofrem nas várias prisões de todos os cantos da nossa terra. Também exigimos a anulação de todas as falsas acusações contra estes camaradas.